Embora os jogos de futebol já começassem a surgir, e ano após ano, procriarem-se em interessantes estatísticas, na década de 80, foram nos anos 90 que ganharam notoriedade entre os mais fanáticos. Afinal, trata-se de um período que pegou o final da era 8 bits, à caminho do histórico período dos aparelhos 16 bits e já englobou a entrada na geração Playstation-Nintendo 64, evidenciando o crescente desenvolvimento tecnológico dos games.

Com isso, nada melhor do que reforçar o teor saudosista desta coluna e reunir um pouco desse período em um pequeno Top 10, falando um pouco sobre dez dos jogos futebolísticos mais marcantes lançados na década de 90. É claro que essa lista poderia abrir mais espaços, afinal, com a enorme variedade de games produzidos para todo tipo de console, reunir apenas dez chega a ser meio injusto.

Mas, de outra maneira, embora a internet permita, teoricamente, um número relativamente ilimitado de caracteres, sabe-se que não é todo mundo que tem facilidade em ler textos na tela de um computador. Até por isso, essa relação de nomes foi dividida em duas. Nessa primeira, alguns dos nomes são mais “famosos” na coluna, por já terem sido abordados ou, ainda, comentados, quando foram parte de uma das séries aqui discorridas. E, claro… Sempre é bom manter o suspense para os últimos nomes, não?

E atenção: discordâncias serão bem vindas, até pelo fato de, embora se busque destacar jogos cujo alcance e relevância, nem todos sejam adeptos da mesma opinião. Até por isso, não se pretende dar “posições” a esse Top 10. Afinal, cada um em sua época, foi marcante, e é muito subjetivo analisar qual foi mais marcante. Alguns desses jogos já foram aqui comentados. Outros terão espaço em um futuro próximo. Confira, então, a primeira parte da lista. E tentem imaginar quais são os demais games que fecham esse especial… Alguma aposta?

FIFA 98

Eletronic Arts (EA Sports), 1997 (PC, Playstation, Nintendo 64, SNES, Sega Saturn, Mega Drive, Game Boy)

O fato deste jogo ter a coluna mais comentada da seção até o momento, por si só, já demonstra seu sucesso. Logo ao se abrir o game e ouvir Song 2, do Blur, já se nota que não era um jogo como os anteriores da série. A possibilidade de atuar em estádios oficiais e, principalmente, disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998, com qualquer uma das seleções então filiadas à FIFA, também apontavam mudanças então nunca imaginadas. A própria jogabilidade, embora não fosse um primor, tal como nunca o foi na série, já demonstrava grande evolução em comparação à versão 97. Era a evidência de que o futebol-simulação marcava o futuro, e que, cada vez mais, aproximar o roteiro da realidade era a receita do sucesso para o meio. Uma grande bola dentro da EA Sports.

Outra qualidade do game era a possibilidade de se customizar o jogo à sua moda, seja no nome das equipes, na coloração dos uniformes, na composição do elenco dos clubes (que, dessa vez, envolvia transações com custos, impedindo que se formassem esquadrões em times pequenos e aumentando o desafio) e mesmo na convocação da seleção para a disputa das Eliminatórias. Mais um exemplo de aproximação do game com o público, e do aprimoramento da realidade. Tudo isso fez com que o jogo fosse um dos maiores sucesso do Natal de 1997 na Europa, e até hoje ainda percorra a memória de muitos gamers aqui no Brasil, acirrando a rivalidade com a Konami.

International SuperStar Soccer Deluxe

Konami, 1995 (SNES, Mega Drive, Playstation)

Uma das grandes razões para que a EA Sports passasse a querer mostrar serviço no meio futebolístico foi justamente o grande boom de ISS Deluxe no Super Nintendo. Com velocidade e jogabilidade excelentes para a época e nunca antes vistas, o game da Konami se mostrou bastante superior aos rivais da época. Graficamente, estava muito mais colorido e bem desenhado que os demais, inclusive seu antecessor, International SuperStar Soccer. Apesar de não ter feito o mesmo sucesso no Japão que a versão anterior, foi no mercado ocidental que ISS Deluxe emplacou, mesmo com os nomes falsos dos jogadores. Aliás, essa é também uma das graças do jogo, que consagrou “ídolos” como Allejo, Gomes, Sieke e Galfano.

Todavia, é importante (porém não muito legal) citar que ISS Deluxe, principalmente, foi “base” para “cópias piratas”, como o famoso Futebol Brasileiro 96, onde as seleções davam lugar às equipes da Série A de 1995. Acima disso, no entanto, está o evidente sucesso do game para a Konami. Se os japoneses tinham dúvida de que o mercado futebolístico poderia crescer nos videogames, ela havia caído por terra ali.Tanto é que a série se seguiu nos consoles da geração seguinte (N64 e Playstation). E, claro, foi uma das bases para o futuro lançamento da série que hoje divide atenções com FIFA e que, por um longo tempo, liderou quase que de maneira absoluta a preferência mundial do meio: Pro Evolution Soccer.

Winning Eleven 4

Konami, 1999 (Playstation)

Ao se falar na série Winning Eleven – Pro Evolution Soccer, a primeira coisa que certamente se vem à mente é o futebol de clubes, grande responsável por alavancar a série mundo afora, especialmente na Europa, local onde residem os principais times (licenciados ou não) que estão em seus jogos. Se isso ocorreu, é graças a Winning Eleven 4, o primeiro da franquia a possuir a hoje famosa Master League. Na ocasião, nenhum dos times havia concedido a licença aos japoneses que, portanto, tiveram que usar os nomes “genéricos”, tanto nos elencos, como nas equipes. Ainda assim, não era difícil identificar que o Amsterdam era o Ajax, que o Torino era, na verdade, a Juventus, e mesmo que o Roma alcunhava, de fato, a Lazio.

Para triunfar, o jogador precisaria ter um ótimo domínio, não apenas dos comandos, mas de táticas e técnicas. Afinal, tinha-se em mãos uma equipe fraquíssima, para que, com as vitórias, pudesse-se ganhar pontos para serem trocados por atletas de outras equipes e, assim, reforçar o elenco. O desafio foi tão empolgante que o modo de jogo foi mantido e bastante aprimorado nas versões que se seguiram, tornando as transferências mais “complicadas”, incluindo-se novas divisões, abrindo-se espaço para novas equipes… Enfim: um dos maiores acertos da história do futebol gamer, quebrando, inclusive, uma constante que apontava os jogos envolvendo clubes como fracassos. Hoje, esse é o formato ideal.

Libero Grande

Namco, 1997 (Arcade); 1998 (Playstation)

Trata-se do primeiro game abordado por esse colunista quando assumiu a seção de Games, mas, claro, não foi essa a razão pela qual Libero Grande está na relação. O nome não podia ficar de fora, devido à inovação que introduzia no meio: pela primeira vez, não se controlaria o elenco todo ou a equipe, como treinador, e sim, um único atleta de toda a equipe. Embora não tenha chegado a patamares assombrosos de sucesso, como chegariam outros jogos da época, como o FIFA 98, por exemplo, o game da Namco conquistou um público interessante, que se divertia ao, controlando seu jogador, organizar jogadas, fazer gols e até arriscar defesas, já que mesmo o goleiro podia ser comandado.

De todas essas características, marcar gols era, talvez, o mais fácil. Afinal, o game pecava por possuir uma inteligência artificial bastante limitada. Tanto é que os demais jogadores das equipes eram realmente fracos, e as jogadas “açucaradas” criadas para os demais “companheiros” eram desperdiçadas com frequência. Apesar disso tudo, Libero Grande divertiu, por um bom tempo, um filão de jogadores. E sua base teórica, por assim dizer, é utilizada nos modos onde se controla um atleta em toda a equipe, hoje disponíveis em FIFA e Pro Evolution Soccer. Modos esses que, aliás, são as grandes coqueluches das duas novas versões. O que reforça sua relevância para o meio dos games futebolísticos.

Elifoot 98

André Elias, 1998 (PC)

Não é possível que um dos jogos da histórica e simples série “manager”, por assim dizer, do futebol virtual, não estivesse. Elifoot 98 é, sem dúvidas, o mais marcante dentre os games da série desenvolvida pelo português André Elias, e que surgiu em 1987. Com seu comando básico, onde bastava apertar uma tecla para selecionar a formação e outra para dar início ao jogo, o game fez a festa daqueles que não possuíam computadores com força suficiente para rodar jogos mais elaborados. Ou, ainda, de quem, ainda hoje, quer só passar o tempo e se divertir com o cronômetro rodando em uma tela parada, olhando fixamente para as barrinhas do jogo de seu time e do adversário, aguardando pelo apito do gol.

Elifoot 98 marcou por sair do então formato em MS-DOS para ser executado em modo janela, em qualquer computador com o saudoso Windows 95 (que, aliás, davam bem menos problemas que os atuais). Fatalmente, foi o responsável por muitos dos fãs de jogos manager terem adotado o estilo como favorito, e ajudou na massificação do formato, principalmente por aqui. Afinal, pergunte a qualquer fã de games onde você é o técnico da equipe se ele já jogou alguma versão de Elifoot. A probabilidade de ouvir um 'sim' é considerável. E embora muitos digam hoje que o jogo é ultrapassado e “um lixo”, inegavelmente, muitos já passaram horas a fio lutando para evitar as famosas “chicotadas psicológicas”, ao não conseguir evitar o rebaixamento da 4ª divisão. Hoje, Elifoot serve como base para o aprimorado Brasfoot, jogo criado em 2003 pelo brasileiro Emmanuel dos Santos.