A Copa de 1970 atravessou momentos históricos em 17 de junho, com a realização das semifinais. O Brasil enfrentou um jogo duríssimo contra o Uruguai, em que precisou romper a cerrada defesa celeste e virar o placar em 3 a 1. A muitos, era uma vingança pelo Maracanazo, 20 anos depois. Já o Estádio Azteca abrigou aquele que é lembrado como ‘O Jogo do Século’, em que Itália e Alemanha Ocidental jamais desistiram do triunfo. Após o empate por 1 a 1 no tempo normal, em placar que poderia ter sido maior, a prorrogação reservou mais cinco gols. Melhor à Azzurra, que avançou à decisão com o triunfo por 4 a 3. Confira mais um episódio de nosso diário sobre o Mundial de 1970:

  • Post publicado originalmente na tarde de 18 de junho, mas com a data alterada por causa do dia de referência

Jalisco: Brasil 3×1 Uruguai

A memória da Copa de 1950 estava viva em Guadalajara, 20 anos depois. As histórias do Maracanazo permearam toda a cobertura da imprensa às vésperas do novo Brasil x Uruguai, agora pelas semifinais do Mundial de 1970. A superioridade do timaço de Zagallo estava bastante clara no papel, mas a tensão tomaria conta do Estádio Jalisco, num desafio aos nervos dos brasileiros. Os uruguaios, mordidos pela mudança do local do jogo pela Fifa, iniciaram o duelo tentando desestabilizar os rivais. Queriam ganhar na força e na mente, conseguindo assim o primeiro gol. A reação do Brasil, iniciada no último ataque do primeiro tempo, gerou um time muito mais seguro na volta do intervalo. Foi o que valeu a classificação, com a virada e a merecida vitória por 3 a 1. Passou quem tinha mais bola.

Zagallo pôde repetir a escalação da estreia pela primeira vez desde então. Gérson e Rivellino seguiam em boas condições físicas, recuperados de suas lesões, assim como Everaldo retornava à lateral esquerda após superar um problema no tornozelo. Seria a mesma formação que se consagraria dias depois, na decisão. O Uruguai, por sua vez, havia apenas blefado com o possível retorno de Pedro Rocha. O capitão não estava à disposição, machucado. A Celeste contava com o ótimo goleiro Ladislao Mazurkiewicz e a firme linha de zaga liderada pelo líbero Roberto Matosas. Repetia-se o time que eliminara a União Soviética nas quartas de final, com Julio Morales voltando de lesão e servindo de referência na frente. Víctor Espárrago, herói da classificação anterior, de novo começava no banco.

Uruguai sai na frente

Os primeiros minutos no Jalisco guardaram uma partida não tão intensa, em que os cuidados redobrados dos times ficavam evidentes. O Brasil tentou chegar firme nas primeiras divididas e conseguiu neutralizar o Uruguai. Um carrinho de Everaldo, com os dois pés na bola, representava essa postura. Já na frente, quem aparecia desde já era Jairzinho. O Furacão da Copa não se intimidava com a rispidez dos marcadores uruguaios e partia para cima. Acompanhado por Carlos Alberto Torres, suas arrancadas pela ponta direita foram o principal escape do Brasil durante os movimentos iniciais. Já começava ali o embate particular com o lateral Juan Mujica, que deu uma pancada no camisa 7 logo aos cinco minutos.

Porém, não demorou para que o Brasil perdesse sua concentração na partida. A equipe errava bastante suas saídas de bola e não conseguia chegar à área uruguaia. Faltava mais aproximação entre os jogadores, encaixotados pela marcação celeste. O Uruguai tinha uma segurança tremenda no miolo de zaga, com Atilio Ancheta e Matosas, mas também fazia um trabalho abnegado de marcação logo com seus meio-campistas e atacantes – em especial Julio Montero Castillo, ativo no rodízio de faltas, e Dagoberto Fontes, que tomaria uma cotovelada de Pelé em “retribuição pelas pancadas” no segundo tempo. Esse cerco possibilitaria a primeira chance, em passe defeituoso de Clodoaldo. Ildo Maneiro arriscou, mas Félix segurou.

A torcida apoiava o Brasil, o que estava claro pelos gritos. E alguns jogadores tentavam se desvencilhar da rigidez imposta pela defesa do Uruguai. Tostão se movimentava bastante, enquanto Rivellino recuava para auxiliar na armação. Outros craques não conseguiam aparecer tanto, sobretudo pelas perseguições individuais a Gérson e Pelé. Durante os primeiros minutos, o ataque se via anulado, o que também encheu a Celeste de confiança. Fontes e Julio César Cortés já tinham ameaçado, até o primeiro gol sair aos 18 minutos.

Se as críticas à defesa do Brasil eram constantes naquela Copa, o tento de Luis Cubilla justificava tanta insegurança. Foi o lance mais bobo possível, com uma sucessão de erros. Brito entregou o presente a Morales na intermediária e deixou a linha de zaga exposta. Piazza ficou no meio do caminho e Cubilla passou às suas costas, para receber o lançamento. O veterano chutou fraco, mas o posicionamento de Félix era ainda pior e o goleiro só viu a bola mansa cruzar a pequena área, antes de entrar no canto oposto. O autor do gol, aliás, era quem mais incomodava. Por um lado ou por outro, Cubilla sempre carimbava os ataques. O camisa 7 girava sobre a bola, limpava os passes e desconcentrava os marcadores. O lance não era por acaso.

