Nas vésperas das quartas de final, o Brasil fazia os últimos ajustes para enfrentar o Peru. Félix sentiu o dedo, mas deveria jogar. Gérson e Rivellino voltavam ao time. A única dúvida ficava na lateral esquerda: Everaldo, com dores no tornozelo, podia dar lugar a Marco Antônio. Também aguardavam-se os jogos entre Alemanha Ocidental x Inglaterra, Itália x México e União Soviética x Uruguai. Confira mais um capítulo de nosso diário sobre a Copa de 1970:

Zagallo comenta a arbitragem

“Problema de juiz é lá com a Fifa. Temos um time em boa posição que nada precisa temer. Se jogarmos o que sabemos, ninguém poderá nos atingir. Já disputei duas Copas do Mundo e nem os prejuízos que ainda hoje se afirmam terem sido sofridos pelos brasileiros na partida contra o Chile, em 1962, foram capazes de nos afastar do título. Não creio que haja intenção deliberada de nos prejudicarem. Mas, se acontecer, nossos jogadores saberão como se comportar. Eles estão instruídos para tudo, não me preocupo”, disse o treinador, ao Jornal dos Sports.

Carlos Alberto e a desconfiança sobre a defesa

“Não me importo com os que dizem que o ataque brasileiro é melhor que a defesa. Esta é a verdade: no Brasil sempre os atacantes foram melhores que os defensores. Podemos citar dezenas de atacantes extraordinários na história do futebol brasileiro, enquanto grandes defensores vamos encontrar uns três ou quatro. Domingos da Guia, Djalma Santos, Nilton Santos e mais uns poucos. O jogo com a Romênia foi bom porque serviu de advertência. Agora sabemos ainda melhor onde estão as falhas e temos de tentar corrigi-las. Não importa que soframos gols. O importante é quantos vamos marcar. Se ganhássemos a Copa do Mundo com escores de 8 a 6 ou 9 a 5 seria genial. Todos iriam gostar muito dos nossos jogos, pois haveria muitos gols”, declarou o Capita, ao Jornal dos Sports.

Everaldo e a falta de sorte

“Não tenho tido sorte. No início dos preparativos, era considerado titular, me machuquei e saí. Voltei para a estreia, também porque Marco Antônio se contundiu. Agora volto a sair. Lamento a falta de sorte, porque acho que o Brasil está indo muito bem. De qualquer forma, conforta-me a certeza de que colaborei para o sucesso do time. Vamos agora enfrentar a fase decisiva. Se o Brasil mantiver o nível das atuações apresentado contra os tchecos e os ingleses, aposto como será muito difícil nos tirar a Copa”, disse o lateral, ao Jornal dos Sports.

Clodoaldo e seu papel em campo

“Para mim, tanto faz jogar mais atrás, protegendo a defesa, ou mais solto, procurando o ataque. Atrás, a gente joga mais para o time. Na frente, a gente aparece mais. Faço o que o técnico mandar. Agradeço os elogios que me fazem e não me empolgo com eles. Estamos aqui para vencer, custe o que custar. Para sermos campeões, temos que provar que somos os melhores. Portanto, temos de ganhar de qualquer um”, analisou, ao Jornal dos Sports.

Rivellino e as críticas

“Os brasileiros podem estar certos de que não há time mais bem preparado que o nosso. Ouço por aí algumas críticas. Uns dizem que a defesa não vai bem, outros falam de determinados jogadores. Não ligo para isso. Prefiro perguntar: jogamos três vezes, enfrentamos três times difíceis, ganhamos todas, o que querem mais? Juro que ficarei muito mais feliz sendo o nosso time criticado com o título nas mãos do que se ele for considerado perfeito, mas derrotado”, pontuou Riva, ao Jornal dos Sports.

Tostão e a seca de gols

“Ainda não fiz gols nessa Copa, mas não me preocupo muito com isso. Gol é uma questão de chance. O ideal acho que temos: um ataque no qual qualquer elemento é capaz de marcar. Estou jogando um pouco diferente do meu costume. Sempre fui de jogar para buscar a bola. Agora estou avançado, brigando na frente. Talvez essa mudança de estilo tenha influído em relação aos gols. Mas não me importo de fazê-los: o que me importa é que todos tenham condições de fazer gols. Vamos precisar muito dos gols nesses últimos três jogos. Se Deus quiser, nós os faremos”, falou o atacante, ao Jornal dos Sports.

