No penúltimo dia da Copa de 1970, o Estádio Azteca recebeu a decisão do terceiro lugar. E, apesar da superioridade do Uruguai, a Alemanha Ocidental terminou com o bronze. As atenções, ainda assim, se voltavam ao Brasil x Itália do domingo. Zagallo repassava sua trajetória na Seleção e detalhava a transformação do time. Confira mais um episódio de nosso diário sobre o Mundial do México:

A entrevista de Zagallo ao Jornal dos Sports

Gosto por desafios

“Eu nunca fugi a um desafio. Aceitei assumir a Seleção porque não sou de fugir. Minha vida esportiva sempre foi de lutar contra muitos, na certeza de que poderia vencer. Só eu sei as noites de sofrimento da concentração na Suécia, a angústia do corte que a maioria da imprensa pedia, querendo Pepe e Canhoteiro na Seleção. Ninguém aceitava meu estilo de jogo, assim como todos atacaram violentamente meus métodos, quando fui designado técnico este ano. Na Copa de 62, me chamaram de velho, superado. Fizeram o impossível para me derrubar. O que poucos se lembram é que foram apenas quatro que participaram dos 12 jogos de 58 e 62: Gylmar, Nilton Santos, Didi e eu. Tenho esse orgulho e é nele que muitas vezes vou buscar ânimo”.

Seu trabalho na moldagem do Brasil

“Eu tinha tudo na cabeça: o sistema que devia aplicar, a doutrinação que precisava fazer nos jogadores a fim de que adotassem um jogo verdadeiro de Copa do Mundo – que me gabo de conhecer – e, em acréscimo, a mudança de estilo de alguns, em proveito da equipe. Tinha pela frente pouco tempo para tanta reformulação, porque o time precisava também apurar o seu estado físico. Foi um trabalhão. Creio que nunca se fez aquele treinamento técnico e tático em função de um sistema. Slides, botões, conversa, usei tudo o que foi possível, para incutir no jogador a certeza de que não se vence Copa do Mundo com o trivial dos clubes. E tudo isso com parte da imprensa me chamando de ultrapassado, até de burro”.

Rivellino, adaptado tal qual o Zagallo de 1958

“Tinha de haver um lugar para um craque como Rivellino na Seleção. Porém, onde? Não me afastaria um centímetro da minha ideia geral de jogo, que podem classificar de 4-3-3 anterior. Fiquei com Paulo Cézar Caju porque ele sabe executar fielmente aquela função. Depois que Paulo Cézar se deixou abater pelas vaias, resolvi experimentar Rivellino ali, pois no meio de campo não ia mexer nem em Gérson, nem em Clodoaldo, a não ser eventualmente para aumentar o poder ofensivo do time, colocando Rivellino no lugar de Clodoaldo. Rivellino compreendeu que eu o queria na ponta esquerda, mas não como um ponta fixo, e sim alguém que executasse uma função de cobertura do setor. Ele ganhou a posição com fibra e classe. Comparem o que faz agora com o que fazia no Corinthians e vejam se Rivellino não mudou. Vejam como ele passou a combater e a marcar”.

A função de Tostão

“Tostão tinha de jogar para que se soubesse se os dias em que parou de treinar seriam contrabalançados até a Copa. Mas preveni a Tostão que sua atividade no ataque teria de ser diferente. Em vez de vir tabelando com Pelé, deveria ficar na frente, de um lado para o outro, no sacrifício, porque Pelé voltaria para auxiliar o meio de campo. Tostão é uma inteligência rara para o futebol. O físico aguentou e ele se adaptou àquela necessidade tática. Pelé, com a nova maneira de jogar de Tostão, ganhou mais velocidade e profundidade de jogo, já que Tostão recebe, toca e empurra o seu marcador para a área, enquanto Pelé avança no espaço que abriu. Tostão não me foi imposto pelo público. Eu também o queria, desde que o sistema da equipe não sofresse qualquer arranhão”.

Como foi convencer Pelé a ajudar o meio-campo

“Não foi difícil convencê-lo. Bastou uma conversa. Disse a Pelé que não podíamos jogar apenas com três homens de meio-campo. Talvez necessitássemos de quatro ou cinco em certas circunstâncias. Como Jair ficaria preparado para os lançamentos longos e velozes, mesmo como ponta-de-lança Pelé teria que voltar. Ele nem discutiu. Quem quer vencer uma Copa do Mundo tem que agir assim. Pelé quer mais do que todos”.

Jairzinho voltando ao combate

“O Jair eu conheço muito bem. Nos treinos e nos amistosos, deixei-o à vontade. Mas depois do último jogo, em Irapuato, comuniquei-lhe que, a partir do jogo contra a Tchecoslováquia, não poderia dar liberdade ao lateral, se este avançasse. Teria de voltar e combatê-lo. Felizmente, o espírito de equipe desta seleção é extraordinário e o Jair tem feito tudo com absoluta disciplina de jogo”.

Gérson prometia entrega máxima contra a Itália

“Será um jogo dificílimo. Para mim, será o maior jogo da história do futebol. Estou disposto até a estourar os músculos em troca desse título. Ele é a suprema aspiração da minha vida, como é também a suprema aspiração da torcida brasileira. Estamos preparados para a vitória. Por falta de espírito de luta e de sacrifício ela não deixará de ser nossa. Temos uma responsabilidade imensa perante o povo brasileiro, que nos acompanha de longe, com o pensamento voltado para nós. Este povo merece os maiores sacrifícios do time e o time está disposto a estes sacrifícios”, declarou Gérson, ao Jornal dos Sports.

Jairzinho se prepara a Facchetti

“Sei que Facchetti é um grande jogador, mas estou preparado. Vontade de vencer não me falta. Condição física para lutar também não. Por isso, não receio a marcação de Facchetti e nem de ninguém. Enfrentamos o líbero inglês e mesmo assim tivemos categoria para vencer. A Inglaterra foi um adversário terrível e acredito que a Itália não será pior que ela. Sei que é um jogo difícil, é um jogo duro. Mas será duro e difícil para a Itália também. Ninguém chegou à final com ajuda da sorte”, apontou Jairzinho, ao Jornal dos Sports.

Félix e o Fla-Flu no Azteca

“Espero uma grande vitória e, se possível, não sofrer gols. Ninguém tem razão para temer os italianos. Eles é que talvez devam temer os brasileiros. Estão realmente com um grande time, mas grande time nós temos também. E se observarmos bem a campanha dos dois, o Brasil leva grande vantagem. Este jogo contra a Itália será como um Fla-Flu gigante. Como o Fla-Flu de 1969, por exemplo. Seria a maior consagração de minha vida. Com o título, estarei realizado e poderei tranquilamente abandonar o futebol”, afirmou o goleiro, ao Jornal dos Sports.

Tostão não perderia a festa

Tostão passaria por mais uma cirurgia no olho depois da Copa do Mundo. O atacante, que havia sofrido um descolamento de retina oito meses antes do torneio, iria até Houston para raspar um coágulo no olho esquerdo. No entanto, pensando na festa do título, o mineiro adiou a data da operação para viver a possível comemoração. O próprio médico responsável, Doutor Roberto Abdalla, estava no México para acompanhar o Mundial. “Já passei muito tempo fora de casa e preciso rever meus amigos. Além disso, os brasileiros não merecem que eu não esteja presente para sentir essa verdadeira homenagem”, declarou Tostão, ao Jornal dos Sports.

A preleção de Zagallo

Escrevia o Jornal dos Sports: “À noite, Zagallo reuniu os 22 jogadores e fez a habitual preleção sobre a importância da partida e o esquema tático a ser empregado. Zagallo explicou a cada um dos titulares sua função dentro do campo, conversou com todos, indistintamente, sobre a importância da partida e o que esperam da Seleção os torcedores brasileiros. A maior preocupação do treinador era o excesso de confiança e o otimismo exagerado dos jogadores. Para Zagallo, o Brasil deveria continuar jogando no mesmo ritmo de humildade até agora visto”.

Valcareggi confiante

“Respeitamos o Brasil como respeitávamos a Alemanha. A seleção brasileira pode ser muito boa, possuir jogadores magníficos, mas por certo não é um time invencível. Times invencíveis não existem. Temos a vantagem de estar em forma ascendente, subindo de jogo para jogo. Creio que vamos fazer uma final estupenda contra o Brasil e não me surpreenderia se realizássemos um espetáculo talvez superior ao que demos contra a Alemanha. Vamos jogar dentro de nosso estilo, com a defesa firme e o ataque veloz. Repito que respeito o time brasileiro, mas não o temo”, comentou Ferruccio Valcareggi, técnico da Itália, ao Jornal dos Sports.

Facchetti prometia objetividade

“Enfrentamos o Uruguai e conhecemos bem a Inglaterra. São times de boas defesas, mas com ataques deficientes, que não buscam o gol com a mesma objetividade que nós, italianos. Por isso, sem tirar o valor das vitórias anteriores do Brasil, acredito que os brasileiros vão se encontrar na final com uma retaguarda mais poderosa. Agora que o time desencabulou, estamos marcando os gols que economizamos nas primeiras partidas”, afirmou Giacinto Facchetti, capitão da Itália, ao Jornal dos Sports.

Burgnich e a marcação cerrada

“Nós sabemos melhor do que ninguém fazer uma marcação implacável, homem a homem, e como este sistema não é muito utilizado no Brasil, acho que os atacantes brasileiros vão encontrar dificuldades para penetrar nossa área. Estão enganados os que pensam que já estamos satisfeitos com a segunda colocação. Como o Brasil, estamos em condições de conseguir em definitivo a Jules Rimet e entraremos em campo dispostos a tudo”, declarou o defensor Tarcisio Burgnich, ao Jornal do Brasil.

Mazzola desconfiava de Pelé

“Conheço bem alguns jogadores brasileiros, especialmente Pelé. Ele é um atacante extraordinário, mas não tem tido sorte contra equipes italianas, pois sempre que se vê marcado homem a homem se irrita e cai de produção”, declarou Sandro Mazzola, referência do meio-campo italiano, ao Jornal dos Sports.

Ao Jornal do Brasil, Mazzola ainda falava como Alfredo Di Stéfano o inspirava: “É impossível jogar como Di Stéfano, mas procuro imitá-lo em tudo e quem sabe um dia poderei jogar de forma semelhante ao grande jogador. Venho atuando fora de minha verdadeira posição, pois sou atacante na Inter. Não tenho sentido a mudança tática de Valcareggi, porém. Brasil x Itália será a partida da Copa, creio que com mais emoções do que o Itália x Alemanha, ou pelo menos igual. Os dois times têm chances iguais de vencer esta partida. Conquistar a Copa é a suprema glória de um jogador e espero estar sorrindo ao final do jogo”.

Bobby Moore acredita no Brasil

A Inglaterra se despediu da Copa do Mundo nas quartas de final, mas Bobby Moore seguiu trabalhando no México. O zagueiro comentou as semifinais e a decisão em uma TV britânica. Ao Jornal do Brasil, deu seu pitaco sobre a finalíssima: “O Brasil deve ganhar. Foi a equipe mais ofensiva, mas não atribuo isso a nenhuma concepção tática superior. O caso é que o Brasil tem os melhores atacantes e por isso seu técnico pôde deixar o time partir para a frente. O Brasil foi o melhor time da Copa, além da Inglaterra. Tivemos azar. Numa delegação de mais de 30 pessoas, foi ficar doente justamente quem não podia, que era o Banks”.

Zizinho, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Tenho acompanhado de perto a organização da nossa delegação, vejo nossos jogadores tão tranquilos e tão compenetrados que não posso conceber outro resultado que não seja a vitória de nossas cores. Vou hoje para o Estádio Azteca sereno e convicto de nossa vitória – e Deus há de permitir que minha convicção seja correta. É isso o desejo de todos os brasileiros”.

Vavá, em sua coluna no Jornal dos Sports

“Depois de uma partida de muitos nervos, o Brasil chega à final, que, para mim, é o máximo que uma equipe pode desejar. Todos sabem que esta equipe foi por demais criticada antes de sair do Brasil, chegando a tal ponto que muitos dos jogadores perderam um pouco de sua confiança e, por que não dizer também, o moral. Vi várias partidas no Maracanã, nas quais muitos destes jogadores que estão neste momento em plena forma técnica – como é o caso de Jairzinho e Paulo Cézar – não podiam dominar seus nervos. As críticas foram muitas vezes por demais severas. Aliás, já sofri muitas delas por aqueles anos de 1958 e até parece que a história se repete. Quem não se lembra das críticas que foram dirigidas à seleção de 58? Por isso, neste momento, sinto que nossa seleção chegou ao máximo, não só pela sua condição técnica, como também pela sua disciplina”.

As charges de Henfil no Jornal dos Sports

A charge de Ziraldo no Jornal do Brasil

A visão do observador técnico da Fifa

Dettmar Cramer foi um dos maiores treinadores da história da Alemanha. Trabalhou por mais de uma década como diretor técnico da federação local e foi assistente de Helmut Schön no Mundial de 1966. Depois disso, passaria a atuar como observador técnico da Fifa. E, ao Jornal do Brasil, rasgava elogios à seleção de Zagallo: “Na Europa, todos se enganaram com o Brasil, pensando que confiariam no talento dos jogadores e nunca se preocupariam com forma física ou esquematizações táticas. Taticamente, o Brasil foi a única equipe, além da alemã, a saber explorar as jogadas pelas pontas. O sistema 4-4-2 perdeu, na comparação, para o 4-3-3 do Brasil e da Alemanha. Nenhum time se mostrou tão bem equipado para ganhar esta Copa quanto o Brasil. Eles tiveram os melhores jogadores, tiveram a melhor tática e, para surpresa geral, tiveram o melhor preparo físico”.

Também exaltou Pelé: “Conheço Pelé desde o começo de sua carreira. Falo com a autoridade de 12 anos. Nunca vi Pelé como agora e nem creio que sua forma atual vá demorar mais de um ano. Ele simplesmente está em seu apogeu. E isto só acontece uma vez, e por um breve período. Nenhum jogador do mundo jamais foi o que Pelé é agora. Ele floresceu em todas as qualidades. Física e tecnicamente ele está excelente, mas não é só nisso que falo. Quero me referir ao seu amadurecimento, a consciência de cada mínimo gesto seu em campo. Nunca o vi jogar tanto de primeira como agora, nunca o vi se dedicar tanto a uma equipe”.

Empolgação na concentração

Segundo o Jornal do Brasil, cerca de 500 jovens se amontoaram nos portões da concentração do Brasil na véspera da decisão. Queriam autógrafos dos jogadores e passaram horas no local. Alguns deles até invadiram o hotel. Enquanto isso, parte dos atletas desejava assistir à decisão do terceiro lugar no Estádio Azteca. A ideia foi vetada pela comissão técnica, já que poderia haver algum tumulto.

Um banquete aos melhores

Na noite de domingo, após a decisão, seria realizado um banquete dedicado aos quatro melhores times do Mundial na Cidade do México. Jogadores e comissão técnica de Brasil, Itália, Alemanha Ocidental e Uruguai seriam homenageados pelo prefeito do Distrito Federal, Alfonso Corona del Rosal. A seleção do México também estaria presente, assim como os chefes das demais equipes que permaneciam no país. A Taça Jules Rimet seria entregue oficialmente aos campeões durante o evento.

Seleção peruana investigada

A seleção peruana realizou uma campanha histórica na Copa do Mundo, mas o governo do país queria fazer politicagem com a eliminação. Em tempos de ditadura, o regime de Juan Velasco Alvarado abriu um inquérito para investigar os “atos indignos e a indisciplina dos jogadores durante a estadia no México”. A imprensa local publicou que os jogadores estiveram na farra antes da partida contra o Brasil. Além disso, no desembarque da delegação peruana no país, o governo confiscou aparelhos eletrônicos comprados no México, o que irritou os atletas.

“Em termos gerais, consideramos que a atuação da seleção do Peru foi boa, mas é necessário comprovar a veracidade e a magnitude de faltas que determinadas informações jornalísticas atribuíram a alguns jogadores. Mas não existe crítica nem censura”, afirmou o presidente da Comissão Investigadora, conforme o Jornal dos Sports. O inquérito apontava que “houve indícios de que não ocorreu um comportamento pessoal e esportivo de acordo com a responsabilidade que exige a defesa das cores nacionais”.

CBD prepara a Taça Independência

A Folha de S. Paulo anunciava a preparação da Taça Independência de 1972, chamada então de “Copinha” e “Torneio Internacional Taça de Ouro”. A competição comemoraria os 150 anos da independência do Brasil e seria sediada em grandes estádios ao redor do país – naquele momento, prevista em Beira-Rio, Maracanã, Mineirão, Batistão e Lamenha Filho – o atual Rei Pelé.

Pelé e Jair, melhores do Mundial

Nota da Folha de S. Paulo: “Uma enquete entre 350 jornalistas esportivos de todo o mundo, encerrada ontem no México, apontou Pelé e Jairzinho como o primeiro e o segundo entre os melhores jogadores desta Copa. Realizada por iniciativa do jornalista francês Guy Champagne, a enquete deu a Pelé 267 votos e a Jairzinho 196”.

Decisão do terceiro lugar: Alemanha Ocidental 1×0 Uruguai

Alemanha Ocidental e Uruguai chegaram com espíritos totalmente distintos à decisão do terceiro lugar. A Mannschaft vinha com uma sensação de dever cumprido, depois da histórica atuação contra a Itália nas semifinais, apesar da queda. Já a Celeste estava mordida após a eliminação para o Brasil, sobretudo diante dos desmandos da Fifa, que mudou o local do clássico sul-americano de última hora. E, dentro de campo, os uruguaios aproveitaram o cansaço alemão para fazer sua melhor atuação naquela Copa do Mundo. Um fator decisivo, entretanto, esteve do lado do Nationalelf: a sorte. Só isso explica a vitória por 1 a 0, com um caminhão de chances perdidas pelos charruas no Estádio Azteca.

A Alemanha Ocidental não entrou completa para a decisão do terceiro lugar. O principal desfalque era Franz Beckenbauer, que luxou o ombro na semifinal. Além dele, outros nomes importantes como Sepp Maier, Willi Schulz e Jürgen Grabowski ficaram de fora. As atenções se voltavam a Gerd Müller, que tentaria ampliar seus números na artilharia do Mundial, e a Uwe Seeler, em sua última aparição pelo torneio. Já o Uruguai repetia o mesmíssimo time que perdera ao Brasil, com a espinha dorsal formada por Ladislao Mazurkiewicz no gol, Roberto Matosas e Attilio Ancheta no miolo de zaga, Luis Cubilla na ligação e Julio César Morales como destaque na linha de frente.

A partida começou fria, até que a Alemanha Ocidental dominasse o primeiro tempo. Reinhard Libuda causava incômodo pelo lado direito, embora Müller não estivesse em sua tarde mais calibrada. O artilheiro desta vez virou garçom e deu a assistência ao gol germânico. Numa bola alçada por Libuda e escorada por Seeler, Müller fez o pivô e prendeu a marcação, passando a Wolfgang Overath. O maestro apareceu livre na entrada da área e bateu cruzado, superando Mazurkiewicz. Um prêmio ao grande Mundial do camisa 12 alemão-ocidental.

Antes do intervalo, o Uruguai pressionou bastante. Esbarrou em Horst Wolter, goleiro do Eintracht Braunschweig que substituiu Sepp Maier naquela ocasião. O camisa 22 colecionou defesas e, quando nada pôde fazer, viu Bernd Patzke salvar uma bola na pequena área. Na volta ao segundo tempo, Seeler até carimbou o travessão e Mazurkiewicz realizou uma ótima defesa em pancada de Overath . Porém, a Alemanha Ocidental sentiu a exaustão de duas prorrogações seguidas nas fases anteriores e viu os uruguaios aumentarem sua pressão. O time acusado de não atacar contra o Brasil botou a faca entre os dentes.

Melhor da Celeste contra os brasileiros, Cubilla voltou a coordenar os ataques contra a Alemanha Ocidental. E não dá nem para dizer que faltou precisão aos charruas. O problema foi o azar mesmo. Primeiro, Cubilla cabeceou uma bola na trave e não conseguiu aproveitar o rebote, mesmo plantando bananeira para tentar bater na bola. Depois, Morales teve dois lances, entre uma cabeçada salva na pequena área por Berti Vogts e uma saída de Wolter em seus pés. O goleiro substituto seguia operando milagres, também em tentativa de Ancheta.

Já o lance mais inacreditável da partida no Azteca veio aos 22, quando Cubilla recebeu na pequena área. O meia tentou dominar em vez de bater de primeira, foi travado por Wolter no primeiro momento e ainda viu Vogts afastar o perigo em cima da linha. No fim, Julio Montero Castillo perdoou em outras duas oportunidades, no que poderia ser o empate uruguaio. O bronze acabaria mesmo no peito dos alemães, enquanto Gerd Müller fechou a campanha com a Chuteira de Ouro, artilheiro do Mundial com dez gols anotados – sete na fase de grupos, o decisivo na prorrogação contra a Inglaterra e dois diante da Itália.

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