O Leeds United estará de volta à elite do Campeonato Inglês na próxima temporada, para continuar a escrever uma história interrompida há 16 anos. Os Whites atravessaram diferentes penúrias em sua jornada até conquistarem o acesso com Marcelo Bielsa. E, apesar daquele rebaixamento em 2003/04, possuem episódios bastante marcantes na Premier League. O clube iniciou a nova era da competição como campeão vigente de 1991/92, protagonizou ótimas campanhas, classificou-se à Champions League em tempos de gargalos apertados. E, sobretudo, colecionou ídolos. Vários e vários nomes emblemáticos passaram por Elland Road.

De 1992/93 ao descenso em 2003/04, o Leeds teve seis treinadores diferentes na Premier League. Howard Wilkinson era o homem que reconduziu os Whites às glórias e se manteve no cargo por oito anos, até 1996. Terminou a Premier League por duas vezes na quinta colocação. Passou o bastão após o vice na Copa da Liga, quando George Graham foi o escolhido após deixar o Arsenal. Ficaria apenas dois anos, antes de ser substituído por David O’Leary. Zagueiro simbólico dos Gunners, o irlandês foi outro que fez história em Elland Road, ao dirigir o Leeds às semifinais da Copa da Uefa e da Champions. Também levou a agremiação ao terceiro lugar da Premier League, quase sempre ficando no pelotão de frente. Saiu em 2002, quando a crise começava a se deflagrar.

O Leeds teve uma certeza na manutenção do sucesso que não se concretizou e gastou mais do que deveria achando que participaria todos os anos da Champions, o que provocou um rombo enorme em suas contas. Terry Venables foi um técnico de alto calibre que assumiu neste momento de desmanche e acumulou mais problemas. Já no fim da estadia dos Whites na primeira divisão, Peter Reid e Eddie Gray tentaram assumir a bomba, sem sucesso. A Championship veio e, com direito a três anos na League One, o clube não sairia das divisões de acesso tão cedo.

Já dentro de campo, o Leeds teve diversos jogadores que conquistaram a torcida durante a era Premier League. Os campeões em 1991/92 estavam com sua história encaminhada, mas vieram outros tantos que caíram nas graças do público depois disso, especialmente na geração que alcançaria a semifinal da Champions em 2000/01. Figuras que podem até ter passado pouco tempo em Elland Road, mas fizeram o suficiente para criar sua relação com o time e com a torcida. Abaixo, trazemos uma coleção desses nomes: jogadores bastante ligados ao próprio Leeds ou então que usaram a equipe como um trampolim, mas que simbolizam este período de 12 anos na Premier League – antes dos 16 longe dela.

John Lukic

O lendário goleiro do Leeds estreou pelo clube em 1979 e passou boa parte dos anos 1980 defendendo a meta do Arsenal, com o qual conquistou o Campeonato Inglês pela primeira vez. Após a contratação de David Seaman pelos Gunners, porém, o descendente de sérvios retornou a Elland Road em 1990. Instrumental na conquista do título nacional com os Whites em 1991/92, o arqueiro seguiria no clube até 1996 e aumentaria sua idolatria. O camisa 1 chegaria a 430 jogos com o Leeds, mas perderia espaço com a contratação de Nigel Martyn e retornaria justamente ao Arsenal, tornando-se reserva de Seaman. Jogou até os 40 anos, chegando a quebrar o recorde como jogador mais velho a atuar em uma partida de Champions. É um dos raros atletas que figuraram em quatro décadas diferentes na elite do Campeonato Inglês.

David Batty

Nascido em Leeds e criado na base do clube, Batty iniciou sua carreira como profissional em 1983. O meio-campista combativo era visto como o herdeiro de Billy Bremner e escreveria sua própria história em Elland Road. Participou do acesso à primeira divisão em 1989/90 e, duas temporadas depois, conquistaria o Campeonato Inglês com os Whites. Além de ser incansável na cabeça de área, também contribuía muito com seus bons passes. Disputou a primeira edição da Premier League com o Leeds, antes de ser campeão com o Blackburn e também ter passagem expressiva pelo Newcastle. Também era figura carimbada na seleção inglesa. O volante voltaria para casa em 1998 e disputaria mais seis temporadas em Elland Road até pendurar as chuteiras. Brilhou especialmente na caminhada até as semifinais da Champions em 2000/01. Ao final da carreira, chegou a marca das 382 aparições com o clube – mas apenas quatro gols.

Gary Speed

O galês despontava no críquete e no futebol quando se tornou uma aposta do Leeds a partir das categorias de base. Promovido ao time principal em 1988, seria um símbolo dos Whites na virada da década. Versátil, se firmou principalmente pelo lado esquerdo do meio-campo. Era um jogador com ótima leitura das partidas e que contribuía bastante à construção ofensiva. Além do mais, costumava ser visto como um grande exemplo dentro de campo, seja por sua liderança ou por seu empenho. Com uma forma física excelente, Speed era constante nas escalações do Leeds e foi titular absoluto na campanha do título em 1991/92, assim como seria nas quatro primeiras edições da Premier League. Deixou Elland Road em 1996, para se juntar ao Everton, com 312 partidas e 57 gols. Seria ídolo também em Newcastle e Bolton. As homenagens dos Whites se tornaram ainda mais frequentes a partir de 2011, quando o veterano faleceu.

Gordon Strachan

Formado pelo Dundee e estrela do Aberdeen de Sir Alex Ferguson, Strachan também trabalhou com o treinador no Manchester United. O meio-campista seria levado pelo Leeds em 1989, já aos 32 anos, mas com muita lenha para queimar. Liderou o retorno dos Whites à primeira divisão e seria eleito o melhor jogador do Campeonato Inglês na temporada de reestreia na elite em 1990/91, embora tenha se eternizado mesmo como o capitão do título em 1991/92. Strachan oferecia enorme dinamismo no meio-campo, atuando geralmente pelo lado direito, e seguiu rendendo em alto nível mesmo depois. Foram duas temporadas como titular na Premier League, até que um problema nas costas limitasse seu espaço e ele arrumasse as malas ao Coventry. Totalizou 244 partidas e 45 gols em seu período em Elland Road.

Tony Dorigo

Dorigo nasceu na Austrália, mas mudou-se à Inglaterra no final da adolescência graças ao talento no futebol. Juntaria-se inicialmente ao Aston Villa e passou também pelo Chelsea, até ser contratado pelo Leeds em 1991. Um dos melhores laterais esquerdos de sua época, mostrou que poderia fazer a diferença ao conquistar logo de cara o título de campeão inglês. Foi eleito o melhor jogador dos Whites naquela temporada. Já na primeira edição da Premier League, seria um dos únicos jogadores do Leeds a acabarem na seleção do campeonato, ao lado de Gary Speed. Frequente na seleção inglesa, Dorigo perderia um pouco mais de espaço na segunda metade da década, quando se transferiu ao Torino em 1997. Totalizou 208 partidas pelo clube.

Eric Cantona

Pelo número de jogos, Cantona está distante de se equiparar à importância de outros jogadores desta lista. Contudo, o atacante fez acontecer em seus poucos meses em Elland Road. Contratado em janeiro de 1992, após colecionar problemas no futebol francês, o craque deu um toque de qualidade ao time que conquistou o Campeonato Inglês. Anotou apenas três gols e geralmente saía do banco, mas presenteava o companheiro Lee Chapman com suas assistências. Contratado em definitivo, Cantona ganharia mais protagonismo na era Premier League e até anotou o primeiro hat-trick da nova liga, num 5 a 0 sobre o Tottenham. Só que, com problemas físicos e atritos com o técnico Howard Wilkinson, o francês teria vida curta em Elland Road. Em novembro de 1992, o genioso artilheiro se transferiu ao Manchester United e lá realmente fez história. Pelo Leeds, contabilizou 34 jogos e 11 gols.

