A calvície precoce se tornou marca registrada desde a primeira de suas três Copas do Mundo, em 1974. Ainda assim, a fama de Grzegorz Lato se espalhou muito mais pelo futebol efetivo que apresentava dentro de campo do que por sua característica carequinha. O atacante era um nome inescapável da seleção polonesa em suas grandes campanhas. Duas vezes terceiro colocado no Mundial, também foi artilheiro do torneio em 1974, além de levar um ouro olímpico e uma prata para casa. Entre o estilo fulminante e também uma dose de oportunismo, Lato transformou-se em embaixador da Polônia através do futebol. Uma figura essencial ao esporte no Leste Europeu, que completou 70 anos nesta semana.

Lato nasceu em 8 de abril de 1950, em Malbork, um vilarejo no norte da Polônia que se reconstruía após a Segunda Guerra Mundial. O garoto permaneceu pouco tempo por lá e, ainda bebê, mudou-se com a família para Mielec. A nova cidade, próxima à fronteira com a Tchecoslováquia, sediava a principal indústria aeronáutica do país. Seu pai era mecânico de aviões e arranjou um novo emprego no aeroclube local. De certa maneira, a vocação do município à aviação influenciou os rumos do garoto.

Ao lado do irmão Ryszard, dois anos mais velho, Lato se apaixonou pelo futebol desde cedo. A bola foi um dos primeiros presentes do pai aos filhos. No entanto, os garotos precisaram ser fortes para superar a perda da figura paterna ainda na infância. Quando Grzegorz tinha nove anos, seu pai sofreu um acidente e faleceu durante uma cirurgia cerebral. O futebol se tornou uma válvula de escape.

Aos 12 anos, ao lado de Ryszard, Grzegorz Lato ingressou nas categorias de base do Stal Mielec. O clube havia sido fundado por funcionários da indústria aeronáutica e permanecia ligado a ela. Durante a reestruturação do futebol polonês após a instauração do regime comunista, a equipe passou a ser fomentada pela fábrica e seus próprios símbolos faziam referência a isso – como o nome Stal, “aço” em português. Bom aluno, Lato se formou como técnico em mecânica durante a adolescência. Porém, o dom com a bola falou mais alto.

Ryszard era visto como o irmão mais talentoso da família Lato, mas não era tão esforçado e desistiu da carreira nos juniores do Stal Mielec. Grzegorz, por sua vez, unia a capacidade técnica com o empenho máximo em suas atividades. Aos 17 anos, o atacante quase viu sua progressão atrapalhada por uma lesão. Todavia, se recuperou para fazer uma grande campanha com os juniores em 1968 e ganhar seu primeiro contrato no ano seguinte. Em tempos nos quais o futebol polonês era oficialmente amador, Lato se tornou funcionário da indústria aeronáutica, mas com benesses que os outros metalúrgicos não tinham. Para permanecer na equipe, recebeu um carro e um apartamento.

O Stal Mielec, na época, tinha pouquíssima representatividade no Campeonato Polonês. Havia figurado em duas temporadas na elite durante o início dos anos 1960, mas chegou a cair à terceira divisão logo depois. Quando Lato chegou ao time principal, os alviazuis haviam acabado de retornar à segundona. E o jovem atacante seria um dos responsáveis pelo segundo acesso consecutivo, recolocando o time na primeira divisão em 1969/70. Foram seis gols anotados, que valeram o retorno do Stal ao primeiro nível do futebol polonês. Enquanto Lato permaneceu no clube, não mais seriam rebaixados.

Às vésperas de completar 20 anos, Lato precisou lidar com outro drama familiar: sua mãe faleceu, vítima de um câncer no fígado. Era sua maior incentivadora no esporte. Após retornar do funeral, o atacante ainda quis entrar em campo pelo Stal Mielec. Fez bons 45 minutos e se agarrou mais ao futebol. Ao final da temporada 1970/71, o jovem anotou 11 gols e terminou como vice-artilheiro do Campeonato Polonês, em sua campanha de estreia na elite. Além disso, na décima colocação, o Stal Mielec se safou do rebaixamento.

Desde 1969, Lato integrava a seleção de novos da Polônia, dirigida por Kazimierz Górski. E o treinador, alçado ao time principal, seria também o responsável por sua estreia no nível adulto em novembro de 1971. O atacante saiu do banco na vitória por 2 a 0 sobre a Espanha, durante o classificatório aos Jogos Olímpicos de Munique. Jogando pela ponta direita, o novato dava qualidade ao time, entre suas arrancadas e suas aparições na área para concluir as jogadas. Contribuía muito ao coletivo, mas sem ser um virtuoso com a bola. A aceleração e a capacidade na definição demarcavam seu jogo.

Aquele momento era favorável a Lato, tanto no clube quanto na seleção. Em 1971/72, o Stal Mielec deu mais uma prova de seu potencial ao fechar o Campeonato Polonês na quinta colocação. Já em setembro de 1972, o jovem integrou o elenco que conquistou o ouro nas Olimpíadas de Munique. Numa época em que apenas atletas amadores podiam disputar os Jogos Olímpicos, a Polônia levou sua equipe principal. Lato permaneceu no banco durante a maior parte do tempo, entrando apenas contra a Dinamarca na segunda fase. A equipe estrelada por Kazimierz Deyna e Wlodzimierz Lubanski levou o título ao derrotar a Hungria na final.

O ano de 1973 seria duplamente especial a Lato. A primeira grande alegria aconteceu no Campeonato Polonês, no qual o Stal Mielec alcançou uma façanha impensável a muitos: conquistou seu inédito título, apenas cinco anos após deixar a terceirona. Ao longo dos dez anos anteriores, apenas três clubes haviam ficado com a taça (Górnik Zabrze, Ruch Chorzów e Legia Varsóvia) e o favoritismo se concentrava sobre o trio de ferro. Contudo, os alviazuis protagonizaram uma campanha excelente, sofrendo apenas três derrotas em 26 rodadas. Lato seria justamente o protagonista, artilheiro da liga com 13 gols. Na Champions seguinte, os poloneses cairiam para o Estrela Vermelha logo na primeira fase.

De qualquer maneira, a proeminência do Stal Mielec reforçava a importância de Lato à seleção polonesa. O atacante ainda se revezava entre o time de novos e o adulto, mas as aparições se tornavam mais frequentes com Górski. E ele estaria presente no mítico jogo que garantiu a classificação da Polônia à Copa do Mundo de 1974, encerrando um hiato de 36 anos do país longe da competição. Lato foi titular em Wembley, no empate por 1 a 1 contra a Inglaterra, que valeu a passagem ao Mundial.

O goleiro Jan Tomaszewski ganhou os louros por seus milagres naquele encontro, embora Lato também tenha contribuído decisivamente. O gol de Jan Domarski, outro nome do Stal Mielec, nasceu a partir de uma arrancada do atacante pela esquerda. Lato escapou da marcação e entregou a bola açucarada ao companheiro de clube, que fuzilou Peter Shilton. “Eu me lembro de cada minuto dessa partida. Mais ainda, é claro, do gol. Eu lutei pela bola no meio-campo e segui em frente, mas não vi Gadocha. Eu sei que ele correu e puxou a marcação. Então, avistei uma camisa vermelha e mandei a bola para lá. Era Domarski. Logo depois, descobri que fiz a melhor escolha: o gol foi anotado”, relembrou Lato, em sua biografia.

O Stal Mielec não conquistou o bicampeonato em 1973/74, mas encerrou a liga numa boa terceira colocação. E, em junho de 1974, Lato era titular absoluto na seleção polonesa que disputou a Copa do Mundo. Os alvirrubros encararam um grupo difícil, no qual também figuravam Argentina, Itália e Haiti. Pois os poloneses superaram as expectativas com a classificação na primeira colocação, acumulando 100% de aproveitamento. Lato compôs um trio ofensivo técnico e vigoroso, ao lado de Robert Gadocha e Andrzej Szarmach, orquestrados pelo talento do capitão Deyna. E os gols vieram principalmente do camisa 16, então com 24 anos.

Logo na estreia, Lato puniu os erros da Argentina e anotou dois gols, além de servir uma assistência a Szarmach, permitindo a vitória da Polônia por 3 a 2. Na segunda rodada, um passeio contra o Haiti, com goleada polonesa por 7 a 0 e mais dois gols de Lato. Naquele momento, um empate contra a Itália no último compromisso pelo Grupo 4 bastava para a classificação. Ainda assim, a Polônia teve o gosto de eliminar a Azzurra do Mundial, com a vitória por 2 a 1 em Stuttgart. Deyna e Szarmach fizeram os tentos.

“Lato estava imparável naquele torneio. Uma máquina. Todos nós sabíamos o que ele podia fazer, mas nossos adversários não tinham ideia do que esperava por eles. Sua velocidade os assustou. Em um dos gols contra a Argentina, ele rouba a bola de uma saída de jogo do goleiro, um lance nascido do nada. Ele era especialista em roubar a bola. E, nas bolas paradas, os oponentes sempre buscavam nossos jogadores mais altos. Lato não era muito alto, mas tinha o instinto de artilheiro, aquele desejo de atacar qualquer bola solta”, afirmaria o técnico Górski, anos depois, à Fifa.

A Copa de 1974 teve dois quadrangulares semifinais na segunda fase. No Grupo B, a Polônia enfrentou Suécia, Iugoslávia e Alemanha Ocidental. De novo, Lato desequilibrou. Uma arrancada fulminante do camisa 16 valeu o gol no triunfo por 1 a 0 sobre os suecos e ele voltaria a decidir contra os iugoslavos, anotando de cabeça o tento que arrematou o placar em 2 a 1. Já no duelo decisivo contra os anfitriões, Gerd Müller recolocou a Alemanha Ocidental na decisão após 20 anos, com o gol que confirmou a vitória por 1 a 0. Ainda assim, a disputa do terceiro lugar já representava demais aos poloneses.

O adversário da Polônia seria o Brasil, eliminado pela Holanda no outro quadrangular semifinal. Os tricampeões contavam com uma equipe modificada desde o título no México, mas ainda com craques do porte de Rivellino e Jairzinho. Nada que intimidasse Lato. Aos 31 do segundo tempo, o atacante recebeu no campo de defesa, driblou Alfredo Mostarda e arrancou para tocar na saída de Leão. Graças à vitória por 1 a 0, a Polônia confirmou o bronze na Copa e Lato garantiu a artilharia isolada, com sete gols. Desde então, o único jogador a fazer sete gols ou mais em uma única edição do Mundial foi Ronaldo, com seus oito tentos em 2002.

A vitória sobre o Brasil tinha um sabor especial a Lato. O atacante polonês se inspirava em Pelé, a quem classificava como “inigualável”. Em entrevista à revista Placar em 1982, o camisa 16 destacou: “Pelé foi um craque do começo ao fim. Soube reagir às exigências imponderáveis das mais diferentes situações”. Entretanto, a repercussão garantida na Copa do Mundo não valeu uma transferência a Lato. A Polônia segurava seus melhores jogadores dentro do regime e o atacante permaneceu brilhando pelo Stal Mielec.

A voracidade de Lato seguia no Campeonato Polonês. Autor de 19 gols na temporada 1974/75, o atacante levou o Stal Mielec ao vice na liga. Já a temporada de 1975/76 seria memorável aos alviazuis. Presente na Copa da Uefa, a equipe alcançou as quartas de final, eliminada pelo Hamburgo. Já no Campeonato Polonês, o pequeno clube ergueu a taça pela segunda (e última) vez em sua história. Lato acumulou 14 gols, em conquista garantida graças ao saldo, em disputa apertadíssima entre quatro times. Outro nome a brilhar foi Henryk Kasperczak, também frequente na seleção. Pena que o sorteio da Champions seguinte seria pouco generoso: encarando o Real Madrid, o Stal sucumbiu logo na primeira fase.

Em 1976, Lato retornou aos Jogos Olímpicos. Era uma das figuras principais na equipe de Kazimierz Górski, ao lado de outros companheiros tarimbados na seleção. Novamente, a Polônia se colocou como algoz do Brasil e eliminou o time de Cláudio Coutinho nas semifinais. Só que a decisão guardaria um desfecho menos feliz, com o triunfo da Alemanha Oriental por 3 a 1. Lato anotou o gol de honra dos poloneses na final em Montreal e voltou para casa com a medalha de prata no peito.

O Stal Mielec ganhou força em 1976 e contratou Szarmach, mas a reunião dos companheiros de seleção no clube não gerou novos títulos. Os alviazuis não passaram da terceira colocação nas edições seguintes do Campeonato Polonês. Sem avançar à Euro 1976, caindo em grupo dificílimo contra Holanda e Itália nas eliminatórias, a Polônia se recuperaria na campanha rumo à Copa de 1978. Lato teve papel decisivo na classificação de seu país, com atuações efetivas contra Portugal e Dinamarca. Assim, além de carimbar o lugar dos poloneses no Mundial da Argentina, o atacante também recebeu o prêmio de melhor jogador do país em 1977.

A campanha da Polônia em sua segunda Copa do Mundo consecutiva, porém, não manteve o nível. A seleção passou por uma troca de comando após as Olimpíadas de 1976 e Kazimierz Górski deu lugar a Jacek Gmoch. Alguns jogadores não se davam tão bem com o novo comandante e, mesmo com a adição de Zbigniew Boniek ao time, o rendimento caiu. Os poloneses até fecharam a primeira fase na liderança do Grupo 2, com direito a um empate contra a Alemanha Ocidental. Lato marcou um dos gols para a classificação, na vitória por 1 a 0 sobre a Tunísia. Já no quadrangular semifinal, as derrotas para Brasil e Argentina minaram o caminho dos europeus, que só bateram o Peru. Lato se despediu do torneio com dois tentos, balançando as redes de Leão no revés por 3 a 1 para os brasileiros.

Os anos seguintes permaneceram conturbados à seleção polonesa, outra vez superada pela Holanda nas eliminatórias à Euro 1980. E a classificação à Copa do Mundo de 1982 também não seria simples. O elenco enfrentou um motim de parte dos jogadores, depois que o goleiro Jozef Mlynarczyk teve seu nome riscado das convocações ao ser flagrado bêbado na concentração. Em solidariedade ao colega, Zbigniew Boniek e Wladyslaw Zmuda também passaram a recusar os chamados. A solução ocorreu apenas quando o técnico Ryszard Kulesza foi demitido, os rebeldes retornaram ao elenco e a Polônia conquistou a classificação sobre a Alemanha Oriental em sua chave das Eliminatórias.

Neste momento, Lato já tinha deixado o futebol polonês. Ao completar 30 anos, o atacante ganhou permissão do governo para assinar com um clube do exterior. Saiu do Stal Mielec com dois títulos conquistados, além de 117 gols anotados pelo Campeonato Polonês. Apesar de um convite de Pelé para defender o New York Cosmos, o artilheiro seguiu os passos de outros companheiros de seleção e se mudou ao futebol belga, um dos mais abertos à contratação de estrangeiros no período. Assinou com o Lokeren, então uma equipe modesta que vinha de boas campanhas na liga local. Também lá, ao lado do amigo Lubanski, Lato daria um novo impulso à sua equipe.

Com a ajuda de Lato, o Lokeren atravessou a melhor temporada de sua história em 1980/81. A equipe terminou na segunda colocação do Campeonato Belga, até hoje sua melhor campanha. Os tricolores também alcançaram a decisão da Copa da Bélgica, derrotados pelo Standard de Liège na finalíssima. E ainda fizeram ótimo papel na Copa da Uefa, atingindo as quartas de final. Eliminaram Dynamo Moscou, Dundee United e Real Sociedad, antes da queda diante do AZ. Não à toa, Lato seria eleito pela segunda vez o jogador polonês do ano, em 1981. Ficaria ainda mais uma temporada no clube, que terminou em quarto no Campeonato Belga 1981/82.

“Ele é um exemplo para os mais jovens, um craque de nível internacional que não se acomoda. Treina e joga com a máxima seriedade. Corre o campo todo, desloca-se sempre, usa a cabeça. Uma peça preciosa, tanto para o meu time quanto para a seleção de seu país”, definia o técnico Robert Waseige. Além de Lubanski, aquele time do Lokeren também contava com Raymond Mommens e René Verheyen, ambos da seleção local. Ainda compunham o elenco o craque dinamarquês Preben Elkjaer Larsen e o islandês Arnór Gudjohnsen.

Aos 32 anos, Lato participou da Copa de 1982 como o mais experiente da seleção polonesa, tanto pela idade quanto pelo número de partidas. A calvície acentuada dava ares de mentor ao camisa 16, sem a mesma velocidade de seu auge, mas com qualidade para contribuir na armação. Assim, mais recuado, o veterano contribuiria a outra campanha histórica da Polônia. A equipe dirigida por Antoni Piechniczek terminou na liderança do Grupo 1, em que empatou com Itália e Camarões, mas goleou o Peru por 5 a 1 para avançar. Lato anotou um dos gols na vitória.

A segunda fase, desta vez, consistia em quatro triangulares nos quais apenas o líder avançaria às semifinais. A Polônia começou com vitória por 3 a 0 sobre a Bélgica, na qual o craque Boniek assinalou os três gols, dois deles com ótimas assistências de Lato. Já na partida seguinte, um simbólico empate por 0 a 0 contra a União Soviética, que botou os poloneses nas semifinais. Naquele momento, a insatisfação contra o regime comunista aumentava na Polônia e, sob a tutela dos soviéticos, o governo local instaurou a lei marcial para reprimir a oposição. Nas arquibancadas do Camp Nou, torcedores poloneses ergueram bandeiras em apoio ao Solidariedade, movimento dos trabalhadores que encabeçava a resistência. Terminaram atacados também pela polícia espanhola.

Por fim, sem o suspenso Boniek, a Polônia não resistiria à Itália na semifinal da Copa de 1982. Paolo Rossi anotou os gols na revanche da Azzurra por 2 a 0. Ao menos, o bronze se repetiu contra a França. Os poloneses bateram os Bleus por 3 a 2 em Alicante, com gols de Szarmach, Majewski e Kupcewicz. Lato encerrou sua participação em Mundiais com aquele duelo. Totalizando dez gols, é o oitavo maior artilheiro da história da competição. Além disso, com 20 partidas, é o sétimo com mais aparições no torneio. Está no mesmo patamar de jogadores como Cafu, Philipp Lahm, Javier Mascherano e Bastian Schweinsteiger.

Depois da Copa do Mundo, Lato deixou a Europa. O atacante aceitou uma proposta do Atlante e foi desbravar o futebol mexicano, recebendo um bom dinheiro por isso. E o medalhão ainda marcou seu nome no Estádio Azteca. O Atlante fez a melhor campanha na fase de classificação do Campeonato Mexicano em 1982/83, mas sucumbiria ante o Chivas Guadalajara nas quartas de final dos mata-matas. Lato registrou 15 gols. Somente em sua segunda temporada é que, acumulando problemas físicos, o polonês pouco entraria em campo. Logo penduraria as suas chuteiras.

Longe das convocações desde a mudança para o México, Lato ganhou uma partida de despedida na seleção em 1984. O amistoso contra a Bélgica, em Varsóvia, serviu para homenagear o artilheiro de 34 anos. Lato permaneceu em campo até o início do segundo tempo, antes do gol que determinou a vitória belga por 1 a 0. Aquele seria exatamente seu 100° compromisso pela seleção, tornando-se o primeiro jogador polonês a completar a marca. Ainda hoje é o quarto com mais aparições pelos alvirrubros, enquanto ocupa o posto de terceiro maior goleador, com 45 tentos anotados.

Lato encerrou sua carreira profissional neste momento, mas não se afastou do futebol. O atacante mudou-se ao Canadá e passou a jogar pelo Polônia Hamilton, um clube fundado por imigrantes. Depois, também trabalhou como técnico no futebol canadense. Somente em 1991, após a queda do regime comunista no país, é que o ídolo voltaria para a Polônia. Treinaria o Stal Mielec em duas passagens, sem grande sucesso, e outras equipes europeias de menor expressão.

Já nos últimos anos, Lato atuou como dirigente. Presidiu o Stal Mielec após a falência do clube, que precisou recomeçar sua trajetória na quarta divisão do Campeonato Polonês. Além disso, também assumiu a presidência da federação polonesa em 2008. Esteve à frente da entidade quando o país sediou a Eurocopa, em 2012, ano em que passou o bastão a Boniek. Antes disso, ocupou o cargo de senador em seu estado. A carreira política, contudo, está distante de render os elogios que se viam em campo ao atacante voraz. É esse Lato que permanece cultuado na Polônia e respeitado como um dos mais brilhantes jogadores da história do país.