O Uruguai cresceu com o gol e passou a se impor no campo de ataque. Brito evitou o segundo ao travar Maneiro de forma providencial dentro da área. O Brasil recuava, com seus homens de frente retraindo para buscar a transição que não acontecia. Os brasileiros limitavam suas ameaças às bolas paradas. Carlos Alberto foi desarmado em cobrança de falta ensaiada e, logo depois, Pelé reclamou de uma pancada na barriga. Entrar na mentalidade uruguaia não ajudava em nada, ainda mais quando o árbitro era bastante conivente com os charruas. Haveria mesmo uma reclamação de pênalti sobre Pelé, por uma entrada por baixo de Castillo, mas nada que convencesse o espanhol José María Ortíz de Mendibil.

A Seleção ressurge

Aos poucos, alguns jogadores do Brasil que não vinham bem começaram a melhorar, como Clodoaldo. O volante seria necessário à reação, com Gérson enclausurado entre as linhas uruguaias. Seria do camisa 5 a primeira finalização brasileira na partida, apenas aos 27 minutos, em chute de longe que seguiu para fora. Só então a Seleção passou a dar sinal de vida. Quase sempre as jogadas se iniciavam com Jairzinho, caçado pelos adversários. As aproximações da área se tornaram mais frequentes, ainda que o Uruguai contivesse as infiltrações, com seus jogadores bastante recuados.

Rivellino exigiu a primeira defesa de Mazurkiewicz numa cobrança de falta fechada, antes de Jairzinho sair em ótimas condições, após uma troca de passes envolvente, mas adiantar demais a bola. Por volta dos 40 minutos, as tabelinhas passaram a funcionar. E foi este o caminho para o empate do Brasil, nos descontos do primeiro tempo. Tostão fez um excelente trabalho ao abrir pela esquerda e gerar os espaços na zaga uruguaia. Num ataque rápido, Clodoaldo tabelou com o camisa 9 e correu para a área, recebendo a enfiada magistral por trás do marcador. O meio-campista, então, bateu de primeira e acertou um lindo chute de peito de pé no canto oposto de Mazurkiewicz, que não achou nada.

Antes que o apito do intervalo soasse, outro lance demonstrava a mudança de espírito do Brasil, quando o franzino Tostão ganhou no ombro de Matosas e desequilibrou o caudilho celeste na força. O Uruguai já buscava gastar o tempo desde a primeira etapa, mas veria seu plano de jogo ruir com o empate. O Brasil voltou mais aceso para o segundo tempo e parecia enfim acreditar que sua qualidade superior prevaleceria. Uma batida fechada de Jairzinho, salva por Mazurkiewicz, seria o primeiro aviso. Os brasileiros faziam a bola correr mais e, assim, tentavam cansar os oponentes.

Pelé protagonizava uma atuação particular até então. Com a marcação dobrada muitas vezes, tinha dificuldades para se apresentar. Entrou de vez na partida no início da segunda etapa, alternando jogadas arrojadas e erros inacreditáveis. Uma arrancada desde o campo de defesa só pôde ser parada com falta no limite da grande área. Apesar da reclamação de pênalti, o árbitro anotou apenas a punição fora e o Rei isolou, numa cobrança horrível. Mas, depois que Mazurkiewicz bateu mal o tiro de meta, quase o craque fez num chute de primeira do meio da rua. Sorte do arqueiro que ele se recuperou a tempo e pegou o tiro sem dar rebote.

A virada

Por causa da capacidade defensiva do Uruguai, o Brasil não conseguia imprimir o ritmo demolidor de outras partidas. Faltava espaço. Mas era um momento relativamente confortável à equipe de Zagallo, já que os rivais mal construíam no ataque, limitados a uma aparição de Cubilla ou outra de Morales. A Seleção era bem mais perigosa quando chegava à frente, embora priorizasse certa cautela, visando não se expor demais e não se cansar. A linha defensiva canarinho protegia-se com solidez, em especial Everaldo na esquerda. Mesmo que a Celeste em certos momentos tivesse até mais a posse de bola, isso não abalava a confiança brasileira de que logo o resultado viria. E veio aos 31 minutos, com a virada.

Numa Copa em que é bastante lembrado pelos lances mágicos que não viraram gol, Pelé se saiu até melhor quando simplificou o jogo e prendeu a marcação em si, para que os companheiros decidissem. Foi o que aconteceu no lance, outro contragolpe fulminante. O Rei recebeu o passe de Jairzinho e deu um toquinho sutil de lado, abrindo o caminho a Tostão. O atacante acertou mais uma enfiada cirúrgica, conectando a disparada de Jair. O Furacão ultrapassou Matosas na corrida, antes de bater rasteiro. O Uruguai estava nas cordas e a única forma que conseguia mostrar força era na base da porrada, sem economizar nas enxadadas ainda frequentes.

Mais tímido na semifinal, Gérson melhorou no segundo tempo quando recuou. Exigiu uma ótima intervenção de Mazurkiewicz em chute de longe. Enquanto isso, Clodoaldo ganhava liberdade para avançar e orquestrava os ótimos minutos da Seleção. O Brasil só não poderia perder a cabeça, e isso quase aconteceu num lance desnecessário aos 38. Jairzinho resolveu revidar em Mujica e acertou as costas do lateral, fora do lance. Houve confusão e até mesmo Zagallo entrou em campo, pedindo para que seus comandados mantivessem a concentração.

A esperança do Uruguai, desgastado fisicamente, se concentrava nos cruzamentos. Os charruas forçavam as bolas altas em direção a Félix e o goleiro, mesmo disputando no corpo com os atacantes, se saía bem para neutralizar os perigos. O camisa 1 pegou um tiro de longe de Cortés, antes de se tornar realmente decisivo aos 43. No único chuveirinho uruguaio que deu certo, Cubilla apareceu totalmente livre na pequena área. Cabeceou buscando à queima-roupa, mas Félix voou para realizar uma defesa determinante.

Do quase empate, o Brasil selou a vitória graças a mais um contra-ataque. De novo Pelé serviu de coadjuvante, puxando até a entrada da área e esperando a aproximação de Rivellino. O camisa 11 bateu de primeira, em canhotaço no contrapé de Mazurkiewicz. E, mesmo que o relógio marcasse 44 minutos, restou um pouquinho de tempo para um último lance espetacular. A tacada de sinuca de Tostão encontrou Pelé e, quando Mazurkiewicz saía no desespero, o camisa 10 executou seu célebre drible de corpo para pegar a bola do outro lado, com o arqueiro vendido. Uma pena que o arremate tenha saído a centímetros da trave. Se aquela partida da Seleção não foi avassaladora, pelas próprias dificuldades impostas pelo adversário, a equipe se refez dos sustos e construiu jogadas preciosas para possibilitar o triunfo. A vaga na final, incontestavelmente, era do esquadrão.

A análise de Zagallo

“Passamos por maus momentos nos primeiros 25 minutos, porque os jogadores erraram muitos passes. O gol uruguaio, inesperado sob todos os aspectos, também os desnorteou um pouco. Foi um período de estudo do adversário. O passar dos minutos e o calor da partida fizeram com que todo o time subisse de produção, a tempo de conseguir o empate no primeiro tempo. A vitória do Brasil foi de todos os setores, especialmente mantendo a tranquilidade e o bom preparo físico”, disse o treinador, ao Jornal dos Sports.

Complementava ao Jornal do Brasil: “Já ao final do primeiro tempo, os jogadores uruguaios davam prova de cansaço. Comentei isso com os jogadores no vestiário e pedi a todos para jogarem com calma e serenidade, não aceitando provocações nem revidando pontapés desleais, porque daria para ganharmos o jogo. E foi o que fizemos. Os uruguaios só jogam para não sofrer gols. Se marcam algum, como aconteceu, é por obra do acaso. Agora vamos para a final. O time vai ser o mesmo de hoje”.

Para Gérson, time provava seu valor

“Este mesmo time que todo o Brasil aplaude é o mesmo que saiu desacreditado, com muitos afirmando que nós jamais passaríamos da fase de grupos. Provamos que somos bem melhores do que pensavam. Agora, queremos e temos de levar a taça de vez para o Brasil. Temos condições para isto, mesmo respeitando o nosso adversário. Fui obrigado a jogar mais plantado, porque o número 20, Cortés, jogou colado comigo sem dar possibilidade de penetrar. Se fosse para frente, seria mais um defensor na área deles. Por isso, o Clodoaldo jogou mais solto e acabou conseguindo o empate”, avaliou, ao Jornal dos Sports.

Félix explica o gol

“A jogada foi inesperada. Eu tentei fechar o ângulo, mas Cubilla jogou a bola justamente onde eu não esperava. Aquele gol, é claro, deixou todo o time nervoso. Felizmente conseguimos nos acalmar e no segundo tempo partimos para a vitória. Agora vamos dar tudo para sermos campeões”, pontuou, ao Jornal dos Sports. Ao Jornal do Brasil, ainda frisava: “O Brito vinha jogando o fino do futebol e só errou nesse lance. Se eu tivesse defendido aquela bola, ninguém se lembraria da falha dele. Agora eu e ele, que somos dois jogadores marcados, seremos duramente criticados. Já até pedi desculpas a ele”.

Jairzinho e a briga com Mujica

“Provamos que somos melhores do que eles e, afinal, conseguimos dar o troco devido para apagar a tristeza da Copa de 50. Eles estavam pensando que poderiam repetir a mesma coisa e se estreparam. Agora é partirmos firmes para levar a taça. Vamos jogar com o maior respeito possível e cautela para não decepcionar a torcida brasileira, que antes nos criticou, mas depois compreendeu. Quanto à cotovelada em Mujica, foi bem dada, porque ele merecia pelo que havia feito durante todo o jogo”.

Capita e o gosto pela vitória

“Olha, desde os tempos de juvenis do Fluminense, jamais atuei com tanta vontade como hoje. Posso não ter ido bem na parte técnica, mas tinha que me matar para ganhar essa partida”, afirmou Carlos Alberto Torres, em aspas a’O Globo.

A avaliação do Jornal dos Sports

A suspeita sobre o árbitro

Antes da semifinal em Guadalajara, existiu certa desconfiança do Brasil sobre o árbitro José María Ortiz de Mendibil. O espanhol se hospedou no mesmo hotel da seleção uruguaia e se encontrou com membros da delegação celeste, como teriam apurado Antônio do Passo e Cláudio Coutinho – representantes da CBD que foram até o local. Os dirigentes da confederação brasileira chegaram a discutir o assunto com a chefia de arbitragem da Fifa, mas nenhuma ação foi tomada e se garantia que tudo não passara de uma coincidência. Assim, o Brasil preferiu não apresentar nenhuma queixa formal e, antes da partida, os jogadores sequer foram comunicados sobre o assunto.

Pelé queria dar sua camisa ao juiz

Ao término da partida, Pelé estaria irritado com o árbitro. Segundo o Jornal dos Sports, o Rei preferiu não trocar sua camisa com Ancheta porque queria entregá-la a Mendibil, como afronta à atuação do juiz. O craque não aprovava a maneira como as entradas dos uruguaios foram permitidas sem grandes repreensões, especialmente a pancada de Juan Mujica em Jairzinho. O preparador físico Admildo Chirol, então, foi em direção a Pelé e conteve o camisa 10. Conseguiu convencê-lo de que causaria tumulto e o fez dar meia volta.

A reclamação de Hohberg

Do lado uruguaio, o técnico Juan Hohberg também vociferou contra o árbitro. Ao Jornal dos Sports: “O Uruguai jogou melhor que o Brasil, mas o juiz influenciou o resultado. Faltavam 30 segundos para terminar o primeiro tempo e Morales estava com a bola, quando foi empurrado por um brasileiro. Ele deixou a jogada prosseguir e daí nasceu o gol de empate. Se eles não conseguissem empatar no primeiro tempo, acredito que meu time saísse vitorioso”.

O comandante celeste ampliava à Fifa suas queixas, conforme O Globo: “Podem escrever que a derrota nós colocamos nas costas da Fifa, que não muda os seus critérios de favorecer um eleito de quatro em quatro anos. O Brasil tem futebol para ganhar, mas nós poderíamos vencer, não fosse a entidade determinar que nos tornássemos uma equipe nômade, indo daqui para lá, deslocando-nos a cada semana, acho que como um castigo à nossa maneira de não dobrarmos a espinha a cada determinação absurda da gente de Sir Rous. Como no caso da troca de juízes na partida contra a Suécia”.

Tostão também insatisfeito

“O árbitro estava cego, pois não viu aquele pênalti que fizeram em Pelé, sem contar as entradas sem bola em mim, no Clodoaldo e no Jair. Não sei por que jogamos tão mal durante o primeiro tempo, pois sabíamos que poderíamos ganhar fácil. Mas a gente tentava jogar e nada dava certo. Estávamos preocupados também porque o time deles procurava nos irritar e dava muitos pontapés. Por que teríamos complexos, se nosso time é melhor que o deles? No início, parecia que tudo ia se repetir como em 1950. Agora acabou e o nosso pensamento é para o próximo adversário. Vamos para decidir e espero que não tenhamos que aturar um juiz como este espanhol de hoje”, disse o atacante, ao Jornal do Brasil.

Garrincha dá seu pitaco

“O Brasil é a equipe mais forte entre as que participam do Mundial. No papel, é mais forte que a Itália, apesar de sua defesa não ser muito brilhante. A Itália é uma equipe mais homogênea e tem suas qualidades divididas. O Brasil deveria ser o ganhador, mas no futebol tudo é possível. Talvez a Seleção seja melhor agora que em 1962, mas acredito que no Chile nós divertimos mais jogando futebol. Por isso, os nossos gols foram mais apreciados e mais espetaculares”, declarou Garrincha, à Folha de S. Paulo.

Feola comenta o nervosismo

“Tenho a impressão de que todos os jogadores entraram em campo preocupados com aquele mito, parecia até que aquela preocupação alardeada por aqui, relembrando sempre o trágico final do Mundial de 50, chegou à concentração e tomou conta da equipe. Não vi razão para tanta preocupação defensiva, ficamos sem ataque e nosso meio de campo esteve completamente perdido até a hora do empate. O quadro não se movimentou bem, a defesa não se antecipou e os uruguaios dominaram, tocando bem a bola e chegando sempre mais cedo nas disputas diretas, com uma antecipação marcante. O Brasil, ao contrário, deixava o adversário dominar a posse de bola para depois tentar a destruição, atabalhoadamente, mantendo apenas Tostão na frente para uma luta inglória contra quatro ou cinco zagueiros deles”, analisou Vicente Feola, técnico campeão do mundo em 1958, ao jornal O Globo.

A charge de Henfil no Jornal dos Sports

João Saldanha, em sua coluna n’O Globo

“O Uruguai se desesperou e começou a atirar bolas altas. Nada de positivo. Sem Pedro Rocha, fica muito inofensivo o ataque uruguaio. Como ganhar um campeonato com um ataque que não consegue mais de um gol? O Brasil possui este ataque e, mesmo com suas debilidades conhecidas, quando arranca para a frente e com homens da qualidade de Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino, ainda mais ajudados por homens da categoria de Gérson e Clodoaldo, é sempre um quadro perigoso que está a pique de conseguir seus gols e a vitória”.

Nélson Rodrigues, em sua coluna n’O Globo

“Amigos, foi a vitória mais linda. Quando acabou o jogo, o Espectro de 50 foi varrido a pontapés. Desculpem. Está certo varrido a pontapés? Se não está certo, paciência. Vai assim mesmo. Eu não estou aqui para escrever certo, estou aqui para escrever Brasil, Brasil, Brasil. […] Havia em nós uma chaga já velha, senil chaga. A vitória de ontem a tapou. Não resta nem a cicatriz. Vocês devem ter reparado que a alegria é mais profunda do que a dor”.

Vavá, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Ninguém poderia pensar que o jogo contra os uruguaios seria uma moleza. Em sã consciência, jamais qualquer um teria a audácia de pensar desta forma. Não deu outra coisa: os uruguaios armaram um esquema defensivo que no primeiro tempo funcionou de maneira perfeita, atuaram com a sua tradicional garra e ainda tiveram a chance de marcar um gol, aproveitando uma jogada ingênua de nossa defesa. Para vencer esta partida da maneira como fez, o Brasil teve que juntar tudo além do seu bom futebol. Não perdemos a cabeça nunca. As provocações não foram aceitas em momento algum e o time soube reencontrar a sua melhor maneira de impor o ritmo da disputa, como já fizera nos outros compromissos. O desespero para os brasileiros nunca chegou. Zagallo soube ditar as normas e os jogadores souberam segui-las”.

Achilles Chirol, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Foi uma vitória do próprio futebol. Seria incrível o Brasil deixar Guadalajara vencido pelos uruguaios, que aqui chegaram depois de terem marcado somente três gols em quatro partidas. Um saldo que nos fala, imediatamente, em covardia tática. Não duvido mesmo de que ontem eles tenham tido como único objetivo a decisão pelo sorteio. Formaram uma falsa ideia de vítimas da Fifa, buscaram ânimo nessa inventada perseguição e dela fizeram seu único instrumento de luta. No futebol, foram liquidados pela primorosa disponibilidade técnica dos brasileiros. E já não se podem considerar os donos da bravura na América do Sul, que alimentavam desde 1950. Foi também um momento de bravura e ganharam os brasileiros, varrendo os últimos complexos que alguns ainda conservavam”.

Fronteiras fechadas

Segundo o Jornal dos Sports, as polícias de Brasil e Uruguai decidiram fechar as fronteiras entre os dois países em algumas cidades, para prevenir confusões depois da semifinal. A medida aconteceu em Santana do Livramento, Quaraí e Jaguarão. “A cada lado do limite, as pessoas foram zelosamente incomunicadas para evitar incidentes, que até hora muito avançada da noite não haviam ocorrido”, explicava o periódico.

Azteca: Itália 4×3 Alemanha Ocidental

Alemanha Ocidental e Itália prometiam um duelo de camisas pesadas na semifinal da Copa do Mundo. Ainda não existia um histórico de grandes partidas entre os rivais no torneio, mas, diante de 102 mil testemunhas no Estádio Azteca, aquela seria a mãe de todas as batalhas. O ‘Jogo do Século’, como muitos gostam de chamar, e que realmente faz jus a qualquer lista que o coloque como a melhor partida da história dos Mundiais. Durante os 90 minutos, viu-se um embate de altíssimo nível entre duas equipes de qualidade, com os alemães premiados por sua persistência ao arrancarem o empate por 1 a 1 no apagar das luzes. Já na prorrogação, ocorreu uma série de reviravoltas, em que os italianos tiveram mais forças para desvirar o placar e não se abalar nem quando os germânicos ressuscitaram. O triunfo monumental por 4 a 3 engrandecia a história daquela Azzurra até a final.

A Itália tinha passado por menos provações até então. Depois de uma campanha modorrenta na fase de grupos, o time de Ferruccio Valcareggi goleou o México por 4 a 1 nas quartas de final – em placar que, porém, não transmite certos riscos sofridos pelos italianos. Inclusive a escalação se repetia, por mais que Gianni Rivera tivesse entrado muito bem ante os mexicanos. Já a Alemanha Ocidental crescia no torneio e vinha de um confronto extenuante com a Inglaterra, em que transformou o 0x2 em 3×2, com a classificação celebrada na prorrogação. O técnico Helmut Schön trazia para o 11 inicial Willi Schulz e Jürgen Grabowski, que saíram bem do banco ante os ingleses, e promovia a entrada de Bernd Patzke no lugar do lesionado Horst-Dieter Höttges.

Boninsegna traça os rumos do jogo

A partida começou aberta, com os dois times subindo ao ataque, ainda que sem grandes chances de gol. Dentre os alemães, Wolfgang Overath se encarregava da criação e Gerd Müller era muito ativo, recuando para escapar da marcação. Já do lado italiano, Gigi Riva e Angelo Domenghini movimentavam-se pelas pontas e davam opções. A Itália abriu o placar aos oito minutos, num lance um tanto quanto casual. Roberto Boninsegna tabelou pelo meio com Riva e, mesmo cercado pelos adversários, arriscou o chute de fora da área. Mandou a bola no cantinho, beijando a trave antes de entrar, sem dar chances a Sepp Maier.

O clássico era marcado por diversas batalhas individuais. Berti Vogts colava em Riva, Schulz mordia Boninsegna, Roberto Rosato cuidava de Müller. Sandro Mazzola, o craque no meio-campo italiano, precisou realizar um trabalho mais árduo ao policiar Franz Beckenbauer e limitar os espaços ao Kaiser. Com isso, não contribuía tanto ao próprio ataque da Azzurra. O camisa 4 alemão, ainda assim, muitas vezes descolava a ligação direta e procurava Uwe Seeler pelo lado direito da área. A arbitragem do mexicano Arturo Yamasaki, enquanto isso, era permissiva e se perdia em suas marcações.

Apesar de bem jogada, a partida não corria em velocidade tão alta neste começo. As infiltrações também não aconteciam tanto e a alternativa aos times vinha nos chutes de longe. Vogts levou perigo de um lado, antes de Domenghini parar em Maier. Com o passar dos minutos, o jogo se concentrou mais no campo de ataque da Alemanha Ocidental, que tinha a iniciativa. A Itália preservava a vantagem e esperava seu momento de espetar. O perigo, de qualquer forma, era evidente. Müller quase fez num ótimo lance dentro da área, ao girar e mandar ao lado da trave. Logo depois, apareceu pela primeira vez Enrico Albertosi, fazendo milagre em tiro de Grabowski que desviou no meio do caminho.

Sem jogadas tão trabalhadas no ataque, a Itália dependia do esforço individual de seus homens de frente. Boninsegna ganhou confiança com o tento e se movimentava muito, dando opções aos seus companheiros. Riva servia mais como referência em meio às bolas alçadas e forçaria uma defesa de Maier. Todavia, a balança pendia à Alemanha Ocidental, que se sobressaía no meio-campo. Enquanto Overath ditava o ritmo, Beckenbauer era mais direto nas ações, inclusive tentando arrancadas até a área e chutes de longe.

Somente no final do primeiro tempo é que a Itália fluiu um pouco mais, jogando com bolas rápidas nas costas da defesa. A linha de zaga alemã era em sua maioria lenta e tinha dificuldades para recompor. Neste momento, o árbitro chegaria a marcar uma infração de Maier dentro da área, mas os italianos não aproveitaram o tiro livre indireto. Já o empate do outro lado esteve nos pés de Seeler, que apareceu livre dentro da área, mas chutou nas mãos de Albertosi. Apesar do placar simples, já cabiam mais gols nos 45 minutos iniciais.

Na volta ao segundo tempo, Valcareggi repetiu a alteração do jogo contra o México e colocou Gianni Rivera no lugar de Sandro Mazzola. Não teria um jogador tão físico para acompanhar Beckenbauer, mas ganharia em visão para armar os ataques. Riva até chegou a exigir uma boa defesa de Maier em peixinho no início do segundo tempo, mas a Alemanha Ocidental voltou com mais força e aumentou sua pressão, trabalhando a bola no campo de ataque. Numa dessas, Seeler assustou de voleio, para fora. Schön também não demorou a mexer em seu time. Colocou Reinhard Libuda para bagunçar na ponta direita, passando Grabowski ao outro lado do campo.

A Alemanha arreganha os dentes

A Alemanha Ocidental mantinha a defesa da Itália sempre muito ocupada, com raras escapadas da Azzurra ao ataque. Rivera não repetia de imediato os mesmos efeitos que gerou na vitória sobre o México. As ameaças à meta de Albertosi eram mais constantes e a Mannschaft amadurecia seu gol. Grabowski levou perigo em cobrança de falta rápida, antes que Libuda quase encobrisse Albertosi. Já o lance mais lamentado começou em recuo errado de Mario Bertini, em que Gerd Müller brigou com o goleiro e ganhou a bola na marra. Grabowski limpou o lance pela esquerda e rolou a Overath, mas o tiro caprichoso do maestro estalou o travessão.

Certo nervosismo era evidente entre os italianos. O árbitro também não ajudava, invertendo faltas e irritando os dois lados. Apitava só no grito. E o interesse da Azzurra já era de gastar o tempo, valorizando os lances. Só que a Alemanha Ocidental também cresceria, especialmente quando Schön tirou Patzke da defesa e colocou Sigfried Held na ponta esquerda, aos 21 minutos. O substituto entrou muito bem, enquanto Grabowski ganhava liberdade para incomodar em ambos os lados. Aparecia mais na esquerda, onde não precisava bater de frente com o capitão Giacinto Facchetti, que continha Libuda.

A Alemanha Ocidental queimava a bola na área. Pierluigi Cera, o líbero italiano, liderava a resistência da Azzurra fazendo uma atuação perfeita para afastar as sobras. Mas isso não era suficiente para manter Albertosi a salvo. O goleiro pegou firme um arremate de Seeler e contou com a sorte pouco antes dos 30 minutos. Numa jogadaça de Overath, Grabowski chutou e, com Albertosi batido, Rosato salvou em cima da linha. Seeler ainda tentou aproveitar o rebote, mas foi travado – em pênalti negado pela arbitragem. Mesmo assim, a sobra ficou com Gerd Müller e Der Bomber bateu por cima, num tipo de lance que não costumava desperdiçar. A falta de pontaria, aliás, atrapalhava a Mannschaft em seus frequentes chutes de média distância.

Rumo aos 15 minutos finais, o Jogo do Século ficou mais aberto. A Itália buscava o ataque para definir o resultado e Riva aparecia bastante, mas não conseguia se dar bem no mano a mano contra o estupendo Vogts. Do outro lado, Gerd Müller era incansável e aparecia em vários cantos, muitas vezes lidando com marcação dupla. Apesar de decisivo contra a Inglaterra, fazia uma semifinal bastante superior. Quase coube ao artilheiro o empate. Numa reposição errada, Albertosi carimbou Held e a bola quicou quase em cima da linha. Müller já vinha babando para marcar, mas o goleiro se recuperou e salvou de carrinho.

A bola rondava a área da Itália incessantemente, com a Alemanha Ocidental tentando achar alguma maneira de romper o cerco. Schnellinger subia à frente, enquanto Overath se encarregava da organização, após Beckenbauer sentir o ombro em um choque. A blitz tinha vários cruzamentos e a Azzurra só respirava com a cera de seus jogadores. Entretanto, o tempo acrescido pelo árbitro se tornou a perdição italiana. Albertosi até adiou os planos, ao realizar mais uma defesa incrível, em cabeçada de Seeler que seguia ao ângulo. Mas a insistência premiou os alemães com o empate nos acréscimos. Grabowski cruzou da esquerda e, como elemento surpresa, Schnellinger escorou sozinho na área.

A lenda ganha contornos

Nem houve tempo para a Itália tentar reagir. O apito final logo veio e as duas equipes disputariam a prorrogação. Após a breve pausa, Beckenbauer já voltou a campo com sua famosa tipoia, com o braço imobilizado por causa de uma luxação no ombro. Como os alemães já tinham feito as duas substituições, não havia como substituí-lo. Foi para o sacrifício. Os italianos ao menos puderam sacar Rosato, que não vinha bem, para que Fabrizio Poletti entrasse na zaga.

A Alemanha Ocidental seguia com mais energia depois do empate e era agressiva. Albertosi logo salvou mais uma, em cabeçada de Held. E o gol saiu aos quatro minutos, numa bobeira enorme do próprio Poletti. Depois de um escanteio, Seeler ajeitou de cabeça e o zagueiro deveria proteger a bola. Na verdade, só preparou a Müller, que não costumava desistir do lance. O centroavante bateu a carteira e desviou, com Albertosi já perdido. A sorte da Itália é que a falha seria retribuída do outro lado, aos oito minutos. Rivera cobrou falta e Held agora foi o vilão, ajeitando para Tarcisio Burgnich fuzilar às redes. Com o empate por 2 a 2, seguia uma partida completamente aberta – e pegada.

Pouco antes do fim do primeiro tempo da prorrogação, apesar do bombardeio alemão, a Itália retomou a dianteira no placar. O contra-ataque nasceu com a reclamação de uma falta sobre Libuda. Rivera acelerou o avanço, Domenghini dominou pela direita e tocou para Riva, num raro momento em que este não tinha Vogts em seu encalço. O artilheiro, então, mostrou por que era o jogador mais incensado da Azzurra. Deu um corte em Schnellinger e mandou de canhota, no cantinho de Maier. A comemoração do camisa 11 foi até contida, entre a clara exaustão física e a certeza de que os alemães-ocidentais não desistiriam tão cedo. Seeler ainda respondeu na sequência, sem pegar em cheio na bola.

O golpe de misericórdia

A Itália começou o segundo tempo extra partindo para cima, indicando que tinha melhores condições físicas, apesar do cansaço. Beckenbauer seguia em campo em ato heroico, mas estava claramente limitado e sua mobilidade era mínima. Mesmo sem o seu principal jogador nas melhores condições, a Alemanha Ocidental sustentava as esperanças. Após uma falta de Albertosi sobre Müller no limite da área, Seeler quase assinalou de cabeça e o goleiro se agigantou pela enésima oportunidade. Apesar do milagre, o novo empate saiu do escanteio decorrente. A cobrança veio no segundo pau e o baixinho Seeler pulou alto para escorar. Gerd Müller ganhou uma liberdade que os italianos não poderiam dar e se esticou, para definir na pequena área. Era seu décimo tento na Copa.

No entanto, todo o esforço da Alemanha Ocidental iria por água abaixo com a capacidade da Itália em não estremecer com os gols sofridos. Logo no minuto seguinte, veio o sétimo tento da tarde, que valeu a classificação. Boninsegna fez uma jogadaça pela esquerda para se livrar de Schulz e cruzou rasteiro. Sem que ninguém protegesse a entrada da área, Rivera apareceu sozinho e bateu no contrapé de Maier. Restavam mais nove minutos no relógio. A Alemanha Ocidental dava seus últimos suspiros com jogadas pelas pontas, mas era pouco para romper a defesa italiana. Quando Müller ressurgiu, Burgnich o travou. Já a Azzurra também não se retraía totalmente e tentava seus ataques. Até poderia ter vindo o quinto antes do fim, em cruzamento que Boninsegna não pôde escorar.

O apito final representava o término de toda a entrega. A Itália regozijava em seu suor, a Alemanha Ocidental também sabia que toda a perseverança não havia sido em vão. E, entre os resultados possíveis, foi ótimo o Jogo do Século não ter se encerrado com um empate – já que, em tempos nos quais os pênaltis não eram regulamentados pela Fifa, a igualdade nos 30 minutos extras levaria a um injusto sorteio para se definir o classificado. No todo, pelo número de chances, os alemães-ocidentais foram mais agressivos no Azteca. Mas não tiveram a inspiração de Albertosi, o comando de Cera e as doses de brilhantismo de Riva, Rivera e Boninsegna, responsáveis por determinar a épica vitória italiana.

Valcareggi exalta méritos da Itália

“Pelo que jogou, pelo espírito de luta e pelo esforço que desenvolveu, a Itália mereceu o triunfo. Provamos que temos ataque também. Agora, a final será uma partida tão difícil como as que já jogamos e talvez muito mais dura que contra a Alemanha. Por um lado, o Brasil, que tem o melhor time desta Copa e desde o início é o franco favorito. Por outro, a Itália, que sempre foi criticada impiedosamente, mas demonstrou contra o México e a Alemanha a sua real condição”, declarou o treinador italiano, ao Jornal do Brasil.

Albertosi, o herói

“Falei que dávamos sorte contra a Alemanha e realmente tivemos um pouco de sorte. Foi uma dureza resistir a todo jogo sem sofrer um gol. Entretanto, quando veio o empate, sinceramente senti tudo perdido. Acreditava que na prorrogação continuaríamos a resistir e esperar pelo sorteio, pois na verdade a equipe alemã nos massacrava. Muitas vezes procurei pelos companheiros que deveriam estar à minha frente na prorrogação e não encontrei ninguém, fomos ao ataque. Quando sofri o segundo gol, mais uma vez pensei que estava derrotado. Nunca havia jogado uma partida assim. A bola ia e vinha com uma rapidez louca”, comentou Enrico Albertosi, goleiro da Itália, a’O Globo.

Cera e o pessimismo que não se cumpriu

“Tivemos a chance do primeiro tento e isso foi o bastante para lutarmos até o final. Infelizmente, Rosato já não estava bem e acabamos deixando o Schnellinger livre para marcar. O jogo foi pau a pau. Por eles jogarem mais abertos e atacarem sempre, podem ter dado a impressão de melhor forma física. Entretanto, é bom lembrar que o nosso tento da vitória foi feito num contra-ataque e com a bola vindo da linha de fundo. Afirmei anteriormente que teríamos 30% de possibilidades diante da Alemanha. O mesmo se passará com o Brasil, mas espero mais uma vez me enganar”, declarou o zagueiro Pierluigi Cera, ao jornal O Globo.

Mazzola reconhece Rivera

Substituído por Gianni Rivera, Sandro Mazzola destacava que o time atuou melhor com seu sucessor. A’O Globo: “Jogamos uma grande partida e, como tinha que sair um vencedor, acredito que fizemos jus ao ficar com a vitória. A Itália foi melhor com Rivera. Foram dois estilos de jogo totalmente diversos, mas com ele o quadro se desenvolveu bem melhor, principalmente no ataque. Nosso receio sempre foi não ter preparo físico para resistir aqui no México. Entretanto, depois da partida com Israel, já nos considerávamos capazes de ir até o fim”.

Até Banks elogia

“Italianos e alemães fizeram uma partida digna de ficar gravada em letras de ouro na história do futebol mundial. É impossível descrever com palavras um jogo desse tipo”, afirmou o goleiro da Inglaterra, segundo o Jornal do Brasil.

Helmut Schön aplaude vencedores e vencidos

“Foi um jogo dramático e, ao congratular nossos vencedores, não posso também deixar de tecer os maiores elogios aos meus jogadores, que apresentaram essa heroica resistência com as quatro horas de futebol que tiveram de jogar em poucos dias. A equipe teve alguns erros e, principalmente, faltou sorte para conservar a vantagem obtida na prorrogação. Nisso não vai, contudo, nenhum desprezo ao nosso grande adversário. Estivemos iguais aos vencedores e o fator sorte tinha de ser decisivo”, salientou Helmut Schön, técnico da Alemanha Ocidental, em citações ao jornal O Globo.

A avaliação do Jornal do Brasil