Pelé e a mentalidade dos adversários

“Compreendo o time como um todo. Para mim, não existe essa fronteira entre o ataque e a defesa. Antes de pensar em fórmulas para fazer gols no Brasil, os adversários devem se preocupar com esquemas para evitar nossos gols. Vencemos os três jogos da fase de grupos. Assim, podemos vencer os três jogos que restam. Mas para chegar até o título a luta é dura, não admite descuido. Se não fazemos mais, é porque não podemos”, refletiu o Rei, ao Jornal dos Sports.

Vavá, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Com a entrada de Gérson e Rivellino, nós iremos sem sombra de dúvidas encontrar mais ambiente para sermos ofensivos, para finalizar, para buscar o gol. Clodoaldo, como sempre, ficará atuando na sua posição de desarmar e iniciar as jogadas. Com Gérson, que está jogando um bom futebol, distribuindo as jogadas, e com Rivellino na frente, mais deslocado pela esquerda para chutar forte, as coisas melhoraram. Rivellino, além de ser um emérito fintador, desconcertante, ainda tem uma potência de chute que é respeitada pelos adversários. Uma falta perto da área é constante dor de cabeça para o adversário, ainda mais se for pelo setor direito do nosso time ou, consequentemente, na esquerda do adversário que dá melhor ângulo para o garoto Rivellino”.

Achilles Chirol, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Nenhum dos comentaristas internacionais com quem conversei nos últimos dias poupou severas críticas ao nível desta Copa do Mundo, manifestando, em acréscimo, receio pelo seu futuro como principal competição do futebol profissional. Creio, inclusive, que a pobreza das partidas, reflexo evidente da intenção de não perder – pois isso significa redução de cotação no regime profissionalista – precipitará a reforma do critério de disputa da Copa, que sujeita os concorrentes à eliminação simples a partir das quartas de final”.

“Ou a crise do futebol é alarmante ou os interesses do profissionalismo estão comprometendo a Copa do Mundo. A segunda hipótese parece mais provável. De outra forma, seria impossível compreender como uma seleção do nível da italiana, que veio ao México impulsionada pelos maiores elogios, classificou-se com um gol somente em três jogos. Também a Inglaterra não passou de dois gols, sofrendo um. Há uma clara determinação defensiva que, na hora de valer pontos, sufoca a espontaneidade dos craques e os submete rigidamente aos objetivos secundários da Copa, que estão relacionados com quatro anos seguintes de faturamento nos estádios”.

O dilema de Didi

Treinador da seleção peruana, Didi não escondia seus sentimentos mistos ao encarar o Brasil nas quartas de final: “Juro que me dói demais ter de jogar contra a seleção brasileira. Foi com essa camisa que ganhei dois títulos mundiais, foi com essa camisa que tive as duas maiores alegrias de minha vida. Vou fazer tudo para vencer, mesmo sabendo que a vitória me fará sofrer. Enfrento o Brasil com muito orgulho. Vencer será a glória, perder será normal. Não me considero um traidor por ter de enfrentar o Brasil. Afinal, foram os peruanos que me chamaram para dirigir sua seleção. Sou um profissional e vou cumprir meu dever”.

As charges de Ziraldo no Jornal do Brasil

Como lidar com a individualidade brasileira

Didi também comentou sua estratégia defensiva, ao Jornal dos Sports: “Os brasileiros são jogadores hábeis e devem ser marcados com antecipação e por zona. De nada vale a gente querer anulá-los com uma armação cerrada homem-a-homem, com um simples drible eles deixam o marcador longe. Por isso os atacantes brasileiros não podem ter muita liberdade. Por zona, quem cair por determinado setor sofrerá severo combate”.

Desfalque por saudades de casa

O Peru teria um desfalque inesperado em seu miolo de zaga contra o Brasil: o zagueiro Orlando de la Torre pediu para voltar a Lima às vésperas da partida. Titular nos três jogos da fase de grupos, o beque teria procurado os dirigentes para dizer que “não aguentava mais de tantas saudades de minha família” – segundo o Jornal do Brasil. Apesar do pedido, De La Torre não voltou imediatamente, mas Didi preferiu barrá-lo, achando que poderia ser uma desculpa por medo da responsabilidade. O defensor foi bastante criticado após a derrota para a Alemanha Ocidental, que valia a liderança do Grupo 4.

