O melhor Flamengo de todos os tempos contra o melhor Atlético Mineiro de todos os tempos. Dois esquadrões que fizeram uma das maiores finais da história do futebol brasileiro. Os quase 155 mil presentes no Maracanã só engrandecem o que foi aquela decisão do Brasileirão de 1980. E, infelizmente, só um daqueles timaços seria coroado. Em uma final cardíaca, em que Zico e Reinaldo comandavam os outros tantos craques, os rubro-negros venceram por 3 a 2. A noite da vida de Nunes, que marca o início das grandes conquistas flamenguistas além do Rio de Janeiro. E que até hoje segue entalada na garganta dos atleticanos. Um jogo inesquecível que completa 35 anos nesta segunda.

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Por tudo o que jogavam, Fla e Galo alimentaram grandes expectativas para a decisão do Brasileiro. E o time de João Leite, Luizinho, Toninho Cerezo, Palhinha, Reinaldo e Éder saiu em vantagem, batendo os rubro-negros por 1 a 0 no duelo do Mineirão, gol do “Rei”. O empate no reencontro daria vantagem aos mineiros, embora uma vitória simples fosse o suficiente aos cariocas. Para uma equipe estrelada por Raul, Júnior, Carpegiani, Adílio, Zico e Nunes, não parecia tão difícil assim de conseguir.

No Maracanã abarrotado, o Flamengo aproveitou bem a vibração da torcida. Um passe de Zico permitiu que Nunes abrisse o placar aos sete minutos, enquanto Reinaldo logo buscou a igualdade para o Atlético. Mas, pouco antes do intervalo, o Galinho apareceu outra vez de forma decisiva, para ele mesmo estufar as redes. Brilho de um craque que acabou ofuscado por outro. No início da segunda etapa, Reinaldo sofreu uma lesão muscular. Arrastava uma das pernas e ouvia os gritos de “bichado” da torcida flamenguista. Pois o artilheiro se vingou na bola: mesmo machucado, com dificuldades claras, empatou de novo, em resultado que daria o título ao Galo.

No entanto, o épico do Atlético durou minutos, e por culpa de uma decisão do árbitro José de Assis Aragão até hoje muito contestada. Após Reinaldo atrapalhar uma cobrança de um impedimento, levou o amarelo. E, embora o camisa 9 afirme até hoje que não falou nada, acabou expulso por xingar o juiz pelas costas. Os mineiros perdiam o seu jogador mais capaz de fazer a diferença. E o Flamengo pressionou até anotar o gol da vitória, aos 37 do segundo tempo. Um drible desconcertante e uma finalização cheia de categoria fizeram de Nunes o herói do Maracanã. Outros dois atleticanos ainda seriam expulsos, e quase o empate saiu com Pedrinho. Mas a noite era mesmo de consagração ao Flamengo.

O Atlético tem toda a razão de contestar a decisão da arbitragem. Assim como o Flamengo também está no direito de celebrar o seu timaço, que, independente dos erros, também jogou muito para merecer aquela taça. As polêmicas, aliás, estavam apenas no início, após outra arbitragem horrível no duelo de desempate pela Libertadores. O incrível time do Galo nunca ganhou um título que realmente desse as verdadeiras dimensões de sua qualidade. Mas, de certa forma, se engrandeceu pelo que fez nas duas vezes contra o Flamengo campeão do mundo. Juntos, os dois elencos tinham seis dos 11 titulares da Seleção na Copa de 1982, e isso porque Reinaldo nem foi à Espanha. Times tão inesquecíveis pela maneira como se cruzaram na história. E que recontam grandes capítulos do futebol nacional.

Abaixo, a história daquela final contada pelo Canal 100: