Desafiar o poderio dos clubes brasileiros na América do Sul não é fácil. Afinal de contas eles têm dinheiro, têm os melhores jogadores, têm estrutura, salários em dia, os técnicos mais bem pagos, centros de treinamento modernos… Diz-se que aos times do resto do continente resta ter mais vontade, garra, paixão e torcer para que a sorte sorria. É verdade. Mas não é toda a verdade… O Olimpia teve tudo isso, mas também frieza e estratégia para chegar às semifinais da Libertadores após 11 anos de ausência.

O duelo contra o Fluminense foi uma verdadeira aula de como o futebol deve ser encarado. Amor à camisa, entrega e luta sim, mas a favor de um objetivo. Ciente de suas dificuldades técnicas e do tamanho do adversário, o Decano foi ao Rio de Janeiro com um único objetivo: não perder. O gol fora de casa interessava, é claro, mas o técnico Hugo Almeida e seus comandados sabiam que se tratava de um extra e que ter a chance de decidir o confronto no Defensores del Chaco era muito melhor do que correr riscos em terras brasileiras.

Cumprida a primeira parte da missão, – sob os patéticos protestos dos brasileiros, que reclamaram da retranca paraguaia – restava à equipe franjeada fazer um bom jogo em casa e se aproveitar de algum erro do adversário para tentar vencer. O erro, no entanto, veio justamente do sempre organizado setor defensivo olimpista, que resultou no gol de Rhayner.

Em desvantagem já aos 9 minutos do primeiro tempo a equipe paraguaia não conseguia impor seu futebol, mas mesmo assim não se desesperou. Hugo Almeida então fez o que um técnico deve fazer: tomou uma decisão para mudar os rumos da partida. Aos 20 do primeiro tempo ele tirou o meiocampista Caballero para colocar o centroavante Juan Carlos Ferreyra. O camisa 10 Salgueiro pôde então voltar à sua posição original de enganche, enquanto o grandalhão camisa 9 passou a incomodar os zagueiros do Fluminense. O Olimpia começou a ter a bola e o time brasileiro aceitou. Talvez pensassem que a sede de vitória da equipe paraguaia facilitaria as coisas para resolver o jogo no contra-ataque… Ledo engano.

Hugo Almeida, Salgueiro, Ferreyra, Bareiro e todos os torcedores sabiam que aquela era uma batalha de 180 minutos e que havia ao menos mais 60 para que um vencedor fosse declarado. Os dois gols do Olimpia ainda no primeiro tempo foram mais do que qualquer torcedor esperava. Restava então 45 minutos para aguentar o adversário… Era mais uma vez hora de os jogadores mostrarem “hambre” e deixarem o sangue no gramado, mas sem esquecer do futebol.

Felizmente para os paraguaios, o Fluminense facilitou as coisas com seus 31 cruzamentos e 45 lançamentos em direção aos zagueiros e ao goleiro Martín Silva. Não há nada melhor para um time acostumado a marcar e treinar bola aérea do que ser abordado por esse tipo de jogada. Houve catimba, houve cera, houve até jogo desleal em alguns momentos, mas nada fora do contexto de uma partida de futebol. Mais que isso, houve calma, houve planejamento e houve estratégia. Tudo, é claro, com aquele sangue nos olhos que deveria ser condição sine qua non para qualquer atleta de clube grande, e que no caso do Olimpia é ainda mais simbólico se pensarmos que os atletas não recebem em dia há algum tempo.

Após a partida os brasileiros seguiram com a empáfia de sempre. “Perdemos pra nós mesmos”, “não merecíamos ter saído daqui derrotados”, “fizeram rodízio de faltas”, “o juiz deveria ter dado 20 minutos de acréscimo”… O choro é livre. Mas no caso do Olimpia foi um choro de muita emoção e satisfação. Após a partida o zagueiro Salustiano Candia disse que desde pequeno sonha com a chance de chegar a uma semifinal de Libertadores. Bareiro dedicou a vitória ao companheiro Ariosa, que deve ficar afastado dos gramados por pelo menos dois anos devido a um problema de saúde. Juan Carlos Ferreyra, por sua vez, afirmou que é inesquecível o reconhecimento da torcida aos méritos do time, enquanto o técnico Éver Hugo Almeida disse que os jogadores foram heróis e que estava satisfeito de só assistir à alegria dos olimpistas dentro e fora dos gramados.

