Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

Por vezes associada e comparada com a do irmão mais novo, Zico, a carreira de Eduardo Antunes Coimbra, o Edu do America, que completa 70 anos neste domingo, teve brilho próprio. Jogador de técnica incomum, era um assombro vê-lo em campo com a camisa rubra nas tardes de domingo no Maracanã. Baixinho (1,64m) e franzino, também é espantoso notar que, num tempo de zagueiros viris e em que não havia caneleiras e cartões, com bem menos televisão para coibir a violência, Edu tenha vencido por tantas vezes os embates com as defesas adversárias: somente pelo America foram 211 gols marcados, entre eles os 14 que lhe valeram a artilharia do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969.

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Depois de deixar o clube da Tijuca e rodar o Brasil até pendurar as chuteiras, tornou-se um técnico adepto do futebol francamente ofensivo, fazendo um trabalho admirável em seu America e no Vasco, recebendo em seguida a honra de dirigir a Seleção Brasileira. Pelo escrete canarinho, no entanto, teve poucas oportunidades tanto como jogador quanto como treinador. No primeiro caso, numa era de camisas 10 espetaculares em profusão no futebol brasileiro, faltou a Edu talvez atuar em um clube de maior visibilidade. Já no segundo, faltou mesmo a organização e o comprometimento por parte da CBF.

O início

revista do esporte 1970

Como não podia deixar de ser, sua paixão pela bola remete ao mesmo espaço e tempo do início de tudo para o irmão Zico, seis anos mais novo: as peladas na terra batida da rua Lucinda Barbosa, no bairro de Quintino, subúrbio carioca, no fim da década de 1950 e início da de 1960. E o que faltava em tamanho ao garoto Edu sobrava em habilidade, logo lapidada no futebol de salão.

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Levado ao America pelo amigo Paulo César (que já jogava no clube), sua ascensão foi meteórica até os profissionais. Em questão de poucos meses, havia passado do infantil para o juvenil e dali para os aspirantes, até ser lançado no fim de 1965 pelo técnico Lourival Lorenzi entre os titulares do time principal. Com o clube vivendo talvez o pior ano de sua história até então, acabou não sendo notado de início. No Campeonato Carioca do ano seguinte, no entanto, já merecia olhares mais atentos graças aos 13 gols que lhe deram a vice-artilharia da competição, atrás do banguense Paulo Borges – ainda que o America terminasse numa discreta sexta colocação.

Estrela nascente no America

Mas foi em 1967 que o garoto explodiu de vez. As primeiras atuações que deslumbraram imprensa e torcida vieram no Torneio Internacional Governador Negrão de Lima, um quadrangular disputado no fim de maio por America, Vasco, Nacional de Montevidéu e Huracán. Na primeira partida, goleada sobre os argentinos por 4 a 0, dois gols de Edu e dois de Eduardo. No segundo jogo, vitória por 1 a 0 sobre os uruguaios, com gol de Antunes em assistência antológica de Edu, que mereceu crônica de Nelson Rodrigues em O Globo. Por fim, a taça veio com um 3 a 1 sobre o Vasco, três gols de Edu.

america 1967 - ampliada médio

Dirigida por Evaristo de Macedo, que havia acabado de pendurar as chuteiras no Flamengo e iniciava carreira de treinador, aquela equipe americana reunia um punhado de bons jogadores jovens saídos da base ou descobertos em outros centros. Na defesa despontava o zagueiro Alex, nascido na Alemanha, mas já naturalizado brasileiro e trazido do Aimoré de São Leopoldo, no interior gaúcho. No ataque, ao lado de Edu – e de seu irmão Antunes, vindo do Fluminense – jogava o ponta-esquerda Eduardo, cria do clube. Mais tarde naquele ano, chegaria ainda o dinâmico meia Tadeu, do Comercial de Ribeirão Preto.

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As boas atuações de Edu no torneio internacional valeram uma convocação para a Seleção Brasileira dirigida pelo veterano Aimoré Moreira, buscando renovar a equipe após o fracasso do time de Vicente Feola na Copa da Inglaterra no ano anterior. O Brasil iria a Montevidéu disputar a tradicional Copa Rio Branco contra a seleção uruguaia. Edu participou das duas primeiras partidas. Na estreia (empate sem gols), começou no banco, entrando no lugar do centroavante gremista Alcindo. No segundo jogo (2 a 2), formou a linha de frente com Paulo Borges e os cruzeirenses Tostão e Hilton Oliveira, cedendo lugar a Natal no segundo tempo.

