Bicampeão da Copa América, o Chile chegou à atual edição do torneio com menos prestígio que seu status poderia indicar. Fora da última Copa do Mundo, a Roja não emendou grandes resultados sob as ordens de Reinaldo Rueda e também viveu os conflitos internos entre seus medalhões. Como se não bastasse, o processo de renovação é delicado, com poucas novidades ascendendo ao time principal. No entanto, todos esses fatores não foram suficientes para impedir uma estreia categórica dos chilenos. O Japão até ameaçou no Morumbi, mas esteve distante a equiparar a consistência e o talento individual dos sul-americanos. Com os velhos astros decidindo, a equipe goleou por 4 a 0 e indica que ainda será um osso duro de roer no Grupo C da competição.

As escalações

O Japão entrou em campo composto no 4-4-2. Sobrava talento na equipe de Hajime Moriyasu. Enquanto Gaku Shibasaki comandava o meio-campo, Shoya Nakajima vinha aberto pela esquerda. Outro que carregava enormes expectativas era Takefusa Kubo, recém-contratado pelo Real Madrid, com liberdade para se movimentar e encostar no ataque. Já o Chile surgia com seus principais medalhões no 4-3-3 de Reinaldo Rueda. Alexis Sánchez, que era dúvida, entrou pelo lado esquerdo do ataque e Eduardo Vergas aparecia centralizado. Guillermo Maripán, outro que retorna de lesão, compôs a dupla de zaga com Gary Medel. A principal força se concentrava no meio-campo, com a trinca encabeçada por Erick Pulgar, Charles Aránguiz e Arturo Vidal.

Começo animado do Japão

Sem qualquer pressão nesta Copa América, o Japão não demorou a apresentar a técnica de seus jogadores. Shoya Nakajima e Takefusa Kubo proporcionaram alguns lances de efeito, chamando a defesa chilena para dançar com seus dribles. Não à toa, as primeiras oportunidades foram dos japoneses, ainda que sem tanto perigo. Na principal delas, Nakajima arriscou de fora da área e o goleiro Gabriel Arias não teve dificuldades para defender. A velocidade dos Samurais Azuis nas transições era um tormento.

O Chile equilibra e responde

Não demorou para que o Chile entendesse o jogo do Japão e começasse a se sobressair em campo, se valendo da capacidade física na faixa central. Realizando muitos desarmes, a Roja passou a controlar a partida e logo começou a criar suas oportunidades no ataque. A principal válvula de escape se dava no lado esquerdo, onde Jean Beausejour avançava e apoiava Alexis Sánchez. Faltava aproveitar um pouco mais as brechas. Vidal chutou para fora na primeira chegada, enquanto Vargas não cabeceou em cheio uma bola cruzada. Aos 34 minutos, foram ainda dois lances consecutivos, ambos com Alexis, em tiros que saíram tirando tinta da trave.

Sai o primeiro gol

O Chile viveu seu melhor momento no primeiro tempo durante os dez minutos finais. Os chilenos empurravam o Japão contra a parede e, pressionando bastante, iam sendo travados pela defesa adversária. Porém, não houve quem evitasse o merecido gol da Roja aos 40 minutos. Aránguiz cobrou escanteio pela direita e Pulgar saltou no meio de dois, cabeceando firme. Bola no ângulo do goleiro Keisuke Osako. O tento acordou os nipônicos, que deram um susto com Ayase Ueda. Shibasaki recuperou uma bola no meio e acionou o atacante, que ia passando por Arias, mas chutou para fora. A resposta dos sul-americanos foi imediata, em cabeçada de Sánchez que Osako pegou com firmeza. Foi o último bom lance antes do intervalo.

Chile amplia

Durante o segundo tempo, o Chile não precisou ser tão intenso. Administrava a posse de bola e não demorou a ampliar a diferença, aos oito minutos. Após uma boa trama coletiva, Mauricio Isla avançou pela direita e passou a Eduardo Vargas, na entrada da área. O atacante arriscou de primeira e a bola desviou em Tomiyasu, antes de entrar no alto. O goleiro Keisuke Osako não teve chances. Outra vez, o Japão tentou a resposta imediata. Ayase Ueda perdeu uma oportunidade enorme, errando o alvo após cruzamento da direita.

