Maradona é um dos maiores jogadores de todos os tempos por diversos motivos. Os lances mágicos, obviamente, embasam quaisquer argumentos favoráveis ao camisa 10. No entanto, sua grandeza também se mede pelas histórias. E, em 29 de abril de 1990, Diego concluiu uma das mais fantásticas epopeias com a camisa do Napoli. Aquela temporada começou com o craque no olho do furacão, em meio a tumultuadas relações na Itália. Maradona desejava sair do Estádio San Paolo. Mas ficou e conduziu os napolitanos a mais um Scudetto, o segundo de sua história, ultrapassando o timaço do Milan na penúltima rodada. Praticamente todos os pontos foram garantidos com gol ou assistência do argentino.

Aquela campanha pode ser considerada o começo do fim ao timaço do Napoli, bem como à própria carreira de Maradona em alto nível. Ainda assim, às vésperas de uma Copa do Mundo, Diego fez os napolitanos desfrutarem. Selou as pazes com a torcida da maneira mais espetacular e transformou sua rebelião contra a todos em redenção, podendo se firmar outra vez como o melhor jogador em atividade na Serie A. Um gênio.

Durante as três temporadas anteriores, o Napoli se transformara de um clube tradicional, mas de relevância regional, em potência da liga mais forte do planeta. O gigantismo ao redor dos celestes se explicava com um nome principal: Diego Armando Maradona. Apesar dos craques que passaram pelo San Paolo a partir da década de 1960 e das vezes em que a equipe sonhou com o Scudetto, o marco da guinada dos partenopei aconteceria após a contratação do argentino em 1984. O camisa 10 vinha de uma passagem conturbada pelo Barcelona e se juntava a um elenco que brigara contra o rebaixamento. A união explosiva entre a habilidade de Maradona e a paixão dos napolitanos provocou uma revolução na Campânia.

Maradona causou uma comoção impressionante desde seu desembarque em Nápoles. O meia batia seu próprio recorde como contratação mais cara da história e trazia novas perspectivas a um clube fadado a ser coadjuvante. Além do mais, havia uma identificação entre o argentino descendente de imigrantes italianos e aquele povo que via no futebol a melhor maneira de mostrar seu orgulho regional. Os resultados em campo não foram imediatos e o Napoli cresceu paulatinamente nas duas temporadas posteriores. Já a partir de 1986, com Diego consagrado na Copa do Mundo, ocorreria a verdadeira afirmação dos celestes.

Com contratações pontuais ao elenco, o Napoli atingiu seu ápice a partir da conquista da Serie A em 1986/87. O clube quebrou estigmas e calou preconceitos, gravando na história a festa ocorrida em Nápoles. Sofrendo apenas três derrotas ao longo da campanha, os partenopei fizeram Juventus e Internazionale comerem poeira. A faixa “vocês não sabem o que estão perdendo”, colocada diante do principal cemitério da cidade, simboliza a loucura que tomou as ruas para celebrar a façanha. E não pararia nisso.

Semanas depois da alegria gerada pelo Scudetto, o Napoli também faturou a Copa da Itália. Era seu terceiro título na história do torneio, encerrando um hiato de 11 anos. A competitividade se manteria nas temporadas seguintes. O título da Serie A escapou por entre os dedos em 1987/88, com a ultrapassagem do Milan nas rodadas finais, e o vice se repetiria em 1988/89, quando os celestes não conseguiram acompanhar o ritmo de uma Internazionale avassaladora. De qualquer maneira, a conquista da Copa da Uefa em 1989 seria um belíssimo alento. Para erguer sua primeira taça continental, o Napoli enfrentou uma caminhada duríssima e eliminou PAOK, Lokomotive Leipzig, Bordeaux, Juventus e Bayern, até a decisão contra o Stuttgart. Em tempos de Champions restrita, aquele troféu também significava bastante na Campânia.

Logo após o Scudetto de 1986/87, Maradona já contava com a companhia de Careca. A presença da dupla mortal, todavia, não significa que a tranquilidade imperou nos corredores napolitanos entre uma taça e outra. Muito pelo contrário, o verão de 1988 havia sido bastante conturbado no San Paolo. A relação do técnico Ottavio Bianchi com parte do elenco havia azedado e alguns jogadores publicaram um comunicado à imprensa sobre o entrave. O presidente Corrado Ferlaino não admitiu o motim e se manteve ao lado de Bianchi, se desfazendo das “laranjas podres” nos vestiários – incluindo o meio-campista Salvatore Bagni e o atacante Bruno Giordano. De qualquer maneira, o ambiente permaneceu estremecido e levou o próprio treinador a se despedir da torcida logo após a conquista da Copa da Uefa, deixando seu cargo vago e acertando um pré-contrato para assumir a Roma na temporada 1990/91.