Em julho e agosto houve ainda a disputa da Taça Guanabara, na época uma competição à parte do Campeonato Carioca. O America venceu o Flamengo (3 a 0), o Fluminense (2 a 1), o Bangu (1 a 0) e o Vasco (3 a 1), perdendo apenas para o Botafogo (2 a 1), time que reencontraria em um jogo extra, decidindo o torneio. O Alvinegro, que também apresentava uma equipe bastante rejuvenescida e reformulada, venceu por 3 a 2 na prorrogação, com três gols de um de seus novos talentos, Paulo César Caju. Pelo America, marcaram Edu – artilheiro da Taça com seis gols – e Eduardo (que no ano seguinte seria negociado com o Corinthians).

Achilles Chirol, destacado cronista da imprensa esportiva carioca da época, descrevia o talento ascendente do America em sua coluna no Correio da Manhã: “Edu é um exemplo do poder da técnica sobre as leis do físico. Afirmam que ele é corajoso, pois somente a coragem chegaria a desafiar a desproporção do tamanho, entre pernas ameaçadoras que entopem o caminho da área. Penso diferente: o arrojo de Edu provém de uma auto-confiança irrestrita em suas condições técnicas. Ele não desafia ousadamente o zagueiro meio metro mais alto, que seria capaz de atirá-lo no fosso com um tranco violento. Seu combate é no jogo puro, na técnica que derrota quase sempre a prepotência do corpo”.

Artilheiro do Robertão

Se os torcedores e a imprensa carioca já conheciam (e reconheciam) suas qualidades técnicas pelo menos desde 1967, elas só foram aparecer para o resto do país dois anos depois, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Com o America fora dos torneios interestaduais desde 1965 (o Bangu havia ficado com a quinta vaga carioca no Torneio Rio-São Paulo de 1966 e nas duas primeiras edições do ‘Robertão’), seu futebol havia ficado praticamente restrito ao Maracanã. Até aquele segundo semestre de 1969.

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No torneio daquele ano, o America dirigido pelo veterano Flávio Costa (e nos seis últimos jogos, pelo interino Edsel Fernandes) terminou num respeitável sétimo lugar à frente de Santos, Fluminense, Grêmio, São Paulo, Flamengo e Vasco, entre outros. Graças, em grande parte, aos gols e assistências de Edu. Na estreia, diante da Portuguesa no Pacaembu, empate em 2 a 2 com um gol do atacante e uma assistência para o outro, marcado pelo ponta Mário “Tilico”. No terceiro jogo, novamente no Pacaembu, o placar se repetiu diante do Palmeiras, com mais um gol de Edu e outro do lateral Zé Carlos.

Mais adiante, no dia 29 de outubro, foi a vez de enfrentar o Santos no Parque Antártica: novo empate (desta vez em 1 a 1) e mais um gol de Edu, em jogada individual. E na última visita à capital paulista, mais uma igualdade em dois gols, agora contra o Corinthians, com Edu balançando as redes em ambas as ocasiões. O único duelo contra um time bandeirante no Rio aconteceu na última rodada, diante do São Paulo no estádio botafoguense de General Severiano, que terminou em goleada a favor dos rubros: 4 a 0, com três da nova sensação americana.

Artilheiro do torneio naquele ano com 14 gols, o garoto revelação do America marcaria ainda duas vezes na vitória de 2 a 1 no clássico diante do Fluminense, mais dois contra o Bahia na Fonte Nova (4 a 0) e outros dois no empate com o Santa Cruz na Ilha do Retiro (3 a 3). E, mesmo sem marcar, teria grande atuação na vitória sobre o Grêmio por 2 a 0 em pleno Olímpico, participando dos dois gols marcados por Mário. Aquele time rubro já contava com outros jogadores revelados na base, como Zé Carlos (depois negociado com o Santos) e Renato (irmão de Amarildo, o “Possesso” da Copa de 62), ou garimpados em outros estados, como o volante catarinense Badeco, depois vendido à Portuguesa.

