Desde a temporada passada, La Liga declara sua intenção de realizar jogos do Campeonato Espanhol fora do país. A primeira tentativa aconteceu com Girona x Barcelona, planejado para acontecer em Miami. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) barrou a ideia, mas o assunto voltou às manchetes nesta quinta-feira. La Liga insiste na ideia, agora com a intenção de levar Villarreal x Atlético de Madrid para a Flórida. Novamente, a federação indica que não aceitará a solicitação.

A partida, inicialmente marcada para o Estádio de la Cerámica, acontecerá no final do primeiro turno, em 7 ou 8 de dezembro. Tanto Villarreal quanto Atlético de Madrid anunciaram suas pretensões de realizar o duelo no Estádio Hard Rock, em Miami – a casa do Miami Dolphins na NFL. As equipes possuem, obviamente, o apoio da Liga. Mas não da federação, que se antecipou para dizer que não deve conceder a permissão para o jogo fora do país.

“Para jogar em Miami, La Liga necessita de cinco permissões: da Fifa, da Uefa, da Concacaf, da federação americana e da federação espanhola. Eles ainda não têm isso. Fazer a partida fora do país é adulterar a competição”, justificou Luis Rubiales, presidente da RFEF – que, por outro lado, apoiou a transferência da final da Copa Libertadores de 2018 para Madri. O dirigente também pretende levar a Supercopa da Espanha para a Arábia Saudita ou para o Catar.

Apesar da incongruência em seu discurso, Rubiales possui sua razão ao vetar o Campeonato Espanhol em Miami. Há um precedente sério que poderia ser aberto, não apenas na Espanha. Parte dos clubes se posicionou contra a ideia, liderados pelo Real Madrid, assim como os jogadores passaram a se reunir com os dirigentes para manifestar sua insatisfação, diante de todo o impacto que as viagens podem ter em suas rotinas. A associação de futebolistas deve consultar mais uma vez seus afiliados, em especial os atletas de Villarreal e Atlético.

Na outra vez em que La Liga tentou levar um jogo para Miami, demorou duas semanas para enviar o pedido formal à RFEF. Novamente, a federação soube da intenção pela imprensa, mas o ofício ao menos chegou horas depois. A base da entidade para negar a solicitação está no próprio regulamento do Campeonato Espanhol e na adulteração da competição que a exceção criaria. Por isso mesmo, a expectativa de uma abertura é pequena.

“É bom exportar a Liga para um país tão importante. Não há problemas por parte do Atleti. Esperamos que tudo continue em seu curso. É preciso seguir andando e que haja consenso, porque tudo contra a corrente não é bom, faz com que as coisas percam sua magia. Espero que exista acordo com a federação, igual se jogará a Supercopa fora. Peço diálogo às instituições, porque creio que exportar sempre é bom”, analisou Fernando Roig, presidente do Villarreal.

A questão, além do mais, faz parte de uma série de disputas entre La Liga e a RFEF. Como parte do acordo assinado com uma empresa americana de comercialização de jogos, La Liga precisa oferecer ao menos uma partida por temporada aos Estados Unidos. Mesmo que a federação bata o pé, o procedimento tende a se repetir novamente em 2020/21.

No último ano, a Fifa havia assinado uma determinação de que os jogos das ligas nacionais necessitavam acontecer dentro do território de suas respectivas federações, salvo exceções como o Monaco ou o Swansea. Uma abertura gradual, caso ocorra, seria regulamentada pela própria federação internacional. Uma nova maneira de fazer dinheiro, como acontece em ligas americanas como a NFL e a NBA.