Foram exatamente 500 jogos pela Serie A. Em quase nove décadas de liga, apenas 14 jogadores bateram a marca simbólica. Ciro Ferrara entre eles, vestindo duas camisas rivais. O zagueiro conseguiu ser unanimidade no sul e no norte da Itália, brilhando em verdadeiros esquadrões do Napoli e da Juventus. Não à toa, possui uma das carreiras mais vitoriosas do futebol italiano: conquistou Liga dos Campeões e Copa da Uefa, além de sete scudetti. Aliás, não fosse o título revogado de 2004/05, seria um dos recordistas em conquistas nacionais. Em anos de ouro no Calcio, o napolitano se colocou entre os melhores defensores, mesmo enfrentando tantas lendas. Nome significativo que completa 50 anos neste sábado.

Ferrara nasceu em Nápoles e iniciou sua carreira no próprio Napoli. Formado nas categorias de base celestes, chegou à equipe principal aos 18 anos, estreando justamente contra a Juventus, em maio de 1985. Para logo se transformar em parte importantíssima dos sucessos napolitanos. Sua primeira temporada como titular absoluto foi a de 1986/87, contribuindo para a conquista do scudetto. Em um time de tantas estrelas, o novato mostrava o seu valor segurando as pontas atrás. E ganhou reputação não apenas por ser um dos melhores amigos de Maradona. A partir de 1987, o defensor passou a ser convocado à seleção italiana principal. Foi reserva na Eurocopa de 1988 e na Copa do Mundo de 1990, além de disputar os Jogos Olímpicos de Seul.

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As glórias do Napoli, afinal, eram indiscutíveis. Ferrara permaneceu como uma das chaves do time no título da Copa da Uefa de 1989 e no segundo scudetto, em 1990. Não à toa, assumiu a liderança no Estádio San Paolo quando aquele esquadrão começou a desmanchar. Herdou a braçadeira de Maradona e era o destaque em anos mais modestos, com a geração encabeçada por Gianfranco Zola e Daniel Fonseca. Já em seus últimos dias, contou com um sucessor à altura, diante da ascensão de Fabio Cannavaro.

Em 1994/95, Ciro Ferrara deixou o San Paolo. Acompanhou Marcello Lippi à Juventus. E, em Turim, conseguiu ser ainda mais vitorioso. Na primeira temporada, voltou a faturar a Serie A. Já na seguinte, atingiu o maior feito. Estava em campo na conquista da Champions de 1996, compondo dupla de zaga com Pietro Vierchowod na final em Roma. Inclusive, converteu o pênalti que abriu a disputa contra o Ajax e consagrou os bianconeri no cenário continental pela segunda vez. Uma pena que as lesões minaram o espaço do defensor na seleção durante aquele período. Perdeu a Eurocopa de 1996 e também a Copa do Mundo de 1998. Só voltaria a um torneio internacional na Euro de 2000, ano em que se aposentou da equipe nacional, com 49 partidas disputadas.

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Apesar dos problemas físicos, Ferrara permanecia como uma referência na Juventus. Foi por mais duas vezes bicampeão italiano, em 1996/97 e 1997/98, assim como em 2001/02 e 2002/03. Só não conseguiu repetir o ápice continental. Em 2003, ajudou a derrubar Barcelona e Real Madrid nos mata-matas da Champions, mas a Velha Senhora acabou sucumbindo na final contra o Milan. Nesta ocasião, apenas assistiu aos companheiros falhando na marca da cal, sem participar das cobranças. A partir de então, suas aparições no time se tornaram mais raras, inclusive com a chegada de Fabio Cannavaro. Pendurou as chuteiras aos 38 anos, em 2005, campeão italiano pela última vez, em triunfo posteriormente retirado no julgamento do Calciopoli.

No adeus, Ciro Ferrara reuniu craques e amigos, que pelas cores poderiam ser confundidos como rivais. Sua despedida contou com um amistoso entre Juventus e Napoli, no mais puro clima de celebração ao grande jogador que se aposentava. Depois, o veterano se aventurou na carreira de técnico, assistente da Juventus, antes de uma malfadada passagem como comandante principal. Também passou pela Sampdoria e pela Itália sub-21, atualmente trabalhando na China. Detalhe perto de uma trajetória tão significativa como atleta, de quem se colocou entre os melhores defensores. E, aliando muita firmeza e qualidade, conseguiu ser um deles. Algo que tantos sucessos não deixam mentir.