Difícil acreditar que Sóbis, Fred e Abel Braga tivessem coisas semelhantes a dizer… Talvez chamassem para eles os méritos. Talvez comemorassem em bares e casas noturnas badaladas. Talvez preferissem falar em título do que exaltar a classificação. São hipóteses apenas… Mas é certo que agora eles têm uma chance de pensar a respeito. Pelo terceiro ano consecutivo o “time de guerreiros” é eliminado da Libertadores por guerreiros que também jogam futebol.

Ao clube paraguaio resta apenas sonhar com o quarto título continental e viver o momento. O Santa Fe é outro clube que sabe de suas limitações e que joga futebol de fato. A partida promete, mas o simples fato de recuperar o prestígio internacional já é uma grande alegria para os olimpistas.

Mais paraguaias

– Com a classificação garantida e a pausa na Libertadores para a disputa da Copa das Confederações, o Olimpia tenta chegar a uma vaga no torneio continental do ano que vem por meio do Campeonato Paraguaio. Neste domingo acontece o Superclássico com o Cerro Porteño e os titulares contra o Fluminense já disseram que querem jogar.

– Olimpia e Cerro dificilmente brigarão por título, devido ao ótimo desempenho do Nacional. A equipe tricolor chegou a 43 pontos em 16 jogos depois de vencer o próprio Olimpia por 3 a 2. O Cerro Porteño é o segundo, com 29 pontos após triunfo por 2 a 0 contra o Deportivo Capiatá. Já o Olimpia é o sétimo, com 19 pontos.

Chilenas

– O fim de semana passado marcou a consagração de um dos novos técnicos do futebol sul-americano. José Sierra venceu as desconfianças e levou a Unión Española ao título do Transición 2013. Foi sofrido, mas a vitória por 1 a 0 contra o Colo-Colo garantiu à equipe a taça por causa do saldo de gols, já que a Universidad Católica terminou o campeonato com a mesma pontuação.

– Vale lembrar que Sierra era o técnico do clube na temporada passada e que foi mantido no cargo após a eliminação para o Boca Juniors na Libertadores e derrota nos pênaltis para o Huachipato no Clausura 2012.

– A partir de 28 de julho os clubes chilenos disputam o Apertura 2013, que marca o início da temporada, agora coincidindo com o calendário europeu.

Venezuelanas

Habemus novo campeão também na Venezuela. No duelo entre os vencedores do Apertura e Clausura, o Zamora ganhou do Deportivo Anzoátegui fora de casa por 2 a 1 e faturou o título da temporada. Foi a primeiro taça “absoluta” da equipe de Barinas.

Uruguaias

No Uruguai a decisão é neste fim de semana, com a última rodada do Clausura. O Defensor Sporting tem 30 pontos e enfrenta o Cerro fora de casa. Já o Peñarol tem 27 e joga contra o Liverpool, também fora de casa. O saldo dos carboneros é de 14, melhor que o de 10 de La Violeta. O River Plate também tem 27 pontos e joga em casa com o Fénix. O saldo do River é de 12.

Colombianas

– Já no Apertura colombiano o momento de definição é das vagas para os quadrangulares finais. Santa Fe, Atlético Nacional, Itagüí, Tolima, Millonarios e Deportivo Cali já estão classificados.

– Once Caldas, Deportivo Pasto, Cúcuta e Junior brigam pelos dois lugares restantes. Once Caldas e Pasto têm 25 pontos, enquanto os outros dois times têm 22.

Bolivianas

Após a realização da última rodada no fim de semana, foram definidas duas das três vagas bolivianas na Libertadores 2014. O campeão Bolívar – que encerrou a série de três conquistas do The Strongest – está garantido, assim como o Oriente Petrolero, que ficou em segundo.

Equatorianas

No Primera Etapa do Equador, o Emelec perdeu por 2 a 1 para o El Nacional, mas segue na liderança, com 35 pontos em 16 jogos. O Deportivo Quito, no entanto, não aproveitou a chance, perdeu para o Barcelona e segue com 32 pontos, mas em 18 jogos. A LDU tem a mesma pontuação e jogos depois de ganhar do Deportivo Quevedo por 3 a 1.

Peruanas

No Peru segue a disputa entre Sporting Cristal e Real Garcilaso, agora com o Universitario também participando da briga. O Sporting Cristal empatou por 2 a 2 com o Sport Huancayo e chegou a 30 pontos em 16 jogos. O Universitario tem a mesma pontuação depois de vencer a Universidad San Martín. Já o Garcilaso tem 27 pontos, mas três jogos a menos.