america 1969 - Rosan Alex Djair Renato Mareco e Zé Carlos

As atuações de Edu não passaram sem ser notadas pelo técnico João Saldanha, que o trouxe de volta à Seleção Brasileira incluindo-o na lista complementar dos 40 pré-convocados para a Copa do Mundo do México, divulgada no início de 1970. Porém, o atacante não chegou a treinar ou disputar outros jogos pelo Brasil, já que logo Saldanha deixaria o comando da equipe, e seu substituto, Zagallo, preferiria centrar seus trabalhos num grupo menor de jogadores. Assim, a participação de Edu pela Seleção se resumiria aos dois jogos contra o Uruguai pela Copa Rio Branco de 1967.

Após o Mundial, uma séria lesão sofrida ainda no fim do primeiro turno do Campeonato Carioca deixaria o atacante de fora de todo o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, encerrando uma grande fase. Com Zizinho substituindo Oto Glória no comando, o America ainda faria uma boa temporada em 1971, na qual Edu passaria a jogar mais recuado, concentrando seu talento na criação de jogadas.

A volta por cima

Em seguida, o time cumpriria um ano discreto em 1972 (dirigido por Paulinho de Almeida) e outro fraco em 1973 (treinado por Zezé Moreira e pelo velho ídolo rubro Amaro). O grande ano de 1974, no entanto, poria fim à descendente do clube e de Edu, seu principal craque e termômetro, que vinha enfrentando problemas físicos e uma fase técnica indiferente.

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No primeiro semestre, a equipe dirigida por outro antigo ídolo do clube, o “Príncipe” Danilo Alvim (ex-meia da Seleção Brasileira da Copa de 50), já havia feito excelente campanha na primeira fase do Campeonato Brasileiro, terminando em terceiro lugar na classificação geral, atrás apenas de Grêmio e Flamengo. Na segunda etapa, porém, problemas disciplinares e atrasos de salário foram cruciais para a perda do ritmo e a eliminação precoce. No segundo semestre, com os problemas aparentemente resolvidos para a disputa do Carioca, o clube embarcaria numa campanha histórica.

america 1974 - o globo

Considerado um dos mais técnicos da história do clube, aquele time reunia a valentia do lateral-direito Orlando, do zagueiro Geraldo e do ponta Flecha, a regularidade do lateral-esquerdo Álvaro e do ponta-esquerda Gilson Nunes, a disciplina do zagueiro Alex e o instinto goleador de Luisinho (revelação e artilheiro do campeonato). Mas o coração da equipe era o meio-campo formado por três estilistas da bola: o volante Ivo e os meias-armadores Bráulio e Edu.

Na estreia, jogo de entrega das faixas de campeão brasileiro ao Vasco, uma goleada de 4 a 1 sobre os cruzmaltinos. Na última rodada, depois de vencer quase todos os adversários, o gol de falta de Orlando no início do primeiro tempo valeu a vitória contra o Fluminense e o título da Taça Guanabara, agora contando como o primeiro turno do Carioca e valendo vaga na final do campeonato.

O America ainda cumpriria campanha muito boa nos dois turnos, mas não repetiria a conquista do primeiro. Mesmo assim, disputaria o título num triangular contra Vasco e Flamengo. Sem Edu, acabaria derrotado pelos rubro-negros por 2 a 1 no primeiro jogo, praticamente se afastando da taça. Na partida seguinte, o maior goleador americano entraria em campo pela última vez vestindo o manto rubro. Marcou a seis minutos do fim o gol do empate em 2 a 2 com o Vasco, seu derradeiro pelo time que o lançou.

No ano seguinte, ironicamente, defenderia os dois adversários daquele triangular. Primeiro seria emprestado ao Vasco para o Campeonato Carioca e viveria bom momento. Mas diante da recusa do America em negociá-lo em definitivo com o clube, retornaria ao Andaraí, até sair – agora de vez – para o Flamengo. A expectativa de atuar ao lado do irmão Zico, no entanto, seria frustrada pelo técnico Carlos Froner, que não pretendia escalar ao mesmo tempo dois jogadores os quais considerava serem da mesma posição. Apesar de sua excelente média de gols nas oportunidades que teve, sua passagem pela Gávea se resumiu à suplência do Galinho, seis anos mais novo.

Assim, a partir de meados de 1976 transformaria-se em um cigano da bola, percorrendo outras regiões do país, atuando no Bahia, no Colorado-PR (vice-artilheiro do Estadual em 1977 e máximo goleador no ano seguinte), no Joinville e no Brasília, até retornar ao Rio, pendurando as chuteiras em 1981 após duas temporadas no Campo Grande.

O treinador

Após o fim da carreira de jogador, Edu foi convidado para voltar ao America como treinador das categorias de base. Em agosto de 1982, com a demissão de Dudu (o ex-volante da Academia palmeirense), subiria de posto passando ao time principal. O clube experimentava um renascimento com o título da Taça dos Campeões e a contratação de reforços para brigar em igualdade com os favoritos. Mas fizera uma campanha aquém do esperado na Taça Guanabara e perdera para o Botafogo na estreia da Taça Rio.

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Após a chegada de Edu, trazendo sua filosofia de jogo ofensivo e corajoso, o America cumpriria campanha irretocável no turno, vencendo oito e empatando duas das dez partidas restantes, batendo inclusive o Vasco, o Flamengo e o Fluminense – este por categóricos 4 a 2 no Maracanã, no jogo que valeu o título da Taça Rio ao clube rubro. No triangular final, porém, novamente o America seria superado por cruzmaltinos e rubro-negros em dois jogos muito disputados, com derrotas apertadas por 1 a 0.

Para o ano de 1983, as expectativas eram grandes pelos lados do Andaraí, mesmo com a saída do meia Elói (um dos destaques na conquista da Taça dos Campeões) para o Vasco. Dois jogadores pinçados dos juniores por Edu se revelavam promissores: o lateral Jorginho e o zagueiro Donato. No Brasileiro, o time cumpriu excelente campanha nas duas primeiras fases, mas, inexplicavelmente, ruiu na terceira, quando era favorito a uma das vagas nas quartas de final.

Uma pequena compensação veio no meio do ano, com a conquista do Troféu Costa Dorada, em Tarragona, na Espanha, no qual o America superou Valencia e Dundee United. No Campeonato Carioca também fez excelente campanha: a segunda melhor na soma dos turnos (atrás apenas do Bangu), sendo vice-campeão da Taça Guanabara e terceiro na Taça Rio. Porém, justamente por não ter vencido nenhum dos turnos, acabou de fora do triangular decisivo.

Embora ainda não tivesse rendido os títulos esperados, o trabalho de reestruturação do America por Edu era notável. E foi ao treinador que o Vasco recorreu para também se reerguer. O clube cruzmaltino havia feito campanha fraquíssima no Estadual, terminando na sétima colocação, fora até mesmo da zona de classificação para o Campeonato Brasileiro (acabaria salvo por um convite da CBF). Uma das piores campanhas de sua história na competição. E antes mesmo da virada do ano, tratou de assinar com Edu.

Com o novo treinador, a sorte vascaína mudaria completamente. Com o mesmo estilo ofensivo de jogo e o mesmo diálogo aberto e sincero com os jogadores aplicado no America, fez do time da Colina, de longe, o melhor ataque do Brasileiro, marcando 51 gols em 26 jogos. O clube teve ainda os dois principais artilheiros do campeonato: Roberto Dinamite, com 16 gols, e Arturzinho, com 14.

Edu 1984

Naquela campanha, foram frequentes as vitórias por goleada tanto em casa (9 a 0 na Tuna Luso e 6 a 0 no Joinville em São Januário) quanto fora (5 a 1 no Fortaleza no Castelão, 5 a 2 na Portuguesa no Pacaembu nas quartas de final). Contra o Grêmio, nas semifinais, reverteu uma derrota por 1 a 0 no Olímpico com uma vitória categórica por 3 a 0 no Maracanã. Entretanto, na final contra o Fluminense, prevaleceu a defesa do time comandado por Carlos Alberto Parreira, segurando o ataque vascaíno por 180 minutos e marcando um gol com Romerito no primeiro jogo.

Sua concepção de jogo chamou a atenção da imprensa, ávida por um nome que revivesse os tempos de futebol ofensivo de Telê Santana, e da CBF comandada por Giulite Coutinho, ex-presidente do America e velho conhecido de Edu. No dia 13 de maio de 1984, antes mesmo do fim do Brasileiro, seu nome era anunciado pelo diretor de futebol da entidade, Dilson Guedes, como o novo técnico da Seleção – sucedendo justamente Parreira – para os amistosos marcados para o mês de junho contra Inglaterra, Argentina e Uruguai.

Em sua primeira convocação, baseou-se nos atletas que tivessem se destacado na competição nacional, sem contar com os que atuavam no exterior (inclusive Sócrates, recém-transferido para a Fiorentina). Nisso, fez estrear na equipe, entre outros, o zagueiro Ricardo Gomes, do Fluminense. Colheu resultados irregulares, normais para um início de trabalho, especialmente nas condições em que aceitou o cargo: derrota para a Inglaterra no Maracanã (2 a 0), empate com a Argentina no Morumbi (0 a 0) e vitória sobre o Uruguai no Couto Pereira (1 a 0). Outro amistoso, cogitado de início, contra a Holanda acabou não se concretizando. Assim como o torneio o qual a CBF pretendia realizar para comemorar seus 70 anos de fundação, mas que seria cancelado. Assim, sem mais jogos em vista, não teve como testar jogadores jovens os quais já havia afirmado que pretendia incluir em futuras listas e lançar na Seleção, como Bebeto, Dunga, Jorginho e Branco.

Cansado do descaso e da falta de organização da CBF, seguiu seu trabalho no Vasco, levantando mais uma Taça Rio naquele ano e permanecendo para o primeiro semestre de 1985 – quando lançou no time profissional um certo atacante dos juniores chamado Romário. Até aceitar proposta para integrar a comissão técnica da seleção do Iraque, com o objetivo de classificar o país para a Copa do Mundo do México. Apesar de cumprir a missão, acabaria vitimado pelo humor instável dos cartolas do país – e do presidente Saddam Hussein – e demitido poucos meses antes do Mundial. Ironicamente, seu sucessor no comando da equipe do Oriente Médio seria o mesmo da Seleção Brasileira: Evaristo de Macedo.

De volta ao Brasil, levaria o Joinville às oitavas de final do Campeonato Brasileiro de 1986 e ao título catarinense no ano seguinte, derrotando o Criciúma fora de casa na decisão – a última conquista do clube até o ano 2000. Retornaria ao America no início de 1988, mas sem o mesmo sucesso e longevidade de antes, embarcando para o Equador, onde dirigiria o Barcelona de Guayaquil. No ano seguinte, montaria um bom time no Coritiba, levantando mais uma taça estadual.

coritiba 1989 - time e edu

No meio do Brasileiro de 1989, seria contratado pelo Botafogo. O clube da Estrela Solitária havia acabado de encerrar seu jejum de conquistas estaduais, mas negociara quase meio time. Coube a Edu a tarefa de reestruturar a equipe e levar à final do Estadual seguinte, com sucesso. Porém, na pausa para a Copa do Mundo da Itália, entre o fim da Taça Rio e as finais do Carioca, aceitaria proposta irrecusável do mexicano Veracruz. Com o time encaixado, coube a Joel Martins treinar o Botafogo na decisão que valeu o bicampeonato, contra o Vasco.

Após a passagem pelo México, vieram trabalhos esporádicos no Campo Grande (em uma equipe de veteranos que contava com Elói e Roberto Dinamite), Remo e no Fluminense, precedidos por duas temporadas no Kashima Antlers, seu último trabalho como técnico. Depois, afastou-se por um tempo, no qual se voltou para desenvolver um método de treinamento de futebol desde a base (exposto em seu livro “Método Sensorial do Futebol – da infância à fase adulta”, publicado em 2001).

Em 2002, retornaria à beira do campo como auxiliar do irmão Zico, integrando todas as comissões técnicas dos times dirigidos pelo Galinho até 2011 – incluindo a do Fenerbahçe na histórica campanha do clube turco até às quartas de final da Liga dos Campeões em 2008. Novamente afastado dos gramados, mas nunca longe do futebol, chegou a ocupar o cargo de diretor executivo do America, função que deixou em 2015.