O Fluminense precisou de um dia para anunciar o substituto de Fernando Diniz. Depois da experiência ruim com o jovem treinador, a diretoria tricolor deixou claro que buscava um medalhão para tentar evitar o rebaixamento da equipe no Campeonato Brasileiro. E sua escolha é, digamos, pouco popular – bem como pouco imaginável. Oswaldo de Oliveira comandará a equipe no restante da temporada. O veterano se juntará ao elenco nesta quarta-feira, mas será apresentado oficialmente apenas na segunda.

A semana é decisiva ao Fluminense, afinal. O clube começa o duelo contra o Corinthians pelas quartas de final da Copa Sul-Americana na próxima quinta-feira. O torneio continental foi o único momento de alento na passagem de Fernando Diniz, com grandes vitórias internacionais dos tricolores. A esta altura, soa mais como uma possível alegria da temporada, embora não seja a prioridade. E, diante da bagunça, o favoritismo dos alvinegros aumenta. O auxiliar Marcão dirigirá o time no confronto em Itaquera. Ao menos, os cariocas folgarão no final de semana, após o adiamento da partida contra o Palmeiras na Série A.

Oswaldo de Oliveira não foi a primeira opção do Fluminense. Abel Braga surgiu como nome mais forte na mesa de negociações do clube após a demissão de Fernando Diniz, mas não houve acerto. Logo depois, Dorival Júnior começou a ser aventado. Assim como os colegas, Oswaldo possui um currículo amplo e um histórico vitorioso no futebol. Entretanto, seu presente oferece pouquíssimas garantias. Desde que deixou o Botafogo, em 2013, acumulou apenas trabalhos curtos e pouco relevantes no futebol brasileiro. Sua última passagem aconteceu no Atlético Mineiro, queimado após um início de temporada ruim. Já no último ano, aproveitou sua reputação no futebol japonês para dirigir o Urawa Red Diamonds e até faturou a Copa do Imperador, mas durou meses no cargo, limitado ao meio da tabela na J-League.

Esta será a terceira passagem de Oswaldo de Oliveira pelo Fluminense. E as duas primeiras rementem a um passado já bastante distante dos tricolores. Em 2001, talvez no momento mais badalado de sua carreira, o técnico auxiliou o Flu a alcançar as semifinais do Campeonato Brasileiro. Terminou eliminado pelo Atlético Paranaense e seguiria no cargo até abril de 2002, demitido após a queda para o Brasiliense na Copa do Brasil. Voltou a Laranjeiras quatro anos depois, mas durou apenas 21 partidas. Era o quarto comandante do clube em 2006 e não resistiu aos maus resultados no Campeonato Brasileiro.

A escolha por Oswaldo de Oliveira diz muita coisa, embora transmita pouquíssimas certezas ao Fluminense. Mostra como o mercado de técnicos no Brasil vive uma fase problemática, com poucos nomes que realmente inspiram confiança; reforça a maneira como o momento do clube espanta outros comandantes mais respaldados; indica como a diretoria não sabe direito o que deseja, mudando totalmente seu norte após um movimento arrojado da gestão anterior com Fernando Diniz. É certo que as perspectivas com o antecessor se tornaram mínimas, pela filosofia de jogo que não funcionava no Campeonato Brasileiro e pelo fraco aproveitamento. Ainda assim, a decisão desta terça soa como um passo para trás.

Se não abraçasse a experiência, o Fluminense teria que ousar novamente em sua escolha. Preferiu a tarimba, o que nem assim alivia as críticas por aquilo que Oswaldo de Oliveira representa atualmente. Terá um técnico que não apresentou ideias novas em seus trabalhos mais recentes e, pior, protagonizou instantes de arrogância. Os cariocas dão créditos mais à maneira como ele pode mexer com o brio dos jogadores do que a qualquer outra coisa. Pode até garantir a salvação no Brasileiro, já que, de fato, os tricolores possuem um elenco com capacidade para ascender na tabela. Porém, mesmo que o objetivo se cumpra, “dar certo” é algo muito relativo. O Flu não parece ter um grande futuro pela frente.

O resultadismo do futebol brasileiro ganha mais um exemplo com o Fluminense. A escolha por demitir Fernando Diniz é compreensível, considerando que o time não apresentava soluções em campo. No entanto, nomear Oswaldo de Oliveira se sugere como uma solução ainda pior fora dele. Com raríssimos trabalhos duradouros, há um ciclo dicotômico que se repete no Brasileirão. Quando o novo deixa de convencer, o velho retorna em forma de conhecimento adquirido, até que fique claro que não funciona mais e se volte outra vez ao novo. Mergulhado nesta bipolaridade, os tricolores ao menos esperam que o “velho fato novo” dê um pouco de motivação e evite o pior ao final do ano.