Até 17 de julho, resgataremos aqui na Trivela os jogos, as histórias e os personagens da Copa do Mundo de 1994. Confira o diário de 15 de julho, com a preparação à decisão, baseado principalmente nos relatos da imprensa brasileira da época:

Entrevista com Romário antes da final

Abaixo, a transcrição de algumas perguntas respondidas por Romário, em entrevista concedida a Juca Kfouri para a revista Placar, publicada após a semifinal contra a Suécia. Agradecemos ao amigo Felipe Santos Souza pelo material:

Placar: Para nós a Copa está sendo do Romário. E na sua avaliação?
“Até agora, sim. Porque, mais do que os gols que fiz, o importante é que foram marcados no momento certo. O gol é sempre válido, mas fazer o terceiro gol num 2×0 não é a mesma coisa que marcar o primeiro gol. E tenho feito quase sempre o primeiro, ou passado para o Bebeto fazer”.

Placar: É uma falsa impressão ou você fez a cabeça da comissão técnica para que as coisas fossem feitas a seu modo? Você parece ter convencido Parreira e companhia no sentido de que iria se preservar, porque já estava pronto para jogar a Copa. Você teve essa conversa?
“Não, não tive essa conversa, mas eles sabiam disso. O Romário que está aqui nesta Copa é o mesmo que já esteve em qualquer outro lugar. Só que aqui não estão saindo coisas sobre mim, vindas do próprio grupo. Ou seja, a comissão técnica não está falando de mim aquilo que falava antes. Não é que o Romário tenha mudado. Apenas estamos vivendo o momento mais importante da Seleção desde 1970 e eu, o momento mais importante da minha vida. Mas continuo falando o que penso. É que neste momento as coisas estão sendo feitas corretamente no meu modo de ver”.

Placar: Você conversa bastante com o Parreira?
“Não, na verdade, a gente nunca conversou”.

Placar: Mas como?! Ele não conversa com a maior estrela do time? Em qualquer lugar do mundo o comandante fala muito com seu principal liderado, não?
“Aqui é totalmente diferente (risos). Eu sou o cara com quem ele menos fala. Até hoje a gente conversou mesmo só uma vez, quando passei algumas coisas que achava e ouvi dele outras. E foi agora, não faz muito tempo, não. Claro, a gente conversa informalmente. Às vezes coincide de sentarmos juntos para jantar, essas situações do dia a dia”.

Placar: Como você interpreta isso?
“Acho que é mais ou menos como a gente já falou. Acho que o Parreira e o Zagallo descobriram que sou apenas mais um jogador, como qualquer outro, com a diferença de ser um cara franco, que se um deles fizer besteira, eu vou falar. Mas vou falar para eles, não para os jornalistas. Acho que eles se conscientizaram disso e até agora está tudo perfeito”.

Placar: Tem muita mentira no mundo do futebol?
“Não é por outro motivo que continuo a pensar em parar de jogar aos 30 anos, por mais que adore o futebol. Tem muita falsidade, muita desonestidade. Principalmente no futebol brasileiro que, em vez de agradecer pelo fato de ter um jogador como eu, que fala o que os outros não têm coragem de dizer, é capaz de começar com a onda de que eu estou velho – essas injustiças que fizeram com o Roberto Dinamite, um dos maiores craques que já tivemos. Quer saber? Estou cansado de falar uma coisa hoje, todo mundo achar que é bobagem, que é coisa do Romário, e passado um tempinho, ver acontecer exatamente o que eu disse”.

Placar: O futebol brasileiro é pior que o europeu na direção?
“Claro que é. O cartola brasileiro é muito desonesto, muito falso. O futebol no Brasil não é de verdade. Só eu sei o que já me enrolaram. É preciso profissionalizar os dirigentes”.

Placar: E se o Brasil perder domingo, você está preparado?
“Estou preparado para tudo. Se a gente vencer eu vou ser um – eu disse UM – dos responsáveis, junto dos treinadores e dos outros jogadores. Mas insisto que assumo minhas responsabilidades, por mais que eu saiba que, quando se perde, os culpados são sempre aqueles que mais aparecem, como vi acontecer na Copa de 1990. Estou nesse meio. Tenho certeza de que a gente vai ganhar, mas se não der, saio tranquilo, porque estou dando tudo que tenho. Saio dos jogos quase sem poder andar. Mas tenho fé em Deus que a gente vai ganhar, porque estamos dando aqui o que as outras seleções não deram em 24 anos.”

Placar: O que você quer falar que ainda não tenha dito?
“Acho que já falei tudo. Só gostaria que as pessoas não acreditassem em tudo que se publica a meu respeito, contra e a favor. Não sou o diabo que pintam”.

Placar: Mas a unanimidade em torno de sua convocação foi impressionante, e você ainda acha que sua imagem é ruim?
“Talvez agora não esteja sendo. Mas tenho consciência de que só estou aqui porque o Muller não pôde jogar contra o Uruguai. Deus não faz nada por nada. Se ele joga e o Brasil ganha, ou nem me chamariam mais, ou eu estaria aqui como o Viola: se der para jogar, joga, se não der, não joga”.

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Escolhido o árbitro da final

A Fifa confirmou a arbitragem na decisão da Copa do Mundo para o húngaro Sándor Puhl. O juiz de 39 anos foi escolhido após uma reunião entre João Havelange, presidente da Fifa; Joseph Blatter, secretário-geral da entidade; e o escocês David Will, presidente da comissão de árbitros. Puhl havia sido bastante criticado após o Itália 2×1 Espanha das quartas de final, especialmente por não ver a cotovelada de Mauro Tassotti em Luis Enrique. Não puniu o italiano com cartão, não marcou o pênalti e sequer relatou a agressão em seu relatório. Enquanto Luis Enrique teve o nariz quebrado, o italiano pegou gancho posterior de oito partidas.

A seleção da Copa

Antes que a decisão da Copa acontecesse, a Fifa resolveu divulgar sua seleção ideal da competição. O time era composto por: Preud’Homme, Jorginho, Márcio Santos, Maldini; Dunga, Balakov, Brolin, Hagi; Roberto Baggio, Stoichkov e Romário. Receberam menção honrosa: Bebeto, Klinsmann, Yekini, Bergkamp, Goicoetxea, Belodedici, Lalas, Ravelli e Redondo. A votação tinha sido feita por um júri técnico, que incluía ex-treinadores.

Brasil à espreita para o segundo tempo

Carlos Alberto Parreira tinha uma estratégia traçada para encarar a Itália na final da Copa do Mundo. A intenção era manter o alerta máximo na defesa e conter o ímpeto dos italianos durante o primeiro tempo, quando os adversários estivessem descansados. A pressão na semifinal contra a Bulgária aconteceu justamente neste período, ainda que as vitórias sobre Nigéria e Espanha só tenham ocorrido nos minutos finais. O treinador pretendia preservar a posse de bola. Já no segundo tempo, aproveitando o desgaste dos oponentes, o comandante prometia sair ao ataque. “É claro que vamos tentar decidir logo no início. Mas temos que ter paciência. Se for preciso, vamos para a prorrogação ainda com fôlego”, apontou Mazinho. Dos 11 gols do Brasil na campanha, nove tinham saído no segundo tempo.

Parreira rumo ao Valencia

A decisão da Copa seria a última partida de Parreira à frente da Seleção. O comandante assinara contrato com o Valencia às vésperas da final. Parreira era especulado para substituir Arthur Jorge no Paris Saint-Germain, mas a ausência de Valdo na convocação (destaque do clube parisiense) azedou a relação com a torcida e com a diretoria. O Valencia se tornou outra alternativa e, depois de declarar na semana anterior que “a negociação estava bem encaminhada”, o acordo foi confirmado na antevéspera da final. O preparador Moraci Sant’Anna, que também trabalhava no São Paulo, acompanharia Parreira.

O porquê de Zagallo, não Luxa

Por outro lado, o jornal O Globo apontava que Zagallo deveria assumir a Seleção até dezembro de 1995. Ficaria ao menos até o final do mandato vigente de Ricardo Teixeira na presidência da CBF – que cogitava não concorrer à reeleição. Vanderlei Luxemburgo era o favorito da crítica e de outros funcionários da entidade, mas Teixeira não via motivos para anunciar a escolha de um técnico de prestígio. Além disso, algumas conversas com o presidente palmeirense Mustapha Contursi, que foi chefe de delegação na Copa, brecaram os planos. O cartola criticou muito o comportamento de Luxemburgo, especialmente pelas divergências com Edmundo, e o considerava uma pessoa teimosa. Só continuava no Palmeiras por causa dos títulos, conforme a apuração do jornal.

O apoio do basquete

Em 12 de junho, o Brasil conquistou seu maior feito no basquete feminino. O esquadrão de Hortência, Paula e Janeth se sagrou campeão mundial, em troféu erguido na China. E o treinador daquela geração espetacular, Miguel Ângelo da Luz, ofereceu o seu apoio ao time de futebol masculino. Ele escreveu uma carta a Parreira. “Ele descreveu os momentos que passou, quando seu trabalho era desacreditado”, contou o técnico, dizendo-se emocionado com a lembrança.

Márcio Santos mira alto

Destaque na defesa da Seleção, Márcio Santos deu uma longa entrevista à Folha, em que falava sobre o bom momento e as perspectivas com o possível título da Seleção: “Tudo na minha vida mudará com o título. Ser campeão do mundo é importante para qualquer brasileiro, imagine para quem joga. Profissionalmente, as coisas mudam da água para o vinho. Tenho mais dois anos de contrato com o Bordeaux. Mas acho difícil continuar lá, mesmo com o bom ambiente que tenho. Acho que, se for campeão, as propostas vão chover. Gostaria de ir para a Itália ou para a Espanha. O Campeonato Francês é pouco divulgado”.

Taffarel não parecia otimista

Em conversa com O Globo, Taffarel falou sobre a freguesia nos confrontos com Roberto Baggio: “Sou freguês de caderno do Baggio. Vivo levando gols dele no Campeonato Italiano. É difícil. Meus times jogam fechados e ele é muito técnico, chuta colocado e com uma pontaria impressionante. Eu ainda jogava no Parma e perdemos de 4 a 0 para a Juventus. Ele fez dois golaços, não é mole”.

Viola, o personagem

Nota da Folha de S. Paulo: “Mesmo na reserva, Viola é muito bem humorado. Anteontem, entretanto, estava irritado. ‘Andaram falando que eu paguei US$1000 para sair com mulheres aqui. Que é isso, meu? Eu sou o maior pão-duro. Eu dou 10 para minha mãe e ela faz uma puta feira’, disse na saída do treino”.

Ronaldo, o sucessor

Romário, que cogitava sua aposentadoria precoce dois anos depois da Copa, já tinha escolhido o seu sucessor rumo a 1998: Ronaldo. O garoto de 17 anos agradecia o apoio do Baixinho: “Romário é inteligente e sempre me diz qual a melhor maneira de fugir dos zagueiros. Esta Copa serviu como experiência. Se não joguei nenhuma partida, pelo menos conheci a tensão de se disputar um Mundial. Espero poder corresponder às expectativas de Romário e fazer uma grande Copa em 1998”.

Cruyff admite sua torcida ao Brasil

Na coluna diária à Folha de S. Paulo, Johan Cruyff anunciava sua torcida à Seleção: “Que ganhe o Brasil. De forma clara e sem qualquer dúvida. Nunca mostrei tão abertamente minhas preferências, mas agora é diferente. Acho que a seleção brasileira jogou esta Copa contra todos. Só a Holanda, em alguns momentos, aderiu à ideia de ganhar jogando no ataque. De resto, nada. Muitos zagueiros, só um atacante. Só organização defensiva, muita especulação e muito medo. Por isso desejo a vitória dos brasileiros na final. Eles buscaram a vitória sempre. Não posso discutir com quem crê que o futebol é apenas assistir à bola chegar. Estes são incapazes de atacar e criar ocasiões de gol. O futebol não é só conservar a bola ou escondê-la. O futebol é manter o controle para buscar o gol. Só o Brasil fez isso. E, por isso, agora que o título está em jogo, quero que ganhe esta opção pelo futebol-espetáculo”.

“Todos se lembram que a Holanda em 74 ou o Brasil em 82 deram espetáculo, mas acabaram perdendo. Para alguns, isso não serviu para nada. Discordo totalmente. Na história das Copas, essas duas seleções, derrotadas, são recordadas tanto ou mais que a seleção vitoriosa. E se lembram delas porque ofereceram o melhor futebol e cativaram os que amam este esporte. Se a Itália conseguir o título, a estatística dirá que venceu em 94, mas a história recordará que o Brasil foi o melhor”, complementou.

“Sou exigente, mas acho que a torcida brasileira exagera. É curioso, mas Carlos Alberto Parreira, criticado antes e durante a Copa, foi quem conseguiu o equilíbrio total nesta seleção. É certo que poderia jogar mais ofensivamente, mais bonito, mas há momentos em que as exibições custam. Neste Brasil talvez falte individualidades. Eu gostava mais do jogo de Zico, Sócrates e Falcão do que do meio-campo atual, mas o sacrifício desses jogadores colocou o Brasil à beira do título. Se os dois finalistas jogarem como fizeram até agora, não haverá surpresas. As chances italianas se limitam à genialidade de Roberto Baggio, o que não é muito. Quando acabar a força física da Itália, paciência, muita paciência. Os brasileiros não têm de fazer nada especial, só jogar seu futebol. O único futebol da Copa”, finalizou.

Telê Santana antevê o cerco a Romário

Também em sua coluna à Folha, Telê Santana falava sobre a atenção especial que Romário deveria receber na final: “Por outro lado, penso na Seleção e vejo que ela continua dependendo exclusivamente de Romário para chegar ao gol. É pouco. A seleção deveria ter preparado um repertório maior de jogadas. O que aconteceria se os italianos – que são implacáveis marcadores – anulassem Romário no jogo de amanhã? Tivemos o exemplo recente de Milan e Barcelona, quando Romário, marcadíssimo, não fez rigorosamente nada. Deverá ser uma grande final. Que a seleção brasileira cumpra a grande atuação que nos deve. E que Romário possa livrar-se da marcação italiana. Mais do que votos, uma torcida”.

Baggio, 50% de chances

A Itália continuava afirmando que Roberto Baggio tinha 50% de chances de disputar a final da Copa. O jogador passava por uma série de tratamentos para o seu estiramento na coxa: de remédios a relaxamento muscular, de aplicações a laser até uma possível infiltração anestésica. Com isso, Baggio deveria entrar apenas no segundo tempo. Já Franco Baresi, retornando de um rompimento de menisco que o levou à mesa de cirurgias durante o Mundial, deveria figurar entre os titulares. “Não me preocupa o joelho, mas o fôlego de Baresi, que perdeu ao menos duas semanas de treino regular”, apontou Arrigo Sacchi.

Pagliuca fala sobre Romário

À Folha, Pagliuca também comentava sobre a maneira como Romário inspiraria cuidados redobrados à defesa italiana: “Lógico que se trata de um jogador excepcional, mas ele vai se perder na marcação da nossa defesa. Na decisão da Copa dos Campeões, Romário só conseguiu dar um chute ao gol, porque sofreu uma marcação precisa de Galli. Ele vai ficar novamente encurralado. É o jogador mais habilidoso da Copa, mas não se sai bem contra uma boa marcação”.

Maldini se prepara à missão

Ao jornal O Globo, Maldini também analisava a marcação sobre o craque brasileiro: “Teremos de encurtar o espaço de Romário e também de Bebeto. Não deixar que a bola chegue a eles, com forte pressão no meio-campo. Se Romário driblar, fica fácil”.

Sacchi avalia a final

“Baggio é uma super-estrela e sem dúvida sua ausência é sentida. Mas o time já está preparado para enfrentar o Brasil. Nosso time tem uma vantagem: a inteligência dos jogadores, que souberam se adaptar sem dificuldades aos problemas. Nossa grande virtude é saber transformar derrotas em vitórias”, afirmou Arrigo Sacchi, treinador da Itália. “Parreira sofreu muitas críticas, mas, como eu, conseguiu realizar um bom trabalho, mantendo uma unidade de grupo. Até o Milan, se estivesse disputando a Copa sob esse forte calor, teria problemas e não conseguiria jogar pressionando. O Brasil já mostrou que não joga sob o talento só de Romário e Bebeto. O time sabe dividir funções, o que deve exigir nossa preocupação”.

Paolo Rossi compara o Brasil de 1982 ao de 1994

Em entrevista à Folha, Paolo Rossi falou sobre o passado e o presente do Brasil x Itália: “O Brasil teve uma grande infelicidade naquela Copa: cruzar com a Itália (risos). Acho que aquele time era muito bom, ainda melhor que o atual, mas era uma equipe presunçosa, pouco humilde. Só queria vencer, sem mostrar a menor preocupação com o adversário. Acho que, se o time brasileiro de hoje é menos espetacular, em compensação é muito mais determinado e atento. Isso é fundamental para um Mundial. Diria que o Brasil de hoje joga de uma forma mais europeia, e isso compensa um nível técnico que, embora seja muito alto, não é semelhante àquele de 1982. Repito: a atual equipe brasileira é muito perigosa, pois tem determinação, atenção e humildade. Acho interessante ver o Brasil novamente em uma final. Espero um grande jogo neste domingo”.

Zico também olha ao passado

Já no jornal O Globo, quem traçava os paralelos era Zico: “Aquele time jogava bonito mesmo, me orgulho disso. E só pode jogar bonito quem sabe. Se botarem aquele time nas mãos do Parreira, com este mesmo esquema tático, ia jogar bonito também. Tinha craques que não sabiam jogar de outro jeito. Dizer que perdemos da Itália por causa disso é bobagem. […] Essa seleção joga um futebol que o treinador julga mais adequado, um futebol de resultados, sei lá, como que se queira denominar. O Parreira conhece a qualidade dos jogadores que tem nas mãos e armou o time dentro de uma concepção tática que julga correta. Ele está certo. Os resultados provam isso […] Não vou me sentir vingado coisa alguma, não fico lamentando o passado. Vou me sentir como todo brasileiro que gosta de futebol, se a Seleção ganhar. Ficar feliz em ver meu país tetracampeão”.

Pelé e o favoritismo da Colômbia

Entrevistado pelo O Globo, Pelé se mostrava irritado com as brincadeiras sobre seu palpite de que a Colômbia era favorita antes da Copa, o que não se concretizou: “Já virou moda interpretarem minhas palavras sempre pelo que não acontece. Eu disse e confirmo: a seleção colombiana era, ao lado de Brasil, Itália e Alemanha, uma das favoritas para chegar à final. A Alemanha, surpreendentemente, está fora e não houve comentários jocosos sobre minha opinião. Brasil e Itália estão disputando o título e também esquecem esse meu prognóstico”, declarou, ainda elogiando Parreira. “Parreira é o craque da Seleção. Ele optou por um esquema tático que, embora tivesse sido muito criticado na sua concepção, era o melhor para chegar à disputa do título. E o Brasil, felizmente, está decidindo o tão sonhado tetracampeonato”.

Facchetti analisa as mudanças do futebol

Giacinto Facchetti, grande lenda da seleção italiana, deu uma entrevista ao jornal O Globo, em que analisava as transformações do esporte. Nem ele, um defensor histórico, aprovava os defensivismos: “O futebol hoje é mais defensivo, mais tedioso, chato de ver. Essa é uma tendência que já dura alguns anos e que, no fundo, não se pode dizer que esteja errada: os técnicos acham que vale o resultado, não interessa como ele seja obtido. É uma coisa prática, mas que mata o futebol e assusta aqueles que, como eu, gostam do esporte. Todos os times entram em campo para não tomar gol, com oito ou nove na defesa e jogando de contra-ataque, usando um, dois ou no máximo três jogadores. A Itália e o Brasil jogam assim”.

A decisão do terceiro lugar

Antes da decisão do terceiro lugar, Suécia e Bulgária tinham visões bastante distintas sobre o jogo. Os suecos criticavam, enquanto os búlgaros viam uma oportunidade histórica. “Esse jogo não interessa a ninguém, só à Fifa, para que ganhe mais dinheiro”, dizia o capitão sueco Jonas Thern, que estaria suspenso. Já o técnico Dimitar Penev apontava que a Bulgária estaria “completa e com vontade de vencer”. Depois do jogo, a impressão seria justamente a oposta.