Os gols sofridos por Herrera enganam, mas a goleada retrata bem o quanto o Inter jogou

Em uma noite de erros do goleiro adversário, os colorados também se saíram muito bem, especialmente pela intensidade liderada por Nilmar

Vendo só os gols, é natural que se questione o placar. Johnny Herrera viveu mesmo um desastre pessoal para permitir a goleada do Internacional na Libertadores. Resumir a partida em Santiago aos lances de gol, no entanto, é negar os méritos que os colorados tiveram para chegar a eles. E não foram poucos. A equipe de Diego Aguirre viveu a sua melhor atuação no torneio continental, goleasse ainda mais ou ficasse no 1 a 0. Porque, do jeito que o Inter jogou, a vitória seria inescapável. Por mais que La U tenha colaborado, a equipe gaúcha pensou o jogo, vibrou e dominou. Uma noite completa comandada por Nilmar, revivendo seu melhor.

Os 15 minutos iniciais foram decisivos para o passei do Inter. E, na falha de Johnny Herrera no gol de Nilmar, é possível perceber um dos méritos colorados no primeiro tempo: a marcação por pressão. A imposição física dos visitantes se sobressaiu demais, dominando o meio-campo e dando pouquíssimos espaços para a Universidad de Chile sair ao jogo. Assim, o camisa 7 roubou a bola e abriu o placar.

Quatro minutos depois, Eduardo Sasha ampliou a diferença. Mais virtudes evidentes do Internacional. A movimentação ofensiva funcionou muito bem, especialmente nos ataques rápidos e nas arrancadas pelos lados do campo. Nilmar deu excelente enfiada de bola para o camisa 9 se infiltrar na brecha da zaga chilena. E sequer deixou o goleiro adversário falhar desta vez, com a boa finalização.

A vantagem de dois gols dava a tranquilidade necessária para que o Inter impusesse o seu jogo, assim como para que La U se desesperasse. Era um time intenso contra um rival atordoado. O que resultou no terceiro gol ainda no primeiro tempo, quando Nilmar fez excelente jogada individual e contou de novo com o vacilo de Johnny Herrera. Do outro lado, Alisson era mero expectador do jogo em posição privilegiada.

Durante o segundo tempo, os colorados puderam diminuir o ritmo. Não que Nilmar quisesse. Em uma arrancada o camisa 7 sofreu pênalti, desperdiçado por D’Alessandro. Mas a defesa de Johnny Herrera no lance não serviu de nada. Em mais um lance de velocidade da equipe gaúcha, Sasha passou para Valdívia colocar por entre as pernas do goleiro veterano e fechar a conta. Nem precisava de mais. Muito abaixo de seu nível nos últimos anos, a Universidad de Chile era impotente.

Obviamente, é bom ter calma com o andor. Com a goleada, o Inter conquistou a liderança do Grupo 4 e se aproximou da classificação, nada além disso. Mas também não há motivos para condenar a confiança que os colorados ganharam. Apesar das críticas que sofre neste início, Diego Aguirre mostra os resultados em seu trabalho. A forma como a equipe atuou nesta quinta, marcando forte para abafar o adversário e atacando de maneira cirúrgica, só acontece se houver um coletivo talhado nos treinamentos. Falta regularidade ao Inter neste começo de ano, mas a atuação no Chile mostra que o caminho começa a ser encontrado no Beira-Rio.

Além disso, quem volta para Porto Alegre em alta é Nilmar. O camisa 7 já havia atuado bem no primeiro duelo com La U, mas se superou desta vez. Relembrou mesmo os seus melhores tempos com a camisa vermelha, desnorteando os rivais com uma movimentação constante e velocidade altíssima. O homem decisivo que todo  e qualquer time precisa. E que, com o conjunto colorado crescendo, dá asas ao sonho do Inter na Libertadores.