Jogo muda um pouco de forma

Com a diferença confortável, o Chile pôde se acomodar em campo. Diminuiu ainda mais o ritmo, o que permitiu ao Japão voltar para o ataque. Apesar disso, os nipônicos não aproveitaram o momento. Kubo era quem puxava os ataques. Aos 19, chegou a passar por Medel e Vidal, mas chutou para fora. Depois, em mais um lance iniciado pelo prodígio, Ueda não conseguiu completar o cruzamento rasteiro na pequena área. Neste momento, os dois treinadores realizavam as alterações, com os Samurais Azuis ficando mais ofensivos, apesar da saída de Shoya Nakajima.

Virou goleada

Ueda se cansou de perder gols. Sua última aconteceu aos 29 minutos, no mano a mano com Arias, parando no goleiro. Deu lugar a Shinji Okazaki. Já o Chile perdeu Arturo Vidal, sentindo um incômodo na coxa, antes que Rueda acertasse a marcação pelo lado direito. E foi justamente por ali que saiu o terceiro gol, aos 37. Aránguiz foi lançado dentro da área, protegeu a bola do marcador e fez o giro para cruzar. Conectou com Alexis Sánchez, em disparada, emendando o peixinho dentro da área. Por fim, um minuto depois, a Roja matou o jogo. Após um erro do Japão, Sánchez dominou na intermediária e deu um lindo tapa por elevação. Deixou Vargas na cara do gol. Diante da saída desesperada do arqueiro, o artilheiro só precisou encobri-lo. Chegou a 12 tentos em Copas América, maior goleador do país na história do torneio. Nos minutos finais, o Japão tentou acelerar pelo gol de honra, mas o Chile ainda esteve mais próximo do quinto, em bomba do substituto Junior Fernandes que Osako defendeu.

Destaques individuais

O melhor setor do Chile, claramente, é o meio-campo. Consegue marcar com vigor e também chega à frente, embora tenha perdido intensidade com o passar dos minutos. Arturo Vidal fez um baita primeiro tempo no Morumbi, dando combate e se apresentando na construção das jogadas. Erick Pulgar é outro que vem em alta, fazendo refletir a boa fase com o Bologna também na seleção. Além disso, há um claro desequilíbrio no time. O lado esquerdo é bem mais forte, com Jean Beausejour e Alexis Sánchez – este, com uma vontade que não se nota em Old Trafford. E, no comando do ataque, Eduardo Vargas sublinhou como é um atacante excepcional com a camisa vermelha. Do lado japonês, o diferencial foi mesmo Takefusa Kubo. Seguiu como a referência do time nos dois tempos, com repertório nos dribles e jogadas agudas. Não sentiu o peso da ocasião.

De novo, estádio vazio

Se o Morumbi não esteve lotado nem mesmo para a estreia do Brasil na Copa América, o público foi ainda pior no Chile x Japão de segunda à noite. O anel superior concentrou a maior parte da torcida, com os setores mais próximos do campo às moscas. A torcida chilena, ao menos, serviu para animar um pouco mais a atmosfera com seus gritos tradicionais. Foram 23,3 mil pagantes e a renda chegando a R$4,7 milhões.

Próximos compromissos

O Japão volta a campo primeiro. Encara o Uruguai na Arena do Grêmio, durante a próxima quinta-feira. Terá que lidar com a pressão, tanto pela superioridade da Celeste quanto pelo esperado apoio nas arquibancadas em Porto Alegre. Já o Chile viaja para Salvador, onde pega o Equador na sexta e tenta ratificar a classificação antecipada.

Ficha técnica

Chile 4×0 Japão

Local: Estádio do Morumbi, São Paulo (BRA)
Árbitro: Mario Díaz de Vivar (PAR)
Gols: Erick Pulgar, 40’/1T; Eduardo Vargas, aos 9’/2T; Alexis Sánchez, 37’/2T; Eduardo Vargas, 38’/2T.
Cartões amarelos: Hara, Nakayama (Japão); Opazo (Chile)

Chile: Gabriel Arias, Mauricio Isla, Gary Medel, Guillermo Maripán, Jean Beausejour; Erick Pulgar, Charles Aránguiz, Arturo Vidal (Pablo Hernández); José Pedro Fuenzalida (Óscar Opazo), Eduardo Vargas (Junior Fernandes), Alexis Sánchez. Técnico: Reinaldo Rueda.

Japão: Keisuke Osako, Teruki Hara, Naomichi Ueda, Takehiro Tomiyasu, Daiki Sugioka; Daizen Maeda (Koji Miyoshi), Gaku Shibasaki, Yuta Nakayama, Shoya Nakajima (Hiroke Abe); Takefusa Kubo, Ayase Ueda (Shinji Okazaki). Técnico: Hajime Moriyasu.