“Eu nasci no futebol. Meu pai era um ótimo jogador e, como imigrante italiano, sempre foi apaixonado pelo jogo. O futebol é um esporte inteligente, que nos ensina a viver juntos, a dividir quando uns são melhores que os outros. O futebol é uma extraordinária educação para a vida”. Há 60 anos, nascia um dos que melhor pensaram o futebol dentro de campo. Michel Platini era dono de uma qualidade técnica fantástica, mas ia muito além disso. A rapidez de raciocínio e a maneira como antevia as jogadas tornaram o meia um dos melhores de todos os tempos. Um ídolo enorme na França e na Juventus. Ao lado de Cruyff e Van Basten, um dos únicos a conquistar três vezes a antiga Bola de Ouro.

Por mais que tenha nascido no futebol, Platini correu o risco de não se tornar jogador. Após impressionar em um jogo na base, o garoto de 16 anos foi recusado pelo Metz, por conta dos maus resultados nos testes físicos. Porém, persistiu no sonho e chegou ao Nancy. No pequeno clube, subiu para a primeira divisão e conquistou a Copa da França, chegando à Copa do Mundo. De lá partiu para o Saint-Étienne, um dos maiores clubes do país, que teve um de seus melhores times da história com o craque. E atraiu o interesse da Juventus, onde desembarcou em 1982, para se confirmar na história.

O sucesso de Platini pode ser traduzido nos sete títulos que conquistou em cinco anos na Juve, campeão de tudo. Ou nos muitos gols que o meia com uma aptidão ofensiva imensa marcava, três vezes artilheiro da Serie A e uma da Champions. Só que esse sucesso é bem mais expresso nos detalhes. Nos passes magistrais que o francês conseguia arquitetar. Nas jogadas de efeito que encabeçada. Na maneira como se tornou “O Rei” no Campeonato Italiano dos anos 1980, tão cheio de astros. Platini conseguiu tudo isso. E, não à toa, também acumulou diversas premiações individuais.

Já na seleção francesa, o seu sucesso foi além. Superou os melhores desempenhos dos Bleus até então, comandando um timaço às semifinais de duas Copas do Mundo – e entrando na equipe ideal do torneio em ambas as edições. Era o líder de um meio de campo fantástico, ao lado de Giresse, Tigana e Fernández.  Com eles, conquistou o título mais importante da França até os anos 1990, a Eurocopa de 1984. Em uma campanha imponente do time, Platini anotou incríveis nove gols em cinco partidas, um deles na final. O desempenho individual mais espantoso do torneio. Se alguns ainda consideram Platini à frente de Zidane como melhor jogador da história dos Bleus, há motivos plausíveis para isso.

Platini pendurou as chuteiras relativamente cedo, aos 32 anos, apenas duas temporadas após conquistar sua terceira Bola de Ouro, atrapalhado pelos problemas físicos. Àquela altura, no entanto, já tinha construído uma carreira grandiosa. Depois disso, Platini seguiu trabalhando no futebol, muitas vezes de maneira controversa, como técnico da seleção francesa, organizador da Copa de 1998 e presidente da Uefa. Mas, acima disso, há a trajetória de um craque. E, por mais que o cartola pise na bola, o meia a tratou muito bem. O Platini jogador merece aplausos sempre.

Abaixo, um documentário italiano da década de 1980 sobre Platini, além de uma compilação de grandes lances de Le Roi e outra com todos os seus gols pela seleção: