Este texto faz parte do especial 50 anos da Copa de 70. Clique para ler outros episódios.

Em 21 de junho de 1970, o Brasil goleava a Itália por 4 a 1 no Estádio Azteca e conquistava o tricampeonato mundial, ganhando também a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Desta maneira, com a consagração da Seleção, também chega ao fim nosso diário da Copa de 1970. Abaixo, uma ampla análise da decisão, as histórias da comemoração, as declarações dos personagens e uma coleção de recortes de jornais que dimensionam aquele feito. Esperamos que vocês tenham gostado de revisitar o Mundial do México nestes 22 dias aqui na Trivela. Confira o material especial:

Final: Brasil 4×1 Itália

Na véspera da final no Estádio Azteca, pouquíssimos especialistas cravaram um ganhador para o Brasil x Itália. Estava claro que seria o embate entre duas concepções de jogo bastante distintas, com o dinamismo ofensivo brasileiro e o pragmatismo italiano. Por tudo aquilo que construíra na campanha e pela evidente capacidade individual, sim, a Seleção tinha sua dose de favoritismo. Mas não se descartava a Azzurra, com sua fortíssima defesa e os perigosos contragolpes. Assim como em outros momentos da Copa, o Brasil correu seus riscos e enfrentou um adversário atuando em alto nível. No entanto, também não se negam os méritos do time de Zagallo ao abrir a goleada por 4 a 1 e exibir o melhor de seu estilo nos minutos finais, quando os oponentes estavam entregues. Virou um emblema do futebol-arte.

O Brasil entrou em campo com sua constelação completa. Repetia a escalação utilizada na semifinal contra o Uruguai. Combinava uma qualidade técnica acima do comum, a inteligência tática na movimentação das peças e um preparo físico excepcional para enfrentar todas as condições no México. Àquela altura, dores e pequenas lesões das semanas anteriores eram um problema menor, quando ninguém desejava perder a chance de escrever a história e conquistar de maneira definitiva a Jules Rimet. Zagallo alinhou a equipe declamada de memória por tanta gente: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão.

Do lado italiano, o cansaço acumulado pelos 120 minutos contra a Alemanha Ocidental não eram empecilho a Ferruccio Valcareggi, que repetia o time da semifinal. Enrico Albertosi era o goleiro e fazia um Mundial estupendo. Na zaga, o combate ficava por conta de Tarcisio Burgnich, Roberto Rosato e Giacinto Facchetti, enquanto Pierluigi Cera era um ótimo líbero. Mario Bertini e Giancarlo De Sisti fechavam o meio, enquanto Sandro Mazzola era o motor na ligação ao ataque. Angelo Domenghini abria pela direita, mas sem subir tanto, enquanto Gigi Riva era o astro da esquerda para o centro. Sempre se juntava a Roberto Boninsegna, que circulava bastante no ataque. No banco, ainda havia a opção de Gianni Rivera, um talento refinado na construção, que havia sido decisivo nas duas fases anteriores.

Os primeiros movimentos

Quando a bola rolou no Estádio Azteca, o Brasil não tardou a tomar a iniciativa. Era uma equipe bem composta e que tinha mais posse de bola. A Itália, por outro lado, seguia fielmente sua cartilha de congestionar o entorno de sua área e ser direta em suas ações ofensivas. Assim, a primeira chance de gol seria da Azzurra, em bomba de Gigi Riva do meio da rua que Félix se desdobrou para espalmar à linha de fundo. Os italianos se sentiam no controle, mesmo que a bola ficasse mais com os brasileiros.

A Itália não alterou sua estratégia de marcação individual. Os três zagueiros “de combate” colavam nos três atacantes do Brasil. Pelé era sempre acompanhado por Burgnich e muitas vezes ainda via a barreira dobrar à sua frente, com o auxílio de um dos volantes. As faltas nos arredores da área italiana seriam uma constante durante toda a decisão, como um recurso dos europeus para evitar as trocas de passes no miolo de sua defesa. Foi assim que o Brasil finalizou pela primeira vez, em cobrança de falta de Rivellino que seguiu aos braços de Albertosi. Pouco depois, Everaldo também testaria o goleiro, ao aparecer de surpresa na entrada da área.

Por causa da marcação individual, Jairzinho mudou um pouco sua forma de jogar no Azteca. O Furacão da Copa brilhava no México por sempre acelerar do lado direito e partir para cima dos marcadores, atacando em diagonal rumo à área. Contra o Uruguai, foi desta forma que saiu como o melhor em campo. Desta vez, o camisa 7 tinha a companhia implacável de Facchetti, que não desgrudava por um só instante. Em consequência, Jair ocupava mais os espaços dentro da área. Tirava o brilho de si, mas também continha as subidas sempre perigosas do capitão italiano. Além do mais, abria uma avenida a Carlos Alberto Torres, muitas vezes auxiliado por Clodoaldo no setor. Seria, com sobras, a melhor atuação do Capita no Mundial.

O Brasil tinha suas jogadas coordenadas por Gérson, sempre centralizado na armação. Só que estava difícil arranjar uma brecha em meio à marcação cerrada da Itália. Mazzola ajudava a inibir o Canhotinha, enquanto De Sisti também era essencial na cabeça de área. O repertório da Seleção acabava basicamente limitado aos cruzamentos de Carlos Alberto. Enquanto isso, a Itália era mais agressiva quando avançava. Aos dez minutos, em contra-ataque, Riva recebeu livre na esquerda. Escolheu mal o momento de finalizar e, com um chute mascado, facilitou a defesa de Félix. Mazzola era outro muito presente na transição, com força física e dribles curtos.

A zaga brasileira, tão criticada ao longo da campanha, seguia sem transmitir total confiança no Azteca. Os espaços surgiam quando a Itália resolvia apertar um pouco mais, sobretudo do meio para a esquerda de seu ataque. Félix precisou se antecipar aos 15 minutos, para socar um cruzamento frontal. Pouco depois, outra vez Riva ameaçou a partir de uma cobrança de falta, passando totalmente livre às costas da zaga. Por sorte, não cabeceou bem, mandando por cima do travessão. E quando os italianos faziam uma apresentação mais consistente, a Seleção abriu a contagem, aos 18 minutos.

Pelé e Boninsegna

Tostão era o jogador mais importante do ataque brasileiro na Copa, pela maneira como contribuía a todos os outros companheiros. O camisa 9 não se importou em jogar como um operário, de costas para o gol, ao abrir os espaços e coordenar os movimentos com seus toques rápidos. Apesar da falta de espaços na final, seguia tentando encontrá-los, com Rosato em seu encalço. O centroavante buscava se movimentar pelos dois lados, em especial pela esquerda. E foi assim que o primeiro gol nasceu, após uma combinação com Everaldo que rendeu um lateral. Tostão cobrou rápido e Rivellino chegou com tudo, fazendo o cruzamento de primeira. Pelé estava atrás de Burgnich, mas pairou no ar para vencer o defensor pelo alto e cabecear no canto de Albertosi. Uma prova da excelência física do Rei.

A Itália tentou responder logo na sequência. Domenghini chutou e Félix defendeu. E o Brasil permanecia exposto quando os italianos subiam, também com muitos passes errados dos defensores. Brito quase vacilou neste momento e Félix precisou sair do gol para afastar. O placar adverso não abalou a confiança da Azzurra em sua estratégia e nem causou nervosismo. A equipe de Valcareggi continuava atenta na zaga e pronta a cometer as faltas se preciso. Rivellino podia representar um perigo nas bolas paradas, mas parecia não ter se acostumado com o ar rarefeito da Cidade do México e isolou algumas batidas que não costumava errar. O camisa 11 compensava com uma atuação bastante ativa, em que circulava pelo campo e chamava a responsabilidade, auxiliando Gérson na armação e tentando quebrar as linhas adversárias.

Por volta dos 30 minutos, a decisão ficou um pouco mais lenta. A Itália apostava em bolas longas e chutes de fora da área. O Brasil se movimentava um pouco menos para não gastar todo o seu gás na tentativa de abrir a marcação. Curiosamente, o time de Zagallo fugia de suas características e via seus melhores lances surgirem em bolas alçadas na área. Se ao longo da campanha as trocas de passes e os ataques verticais possibilitaram a maioria dos gols, desta vez a impulsão de Pelé virava uma aposta. Burgnich se dava melhor sobre o Rei pelo chão, mas o camisa 10 se impunha pelo alto. Chegaria a ter uma boa cabeçada para fora, em lance anulado por impedimento. As tabelas eram mais raras e, quando enfim o trio de frente se combinou, os defensores azzurri se safaram.

O que não mudava muito era a propensão da defesa brasileira em errar lances desnecessários. Um lateral bobo dado à Itália permitiu que Mazzola tabelasse pela esquerda e invadisse a área, até que Brito o travasse. Já o gol de empate saiu aos 37 minutos, num momento em que a tranquilidade do Brasil com a posse de bola virou desleixo. O passe de cabeça de Brito para Clodoaldo saiu curto e o volante tentou enfeitar com um calcanhar. Boninsegna roubou e deixou Piazza pelo caminho. Precipitado, Félix saiu do gol em disparada e Brito até dividiu parcialmente com o atacante, mas Boninsegna seguiu com a bola. Aproveitou, então, a meta aberta para chutar de fora da área e igualar o placar.

O empate não provocou grandes impactos na maneira como os times se portavam. Brito se redimiu ao desarmar Riva, aos 40. Depois que Gérson finalizou mal do outro lado, Domenghini assustou em míssil de longe que Félix segurou. Já nos minutos anteriores ao intervalo, o jogo ficou um pouco mais quente. Os italianos davam suas pancadas e, quando Rivellino revidou, tomou o cartão amarelo. O segundo gol brasileiro até poderia ter saído no fim, a partir de uma falta lateral. O cruzamento da esquerda chegou livre a Pelé no segundo pau e, de novo, Burgnich cochilou. O Rei tinha o caminho aberto para fuzilar, mas o árbitro Rudi Glöckner apitou enquanto a bola estava no ar e invalidou a jogada, revoltando os brasileiros.

O caminho se abre

Logo no primeiro ataque do segundo tempo, o Brasil ficou a um triz de retomar a vantagem. Carlos Alberto avançou até a linha de fundo e seu cruzamento rasteiro passou por todo mundo na área, sem que Pelé completasse. Já a Itália, diferentemente dos compromissos anteriores, mantinha Sandro Mazzola à etapa complementar. O meia fazia uma boa exibição e era quem carregava a equipe em boa parte dos avanços, se aproximando dos atacantes. O fato de ser um jogador de excelentes condições físicas se evidenciava ainda mais, sobretudo por não ter jogado os 75 minutos finais contra a Alemanha Ocidental. Fazia sentido a escolha de Valcareggi, mesmo que Rivera viesse entrando bem na equipe.

As faltas perigosas a favor do Brasil também aumentavam. Quando Rivellino finalmente acertou o pé, aos sete minutos, Albertosi realizou uma grande defesa. Pelé chegou a reclamar de um pênalti e, depois, estava no lance que proporcionou um tiro livre indireto dentro da área aos brasileiros. A cobrança de Gérson bateu na barreira e, no contra-ataque, quase saiu a virada. Numa rara subida de Facchetti pela esquerda, Boninsegna recebeu no meio e abriu com Domenghini, cheio de espaço na direita. O chute do meia desviou nas pernas de Everaldo e pegou Félix no contrapé. Para alívio do arqueiro, a bola bateu no lado de fora das redes. Mazzola ainda finalizou por cima pouco depois, após enfiada de De Sisti.

Um diferencial ao Brasil no segundo tempo era a forma como o time ganhava terreno. A Itália se concentrava ainda mais ao redor de sua área e os espaços surgiram na intermediária. Tostão sempre buscava o pivô e garantia tabelas mais frequentes. A Azzurra se valia das faltas para conter isso. Riva chegou ao cúmulo de cometer uma falta sobre Rivellino justamente no momento em que o camisa 11 cobrava outra infração. E o tento parecia mais perto, com direito a um dos famosos mísseis do Patada Atômica estalando o travessão de Albertosi, aos 15 minutos.

Era um Brasil mais seguro de si e com verdadeiro controle sobre a partida, além da mera superioridade na posse de bola. A marcação da Itália caía de rendimento e o segundo gol se transformava em questão de tempo, com os europeus só ameaçando em raros cruzamentos. Gérson, em especial, fazia um segundo tempo soberbo. O camisa 8 tinha mais liberdade para avançar aos arredores da área e conduzia as jogadas com extrema categoria. Foi graças a ele que a vitória se abriu, a partir dos 21 minutos.

O lance decisivo do segundo gol começou com uma inversão de Gérson a Everaldo. O lateral era auxiliado por Jairzinho e passou ao companheiro deslocado na esquerda – em movimentação do camisa 7 que havia quebrado outras defesas durante o Mundial. O ponta partiu em diagonal para o centro e, acompanhado por Facchetti, entregou a bola a Gérson mais atrás. O maestro, então, inverteu a direção da jogada e deixou Cera perdido à sua frente. Puxando à esquerda, Gérson pôde soltar o canhotaço da entrada da área e o tiro cruzado morreu no canto, sem chances a Albertosi. Os tricampeões se agigantariam a partir daquele instante.

A Itália não escondia seu cansaço. Não tinha a mesma aproximação de antes para as jogadas de ataque e os contragolpes não funcionavam. Além disso, surgiam algumas demonstrações de descontrole emocional em faltas infantis cometidas pelo meio. O terceiro gol seria criado a partir de uma dessas infrações, aos 26 minutos. Gérson descolou um lançamento absurdo, que atravessou todo o campo de ataque. A bola veio diretamente na cabeça de Pelé, outra vez se dando melhor pelo alto. O Rei ganhou de Burgnich e desta vez centrou, para Jairzinho. O ponta passava feito um furacão, dominou e bateu mascado para vencer Albertosi. Pelo sexto jogo consecutivo, o camisa 7 balançava as redes na Copa.

O verdadeiro show

Se você deseja ter um resumo do que era a Seleção de 1970, recomendo que assista aos 20 minutos finais da decisão no Azteca. Sim, havia uma Itália esgotada do outro lado. De qualquer forma, todas as qualidades do time de Zagallo se potencializaram, em momentos de espetáculo. Com mais espaços, a movimentação fantástica do Brasil desmanchava as trincheiras italianas e se notava aquele estilo sempre direto, em busca do gol, que tanto marcou a equipe.

Carlos Alberto e Everaldo subiam com desenvoltura pelas laterais. Brito chegava firme em todas as divididas e Piazza, outro a deixar seu melhor para a final, era perfeito nas antecipações. Clodoaldo se soltava para acelerar as transições e Gérson fazia a bola correr com seus passes. Rivellino rompia ao ataque e dava até elástico, Jairzinho arrancava pelos lados, Tostão facilitava as tabelas. E Pelé, num torneio em que se doou demais a todo o time, sempre parecia antever o lance que nenhum outro havia imaginado.

A Itália teve uma baixa aos 30 minutos, quando Bertini se lesionou e deu lugar a Antonio Juliano no meio-campo. Nada que alterasse os rumos do jogo, ainda mais porque Valcareggi mantinha Rivera no banco. Se os rombos apareciam na zaga italiana, não havia compensação à frente e o ataque mal trocava dois passes consecutivos. Quando Boninsegna finalmente pôde chutar a gol, Félix pegou sem dar rebote, em atuação segura do goleiro naquela finalíssima.

O Brasil gestava seu quarto gol. O time tocava a bola fácil e empolgava a torcida. Gérson era quem mais encantava, entre sua cadência e suas flutuações mais à frente. A goleada poderia ter tomado forma numa tabela entre Pelé e Tostão, mas o Rei pararia em defesaça de Albertosi, antes que o assistente assinalasse o impedimento. Depois, Pelé arranjou uma inversão linda a Everaldo e o lateral invadiu a área, mas demorou para arrematar e foi barrado por Albertosi. Mesmo com o destino da partida se tornando bastante óbvio, a Seleção ainda defendia com vigor. E a entrada de Rivera, suplantando Boninsegna aos 39, pouco significou. A Azzurra tinha um lance ofensivo ou outro, mas nada suficiente.

Quando a torcida no Azteca começou a cantar ‘Cielito Lindo’, ficava mais do que claro que havia chegado o momento de celebrar o Brasil tricampeão. E foi exatamente neste instante que surgiu o lance sublime, inigualável, o mais lembrado da história das finais de Copa. A jogada do quarto gol brasileiro se origina com uma bola roubada por Tostão. Os passes são trocados na defesa, até Clodoaldo resolver fazer fila e driblar quatro italianos de uma só vez. Rivellino recebe na esquerda e estica com Jairzinho, de novo bagunçando por ali, na inútil perseguição de Facchetti. Passa para Pelé.

E, antes que o relâmpago de Carlos Alberto surgisse nos céus do México, vale ressaltar o papel do Rei. O melhor de Pelé na Copa não se restringiu a seus lances mágicos em que ficou a centímetros de assinalar golaços (eternos mesmo sem entrar), mas apareceu também na forma como o craque facilitou o caminho dos companheiros. Prendia a marcação em si, lutava mais do que qualquer outro e permitia que todos ao seu lado brilhassem. Aquele passe simples, com um quê de calma e uma pitada de premonição, havia acontecido outras vezes no Mundial. Mas não tão perfeito quanto o que chegou na medida a Carlos Alberto, pedindo para ser chutado. A pancada do Capita, na veia, não poderia ter outro destino senão as redes.

O relógio marcava 41 minutos e a insanidade depois do lance já seria completa. Os reservas do Brasil se juntaram à comemoração e dezenas de fotógrafos invadiram o campo. No tempo restante, Rivellino reclamou de um pênalti e a Itália tentava descontar com Rivera na liderança. Mas ninguém queria saber mais de jogar futebol, e sim de viver a história, celebrar o tri. Um chute de Domenghini nas arquibancadas quase encerrou a final por falta de bola, sem que os torcedores quisessem devolver. Depois, enquanto Félix cobrava o tiro de meta, um fanático brasileiro tresloucado correu no gramado. Ao redor das linhas, uma multidão se amontoava só esperando o apito final. E, neste estado de transe, não havia outra decisão mais sensata ao árbitro do que encerrar a partida. A comemoração que se seguiu foi ensandecida, com uma loucura de mesma grandeza do futebol daquela Seleção e da história que se escreveu.

A briga pela bola

A bola da decisão seria um artigo bastante disputado pelos jogadores. Segundo a Folha, Domenghini ia levando a pelota para os vestiários, até que Paulo Cézar Caju arrancou de seus braços e saiu correndo. “O italiano tentou tomá-la e o brasileiro procurava libertar-se do seu perseguidor. Outro reserva do Brasil, Joel, foi auxiliar o companheiro e fez a cobertura. Somente assim é que Domenghini desistiu. Perdeu o jogo do título e também a bola”, contava o jornal.

Camisas tomadas

As dezenas de torcedores que invadiram o campo tentaram levar, a todo custo, uma lembrança dos jogadores. Muitas camisas se perderam na loucura. A Folha contava: “Tostão, por exemplo, ficou apenas de calção. Teve arrancadas as chuteiras e as meias, além da camisa, que foi a primeira peça levada por um torcedor. Foi ao solo e acabou sendo carregado para os vestiários completamente esgotado, chegando-se a ter a impressão que tinha se machucado ou até mesmo desmaiado, mas nada aconteceu com o craque mineiro”.

A entrega da taça

Assim contava a Folha: “Os jogadores brasileiros, inclusive os reservas e também o técnico Zagallo, foram chamados pelos alto-falantes e, à medida que os nomes eram anunciados, o público vibrava em aplausos. Nem era necessário dizer que os mais demorados foram atribuídos a Pelé. Em seguida, o capitão do time, Carlos Alberto, se dirigiu até a tribuna de honra e recebeu a Taça Jules Rimet das mãos do presidente do México. Carlos Alberto ergueu a taça e fez o gesto característico de saudação, como já acontecera com Bellini e Mauro. Só que desta vez não foi dentro do campo, mas na tribuna de honra, onde se encontravam as autoridades mexicanas e de muitos outros países, além do presidente da Fifa”.

Dadá salvou a Jules Rimet

Dadá Maravilha não saiu do banco durante a Copa, mas foi um herói da Taça Jules Rimet. O troféu tinha uma pequena tampa que, durante a volta olímpica, caiu no gramado. A peça quase se perdeu em meio à confusão, mas Dario a preservou. “Não sei porque, mas eu tinha um pressentimento de que aconteceria alguma coisa e resolvi dar a volta olímpica ao lado de Carlos Alberto. Alguém tentou levar a tampa e, na hora em que tiraram, eu dei um empurrão no cara e recuperei. Aí é que começou o drama: uma porção de gente tentou levar a tampa como recordação. Acabou foi que eu tive de dar tapas para todos os lados, conseguindo me livrar do bolo. Eu não ia deixar meus companheiros lutarem tanto pela taça para depois ficar faltando um pedaço. Ela é nossa, inteirinha. Depois não digam que eu também não briguei pelo caneco”, brincou, ao Jornal dos Sports.

Pelé e a plena realização

“Agora sou um homem realizado no futebol e se já tivesse que encerrar minha carreira, poderia me sentir bastante tranquilo. O Brasil provou mais uma vez que tem futebol em nível muito superior aos demais países. Outra vez a tranquilidade foi fator importante para o sucesso da nossa equipe. Realmente nos preparamos com espírito de equipe e de outra forma não poderíamos ter alcançado nem metade do que conseguimos nessa tarde inesquecível. Nesse jogo, nem que um de nós ou todos nós tivéssemos que sair cuspindo sangue, a vitória não poderia faltar”, comentou o Rei, ao jornal O Globo.

O craque ainda exaltou o papel desempenhado por Carlos Alberto Torres como capitão: “Sou mais velho que o Carlos Alberto e fiquei impressionado com a responsabilidade que ele sempre teve como capitão da nossa seleção. Claro que já o conheço do Santos, mas francamente quero ressaltar essa virtude extraordinária que ele apresentou como capitão, que sempre nos animou com sua palavra firme. Foram solicitadas por ele as muitas reuniões que a comissão técnica andou promovendo nas nossas concentrações. Por tudo isso, Carlos Alberto mereceu o prêmio de ser o autor do último gol da Copa”.

Pelé e o recorde

Na decisão contra a Itália, Pelé alcançou os 106 jogos pela Seleção – contando também duelos que não são considerados oficiais. Com isso, igualava Bobby Charlton como o atleta que mais havia disputado partidas internacionais na história do futebol. O Rei somava 90 gols pelo Brasil. Os números enfatizados pela imprensa da época, entretanto, não são respaldados pela conta atual da Fifa e das entidades internacionais.

O desabafo de Tostão

“Depois de tantos meses de apreensão, vivendo o problema sério que vivi com a operação na vista; depois de tantas especulações em torno do meu caso que, certas vezes, me davam algum constrangimento, pois alguns repórteres insistiam em falar só nesse assunto; depois de ficar numa tensão nervosa que intimamente me preocupava, embora eu procurasse aparentar o contrário; depois de vários meses sem contrato com o Cruzeiro; depois de lutar contra tantas adversidades, tenho que chorar de emoção, pois eu fui dos que disseram que para o Brasil, desta vez, nem o vice-campeonato interessava. Nós nos preparamos para ganhar o título e renunciamos a tudo por causa dele. Choro de alegria e emoção, derramando as lágrimas de uma satisfação como jamais senti igual na vida. Sou feliz e alegre porque no dia da minha maior conquista tenho meus pais a meu lado”, declarou o atacante, ao jornal O Globo.

Gérson e a vitória completa

“Foi uma vitória completa, do início ao fim. Uma seleção que saiu desacreditada e combatida por muitos, principalmente porque na televisão diziam que o melhor futebol do mundo era o inglês, volta campeã, provando o valor de uma geração. Acho que o placar de 4 a 1 diz tudo”, comentou o meio-campista, a’O Globo.

Clodoaldo dedica ao povo

“É um momento de alegria para o povo mexicano e especialmente para o povo brasileiro. Agora, não há palavras para exprimir nossa alegria. A emoção é grande. Agradecemos a todo mundo e levamos a vitória para o Brasil”, salientou Clodoaldo, a’O Globo.

A amizade de Everaldo

“Não poderia haver troféu maior na minha coleção. Comecei na suplência, mas sem nunca perder a esperança de um dia chegar a titular. O que muito me alegrou, logo depois da vitória, foi o primeiro abraço, o abraço de Marco Antônio, grande companheiro e incentivador, cujo espírito elevado e admirável num rapaz de tão pouca idade como ele não se abateu quando teve que passar à suplência. Volto feliz da vida e realizado na minha carreira”, enfatizou o lateral, ao jornal O Globo.

Rivellino e o presente de casamento

Durante a comemoração, os jogadores tentaram raspar o bigode de Rivellino. Nada feito, já que o craque se casaria em poucos dias, no retorno ao Brasil. A’O Globo, dedicou o triunfo a Maísa, sua prometida: “Esse foi o melhor presente de casamento que poderia ter ganho com certa antecedência, pois vou me casar no regresso a São Paulo. Dedico essa conquista à minha noiva. Ela fica muito nervosa acompanhando as transmissões e sofre muito quando entro nas jogadas mais duras”.

Jairzinho reconhece a torcida

“Penso que o Brasil deveria dar a metade dessa taça ao povo do México. Nunca vi carinho tão grande. Parecia que era o México, e não o Brasil, que estava jogando essa final. Quanto à vitória, não posso ter palavras para traduzir minha alegria. Sou hoje um dos homens mais felizes do mundo e dedico esse título à minha mãe”, apontou o atacante, a’O Globo.

Piazza e a gratidão aos mexicanos

“Pensei logo no carnaval que a torcida devia estar fazendo em Belo Horizonte. Pensei logo na minha família e na minha noiva. O Brasil foi absoluto desde o início e não poderia voltar sem esse título. Não devemos nos esquecer de uma palavra de agradecimento aos mexicanos, que têm parte nesse nosso sucesso. Se pudéssemos, deveríamos deixar aqui a metade da taça”, celebrou o zagueiro, a’O Globo.

A emoção de Félix

“Sei muito bem que eu era um dos jogadores desacreditados dessa seleção, mas nunca liguei a isso. Procurei me empenhar nos treinamentos, dar o duro de sempre e agora acabo de ter a maior recompensa da minha vida. Sou campeão do mundo e posso parar de jogar quando terminar meu contrato, que renovei há poucos meses com o Fluminense. Pela primeira vez chorei na minha vida de jogador, porque este foi também o primeiro título que conquistei fora de meu país. Entro no meu segundo ano de sorte, porque no ano passado fui campeão pelo Fluminense e agora sou campeão do mundo”, falou o goleiro, a’O Globo.

Brito relembra Saldanha

“Este é o meu primeiro título e não poderia ser melhor, campeão do mundo. Fui muito combatido na minha carreira e concordei com alguns críticos que me condenavam pelo meu jogo de pouca seriedade. Devo muito do que alcancei de progresso no futebol a João Saldanha, que me apoiou e me deu moral para ser titular da seleção, como também devo a Zagallo, que me manteve com as mesmas palavras de estímulo. Sei que não tenho muito mais tempo de futebol, embora possa jogar uns dois ou três anos e que essa foi minha última participação em Mundial. Alegre e feliz me despeço da seleção”, disse o zagueiro, a’O Globo.

Capita e a promessa cumprida

“Renunciamos a tudo para ganhar esta taça e, quando saímos do Rio de Janeiro, prometemos ao público brasileiro que voltaríamos campeões do mundo. Levamos tudo muito a sério. Só pensamos no sucesso da seleção brasileira. Ficamos vários meses concentrados e longe de nossas famílias. Nós nos unimos de todas as formas, porque queríamos mostrar aos incrédulos, ao sairmos desacreditados do Brasil, que somos uma geração de valor. Só a vitória nos interessava nessa Copa e agora que alcançamos o sucesso final podemos voltar tranquilos. Enfim, temos a consciência do dever cumprido”, ressaltou Carlos Alberto, a’O Globo.

Zagallo e o gosto de ser três vezes campeão mundial

“Para ser rigorosamente honesto, nem sei em qual dos três títulos me emocionei mais fortemente. Em todos se sente qualquer coisa indescritível, que nos esmaga o coração e que nos enche os olhos de lágrimas. Devo declarar que nas três oportunidades a minha emoção não teve limites”, afirmou o treinador, ao jornal O Globo. Zagallo era visivelmente um dos mais emocionados durante a comemoração, carregado nos braços pelos torcedores.

O Velho Lobo também falou sobre sua estratégia na final: “O Brasil não forçou o ritmo no primeiro tempo porque sabíamos que os italianos, tendo enfrentado os alemães durante 120 minutos, não poderiam resistir a um jogo forçado durante os 90 minutos. Afinal de contas, no sábado já tínhamos visto que os alemães estavam completamente mortos no segundo tempo do seu encontro com os uruguaios. Pedi para os jogadores forçarem o lado esquerdo italiano. Jairzinho partia para cima do líbero e permitia as subidas permanentemente livres de Carlos Alberto. Como verifiquei que esse era o setor mais frágil dos italianos, ele foi capaz de desviar quase todas as atenções do líbero. Então, forçamos o jogo por lá, o tempo todo”.

Vocês vão ter que engolir meu filho

Dona Maria Antonieta, mãe de Zagallo, acompanhou a decisão ao lado da reportagem do Jornal dos Sports. E antecipou, de certa forma, uma das frases mais famosas do treinador: “Meu filho, no seu silêncio, calou a boca de todo mundo. Não perdi a confiança um minuto sequer durante o jogo. Nem quando os italianos empataram. Mário sabe o que faz”.

A avaliações do Jornal dos Sports

As avaliações da Folha

As avaliações do Estadão

As avaliações do Jornal do Brasil

Valcareggi reclama, mas se rende

“Pelé estava impedido no terceiro tento. Não somente foi visto por todo o público, como também pelo bandeirinha. O bandeirinha continuou agitando a bandeira, enquanto se desenvolvia a jogada. Porém, quando o Brasil marcou, o árbitro indicou o centro do campo e o bandeirinha baixou sua bandeira e se negou a aceitar as reclamações dos jogadores italianos. Creio que este comportamento por si só se explica. De qualquer maneira, o Brasil mereceu a vitória. Provavelmente uma diferença de um tento teria dado um marcador mais correspondente ao ocorrido no campo. Mas, depois do terceiro gol, nossos jogadores se desanimaram e o Brasil jogou como se seus homens tivessem asas”, afirmou o treinador da Itália, à Folha.

Ao jornal O Globo, o comandante explicava suas decisões mais criticadas: “Não acho que a marcação homem a homem cansou meu time. Essa tática numa partida dessa natureza é indispensável. O Brasil cansa o adversário muito mais do que se pode pensar. Sobre Rivera, não o coloquei no intervalo porque, até aquela altura do jogo, tudo ia bem e a Itália jogava de igual para igual. A entrada dele apresentava vantagens e desvantagens ao mesmo tempo, de forma que preferi mantê-lo à margem, fazendo a substituição quando o jogo já estava perdido e não havia mais por que cansar jogadores já esgotados”.

A tristeza entre os italianos

Entre os jogadores italianos, o clima era de resignação, conforme reportagem do jornal O Globo. “A partir do terceiro gol, o jogo estava perdido. O time desmoronou, não havia mais esperança. O Brasil foi forte demais”, afirmou Sandro Mazzola. Facchetti comentava: “Perder, sim, o Brasil estava melhor. Mas perder de quatro foi demais. Não merecíamos perder de tanto”. Já o goleiro Albertosi finalizava: “Pelé continua sendo o maior jogador brasileiro. Por muito tempo continuará ainda como o terror das defesas adversárias”.

A avaliação de Nilton Santos

“Os italianos jogam muito duro e a propalada velocidade que têm é um mito que se pode anular perfeitamente. Ela consiste em jogar a bola para frente e correr atrás dela. Ora, isso não é o futebol que praticamos. Nós escondemos a bola com o corpo, realizamos um verdadeiro balé, coisa que deixa os adversários loucos. Para o Brasil, o único time perigoso era mesmo o Uruguai, mas apenas pelas jogadas violentas. Quando eu vejo alguns cronistas amigos meus exaltarem o futebol dos europeus, sinceramente, digo que não acredito que seja melhor do que o nosso”, afirmou o veterano, bicampeão do mundo em 1958 e 1962, a’O Globo.

Os elogios de Didi

“Considero Tostão a peça fundamental do sucesso ofensivo. Foi de uma abnegação tremenda, num sistema onde o seu futebol talentoso pode não ter aparecido para quem não vê a coisa além dos gols. Tostão cumpriu a espinhosa missão de cercar os zagueiros de área, criando embaraços nos toques de bola rápidos e aumentando o tumulto nos momentos de seus deslocamentos sem a bola, abrindo as brechas para Pelé. Sobre Pelé, acompanhei aquela onda da miopia. Nessa agora dos 4 a 1, quem usa óculos não pega aqueles centros matemáticos de cabeça e não dá a bola na medida como fez para Carlos Alberto marcar o gol. Pelé desequilibra qualquer jogo. Vale por 11. Isso é covardia”, comentou Didi, bicampeão do mundo e treinador do Peru naquele Mundial, em conversa com O Globo.

A festa armada no Brasil

A volta da Seleção ao Brasil previa uma parada inicial em Brasília, onde os jogadores se encontrariam com autoridades da ditadura militar. Os tricampeões seriam recebidos pelo presidente Médici, que durante toda a campanha fez questão de aparecer nas páginas dos jornais com mensagens ao time e se aproveitara ostensivamente do sucesso para a propaganda política de seu regime. Ainda na tarde de terça-feira, o desembarque ocorreria no Rio de Janeiro. A Seleção desfilaria em carros de bombeiros e havia a promessa de um grande carnaval, com a participação de escolas de samba. Nos dias seguintes, ainda aconteceriam comemorações em São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte – com a recepção aos atletas que atuavam nas respectivas cidades.

Da Nasa ao tri

A preparação física da seleção brasileira era baseada nos métodos de Kenneth Cooper, diretor do Laboratório Médico Espacial do Texas. Seus testes foram desenvolvidos para avaliar a capacidade física dos astronautas da Nasa. Cláudio Coutinho fez um estágio nos Estados Unidos com o especialista e trouxe a metodologia ao futebol brasileiro, convidado para trabalhar na CBD. “O teste de Cooper é atualmente o meio mais eficiente de avaliar a capacidade cardio-pulmonar de uma pessoa. O jogador de futebol, como todo atleta, precisa de qualidades físicas básicas e qualidades físicas específicas. As qualidades específicas são problema do técnico de futebol, mas para as qualidades básicas, especialmente a resistência, a melhor solução que conheço é o programa aeróbico do doutor Cooper”, explicava o supervisor da Seleção, à Folha, depois da conquista.

O investimento

Nota da Folha de S. Paulo: “Até ontem, a CBD tinha gastado cerca de Cr$2,8 milhões com o selecionado brasileiro, desde o primeiro dia de preparação, em 3 de fevereiro. Neste total, estão computados os gastos com os jogos realizados em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Manaus e Guadalajara, num total de 11 amistosos. Com a vitória na final, a CBD vai gastar mais Cr$2,7 milhões em gratificações ao técnico, jogadores e demais membros da delegação”. Considerando a correção monetária, este valor superaria R$30 milhões atualmente. Vale ressaltar que o montante incluía, além da estrutura e das viagens, também o pagamento dos próprios salários dos jogadores naquele intervalo de quatro meses e meio. A delegação no México era composta por 41 profissionais, incluindo os 22 atletas.

O próximo troféu

Na véspera da final, o Comitê Executivo da Fifa havia se reunido no México. Decidiu que o troféu substituto da Jules Rimet se chamaria ‘Taça Mundial de Futebol’ e que seria adquirido pela própria Fifa, sem aceitar as muitas ofertas realizadas na época. A taça original seria da entidade, enquanto os vencedores da Copa receberiam réplicas. A confederação internacional também confirmou a Copa de 1982 na Espanha e recebeu as candidaturas para 1986 – de Colômbia, Iugoslávia e Estados Unidos. Por fim, a Fifa aprovara a realização da Taça Independência no Brasil em 1972.

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A coluna de João Saldanha n’O Globo

A coluna de Nélson Rodrigues n’O Globo

A coluna de Armando Nogueira no Jornal do Brasil

A coluna de Zizinho no Jornal dos Sports

A coluna de Vavá no Jornal dos Sports

A coluna de Achilles Chirol no Jornal dos Sports

As charges de Henfil no Jornal dos Sports

O relato de João Máximo no Correio da Manhã

A repercussão internacional no Correio da Manhã

A análise da Folha sobre as mudanças de técnicos

A análise do Jornal do Brasil sobre os 16 treinadores da Copa

A edição de Placar com a festa no Brasil

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