Pode até ser crendice, mas o Real Madrid tem motivos para sorrir ao cruzar com um clube alemão na Liga dos Campeões. Afinal, metade dos títulos continentais dos merengues foi pavimentada a partir de importantes vitórias sobre os germânicos. Claro que encontrar com os times da Bundesliga não é necessariamente sinal de classificação para os espanhóis – como as doloridas quedas nas semifinais em 2012 e 2013 comprovam. Todavia, as vitórias sobre os alemães têm um gosto especial para o Real, sobretudo por relembrarem grandes conquistas.

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Nas primeiras edições da Champions, era difícil cruzar com um país específico, já que havia apenas um representante por liga nacional. No entanto, o penta do Real Madrid se deu justo contra o Eintracht Frankfurt, naquele que é chamado de “Jogo do Século”. Já na década de 1980, os germânicos também estiveram presentes no bicampeonato da Copa da Uefa, com o Borussia Mönchengladbach sendo a vítima da maior virada da história do clube. Naqueles anos, porém, a famosa Quinta del Buitre não conseguiu levantar a LC, parando justamente no Bayern em um dos três fracassos seguidos nas semifinais.

O fim do jejum do Real no torneio aconteceu a partir de 1998. E nas três façanhas até 2002, a Alemanha esteve no cenário, com grandes vitórias sobre Dortmund, Bayern e Leverkusen. Até que La Décima trouxe o pacote completo em 2013/14: o título do time de Carlo Ancelotti deixou três alemães pelo caminho nos mata-matas. Incluindo aí o massacre por 6 a 1 sobre o Schalke 04 em Gelsenkirchen, na melhor partida do trio Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema em conjunto, com dois gols para cada.

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Um ano depois, o mesmo Schalke volta a aparecer no caminho do Real. Desta vez tentando não ser o saco de pancadas, graças às estratégias defensivas de Roberto Di Matteo. Cruzar com os Azuis Reais, contudo, traz esperanças aos merengues. Não apenas pelo favoritismo claro, mas pela representatividade que a classificação pode ter. Para dar embalo ao time que vem tropeçando mais do que de costume neste início de 2015 e, quem sabe, também servir de talismã para o almejado 11º título na Champions.

1960 – Real Madrid 7×3 Eintracht Frankfurt – Final da Champions


A primeira partida do Real Madrid contra alemães em torneios europeus, ainda hoje, é a mais emblemática. Diante de 127 mil pessoas no Hampden Park, os merengues conquistaram o pentacampeonato da Champions de maneira antológica. O Eintracht Frankfurt até abriu o placar, mas acabou trucidado por Puskás e Di Stéfano. Os dois gênios foram responsáveis pelos sete gols do time de Miguel Muñoz, fechando o primeiro tempo em 3 a 1. Já na etapa complementar, o Major Galopante anotou uma tripleta em um intervalo de 15 minutos, enquanto a Flecha Loura fechou o placar. Detalhe é que, antes de fazer os seus quatro gols, Puskás teve que escrever uma carta de desculpas. A federação alemã proibia que qualquer filiado enfrentasse times do atacante, depois que ele acusou a seleção da Alemanha de se dopar na final da Copa de 1954.

1986 – Real Madrid 4×0 Borussia Mönchengladbach – Oitavas da Copa da Uefa


Uma das maiores viradas da história das competições europeias embalou os merengues rumo ao bicampeonato da Copa da Uefa. O Gladbach de Jupp Heynckes parecia com a classificação assegurada, ao enfiar 5 a 1 sobre os rivais na Alemanha. Entretanto, o Real buscou a virada em Madri graças ao mísero gol fora. Jorge Valdano e Santillana construíram a goleada por 4 a 0, com o tento decisivo saindo aos 43 do segundo tempo. Na final, outra vítima germânica: o Colônia, de Allofs e Littbarski, derrotado por 5 a 1 na ida, apesar do triunfo por 2 a 0 na volta. Era a consagração do forte elenco blanco, estrelado por Butragueño e Hugo Sánchez, que conquistaria o pentacampeonato Espanhol no fim dos anos 1980.

1998 – Real Madrid 2×0 Borussia Dortmund – Semifinal da Champions


Após eliminar o Bayer Leverkusen de Kirsten e Emerson nas quartas de final, o Real Madrid teve o seu grande embate nas semifinais. Enfrentou o timaço do Borussia Dortmund, então dono da taça europeia. Jogar o primeiro duelo no Bernabéu acabou sendo decisivo aos blancos, com o triunfo por 2 a 0, gols de Morientes e Karembeu. Mais tranquilo pela vantagem adquirida, o time de Jupp Heynckes confirmou a classificação dentro do Westfalenstadion, com Bodo Illgner segurando o empate por 0 a 0. Na final, sob o apito do alemão Helmut Krug, o Real superou a Juventus por 1 a 0.

2000 – Real Madrid 2×0 Bayern de Munique – Semifinal da Champions


Ao lado do Manchester United, Real Madrid e Bayern tinham os maiores esquadrões do futebol continental na virada do século. Acabaram se enfrentando por quatro vezes naquela edição da Champions. Na segunda fase de grupos, os bávaros trucidaram nos dois encontros, vencendo por 4 a 2 no Bernabéu e enfiando 4 a 1 no Estádio Olímpico. Porém, as goleadas não atrapalharam a classificação dos merengues, que se dariam melhor nos jogos realmente decisivos, pelas semifinais. A vitória por 2 a 0 em Madri deixou as rédeas nas mãos do Real, que avançou mesmo com a derrota por 2 a 1 em Munique, gol decisivo de Anelka.

2002 – Real Madrid 2×1 Bayer Leverkusen – Final da Champions


Pelo terceiro ano consecutivo, Real e Bayern de Munique se pegaram nos mata-matas. Mas, se os bávaros tiveram o gosto da revanche em 2001, quem se deu bem nas quartas de 2002 foram os merengues, com Guti e Helguera decidindo em Madri. E depois de eliminar o Barcelona nas semifinais, o time de Vicente del Bosque encarou o Bayer Leverkusen na decisão – outra vez, no sagrado gramado do Hampden Park. Raúl abriu o placar, mas Lúcio deixou tudo igual para os germânicos cinco minutos depois. O título acabaria decidido pelos pés abençoados de Zidane, em seu gol mais célebre. Roberto Carlos cruzou na medida e o camisa 5 acertou um lindo voleio, no ângulo da meta de Butt.

2014 – Real Madrid 4×0 Bayern de Munique – Semifinal da Champions


Eram os mata-matas da Champions, mas poderiam ser da Bundesliga. Primeiro, o Real estraçalhou o Schalke 04, com vitória por 9 a 2 no placar agregado. Depois, suou muito contra o Dortmund, vencendo por 3 a 0 em Madri e segurando de maneira heroica a derrota por 2 a 0 no Signal Iduna Park. Já na semifinal, o maior desafio e a vitória mais imponente. O placar de 1 a 0 no Bernabéu, gol de Benzema, facilitava a situação dos espanhóis. Mas foi em Munique que o show realmente aconteceu. Os contra-ataques de Ancelotti destruíram o sistema de jogo de Guardiola e, com dois tentos de Cristiano Ronaldo e outros dois de Sergio Ramos, o Real selou a goleada por 4 a 0, que o colocou na final diante do Atlético de Madrid.