Parecia mesmo um fim de ciclo ao Napoli. Até porque Bianchi não seria a única liderança a desejar novos ares. Maradona mandava nos bastidores e seu poder estava entre as razões dos atritos internos com seus superiores. O argentino igualmente era um alvo costumeiro de críticas nos jornais. E, informalmente, havia até mesmo um acordo de Diego com o presidente Ferlaino. Caso o craque garantisse o título da Copa da Uefa, o dirigente concordava em assinar sua transferência. Só que a promessa seria quebrada durante a comemoração da conquista. “Ele não queria me deixar sair. Quando eu estava em campo com a taça nas mãos, ele veio no meu ouvido e disse: ‘Não vou te vender, só queria te motivar mais’. Naquele momento, eu queria quebrar o troféu na cabeça dele”, contaria o craque anos depois, em sua autobiografia.

Durante o início de junho de 1989, a imprensa francesa passou a noticiar o interesse do Olympique de Marseille em Maradona. O dinheiro de Bernard Tapie jorrava no Vélodrome e os marselheses pretendiam levar o camisa 10 para completar sua constelação de craques. Treinador da França na conquista da Euro 1984, Michel Hidalgo se tornou diretor dos marselheses naquele período e visitou o argentino em Nápoles para apresentar sua proposta, em história que logo passou a ser noticiada pelos jornais. Publicamente, Diego mantinha as juras de amor à torcida do Napoli e declarava sua vontade de cumprir seus próximos quatro anos de contrato até o fim. Mas, com o passar das semanas, o namoro começou a ficar mais escancarado.

Antes do último jogo do Napoli em casa pela Serie A 1988/89, Maradona admitiu à France Football: “Tapie deve ser louco, mas um louco simpático e forte. Gostaria de trabalhar com ele. A razão me diz que devo continuar em Nápoles, mas o coração me empurra para longe”. Mesmo que a Internazionale já fosse campeã àquela altura, a ausência de Diego contra o Ascoli havia sido bastante criticada, por conta de supostas cólicas. E dentro do San Paolo, diante do Pisa, o descontentamento com a postura do camisa 10 explodiu de vez. Maradona pediu substituição aos 17 minutos, o que gerou vaias da torcida. O argentino era acusado de fazer corpo mole e forçar sua saída. Para piorar, após vencer a ida, o Napoli perdeu o título da Copa da Itália ao ser goleado pela Sampdoria por 4 a 0 na volta.

A tentação a Maradona era evidente, vislumbrando uma vida mais tranquila em Marselha após o nascimento de sua segunda filha. Segundo a imprensa francesa, a proposta do Olympique não apenas quebraria o recorde de transferência mais cara da história até então. O clube também oferecia uma série de regalias ao camisa 10. Seu salário seria triplicado, ele teria uma mansão à disposição na cidade de Cassis e também poderia desfrutar de folgas a mais em relação ao restante do elenco, para tratar de um problema crônico nas costas. Além disso, Tapie prometera um cargo em negócios na Argentina, caso o armador encerrasse sua carreira no Vélodrome.

A realização da Copa América em julho e as férias ampliadas de Maradona até o início de agosto garantiam mais tempo às negociações. As tensões aumentavam à medida que a data da reapresentação do camisa 10 em Nápoles se aproximava. Segundo palavras do próprio Tapie anos depois, um contrato chegou a ser assinado, inclusive pelo presidente Ferlaino. Porém, o dirigente napolitano mudou de ideia e pediu para os marselheses ignorarem o papel. Maradona não gostou e decidiu adiar o retorno combinado a Nápoles, prolongando as férias na Argentina para pressionar os italianos. À revista El Gráfico, na época, ele comentaria: “Se eu tiver que ficar em Nápoles, farei o possível para reconquistar o Scudetto. Suportaria mais uma temporada, sempre em silêncio. Mas que fique claro: eu quero sair. Minha relação com o clube se rompeu e minha família agora está maior, exige mais atenção”.

Neste clima nada amistoso, o Napoli realizou sua pré-temporada. Alberto Bigon assumia o lugar de Ottavio Bianchi à frente da equipe. O antigo ídolo do Milan não possuía grande currículo como treinador, mas se credenciou ao posto após duas campanhas satisfatórias com o Cesena, que se firmou no meio da tabela. Era visto como um tampão, para que Carlos Bilardo assumisse em 1990, ao término de seu contrato com a seleção argentina. Pragmático em suas estratégias, Bigon logo tratou de se aproximar dos jogadores. E colocava panos quentes sobre a situação de Maradona, prometendo se entender com a estrela: “Estou curioso para conhecê-lo e tenho certeza de que eventuais problemas serão contornados. Quero saber se Maradona está realmente insatisfeito. Vamos colocar tudo em pratos limpos”.

Ao menos, Bigon não precisava se preocupar com o restante do elenco. O Napoli manteve a base campeã da Copa da Uefa e não perdeu jogadores importantes, trazendo bons reforços pontuais. Massimo Mauro seria a principal novidade ao meio-campo, após quatro temporadas com a Juventus, incluindo a conquista de um Scudetto. O zagueiro Marco Baroni se somava ao sistema defensivo, em trajetória com passagens por vários clubes da Serie A, entre eles a Roma. Já o possível sucessor de Maradona era um rapaz franzino de 23 anos, que brilhava na Serie C1 e acabou descoberto por Luciano Moggi – futuro protagonista do Calciopoli, mas então diretor dos celestes. O nome da promessa? Gianfranco Zola.

De resto, permanecia um Napoli respeitabilíssimo. A escalação começava com Giuliano Giuliani, goleiro trazido do Verona na temporada anterior. Ocupando o lado direito da defesa, Ciro Ferrara era o grande nome na retaguarda. “Ferrara era a real alma napolitana do elenco. Ele trouxe sua sabedoria e sua tranquilidade para campo, um jogador exemplar. Diego tinha a braçadeira, mas o real capitão era Ciro”, diria Bigon, anos depois. Alessandro Renica, líbero histórico naqueles anos dourados dos napolitanos, perderia espaço durante a campanha. O experiente Giancarlo Corradini, por outro lado, aumentaria sua influência na zaga.

O meio-campo possuía a proteção de Alemão, terceiro estrangeiro adicionado em 1988 e atravessando ótima fase. “O nosso time era muito bom. Para que eu conseguisse jogar, fui atuar como segundo volante. Nessa função era determinante o deslocamento dentro do campo, além do passe apurado. Com isso, fiz um forte trabalho físico onde baixei ainda mais meu peso. Cheguei a 74 quilos, ainda menos que o meu peso ideal. Minha capacidade física aumentou bastante, o que me ajudou muito a me manter como titular numa equipe repleta de jogadores talentosos”, relembraria o brasileiro. “Eu tinha que compensar toda essa desvantagem física com concentração dentro de campo, para fazer tudo certo e sem errar nada. O nível de concentração era tão alto que tinham partidas que não me lembro de nada”.

O meio também contava com a dinâmica de Fernando Di Napoli, titular da seleção italiana naqueles anos. Massimo Crippa era outro em fase inspiradíssima, que costumava frequentar as convocações e contribuía com fôlego pelos lados. Já Luca Fusi era chamado com certa frequência à Nazionale, alternando-se entre a linha defensiva e a cabeça de área. Na frente, Andrea Carnevale cumpria um importante papel como referência e dava presença de área. Careca era o parceiro ideal de Maradona por sua técnica e sua inteligência. O brasileiro vinha de uma temporada espetacular, mas jogaria menos minutos em 1989/90, por conta das lesões e das convocações à seleção brasileira.

Mesmo sem Maradona, o Napoli seguia com time para brigar pelas primeiras colocações. Mas não que a Serie A transmitisse muitas certezas, em tempos nos quais os melhores jogadores do mundo estavam na Itália. A concorrência pesadíssima começava pelo Milan de Arrigo Sacchi. Vencedores da Champions na temporada anterior, os rossoneri preservavam o trio holandês formado por Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard. Isso sem contar Franco Baresi, Paolo Maldini, Carlo Ancelotti, Roberto Donadoni e companhia ilimitada. Retornando de empréstimo, Daniele Massaro e Stefano Borgonovo eram boas cartadas, enquanto o ídolo Pietro Paolo Virdis saía ao Lecce.

A Internazionale carregava até mais expectativas que os rivais, diante da maneira como dominou a temporada anterior. Giovanni Trapattoni havia encontrado o melhor encaixe dos nerazzurri, que agora vinham com seu trio alemão. Lothar Matthäus e Andreas Brehme tinham sido protagonistas do Scudetto, enquanto a diretoria ainda levou Jürgen Klinsmann, comprado junto ao Stuttgart após o vice na Copa da Uefa contra o Napoli. Para respeitar o limite de estrangeiros, entretanto, os interistas abriram mão de Ramón Díaz – um de seus melhores jogadores da campanha anterior. De resto, seguia a base encabeçada por Walter Zenga, Riccardo Ferri, Giuseppe Bergomi e Aldo Serena.

Quarta colocada em 1988/89, a Juventus se mexia para tentar recuperar sua hegemonia. A resposta no mercado veio com a compra de Sergei Aleinikov, destaque na seleção soviética. Salvatore Schillaci e o garoto Pierluigi Casiraghi encorpavam o ataque. Treinada por Dino Zoff, a Velha Senhora não tinha um plantel tão impressionante, com Stefano Tacconi, Luigi De Agostini, Rui Barros e Aleksandr Zavarov entre outras referências. E também seria uma janela frustrada pelos negócios que não saíram. Os juventinos tentaram inclusive tirar Müller do rival Torino, mas os grenás não abriram mão do brasileiro mesmo após o descenso.

Uma equipe que pedia atenção era a Sampdoria, vencedora da Copa da Itália e treinada pelo tarimbado Vujadin Boskov. Os blucerchiati buscaram Srecko Katanec e Attilio Lombardo, melhorando a base composta por Gianluca Pagliuca, Pietro Vierchowod, Toninho Cerezo, Roberto Mancini e Gianluca Vialli. O rival Genoa igualmente se tornava mais competitivo após faturar a segunda divisão. O Grifone comprou o trinca uruguaia estrelada por José Perdomo, Rubén Paz e Carlos Aguilera, bem como adicionou à zaga o medalhão Fulvio Collovati.

Na capital, a Roma contava com Rudi Völler e comprou também Thomas Berthold. Outro astro era o meio-campista Giuseppe Giannini. Já a Lazio apostava no brasileiro Amarildo, destaque no Celta de Vigo durante a temporada anterior, para compor o ataque com Rubén Sosa. A Atalanta merecia respeito com a compra de Claudio Caniggia para acompanhar Evair e Glenn Strömberg. Da mesma forma, a Fiorentina prometia fazer certo barulho em time estrelado por Roberto Baggio e com a força de Dunga no meio.

Entre os que corriam por fora, vale destacar ainda o mercado dos recém-promovidos Udinese (Nestor Sensini, Abel Balbo), Cremonese (Anders Limpar, Gustavo Dezotti) e Bari (João Paulo, Gerson Caçapa). E a lista de estrangeiros ficava mais grossa com Casagrande no Ascoli; Robert Prytz no renovado Verona; Pedro Pasculli no Lecce; e Geovani prometendo ser o “Maradona do Bologna”. O ex-vascaíno não chegaria a tanto, mas os rossoblù acabaram superando as expectativas naquela campanha, com uma equipe liderada pelos veteranos Bruno Giordano e Antonio Cabrini.

Enquanto a Serie A não começava, a imprensa italiana noticiava as desventuras de Maradona – e aproveitava para atacá-lo de diferentes maneiras. A cada semana ao longo de agosto, surgia a informação de que o craque desembarcaria na Itália, mas ele permanecia na Argentina. Aproveitou o tempo livre para esquiar, pescar e caçar com a família no interior do país. Além disso, às vésperas da primeira rodada, Diego publicou um comunicado denunciando um complô. Segundo ele, os vidros de sua casa e de seu carro foram quebrados em Nápoles, enquanto o apartamento de sua irmã sofreu uma invasão. Garantia que a questão não girava ao redor do Olympique de Marseille, mas de sua própria segurança.

A polícia desmentiu Maradona. Disse que nenhum vidro foi quebrado e a invasão do apartamento foi posterior à alegação, provavelmente por roubo. Também afastava o envolvimento da máfia local. “A Camorra é uma organização séria e tem assuntos muito mais importantes para resolver do que se preocupar em ameaçar jogadores de futebol”, ironizaria o chefe da polícia napolitana. Teorias conspiratórias sobre a pressão da Camorra contra Maradona não eram exatamente novas. Em compensação, o craque também havia frequentado uma festa na casa de membros da organização anos antes e fotografias do evento voltaram aos jornais após suas declarações. Também surgiram acusações pesadas de que o argentino traficava drogas.

Fato é que, quando o Campeonato Italiano começou, Maradona completava quase um mês de rebelião. E o Napoli precisou se virar sem o camisa 10. Os companheiros permaneciam ao lado do craque, assim como o técnico Alberto Bigon. Diego chegou a elogiar a postura do novo comandante, que teria ligado para ele “25 vezes” em Buenos Aires. O problema era contornar a insatisfação da diretoria, que já tinha antecipado parte de seus salários e prometia aplicar uma pesada multa em seu astro. Luciano Moggi era um ponto de fricção entre o armador e o presidente. Enquanto isso, o impasse se refletia nos cofres napolitanos, com a queda nas vendas dos carnês de temporada. Numa última cartada, o Olympique ainda tentou oferecer US$11 milhões e o recém-contratado Enzo Francescoli por Maradona, sem sucesso.

A tabela da Serie A deu uma forcinha ao Napoli, que estreou em 26 de agosto contra o fraco Ascoli. Careca e Alemão, cedidos à seleção brasileira, também foram desfalques. Ainda assim, os celestes fizeram sua parte com a vitória por 1 a 0 fora de casa, gol de Massimo Crippa. Setembro começou com Maradona já admitindo voltar à Campânia, mas cada vez encontrando um empecilho nos voos – da falta de assentos na primeira classe ao excesso de escalas. Chegaria até a chutar um fotógrafo no aeroporto de Buenos Aires. Já no dia 2 daquele mês, o Napoli emendou sua segunda vitória na Serie A. Renica assegurou novo 1 a 0, desta vez contra a Udinese no San Paolo. Zola, por sua vez, recebia elogios por seu rendimento.

A poeira só baixaria em Nápoles na semana seguinte. Maradona finalmente desembarcou no país e se juntou ao elenco. Não escondia sua insatisfação com a postura da diretoria, sobretudo ao não defendê-lo das acusações publicadas pelos jornais. Enquanto isso, avaliava que a torcida parecia entendê-lo e a trégua com os napolitanos não demoraria a vir. Apesar de todo o dramalhão, a paixão por Diego prevalecia na cidade. A massa aguardava ansiosamente para vê-lo em campo – o que levaria algum tempo, dada a falta de preparação física adequada do armador em meio a todo o imbróglio.

Durante a terceira rodada, o Napoli empatou sem gols com o Cesena, antes de contar com a volta de Careca e Alemão na visita ao Verona. O artilheiro fechou a vitória por 2 a 1 no Marcantonio Bentegodi, depois que Massimo Mauro havia aberto a contagem. Neste momento, os celestes dividiam o topo da tabela com a Juventus, ambos com sete pontos. E a paz acabaria selada em 16 de setembro, durante o encontro com a Fiorentina pela quinta rodada. O San Paolo viveria uma de suas partidas mais marcantes naquela tarde.

Maradona começou o jogo no banco de reservas. Teria que ver o show de outro craque, Roberto Baggio. Durante o primeiro tempo, o camisa 10 da Fiorentina marcou um gol antológico: arrancou de sua intermediária defensiva, fez fila na marcação napolitana e driblou até o goleiro, antes de bater às redes vazias. Pouco depois, Baggio anotaria o segundo. Diante da situação calamitosa, Bigon recorreu a Maradona logo na volta do intervalo. Visivelmente fora de forma e vestindo uma pouco usual camisa 16, o argentino piorou a situação. Aos dois minutos, o Napoli ganhou um pênalti e Diego pegou a bola. Bateu no meio do gol, permitindo que o goleiro Marco Landucci encaixasse.

O Napoli exercia uma pressão imensa durante o segundo tempo, mas Landucci acumulava milagres e os contra-ataques da Fiorentina geravam riscos. A equipe da casa começou sua reação aos 16 minutos, em cruzamento que o defensor Stefano Pioli mandou contra as próprias redes. A Viola salvaria uma jogada quase em cima da linha, antes que Careca aproveitasse uma bola espirrada aos 31 para empatar. E o desfecho no San Paolo só ocorreu aos 42, com um herói: Maradona. O cruzamento do argentino veio na medida para Corradini mergulhar de peixinho e definir a heroica vitória por 3 a 2. O resultado, combinado com a derrota da Juventus na visita à Inter, colocava os partenopei na liderança isolada da Serie A.

O excelente primeiro turno mostrou como o Napoli seguia fortíssimo ao Scudetto. Com a 10 e a faixa de capitão, Maradona reapareceu entre os titulares na sexta rodada, durante o empate por 1 a 1 contra a Cremonese. Foi dele o gol celeste, de cabeça, buscando a igualdade no segundo tempo. Já o primeiro confronto direto ficou guardado para o fim de setembro, durante a visita do Milan ao San Paolo. Baile no ritmo de Maradona, diante de um adversário desfalcado por conta das lesões – Gullit mal atuaria naquela campanha. Diego serviu Carnevale nos dois primeiros tentos e encerrou o placar em 3 a 0, dando um toquinho humilhante por cima do goleiro Giovanni Galli. Foi uma daquelas tardes infernais do argentino, emendando drible após drible. Seu prêmio na saída de campo era levar a camisa de Franco Baresi.

Outro compromisso essencial ocorreu na oitava rodada, com a viagem do Napoli à capital. A Roma fazia um bom começo de campanha e chegou a brigar pela ponta, mas cederia o empate por 1 a 1 no Estádio Flaminio – já que o Olímpico passava pelas reformas à Copa do Mundo. Maradona balançou as redes pela terceira rodada consecutiva, desta vez cobrando pênalti. E a série invicta se ampliou na nona rodada, quando o Napoli bateu também a campeã Inter por 2 a 0. Zenga teve muito trabalho durante o primeiro tempo, mas se lesionaria e seria substituído por Astutillo Malgioglio. Já na segunda etapa, Alemão foi o verdadeiro destaque contra o trio alemão. O meio-campista fez duas excelentes jogadas, dando as assistências aos gols de Careca e Maradona, assinalados nos 15 minutos finais.

O empate por 1 a 1 na visita ao Genoa saiu de bom tamanho ao Napoli. Alemão foi expulso quando os genoveses tinham a vitória parcial e, mesmo com um a menos durante todo o segundo tempo, os celestes buscaram o resultado. Mais um tento de Maradona, de pênalti. Imparável dentro de casa, a equipe de Alberto Bigon derrotou o Lecce por 3 a 2 de virada. Foi um embate duríssimo, desta vez com o protagonismo de Carnevale, que fez dois gols e só garantiu o triunfo aos 44 do segundo tempo – num lance em que estava impedido. O resultado, de qualquer forma, mantinha os partenopei com dois pontos de vantagem na liderança.

Maradona voltaria a desequilibrar nos dois compromissos seguintes. Fez de pênalti no empate por 1 a 1 contra a Sampdoria, que resultou no primeiro (e único) tropeço dentro do San Paolo, e deu o passe para Crippa marcar contra a Juventus em Turim, durante outro 1 a 1 no placar – com atuação inspirada também do goleiro Giuliani. E a camisa 10 andava tão abençoada que a ausência de Maradona contra a Atalanta não seria problema. Zola honrou o número com uma atuação de gala na vitória por 3 a 1. Seu primeiro gol na Serie A foi uma pintura, cortando a marcação e mandando um balaço no alto. Sairia ovacionado pela torcida no San Paolo.

As principais turbulências do Napoli naquele momento ocorreriam na Copa da Uefa. Após despachar o Sporting nos pênaltis durante a primeira fase, a equipe cambaleou contra o Wettingen e correu riscos de uma eliminação vexatória em meados de outubro. A ausência de Maradona, aliás, voltaria a expor suas feridas com a direção e o craque questionaria a decisão do departamento médico ao vetá-lo. Mas não seria o camisa 10 que evitaria a despedida nas oitavas de final, contra o Werder Bremen de Otto Rehhagel. Os alemães ganharam em Nápoles por 3 a 2. Pois a volta dentro do Weserstadion, no início de dezembro, seria mais dolorosa aos campeões vigentes: os partenopei engoliram uma derrota por 5 a 1, com Diego e tudo.

Maradona levantou os ânimos na Serie A depois disso. Contra o Bari, fora de casa, o argentino descolou uma assistência de bicicleta para Carnevale marcar no empate por 1 a 1. A sétima assistência do ídolo viria na penúltima rodada do primeiro turno, a Careca, para a vitória por 2 a 0 sobre o Bologna. E o primeiro tropeço do Napoli no Italiano aconteceu apenas no fechamento do turno, encarando a Lazio no Flaminio. Amarildo se tornou o carrasco, com dois gols no sonoro triunfo por 3 a 0 dos laziali. Apesar do revés, os partenopei eram campeões de inverno com dois pontos de vantagem sobre a Internazionale, vice-líder.

A tabela mais branda no início do segundo turno seria essencial para o Napoli naquela campanha. O time de Alberto Bigon aproveitou-se do bom número de compromissos em casa e somou cinco vitórias nas seis primeiras rodadas, além de um empate. Os resultados mais notáveis, de qualquer forma, se deram longe do San Paolo. Contra a Udinese, os celestes tomaram o segundo gol aos 41 da etapa final, antes de balançarem as redes duas vezes e salvarem o empate por 2 a 2. Já dentro do Artemio Franchi, Luca Fusi permitiu o triunfo por 1 a 0 sobre a Fiorentina. Maradona, para variar, sobrava dentro de campo: contabilizou mais quatro gols e duas assistências. O problema seria Careca, que se lesionou contra o Ascoli e se ausentou por um mês.

Coincidentemente, a volta de Careca se combinaria com o momento mais difícil do Napoli na Serie A 1989/90 – mas não por culpa do atacante, e sim pelos desafios impostos pela tabela. Os celestes fariam quatro jogos longe de seus domínios num intervalo de seis rodadas, três deles contra pedreiras. Foi quando o Scudetto pareceu mais ameaçado, diante de um Milan que pegava embalo. A equipe de Arrigo Sacchi chegou a ocupar a oitava colocação, após sucumbir ao Ascoli na décima rodada. A ascensão começou logo depois, com vitórias seguidas sobre Juve e Inter. Quando ocorreu o confronto direto com os napolitanos no San Siro, os rossoneri vinham de 11 triunfos em 13 partidas de invencibilidade. A recuperação de Marco van Basten, que iniciou a temporada lesionado, era vital.

O Milan devolveu o chocolate aplicado pelo Napoli no primeiro turno. Os milanistas venceram por 3 a 0 no San Siro, numa atuação sufocante que poderia ter rendido um placar mais elástico ao time da casa. Os gols saíram todos no segundo tempo, com Massaro, Maldini e Van Basten – enquanto os napolitanos se safaram outras tantas vezes. Restando mais dez rodadas, o Milan igualava os 36 pontos do Napoli e assumia a liderança pelo saldo de gols. Era a primeira vez em mais de quatro meses que os partenopei deixavam a dianteira. E o estrago feito pelos rossoneri seria maior, já que três dias depois ocorreu o reencontro pelas semifinais da Copa da Itália. Após o empate sem gols no San Siro, os visitantes ganharam por 3 a 1 no San Paolo e se classificaram à decisão com show de Massaro.

Na Serie A, o San Paolo permanecia como uma garantia de vitórias e o Napoli se reergueu ao derrotar a Roma por 3 a 1. O resultado saiu de virada, com dois gols de Maradona e um de Careca. Entretanto, os celestes voltariam ao San Siro para mais um pesadelo, agora contra a Inter. Careca até abriu a contagem num tento maravilhoso, em que driblou toda a defesa adversária, mas os nerazzurri buscaram o triunfo por 3 a 1 – com direito a um tento napolitano anulado quando o placar poderia se encerrar em 2 a 2. Melhor ao Milan, que se isolou na liderança ao golear a Roma por 4 a 0 na capital. Os rossoneri abriam dois pontos de vantagem.