Gary McAllister

McAllister despontou no Motherwell e chegou à Inglaterra através do Leicester. Seu desembarque em Elland Road aconteceu em 1990, para substituir Vinnie Jones após a venda do meio-campista ao Sheffield United. E, no lugar de um carniceiro, os Whites ganharam um volante para dar qualidade técnica ao seu jogo e contribuir bastante na construção. O impacto de sua chegada se notaria em pouco tempo e, depois de uma boa campanha no Campeonato Inglês, McAllister já se tornaria uma das principais figuras no título de 1991/92. Dono da faixa central, disputaria quatro temporadas da Premier League pelo Leeds e viveria seu melhor ano em 1993/94, eleito para a seleção do torneio e também recebendo o prêmio de melhor jogador do clube. O camisa 10 despediu-se em 1996, como capitão da equipe derrotada na decisão da Copa da Liga. Seguiria ao Coventry e também defenderia o Liverpool. Foram 294 jogos, 45 gols e ainda um curto trabalho como treinador dos Whites, em 2008.

David Wetherall

Formado pelo Sheffield Wednesday, Wetherall chegou ao Leeds United com 20 anos, se integrando ao time durante a campanha do título em 1991/92. Mesmo assim, o zagueiro entrou em campo para segurar o placar no jogo decisivo. E seguiria como um nome frequente nos Whites durante toda a década de 1990. Foi titular em boa parte desse período e participou de momentos emblemáticos do clube, incluindo campanhas europeias e o bom desempenho na Premier League. Entretanto, com a falta de espaço na zaga e a forte concorrência no setor, o veterano preferiu arrumar suas malas ao Bradford City em 1999. Completou 250 partidas, com 18 gols.

Chris Fairclough

Cria do Nottingham Forest, Fairclough também tinha passado pelo Tottenham, quando foi levado pelo Leeds em 1989. Ficou inicialmente emprestado, mas logo se estabeleceu no miolo de zaga e contribuiu ao acesso à primeira divisão. Seria eleito o melhor jogador do ano naquele momento, em 1990. Muito popular entre os torcedores, manteve seu lugar. Contribuiu à conquista do Campeonato Inglês em 1991/92, antes de também integrar a equipe durante os primeiros anos de Premier League. Seguiria em Elland Road até 1995, quando se transferiu ao Bolton, já aos 31 anos.

Lee Chapman

O centroavante da conquista do Campeonato Inglês de 1991/92 teve duas passagens pelo Leeds United. A primeira delas aconteceu entre 1990 e 1993, depois de já ter rodado por vários clubes, trazido do Nottingham Forest. Presente em campo durante o Desastre de Hillsborough, Chapman seguiria ao Leeds um semestre depois, em janeiro de 1990. Contribuiu ao acesso à primeira divisão e seria um dos responsáveis por impulsionar os Whites na elite, com seus muitos gols. Autor de 21 tentos na campanha de retorno, faria mais 16 na caminhada do título. Homem de área, combinava sua altura com o talento nas cabeçadas. Ficaria ainda no primeiro ano de Premier League, com mais 13 gols, mas seguiu ao Portsmouth. Depois voltou a uma rápida passagem pelo Leeds em 1996, quando anotou dois gols, mas sem deixar grande marca. Ao todo, foram 80 tentos em 174 aparições pela agremiação.

Chris Whyte

O zagueiro surgiu no Arsenal e fazia parte das seleções de base da Inglaterra, mas a carreira não seguiu os rumos esperados. Ele seria emprestado ao Crystal Palace, antes de passar pelo futebol indoor dos Estados Unidos. Retornaria através do West Brom, antes de se tornar um dos reforços do Leeds após o acesso em 1990. Era onipresente na zaga durante as primeiras temporadas na primeira divisão, inclusive no título. Ainda jogaria a primeira campanha na Premier League, mas o veterano acabaria negociado com o Birmingham City.

Gary Kelly

A ascensão de Kelly na lateral direita do Leeds aconteceu logo no advento da Premier League. O irlandês havia sido trazido na temporada do título inglês e ganhou a posição no lugar de Mel Sterland. Não deixaria mais seu posto, exceto quando podia atuar também no miolo da zaga. Figura frequente na seleção irlandesa, Kelly seria eleito para a equipe ideal da Premier League em 1993/94 e repetiria o feito seis anos depois. Transformou-se em símbolo dos Whites, a ponto de ganhar uma partida em homenagem quando completou dez temporadas com o clube, em 2002. E não deixou Elland Road nem mesmo com a derrocada da agremiação, seguindo firme por lá até 2007, quando se aposentou aos 32 anos. Homem de um só clube, despediu-se com 531 partidas, oitavo com mais aparições na história dos Whites – e primeiro na era pós Don Revie.

Rod Wallace

Revelação de um Southampton que primava pelo seu potencial ofensivo, com Alan Shearer e Matt Le Tissier, Wallace assinou como negócio de peso do Leeds em 1991. O garoto de 21 anos logo conquistou seu lugar na equipe titular e virou uma importante peça do ataque na conquista do Campeonato Inglês em 1991/92, movimentando-se e abrindo espaços. Anotou sete gols, embora sua grande temporada tenha vindo na Premier League 1993/94. Além de balançar as redes 17 vezes, ganharia o prêmio de gol mais bonito do torneio, numa arrancada contra o Tottenham em que driblou três e bateu colocado da entrada da área. Alternou-se entre titulares e reservas até 1998, quando transferiu-se ao Rangers. Participou de 256 jogos pelos Whites, com 66 gols marcados.

Brian Deane

Revelado pelo Doncaster, Deane estourou mesmo com a camisa do Sheffield United. Era cotado pelos principais clubes da liga, até que assinou com o Leeds em 1993, numa transação recorde do clube. O atacante formou uma dupla explosiva com Rod Wallace em sua primeira temporada com os Whites e também seria eleito o melhor jogador do clube em 1995, mas seus números não se mantiveram tão bons com o passar do tempo. Foram quatro temporadas e 32 gols pela Premier League, até que rodasse por longa lista de clubes – incluindo Middlesbrough, Leicester e West Ham. Ainda teria uma segunda passagem por Elland Road, já nos tempos de Championship, em 2004/05.

Lucas Radebe

Possivelmente o maior ídolo do Leeds United nesta lista, se for considerado apenas o período na Premier League. Radebe desembarcou em Elland Road em 1994. Criado em Soweto e prodígio do Kaizer Chiefs, já defendia a seleção sul-africana na época. Entretanto, o zagueiro chegou mais como uma companhia a Philemon Masinga, este sim visto como grande reforço pelos Whites. O técnico Howard Wilkinson até admitiu que não conhecia o zagueiro e o escalou de início como ponta. Porém, enquanto Masinga não emplacou em Elland Road, Radebe virou um dos esteios na defesa com o passar do tempo. Excelente marcador e também muito bom no jogo aéreo, o sul-africano se destacava ainda por sua enorme liderança e por seu caráter. Assim, receber a braçadeira se tornou um passo natural – capitaneando também os Bafana Bafana na Copa de 1998. “The Chief” seria a referência do Leeds na virada do século, reconhecido por seu trabalho social na África do Sul – a ponto de ser chamado de “ídolo” por ninguém menos que Nelson Mandela. Uma pena que as lesões no joelho abreviariam sua carreira no melhor momento, por mais que tenha sido parte na campanha até as semifinais da Champions em 2000/01. Aposentou-se em 2005, já na segundona, e é um dos nomes mais celebrados pela torcida.

Nigel Martyn

Outro candidato a maior ídolo do Leeds United nesta lista é Nigel Martyn, eleito como o maior goleiro da história do clube. O camisa 1 já tinha uma carreira consolidada e brilhava no Crystal Palace. Mesmo em uma equipe modesta, havia sido eleito à seleção da Premier League e disputado uma Eurocopa com a Inglaterra. O Leeds seria a chave para sua real aclamação a partir de 1996. Desbancando o ídolo Lukic, não demorou para que o arqueiro justificasse o investimento e se tornasse protagonista nas campanhas históricas durante a virada do século. Seria eleito por três edições consecutivas da Premier League o melhor de sua posição, de 1998 a 2000, e também arrebentaria nas empreitadas continentais dos Whites – lembrado principalmente pela atuação contra a Roma na Copa da Uefa de 1999/00, que rendeu a classificação às quartas de final. Reserva de David Seaman nas Copas de 1998 e 2002, Martyn teve problemas com o técnico Terry Venables e perderia seu posto após seis anos como titular, substituído por Paul Robinson. Assim, encerrou sua carreira no Everton.

Tony Yeboah

Um dos maiores atacantes africanos da história chegou ao Leeds com muito moral, após ser duas vezes artilheiro da Bundesliga e conduzir o Eintracht Frankfurt a campanhas históricas. Contratado em janeiro de 1995, precisou de meia temporada para já gravar seu nome em Elland Road. Além do faro de gols, tinha uma capacidade ímpar para assinar pinturas. Seria graças a esses tentos impressionantes que ampliou sua fama em 1995/96, eleito o melhor do clube na temporada e também recebendo o prêmio pelo tento mais bonito da Premier League. Uma pena é que, com lesões e problemas com o técnico George Graham, o ganês faria suas malas ao Hamburgo logo em janeiro de 1997. Teve tempo de colecionar 33 gols em 52 aparições.

Ian Harte

Harte era mais um lateral irlandês a despontar no Leeds United, e não por coincidência: Gary Kelly, embora apenas três anos mais velho, era seu tio e ajudou em sua contratação. De qualquer maneira, Harte merecia o espaço e passou a se apresentar na equipe a partir de 1996. Conhecido por sua precisão nas bolas paradas e também pelos gols de longe, atravessaria seu melhor momento justo na virada do século, com as ótimas campanhas continentais dos Whites. Não foi tão regular quanto Kelly, mas também integrava a seleção irlandesa e foi eleito à equipe ideal da Premier League em 1999/00. Permaneceu em Elland Road até o rebaixamento em 2004, quando fez as malas rumo ao Levante. Alcançou os 288 jogos pelo clube, com a expressiva marca de 39 gols.

Harry Kewell

O Leeds também abriu as portas a Harry Kewell na Inglaterra. O garoto saiu da Austrália quando tinha 15 anos e passou por um período de testes em Elland Road, ao lado de Brett Emerton. No entanto, por ser filho de um inglês, apenas Kewell ganhou visto para morar no país e permanecer no clube. Sua estreia aconteceu em 1996, aos 17 anos, embora tenha seguido no elenco que conquistou a FA Youth Cup em 1997. O meia ganharia espaço no time principal a partir de então e viveria sua melhor temporada em 1999/00 – eleito a revelação da Premier League, escolhido ao time ideal da temporada e também nomeado como jogador do ano no Leeds. O clube chegaria a recusar uma proposta da Internazionale para mantê-lo como destaque nas campanhas seguintes, mas as dificuldades financeiras culminaram na saída ao Liverpool em 2003. Criativo e com qualidade para bater na bola, o australiano anotou 63 gols em 242 partidas pelos Whites.

Jimmy Floyd Hasselbaink

Um dos atacantes mais letais do futebol europeu na virada do século, embora muitas vezes seja subestimado. Nascido no Suriname, Hasselbaink começou a carreira profissional na Holanda, mas estourou mesmo em Portugal. Depois de uma ótima temporada pelo Boavista, o Leeds o contratou em 1997. Rápido e potente, Hasselbaink sabia definir muito bem com as duas pernas. Demorou um pouco a se adaptar em Elland Road, mas logo desandou a fazer gols e terminou sua primeira campanha na Premier League com 16 tentos. Já na temporada seguinte, foram 18 gols, que valeram a artilharia do campeonato e também a classificação do clube à Copa da Uefa. Descontente com os termos para a renovação de seu contrato, acabou saindo rumo ao Atlético de Madrid em 1998/99.

Michael Bridges

O atacante lançado pelo Sunderland chegou com a duríssima missão de substituir Hasselbaink. E a primeira temporada de Bridges em Elland Road foi suficiente para marcar seu nome na história. O centroavante arrebentou na Premier League, com 19 gols que ajudaram os Whites a liderarem o campeonato por um tempo e valeram uma vaga na Champions League. Também seria parte do time semifinalista na Copa da Uefa. O problema é que, pouco depois, ele sofreria uma séria lesão e não conseguiria mais ser o mesmo. Passou as temporadas seguintes lidando com diferentes problemas físicos. Sequer marcaria mais gols, rumando ao Newcastle em 2004.

Lee Bowyer

Cria do Charlton, Bowyer ganhou ainda mais fama quando assinou com o Leeds, em 1996. O meio-campista se tornou o jogador sub-20 mais caro da história do futebol inglês e virava uma aposta por seu claro talento, apesar de uma coleção de problemas extracampo – incluindo um teste positivo para maconha e uma condenação por desordem pública. Independentemente disso, o jovem logo começou a apresentar suas qualidades dentro de campo e já era titular absoluto aos 20 anos. Gastou a bola em 1998/99, quando foi eleito o melhor jogador do clube na temporada, e repetiu o prêmio em 2000/01, o ano em que os Whites chegaram às semifinais da Champions. Porém, não era isso que o afastava das confusões, julgado (e absolvido) por um caso de agressão em 2000. Até por isso, perdeu a chance de saltos maiores na carreira. Dinâmico e também capaz de marcar seus gols, o meio-campista ficou no clube até 2003, quando se transferiu ao West Ham. Foram 55 tentos em 265 partidas.

Alf-Inge Haaland

O pai de Erling Braut Haaland viveu no Leeds o principal momento da carreira. Jogando principalmente como volante, o norueguês começou no Bryne e atuou pelo Nottingham Forest, antes de atrair o interesse dos Whites. Dono de um bom porte físico e de um jogo firme, ocupou o meio-campo da equipe por três temporadas e fez sucesso principalmente no seu primeiro ano, contribuindo com seus avanços para definir. Foi nesta época em que começou a rixa com Roy Keane, em disputa de bola que gerou uma séria lesão do capitão do Manchester United. Sem tanto espaço no Leeds, Haaland pai assinou com o Manchester City em 2000, após a campanha até as semifinais da Copa da Uefa. Seria com os celestes que uma entrada desleal de Keane acabaria com a sua carreira. Disputou 92 jogos com os Whites.

Paul Robinson

Cria da base do próprio Leeds, Robinson surgiu com moral no time que conquistou a FA Youth Cup em 1997. Entretanto, diante da concorrência de Nigel Martyn, não tinha muito espaço como titular e precisava se contentar com chances esporádicas. Sua ascensão aconteceu apenas em 2002, quando Martyn entrou em conflito com o técnico Terry Venables após a Copa do Mundo e a titularidade caiu no colo de Robinson. Aos 23 anos, o jovem deu conta do recado e se mostrava um arqueiro explosivo sob as traves, pronto a se tornar um dos principais nomes do país na posição. Foi eleito o melhor jogador do clube em 2003 e caiu nas graças da torcida quando anotou um gol na Copa da Liga, dando sobrevida aos Whites e permitindo que ainda saísse como herói nos pênaltis. Apesar do rebaixamento em 2003/04, foi convocado à Eurocopa e saiu do clube em alta ao Tottenham – embora não tenha se provado um arqueiro tão bom com o passar dos anos.

Jonathan Woodgate

Embora tenha começado no Middlesbrough, Woodgate chegou ao Leeds nas categorias de base e integraria a geração vitoriosa de 1997. O zagueiro faria sua estreia pelo time principal pouco depois e reivindicaria seu espaço, apesar da fortíssima concorrência que existia no setor. Não à toa, viraria titular em pouco tempo e também ganharia sua primeira convocação à seleção inglesa. Muito seguro e completo à sua função, Woodgate se mostraria suscetível às lesões, mas ainda assim foi parte importante nas boas campanhas pela Premier League e nas jornadas continentais dos Whites. Por conta das dificuldades financeiras, seria vendido ao Newcastle em 2003, numa decisão da diretoria que culminou na saída do descontente técnico Terry Venables. Chegou a disputar 142 partidas com o time principal do Leeds.

Mark Viduka

Outro australiano a se dar bem no Leeds, Viduka teve uma carreira peculiar ao começar no Melbourne Knights e chegar à Europa através do Dinamo Zagreb, graças às suas raízes croatas – a ponto de ser primo distante de Luka Modric. O centroavante passaria pelo Celtic e depois de um excelente ano acabou levado pelo Leeds United em 2000. Alto e forte, Viduka anotava muitos gols de cabeça e também tinha um canhão na perna. Já emplacou na primeira temporada, com 17 gols na Premier League e mais quatro na caminhada até a semifinal da Champions. Permaneceu durante toda a transformação do clube e seus 20 tentos também se tornaram importantes para evitar o rebaixamento na liga em 2002/03. Entretanto, não evitaria a queda no ano seguinte, o que culminaria em sua venda ao Middlesbrough. Acumulou 72 gols em 166 jogos.

