Stoichkov se tornou praticamente um sinônimo da Bulgária na Copa de 1994. Natural, diante da artilharia do torneio e também do sucesso que o atacante fazia no Barcelona. Contudo, é um tanto quanto injusto resumir aquele timaço apenas no goleador intempestivo. Letchkov, Kostadinov e Ivanov também se sobressaíram como expoentes daquela geração. E, em especial, também Krasimir Balakov. O magistral meio-campista apareceu ao lado de Stoichkov no time ideal eleito pela Fifa para aquele Mundial. Mais do que isso, se estabeleceu além da seleção. Afinal, nenhum outro talento daquele grupo teve uma carreira tão duradoura e respeitável por clubes quanto o camisa 20. Grande nome do futebol, que completa 50 anos nesta terça-feira.

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Balakov começou a carreira em sua cidade natal, estreando profissionalmente aos 16 anos. Com a camisa do Etar Veliko Tarnovo, chegou a disputar até mesmo as competições continentais e ganhou relevância como uma das maiores promessas do país. Que se cumpriu na seleção a partir dos 22 anos. Referência no clube, o meia colocou o Etar na rota do título nacional em 1990/91, mas não conseguiu erguer a taça. Acabou transferindo-se ao Sporting antes disso. Para se tornar um dos grandes ídolos dos alviverdes durante a década de 1990.

Faltaram títulos mais relevantes no Alvalade, além de uma Copa de Portugal. Mas os sportinguistas não podem negar a importância de Balakov na equipe. Muitos foram os lances geniais e os golaços – como a inesquecível cobertura em um clássico diante do Benfica. Era a referência em uma equipe que via despontar Luís Figo. E justamente como representante dos leoninos que o camisa 20 viveu o seu sucesso na Copa de 1994. Permaneceu adorado em Lisboa até 1995, quando uma proposta do Stuttgart o levou ao Campeonato Alemão.

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Naquele ano, Balakov foi eleito o melhor jogador da Bulgária, feito que repetiria em 1997. E com justiça: sua qualidade técnica teve impacto imediato no Stuttgart. Com os alvirrubros, o meia atravessou os seus melhores momentos, independente da idade. Ganhou a Copa da Alemanha e a Copa Intertoto, além de ser vice da Bundesliga e da Recopa Europeia. Formou o célebre “triângulo mágico” ao lado de Élber e Bobic. Veterano, manteve-se na seleção, disputando a Euro de 1996 e a Copa de 1998. Em 1999, ganhou a braçadeira de capitão e permaneceu servindo a equipe nacional até 2003 – a ponto de se tornar o quarto com mais atuações pela Bulgária. No mesmo ano, também pendurou as chuteiras pelo Stuttgart, unanimidade entre os torcedores.

Olhando apenas para os números, Balakov pode não impressionar tanto. Mas a sua importância dentro de campo é imensurável para os torcedores dos três clubes que defendeu, assim como para a seleção búlgara. Vale relembrar a classe do meia e a inteligência de quem tratava a bola com enorme elegância: