Em tempos nos quais Gana passava longe da Copa do Mundo, Tony Yeboah não ganhou o merecido reconhecimento internacional. Mas, olhando para o passado, o talento imenso do atacante se escancara. Sem o Mundial, o veterano se consagrou de outras formas. Foi artilheiro em seu país, arrebentou na Europa, se destacou na Copa Africana de Nações. E deixou muitos, mais muitos golaços de lembrança. O suficiente para celebrar um dos melhores jogadores da África nos anos 1990, que completa 50 anos nesta segunda.

Yeboah começou a carreira no Asante Kotoko, um dos maiores clubes ganeses, passando depois por outras duas equipes do país. Aos 19 anos, já fazia parte da seleção principal. E os ótimos números na liga o local o levaram à Europa em 1988. Era uma aposta do Saarbrücken, que causou impacto em pouco tempo. Da segunda divisão alemã, voou para a elite em 1990, contratado pelo Eintracht Frankfurt. Primeiro jogador negro da história do clube, chegou a ser vaiado por setores racistas da torcida, mas os calou com gols. Viveu cinco anos inesquecíveis com as Águias, artilheiro por duas vezes da Bundesliga e parceiro imparável de Jay-Jay Okocha.

Nesta época, Yeboah era incontestavelmente uma das grandes estrelas do futebol africano. Por duas vezes esteve no pódio do prêmio de melhor jogador do continente, perdendo ambas para o compatriota Abedi Pelé. Já em 1993, ficou em nono na disputa de melhor do mundo da Fifa. Só que o momento brilhante não rendeu muito a Gana. Em 1992, a equipe foi vice-campeã da CAN, perdendo nos pênaltis para a Costa do Marfim. E nem conseguiu avançar à Copa do Mundo de 1994, superada pela Argélia na primeira fase de classificação.

Restou a Yeboah, então, o sucesso nas ligas europeias. Algo ratificado com a venda ao Leeds, em 1995. O atacante marcou 24 gols em suas duas primeiras temporadas no Campeonato Inglês, ajudando a botar os Whites na Copa da Uefa. Já o momento mais marcante veio em 1995/96, com um chutaço de fora da área contra o Wimbledon que ganhou o prêmio de “gol da temporada”. A sua pintura mais famosa e até hoje celebrada como uma das mais bonitas da era Premier League. As lesões, porém, minaram o seu espaço. Em 1997, ele rumou ao Hamburgo, onde viveu altos e baixos. Por fim, pendurou as chuteiras no Al Ittihad.

Hoje em dia, Yeboah se transformou em um ícone cult. Mesmo depois de duas décadas, alguns torcedores do Eintracht Frankfurt continuam frequentando o estádio com a camisa ‘Testemunhas de Yeboah’. Da mesma forma, virou a memória de um Leeds que definha nas divisões inferiores da Inglaterra. Pelo estilo de jogo voraz e pela qualidade técnica, toda a adoração se justifica. Ainda mais quando os seus golaços são revistos: