Mexicanos exibem o ouro garimpado em Wembley

O Brasil foi engolido pelos próprios erros na decisão dos Jogos Olímpicos. A falta de conjunto e as falhas defensivas acabaram sendo implacáveis, já que a qualidade individual não decidiu como nas partidas anteriores. A seleção brasileira perdeu outra chance de extirpar seu maior trauma e continuará sendo cobrada pelo ouro olímpico.

As fraquezas brasileiras, no entanto, não tiram os méritos do México no feito inédito. Assistente de Ricardo de la Volpe na seleção principal, o técnico Luis Fernando Tena teve liberdade para conduzir o projeto olímpico desde meados de 2011. O fracasso no pré-olímpico de 2008, quando El Tri caiu na primeira fase e Hugo Sánchez acabou demitido, ensinou que uma preparação profunda poderia dar frutos.

Curiosamente, a conquista de outro ouro acabou sendo fundamental para impulsionar o trabalho desenvolvido com a equipe. Apesar do nível inferior da maioria dos adversários, a conquista dos Jogos Pan-Americanos de 2011 serviu para dar consistência ao grupo. Além disso, foi a primeira prova que Tena seguia no caminho certo, depois de uma participação sofrível na Copa América – quando os mexicanos perderam seus três jogos e ainda passaram por problemas de indisciplina no elenco.

Nove campeões em Londres estiveram no torneio de Guadalajara, inclusive os titulares Jorge Enríquez, Diego Reyes, Hiram Mier, Néstor Araujo, Dárvin Chávez e Javier Aquino. Jesus Corona e Oribe Peralta já constavam entre os atletas acima da idade limite, demonstrando que Tena já sabia do que precisava reforçar. E o carrasco brasileiro em Wembley foi o artilheiro da competição continental, com seis gols marcados.

Esta não foi a primeira vez, aliás, que a preparação no Pan acabou rendendo uma medalha olímpica. A Argentina fez o mesmo em 1995, quando derrotou justamente o México na decisão do torneio. Oito jogadores que participaram do triunfo em Mar del Plata ficariam com a prata em Atlanta no ano seguinte, entre eles Javier Zanetti, Hernán Crespo, Ariel Ortega e Juan Pablo Sorín.

Depois do triunfo em Guadalajara, o México ganhou ainda mais embalo em sua preparação para Londres. A equipe sobrou no pré-olímpico, com cinco vitórias em cinco jogos, e apagou o erro de 2008. Como resultado, El Tri entrou nos Jogos Olímpicos com uma equipe bem estruturada. E a prova de sucesso veio com mais um ouro no peito dos mexicanos.