Baylón, o mascarado do Peru

Outra novidade da Blanquirroja seria o atacante Julio Baylón, que retomou a posição de Hugo Sotil, após ser barrado por “excesso de máscara, peso e displicência” – segundo o Jornal do Brasil. Apesar da volta, não perdeu a máscara. O camisa 8 atuava como ponta direita e, aos 22 anos, brilhava no Alianza Lima. Em 1973, transferiu-se ao Fortuna Colônia, mas não seria mais convocado à seleção. Um problema de bursite no joelho atrapalhou o desenvolvimento de sua carreira. Antes das quartas de final da Copa do Mundo, tinha perdido todos os jogos contra o Brasil, mas deu trabalho principalmente em amistoso no Maracanã em abril de 1969 – quando os Incas abriram 2 a 0 no placar, antes de sofrerem a virada por 3 a 2.

“Eu não me impressiono em ficar fora da equipe, pois sei que sou o melhor mesmo. Se o técnico não quer me colocar, o problema é dele. Quando joguei contra o Brasil em 1968, em Lima, passei como quis pelo zagueiro Sadi. Até hoje ele deve estar sentindo dores nas pernas, pois o que fiz com ele é até maldade. Depois, em Porto Alegre, fui marcado com muita deslealdade pelo Rildo, que desde o início só me deu pontapés. Naquela noite não fui bem, mas por causa disso no Maracanã voltei a jogar bem e passei como quis pelo Rildo. Vi o Everaldo pela televisão e me pareceu muito bom, melhor que o Rildo, mas mesmo assim posso passar por ele. O Marco Antônio não vi jogar, mas me disseram que parece um palito, de tão magro. Na primeira que disputarmos, dou-lhe um encontrão e ele não entra mais”, dizia, ao Jornal do Brasil.

“Dizem que sou indisciplinado, mas isso não é verdade. Acontece que, como sou famoso, muitas garotas me procuram para sair comigo e eu geralmente aceito os convites. Afinal de contas, se eu não fosse bom ou não jogasse na seleção, quem me convidaria para sair? Por isso aproveito o máximo que posso. Quando fui ao Brasil, conheci umas escolas de samba. Foi das coisas mais bonitas que já vi e gostaria de morar no Rio de Janeiro, com aquelas praias tão lindas e garotas espetaculares. No carnaval, eu desfilaria numa escola de samba. Pode ser que, após a Copa, eu seja comprado por um time de lá. Meu problema é que engordo muito fácil e tenho de me cuidar, pois caso contrário não consigo me mexer em campo. Eu gostaria de jogar pelo menos a metade do que jogava o Garrincha que vi. Eu imito aqueles dribles dele, mas nunca saem perfeitos. Também no dia em que saírem, ninguém mais me segura, porque eu chuto muito bem em gol com a bola em movimento”, finalizava.

Alf Ramsey não teme a altitude de León

“Conseguimos em cinco horas a mesma adaptação à altitude que os alemães conseguiram em algumas semanas. O único problema é dar ao ataque um melhor aproveitamento nas finalizações. Se ele conseguir render o mesmo que a defesa, venceremos com facilidade os alemães”, comentou o treinador da Inglaterra, ao Jornal dos Sports.

O recorde de Bobby Charlton

Contra a Alemanha Ocidental, Bobby Charlton completaria 106 partidas pela seleção inglesa. Assim, superaria o recorde de Billy Wright com os Three Lions e estabelecia a nova marca absoluta entre todas as seleções. “Francamente, não me sinto batendo o recorde de Billy Wright, porque naquele tempo havia menos jogos, menos oportunidades para se formar uma seleção. Acho que proporcionalmente eu teria que jogar 120 ou 130 vezes para superá-lo. Mas, no que depender de mim, chegarei nisso. Sinto-me em forma e acho que ainda estarei jogando em 1974, embora reconheça que será muito difícil que me convoquem para a Copa na Alemanha. De qualquer modo, por enquanto não penso em deixar o futebol. Tenho bons amigos e uma mulher que serão os primeiros a me dizer quando estiver na hora”, disse, ao Jornal do Brasil.

“Mesmo que não venha a ser técnico, continuarei ligado ao futebol de uma forma ou de outra. Olhe, futebol é tudo o que sei fazer. Era um garoto quando fui para o Manchester United e não tive tempo para estuar. Eu pretendia seguir engenharia, mas acabei desistindo. Minha vida foi só futebol e continuará sendo, mesmo porque não sei fazer mais nada. O futebol para mim é tudo, mas há horas em que você se sente deprimidíssimo e quer abandoná-lo, como no ano passado contra o Milan, quando o time nunca jogou tão mal. Minha maior alegria, é lógico, foi a conquista da Copa. Depois, quando eliminamos o Real Madrid nas semifinais da Taça da Europa em 1968”, complementou o meio-campista.

Seeler preferia o Brasil

Capitão da Alemanha Ocidental, Uwe Seeler achava que o vencedor do duelo contra a Inglaterra se encaminharia à decisão. Ao Jornal do Brasil: “Eu preferia jogar agora contra o Brasil. Considero que os ingleses são melhores e quem ganhar dificilmente perderá até a final. Será um jogo, antes de mais nada, emocionante. Nós temos motivos para vencer e acho que, em relação a 66, embora a nossa força seja a mesma, as circunstâncias são outras e podem nos ajudar”.

Um time em crescente

Em sua quarta Copa do Mundo, o zagueiro Karl-Heinz Schnellinger via a Alemanha Ocidental crescer no Mundial de 1970. Para ele, seria melhor pegar a Inglaterra mais para frente, justamente por essa ascensão. Ao Jornal do Brasil: “Não é que a fase da Copa faça diferença. O ponto é que nosso time está crescendo a cada jogo, com os jogadores se adaptando melhor ao clima. Só por isto é que eu preferiria jogar contra a Inglaterra mais tarde. Se conseguirmos a vitória, acho que não perderemos mais”.

Overath espera mais força

Meio-campista da Mannschaft, Wolfgang Overath também acreditava em uma equipe alemã cada vez melhor na Copa: “O Brasil me surpreendeu naquele jogo contra a Inglaterra, pela perfeição com que atuou. Nas três vezes em que jogamos na fase de grupos, o time não rendeu tudo o que pode, sendo que contra o Marrocos não conta, porque naquele dia dava tudo errado. Mas agora, contra os ingleses, todos irão dar tudo e acho que faremos uma ótima partida. Aliás, acho que ela praticamente valerá o título”.

Valcareggi reclama do estádio

“O estádio já é ruim e todo mundo, é claro, vai torcer pelo México. O campo é péssimo, embora tenhamos jogado nele. Acho que jogar lá será colocar em perigo a integridade física dos jogadores e do público, porque não há as mínimas condições de segurança. Mas para que a pressão da torcida não tenha muita influência negativa sobre os jogadores, já estou prevenindo a todos. Estou certo de que vamos entrar em campo com tudo para vencer. Estou com muita fé na vitória, mas meu pensamento é que teríamos mais chances de ganhar contra os soviéticos. Estaríamos nas mesmas condições. Com os mexicanos vai ser diferente”, disse Ferruccio Valcareggi, treinador da Itália, ao Jornal dos Sports.

México sem mais peso nas costas

Capitão mexicano, Gustavo Peña via sua seleção com a obrigação cumprida e aguardava uma exibição mais tranquila contra a Itália: “Para nós, era uma obrigação passarmos da fase de grupos. Por isso, quando estávamos em campo, jogávamos sempre angustiados, com um medo terrível de perder. Em consequência, principalmente os mais novos ficavam perdidos no campo, estragando jogadas simples no ataque e dificultando o trabalho da defesa, que a todo o custo tinha que defender o placar. Agora é diferente, sentimos que nossa obrigação já foi cumprida e por isso jogaremos mais tranquilos. Nossas emoções estarão mais controladas e isso deverá nos favorecer”.

Uruguai aposta na tradição

“Passamos pela fase de grupos certos de que não precisávamos jogar todo nosso futebol para obter a classificação. Aqueles que estão nos julgando pelas atuações anteriores terão uma grande surpresa. A partir de agora, verão a verdadeira força do Uruguai. Contra os soviéticos, será diferente. A torcida mexicana nos apoiará de todas as formas. Afinal, é um país latino-americano contra um europeu e seria até ridículo torcer contra nós. Agora tudo muda de figura. Sabemos que para ir adiante será necessário subir de produção e isso ocorrerá fatalmente pelo simples fato de sabermos que antes podíamos perder, coisa que já não ocorre agora. Cada partida será decisiva e não poderemos perder”, comentou o técnico uruguaio Juan Hohberg, ao Jornal dos Sports.

Ao Jornal do Brasil, o comandante via uma geração inferior da União Soviética: “Creio que o futebol da União Soviética estacionou, porque seus atuais jogadores são inferiores aos de Copas passadas. O futebol deles foi muito bom numa chave fraca. Se estivessem num grupo mais forte, não apresentariam os mesmos resultados. Para se fazer uma análise temos que levar em conta o grupo de candidatos e nossa chave foi mais difícil, pois Suécia e Israel são dois bons times, superiores a Bélgica e El Salvador. Nosso grande problema foram as contusões”.

Técnico soviético minimiza a Celeste

“Por que vou me preocupar com os uruguaios? O importante é que permanecemos na Cidade do México e, se tudo correr bem, até o final jogaremos aqui. O que me preocupa é se o Brasil ganhar do Peru. Aí, sim, teremos de tomar cuidado. Respeitáveis, todas as seleções são, mas o Brasil é temível. Acho mesmo que a sorte foi camarada conosco apontando o Uruguai como adversário. Não quero dizer com isso que já vencemos, mas que nossa equipe está preparada para derrotá-los, não tenho dúvidas”, disse Gavril Kachalin, treinador da União Soviética, ao Jornal dos Sports.

Máfia dos ingressos

Contava o Jornal dos Sports: “O Comitê Organizador da Copa do Mundo tem tido um trabalhão para desmontar uma quadrilha de falsificadores de ingresso e de cambistas sem escrúpulos. Em muitos jogos, principalmente no jogo de Brasil x Inglaterra, apareceram no Estádio Jalisco duas pessoas com ingresso numerado para o mesmo lugar. Num dos casos, ambos os torcedores reconheceram entre os revendedores do câmbio negro os vendedores oficiais que, pouco antes, lhes haviam dito que não restavam mais ingressos. E esses vendedores ofereciam a preços proibitivos séries inteiras de bilhetes que haviam sobrado”.

Perfil do público

Uma pesquisa realizada pelo Jornal do Brasil apontava que o público de futebol aumentava em 53% quando havia uma competição importante em disputa. Dentre os entrevistados, 35% acompanhavam só os jogos do Brasil, enquanto 58% estavam interessados em toda a competição. Apenas 5% da população não estaria atenta à Copa do Mundo, a maioria mulheres acima dos 50 anos. Entre os homens, apenas 1% não se interessava. O futebol também era o esporte preferido de 73% da população.

O time ideal da primeira fase

Ao final da fase de grupos, a Associated Press elegeu uma seleção ideal da Copa do Mundo até aquele momento. A equipe era formada por: Banks (ING), Ancheta (URU), Peña (MEX), Moore (ING) e Facchetti (ITA); Van Moer (BEL), Beckenbauer (ALE) e Rivellino (BRA); Jairzinho (BRA), Müller (ALE) e Pelé (BRA).

Brasil, pelo bem do futebol

Treinador de Marrocos, o iugoslavo Blagoje Vidinic manifestava sua torcida pelo Brasil. Para ele, seria importante uma imposição da Seleção para contornar a tendência defensivista vista até então no torneio. “O futebol mundial necessita urgentemente de uma vitória brasileira para que se acabe o catastrófico futebol defensivo. Haveria uma alteração com a imposição do estilo ofensivo, o que representaria um bem enorme ao futebol de todo o mundo. Eu, particularmente, sou favorável ao futebol 100% ofensivo. Ainda que nesta Copa do Mundo a minha equipe pouco tenha realizado, espero dar ao futebol de Marrocos maior poder de realização ofensiva”, declarou, ao Jornal dos Sports.