por Raphael Zarko (@raphazarko)

Dentro de campo, o Vasco dos últimos dois anos é de se admirar. É para formar novos torcedores e para se orgulhar mesmo. Dos mais antigos até os nem tão antigos e os menos interessados. Quando assisti no último domingo o time ser engolido, jogado para trás, sem saída, contra o Atlético-MG (que ainda vai merecer um texto especial, porque é um time que tem a torcida mais bonita de todas – junto com a do Bahia), foi impossível mais uma vez não reverenciar Dedé, Nilton (sim, ele merece) e até Douglas e Wendel. Todos merecem. Até Fernando Prass, que, tudo bem, falhou na partida contra o Galo, mas foi jogo de ataque contra defesa.

Relutei em publicar esse texto, mas vou tentar analisar, friamente, o time do Vasco. Este que escreve desse lado é frio às vezes, quente sempre, mas nunca morno (ui…). Ser repórter e pretenso analista do futebol – o que sou desde o ano zero de Charles Miller – dá muito trabalho. Imagina fazer tudo isso com mais um esforço: fingir que não torço para um time. Acho brega e sem imaginação. Mas há quem jure que esta é a melhor forma. Mas deixa estar.

Aliás, vou além. Para mim, o jornalista esportivo não deve ser nada muito diferente de um grande ator pornô. Ou, vamos ser mais realistas, um puto ou puta dedicada. Claro que há sua preferência, seus preferidos. Nem por isso você, que é apaixonado pela prática, vai ficar de má vontade, vai deixar de se “emocionar” ou vai se fazer de difícil, CEGO, hipócrita e irracional. Embora nunca se esqueça que aquele outro, o “amor” original, é o que mexe com você. (Aos iniciantes, não levem isso para seus manuais de redações, não vai servir e ainda vão te olhar de cara feia, como espécie de Mr. Catra da área).

Voltando, até porque esse texto não parece, mas começou no Vasco, time do meu primo, que acompanhei por acaso no último domingo quando surgiu um momento de folga. Sem conseguir confiar plenamente em Carlos Alberto, Felipe e até Juninho (o Rei merece todas idolatrias, mas parece não aguentar grandes partidas como a que fez contra o Galo, como as do Corinthians na Libertadores), o time do meu primo teve que se garantir em partidas quase impecáveis da galera da retaguarda. Quem pensa que vou deixar de me render ao Alecsandro só porque está a quatro jogos sem fazer gols, enganou-se. Nem há porque execrar Eder Luis ou até mesmo reclamar de outra lesão do grande Tenorio, artilheiro de golas altas. O Vasco vive escassez de chances de gol, vive escassez de talento e ainda assim está lá em cima. Vai ficar, até o fim do campeonato, brigando pelo título, pela Libertadores e fazendo jogos memoráveis, sequências impressionantes, porque esse parece ser o destino desses jogadores.

Estou para rever um grupo de 20 e tantos atletas que em intervalo menor de dois anos tenha oferecido tanto a uma torcida. E não deram mais porque, talvez, não tenham conseguido mais. Cristóvão, acredito eu, percebeu que falta mais ao Vasco e que precisa entender e procurar de onde tirar. Se é da base, se é de um novo posicionamento de Carlos Alberto, de Felipe ou outra coisa, ele vai tentar descobrir. Apesar de toda minha admiração a esse time, a esse momento e a esse treinador, falta ao Vasco a vontade do Galo de domingo, que não sossegou enquanto não fez gol no Vasco. Sabia que era A oportunidade. E foi. Pode tranquilamente decidir o título nessa tacada. O Vasco pode brigar, como sempre brigou nesses últimos tempos, mas parece que falta mais para agarrar as chances que teve nesses bastardos inglórios dois anos.