Sem apresentar um futebol tão convincente, o Napoli parecia no limite. E esse limite se tornava menor quando Maradona não estava presente em campo. A vitória por 2 a 1 sobre o Genoa, sem o argentino, novamente viria na conta de Zola. O jovem definiu o marcador aos 45 do segundo tempo, em lance brigado dentro da área. Mas a sensação de que a derrocada de 1987/88 poderia se repetir acabou reforçada nas duas rodadas seguintes, ambas fora de casa. O empate por 1 a 1 contra o Lecce jogava fora uma boa oportunidade, já que o Milan perdera para a Juventus em Turim no mesmo final de semana. E, diante do momento, o revés por 2 a 1 na visita à Sampdoria não surpreendia. Pagliuca frustrou os celestes com suas defesas. Pelo menos, o Milan também sinalizava suas fraquezas, agora batido pela Internazionale.

Restando cinco rodadas para o final, a briga parecia mesmo restrita a Milan e Napoli. Os milanistas vinham com 42 pontos, um a mais que os napolitanos. Mais abaixo, com 38 pontos, Juventus, Internazionale e Sampdoria buscavam um milagre. Mas, aos celestes, existia um trunfo em sua corrida contra os rossoneri: a equipe de Arrigo Sacchi se via sobrecarregada com a disputa da Champions. Em busca do bicampeonato continental, o Diavolo precisaria conciliar seus compromissos no torneio europeu e também decidir a Copa da Itália contra a Juventus. Para Alberto Bigon, o foco seria somente na Serie A.

A dose de motivação que o Napoli precisava ocorreria contra a Juventus, numa partida de arquibancadas inflamadas no San Paolo. Empurrados pela torcida, os celestes começaram a tarde em ritmo fortíssimo. Maradona sabia o que fazer. Abriu o placar com um bonito giro dentro da área e ampliou antes de meia hora, numa cobrança de falta da intermediária. A bola pegou efeito e saiu do alcance de Tacconi. De Agostini descontou de pênalti, mas um escanteio cobrado com Diego deu a brecha para Giovanni Francini selar a importantíssima vitória em 3 a 1. O Milan venceu, mas a esperança napolitana estava firme.

A maior cobrança ao Napoli estava em conseguir as vitórias longe do San Paolo. Dentro de casa pela Serie A, somente a Sampdoria havia saído com um resultado que não fosse a derrota. Só que o rendimento caía muito longe da Campânia, diante do excesso de empates. A Atalanta, em Bérgamo, não costumava ser uma oponente digerível. E aquela partida foi uma das mais polêmicas da temporada. Dentro de campo, num jogo sem muitas chances, o placar prevaleceu em 0 a 0. No entanto, durante o final do segundo tempo, Alemão foi atingido na cabeça por uma moeda atirada pela torcida anfitriã enquanto era substituído.

Conforme o regulamento da época, se um jogador fosse agredido pela torcida, os tribunais garantiriam a vitória por 2 a 0. Foi o que aconteceu. Ficava claro como o Napoli valorizou a situação e forçou os pontos extracampo. Durante o atendimento, o médico do clube pediu ao meio-campista que não se levantasse e saísse aos vestiários. Depois, Alemão foi levado ao hospital para exames. Mas, apesar do exagero no caso (confirmado pelo volante anos depois), os napolitanos não foram os únicos beneficiados naquela rodada. O Milan empatou por 0 a 0 na viagem a Bolonha e agradeceu à arbitragem, que anulou um gol claro dos rossoblù.

Pela antepenúltima rodada, o Napoli aumentou os ânimos ao atropelar o Bari por 3 a 0. Maradona abriu o placar e também deu uma assistência para Careca concluir a contagem, enquanto Carnevale deixou o seu. O Milan, em casa, respirava aliviado ao derrubar a Sampdoria pela vantagem mínima. E a mudança na tabela ocorreu na penúltima rodada, quando o Napoli precisou enfrentar o Bologna. Foi possivelmente a melhor atuação dos celestes fora de casa ao longo da campanha, sobretudo por aquilo que jogou Careca no Renato Dall’Ara.

A vitória por 4 a 2 teria três gols do Napoli logo nos primeiros 15 minutos. Careca acertou um tirambaço para fazer o primeiro, Maradona acertou o arremate cruzado no segundo e o terceiro veio com um passe de calcanhar magistral de Careca, que Francini aproveitou. O Bologna descontou no início do segundo tempo, mas Alemão mostrou como estava inteiro ao fechar a conta. Maradona lançou e o volante deu uma de suas arrancadas fulminantes, algo constante naquela campanha. E a comemoração dos celestes ao apito final não se dava apenas por seu triunfo. Dentro do Marcantonio Bentegodi, o Milan tomou a virada por 2 a 1 do Verona, que lutava desesperadamente contra o descenso. Mas seria um jogo controverso, para dizer o mínimo.

Marco Simone abriu o placar com um petardo cobrando falta, até que Víctor Sotomayor empatasse na etapa complementar. Depois disso, os holofotes recaíram sobre o árbitro Rosario Lo Bello. Naquela que era a estreia de Gullit na campanha, o primeiro a ser expulso foi Arrigo Sacchi. O treinador reclamou de um pênalti não marcado sobre Van Basten e precisou sair de campo. Aos 37, Rijkaard recebeu o segundo amarelo ao insultar o juiz. E o homem do apito mostrou mais um vermelho, a Van Basten, cinco minutos depois. As imagens não são conclusivas se o centroavante acertou alguém na disputa com dois veroneses pelo alto, mas sua revolta ao jogar a camisa no chão diz muito. Com dois a menos, o Milan tomou a virada aos 44, em tento de Davide Pellegrini. E ainda houve tempo para Costacurta ser mais um milanista expulso.

O Milan havia eliminado o Bayern de Munique nas semifinais da Champions durante a terça-feira anterior e, na quarta-feira posterior, perdeu o título da Copa da Itália para a Juventus. A maratona de jogos aumentava a pressão sobre os rossoneri, que precisavam de uma reviravolta na última rodada da Serie A sem o seu artilheiro. Dois pontos à frente, o Napoli só precisava da revanche contra a Lazio na última rodada, em 29 de abril. Não seria naquele dia que os partenopei tropeçariam no San Paolo, dando à torcida o seu segundo Scudetto.

Dentro do San Siro, o Milan até cumpriu sua parte, ao golear o Bari por 4 a 0. Contudo, as esperanças dos rossoneri se esvaíram cedo. O Napoli derrotou a Lazio por 1 a 0, com um gol assinalado logo aos sete minutos. A loucura tomava as arquibancadas desde antes que a bola rolasse, com uma festa belíssima, de muitas bandeiras e fogos de artifício. “A gente podia tomar gol que os torcedores não paravam de cantar e apoiar. Era uma coisa de louco. Empurrava a gente pra frente o jogo inteiro! Não tinha venda de ingressos no dia, pois eles eram todos vendidos antecipadamente. Todos queriam ver aquele Napoli”, relembrou Alemão.

O gol decisivo ao Scudetto do Napoli teria, invariavelmente, a marca de Maradona. O camisa 10 cobrou uma falta na intermediária e colocou a bola na cabeça de Marco Baroni. O zagueiro estufou as redes. Já no segundo tempo, Giuliani faria algumas defesas importantes, ressaltando sua grande forma naquele campeonato. Manteve o resultado mínimo, que ratificou a taça. O apito final era a permissão à invasão de campo.

Nos vestiários, Maradona comandava também a celebração. A felicidade com o presidente Ferlaino diante das câmeras contrariava todas as queixas ocorridas durante o início da temporada. Mas o craque não escondeu o ressentimento geral: “Esta vitória eu dedico a todos que me chamaram de delinquente”. Mesmo assim, sua grande resposta às desconfianças veio como melhor fazia: dentro de campo, protagonizando uma caminhada brutal. O camisa 10 anotou 16 gols, a melhor marca de sua carreira na Serie A, e ficou três tentos atrás de Van Basten na artilharia. Além disso, seus passes açucarados garantiram 11 assistências.

Com 51 pontos, o Napoli se valeu bastante da grande forma no San Paolo, onde conquistou 33 dos 34 pontos possíveis. O Milan terminou a campanha com mais vitórias, mas os napolitanos sofreram somente quatro derrotas, todas longe da Campânia. A equipe também registrou o melhor ataque, com 57 gols marcados. E o técnico Alberto Bigon repetia a honraria que já havia conquistado nos tempos de jogador. Aos rossoneri, “restaria” o bicampeonato da Champions, em taça garantida na final contra o Benfica. Sampdoria e Juventus seriam as outras equipes italianas campeãs nos torneios continentais, faturando Recopa e Copa da Uefa – esta, com triunfo juventino sobre a finalista Fiorentina.

Maradona prometia continuar no Napoli para disputar a Champions e buscar o título inédito aos celestes. Entretanto, os meses posteriores estariam distantes dos melhores sonhos. As rusgas com a imprensa italiana ficaram mais claras durante a Copa do Mundo, com a célebre semifinal entre Argentina e Itália no San Paolo. Diego ajudou a eliminar os anfitriões nos pênaltis, em noite na qual a torcida napolitana escolheu entre seu ídolo e sua pátria. Os celestes caíram logo nas oitavas de final da Champions, superados nos pênaltis pelo promissor time do Spartak Moscou, após dois empates por 0 a 0. E, numa campanha medíocre na Serie A 1990/91, em que nunca brigou realmente pelo Scudetto, o Napoli viveu seu maior drama em março.

Após a partida contra o Bari, Maradona acabou pego no exame antidoping. Foi flagrado pelo uso de cocaína. A partir de então, a carreira do craque de 30 anos entraria numa espiral, limitada a raros lampejos. Porém, ele nunca mais entraria em campo com a camisa celeste. Os torcedores não sabiam, mas o Scudetto de 1989/90 acabou sendo a última oportunidade de apreciar Diego em seu mais alto nível. Os napolitanos aproveitaram bem, antes que o próprio clube passasse a encarar seu declínio.

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Como adendo, fica também a dica do vídeo produzido pelo amigo Leonardo Bertozzi sobre aquela campanha, uma das bases a este texto: