É difícil encontrar alguém que não tenha se emocionado com o amor de Silvia Grecco pelo filho Nickollas. A mãe palmeirense dá um grande exemplo de dedicação e inclusão, ao narrar os jogos do clube no Allianz Parque ao menino, cego desde seu nascimento e também autista. É seu carinho que serve de motivação e ajuda o desenvolvimento do garoto de 12 anos no dia a dia. E a história, que vai muito além do futebol, também rompeu as fronteiras do Brasil. Silvia e Nickollas foram reconhecidos pelo resto do mundo, premiados com o Fan Award na cerimônia do prêmio The Best, da Fifa.

Silvia e Nickollas concorriam especialmente com o uruguaio Justo Sánchez, outro pai cujo amor pelo filho superou qualquer limitação – inclusive a física. Torcedor fanático do Cerro, ele passou a frequentar as partidas do rival Rampla Juniors para homenagear Nico. Falecido em um acidente de carro, o filho torcia pelo Rampla e isso não impediu que o pai replicasse sua fidelidade pelos rivais, num tributo constante. O estádio serve de ponte àquilo que Justo não pode mais experimentar neste plano terreno, com a ausência física de Nico.

Uma pena que apenas um deles pôde ser premiado. Ainda assim, Silvia realizou um bonito discurso, em que compartilhou a honraria com o uruguaio. Além do mais, a mãe palmeirense aproveitou a ocasião para ressaltar o papel que o futebol pode ter na integração de pessoas com deficiência. Nickollas estava junto com a mãe no palco em Milão, cumprimentado pelo meio-campista Andrea Pirlo e pela zagueira Laura Georges, responsáveis por entregar o troféu.

“Eu gostaria de compartilhar este prêmio com o senhor Justo Sánchez, que também tem uma linda história de amor com o filho dele”, discursou Sílvia, diante da plateia amplamente emocionada. “Nickollas, aqui na frente estão muitas pessoas, muitos jogadores, muitos ídolos, jogadores brasileiros. Estamos aqui representando nosso time, o Palmeiras, e todos os torcedores do Brasil, todos os torcedores do mundo, todos aqueles que torcem pela pessoa com deficiência. O futebol pode transformar a vida dessas pessoas. É muito amor, é muita dedicação”.

“No simples gesto de narrar os jogos para o meu filho, tivemos a oportunidade de um jornalista da TV Globo, Marco Aurélio Souza, nos ver com os olhos e nos enxergar com o coração. Aí, a nossa história rodou o mundo. Fizemos um vídeo para a Fifa durante a Copa do Mundo Feminina. Agradeço muito à Fifa por essa indicação e por hoje eu poder falar para o mundo do futebol que a pessoa com deficiência existe, que ela precisa ser amada, respeitada, incluída. Obrigada, Deus, por me permitir ser ponte e hoje representar não apenas meu filho, mas todos do mundo que têm alguma deficiência e precisam de oportunidade”, complementou.

Abaixo, quatro vídeos: o discurso de Sílvia, a reportagem realizada pela Fifa, a visita de Nickollas ao Palmeiras em setembro do ano passado e também o curta que reconta o luto de Justo Sánchez. Há também reportagens feitas pela TV Globo sobre os dois episódios.