Alan Smith

Outra grande promessa das categorias de base do Leeds, fez parte do time campeão da FA Youth Cup em 1997. Até parecia que sua explosão no nível profissional poderia demorar um pouco mais, dada a concorrência na linha de frente dos Whites, mas passou a acumular minutos e logo demonstrar seus predicados. Além de ser um atacante de movimentação, Smith sabia os atalhos para o gol e assim ganhou moral. Costumava jogar na linha de frente, mas se mostraria útil ainda como meia aberto, se aproximando dos companheiros na definição e dando muito empenho a cada aparição. Além dos bons desempenhos na Premier League, foi talvez a grande estrela na equipe que alcançou as semifinais da Champions, com cinco gols e atuações decisivas. Acabaria eleito por duas vezes o melhor jogador do clube, em 2003 e 2004. Entretanto, a transferência ao Manchester United após o rebaixamento dos Whites gerou muita controvérsia e Smith virou ‘Judas’ a parte da torcida por seguir aos rivais. Nunca justificaria as expectativas em Old Trafford. O inglês fez 56 gols em 228 partidas em Elland Road.

Eirik Bakke

A conexão entre Elland Road e a Noruega se fortaleceu em 1999, quando o Leeds United também contratou Bakke, que atuava no Sogndal e ganhava as primeiras convocações à seleção. O meio-campista teve uma boa temporada de estreia, sobretudo ao manter as esperanças no embate contra o Galatasaray pelas semifinais da Copa da Uefa. Continuou como uma peça frequente na equipe, embora as lesões excessivas atrapalhassem sua sequência. Foi um dos raros que permaneceram no clube após o rebaixamento e disputou três edições da Championship, mas a complicada situação financeira culminou em sua saída em 2006.

Danny Mills

O lateral teve uma ascensão meteórica a partir de Norwich e Charlton, até se transformar em negócio de peso feito pelo Leeds em 1999. Apesar da concorrência que existia no setor com a presença de Gary Kelly, os dois podiam ser acomodados no time, com o irlandês passando à zaga. Mills virou opção na rotação em sua primeira temporada e depois já seria titular em toda a trajetória na Champions de 2000/01. O impacto o levou à seleção inglesa e ele vestiria a camisa 2 durante a Copa do Mundo de 2002, ganhando a posição de titular após a lesão que tirou Gary Neville do torneio. Sem manter tal nível nos anos seguintes, rumaria ao Manchester City após o rebaixamento dos Whites.

Dominic Matteo

Descendente de italianos, mas nascido na Escócia, Matteo foi descoberto por ninguém menos que Kenny Dalglish. O ídolo do Liverpool o levou a Anfield e ele atuaria na base até se profissionalizar no início dos anos 1990. O zagueiro nem sempre era titular, mas superou os 100 jogos pela Premier League com o clube e acabaria atraindo o interesse do Leeds em 2000. Chegou como um reforço à Champions e teve excelentes atuações durante a competição, transformando-se em coringa da equipe – podia atuar como zagueiro, volante, lateral e até meia esquerda. Logo se tornou um dos favoritos da torcida por sua versatilidade e recebeu a braçadeira de capitão, diante da venda de Rio Ferdinand. Foram quatro temporadas como uma das principais figuras do time, até sair após o rebaixamento em 2004, transferido ao Blackburn.

Rio Ferdinand

Daquele time que alcançou as semifinais da Champions, Rio Ferdinand sem dúvidas foi o que mais se deu bem na carreira. Produto das categorias de base do West Ham, Ferdinand era visto como um dos zagueiros mais talentosos do futebol inglês desde o final dos anos 1990, mas também acumulava problemas extracampo. Não foi isso que impediu a contratação certeira do Leeds United em 2000. Trazido por £18 milhões na época, virou o jogador inglês mais caro da história e também o defensor mais caro da história até aquele momento. Justificou o preço com atuações imponentes e a afirmação como um zagueiraço, capaz de liderar os Whites em seus melhores momentos. Apresentava todas as suas qualidades, da elegante capacidade técnica para sair jogando à fortaleza física para combater os oponentes. Em 2001/02, por conta das lesões de Radebe, passou a usar a braçadeira de capitão aos 23 anos e também se tornou titular da seleção inglesa. Foi eleito à seleção da Premier League naquela temporada e também o melhor jogador do clube. Porém, com as dificuldades do Leeds, logo ficou claro que Ferdinand já era maior que as condições financeiras da agremiação e saiu ao rival Manchester United após a Copa de 2002. Disputou 73 jogos, com dois gols – um deles nas quartas de final da Champions, diante do Deportivo de La Coruña. 

Robbie Fowler

Símbolo dos Spice Boys do Liverpool nos anos 1990, Fowler foi um dos principais jogadores dos Reds no período. Era idolatrado pela torcida em Anfield, mas também carregava consigo uma longa lista de polêmicas e, por causa dos entreveros, acabaria saindo pela porta dos fundos em dezembro de 2001. Rápido e oportunista, o atacante também não demorou a ganhar os fãs em Elland Road, tornando-se um dos últimos símbolos da política abastada de contratações. Foram 12 gols em 22 jogos na Premier League 2001/02, suficientes para levar os Whites à Copa da Uefa em 2002/03, mas a ausência do dinheiro da Champions começaria a agravar a situação. Pior, Fowler acumulou contusões e mal jogou na temporada seguinte à Copa do Mundo de 2002. Acabou saindo ao Manchester City durante a crise. Deu tempo de anotar 14 gols em 33 jogos. 

Robbie Keane

O artilheiro irlandês atuou pouco mais de uma temporada no Leeds, sem gerar impacto tão grande, mas integrando os sucessos do time. Revelado pelo Wolverhampton, Keane estourou no Coventry City, o que gerou sua venda à Internazionale. Entretanto, o atacante mal teve chance após a demissão de Marcello Lippi e acabou emprestado ao Leeds em dezembro de 2000. Fez um excelente semestre em Elland Road, com nove gols na Premier League, por mais que não pudesse disputar a Champions. Seria contratado em definitivo na temporada seguinte, mas seu rendimento caiu drasticamente. As boas aparições na Copa do Mundo de 2002 pelo menos elevaram um pouco o seu valor e ele seria vendido pouco depois ao Tottenham.

Olivier Dacourt

O meio-campista já tinha certa rodagem e até mesmo uma experiência anterior na Inglaterra quando foi levado pelo Leeds, em 2000. Revelado pelo Strasbourg, Dacourt não deixou muitas saudades no Everton, mas refez seu nome com o Lens e isso valeu a contratação dos Whites. Meio-campista de muita entrega dentro de campo, logo faria parte do ápice em 2000/01, presente na campanha até as semifinais da Champions e formando uma grande parceria com David Batty no setor. O bom momento na Premier League gerou chances a Dacourt na seleção francesa, presente em dois títulos na Copa das Confederações. Só que, sacado por Terry Venables, o francês acabaria arrumando as malas para a Roma em 2003.

James Milner

Milner não teve muito tempo para firmar seu nome com a camisa do Leeds, mas merece menção por aquilo que passou a representar depois. O meio-campista nasceu na cidade e torce pelo clube desde a infância, frequentando as arquibancadas de Elland Road e trabalhando como gandula. Na base desde 2000, era tratado como uma grande promessa e estreou na Premier League em 2002, com apenas 16 anos. Inclusive, se tornaria o mais jovem a balançar as redes na competição, durante a vitória sobre o Sunderland no Boxing Day de 2002. Milner, porém, chegou no momento errado ao time de cima e conviveria com o declínio, mesmo já causando boa impressão por sua intensidade e sua confiança. Apesar do desejo de ficar para a Championship, acabou vendido ao Newcastle em 2004, contabilizando 54 partidas pelo Leeds. Aos 34 anos, considerando sua forma física, não é de se descartar que ainda encerre a carreira com os Whites na Premier League algum dia.