Quis o destino (ou, melhor dizendo, o sorteio da Conmebol) que brasileiros e paraguaios travassem dois confrontos na última etapa classificatória da Copa Libertadores. Botafogo e Atlético Paranaense irão encarar os guaranis, na busca por seus lugares na fase de grupos. Entretanto, pegam dois adversários de estaturas bem diferentes. Enquanto o Olimpia é o terceiro clube com mais aparições no torneio continental e o quinto no total de títulos, o Deportivo Capiatá faz apenas sua estreia na principal competição sul-americana. Os auriazuis, aliás, possuem uma trajetória bem recente, fundados em 2008, 106 anos depois do início da gloriosa história dos franjeados. Em compensação, existem semelhanças em campo. Afinal, tanto Olimpia quanto Capiatá estão recheados de jogadores com experiência em Copas do Mundo. Os últimos representantes das boas gerações da seleção paraguaia.

O Olimpia só cruzará o caminho do Botafogo graças àquele que foi a grande estrela da Albirroja ao longo da última década. Roque Santa Cruz começou a carreira no próprio clube e disputou a Libertadores de 1999, mas rodou bastante depois disso. Defendeu sete equipes diferentes, fazendo sucesso principalmente por Bayern de Munique e Málaga, até retornar para casa em 2016. E já mostrando a que veio. O centroavante de 35 anos anotou o gol da classificação diante do Independiente del Valle na fase anterior da Libertadores. Seu primeiro tento pela competição continental em quase 18 anos. Pela tarimba e pelo faro de gol (às vezes raro, é verdade), os cariocas precisarão redobrar a atenção.

Aposentado da seleção no ano passado, Santa Cruz é o recordista em gols e o terceiro com mais jogos. Possui três Copas do Mundo no currículo, de 2002 a 2010. E, no Olimpia, se reencontrou com outros companheiros mundialistas. Titular na cabeça de área, o ex-gremista Cristian Riveros possui duas Copas no currículo, além de 95 partidas pela Albirroja. O volante chegou ao clube em 2015 e, aos 34 anos, continua sendo convocado à seleção. Já o reserva da meta franjeada é Diego Barreto, de 35 anos, parte do elenco guarani no Mundial de 2010. Outro reforço buscado pelo Decano há duas temporadas, cruzando a fronteira da rivalidade, contratado junto ao Cerro Porteño.

O Deportivo Capiatá, por sua vez, conta com a geração internacional da seleção paraguaia desde o comando. O técnico é Diego Gavilán, dando os primeiros passos na nova carreira. Em seus tempos de jogador, o volante rodou pelo Brasil, defendendo Internacional, Grêmio, Flamengo e Portuguesa. Já sua empreitada à beira do campo começou logo depois de pendurar as chuteiras, assumindo o sub-15 do Cerro Porteño. Na sequência, passou por outros clubes de menor expressão do Paraguai, até ganhar uma oportunidade com os auriazuis no ano passado. E não se pode negar os seus méritos, especialmente depois da incrível virada sobre o Universitario, para buscar a vaga na atual etapa da Libertadores. O treinador pode passar a experiência de quem jogou duas Copas, em 2002 e 2006.

Aos 36 anos, Gavilán é mais jovem que seu jogador mais tarimbado. E poucos no Paraguai tem a rodagem do defensor Carlos Bonet, que jogou todos os Mundiais de 2002 a 2010. O lateral de 39 anos teve sua passagem mais famosa pelo Libertad, mas também defendeu Cerro Porteño e Olimpia. Chegou ao Capiatá justamente para a Libertadores. Outro contratado para agregar com experiência é o atacante Dante López. Ele era reserva na Copa de 2006 e já passou por clubes de três continentes. Além dos mundialistas, ainda há o artilheiro Roberto Gamarra. O veterano de 35 anos nunca atuou pela seleção, mas foi primordial na fase anterior, com três gols diante do Universitario.

Em qualidade, Botafogo e Atlético Paranaense são superiores aos seus adversários. Mas não que Olimpia e Deportivo Capiatá não mereçam atenção. Ambos já mostraram serviço nessa Libertadores, com capacidade para enfrentar situações adversas. E possuem jogadores que estiveram em palcos ainda maiores em suas carreiras. Tarimba que também conta na Libertadores.