Até 17 de julho, resgataremos aqui na Trivela os jogos, as histórias e os personagens da Copa do Mundo de 1994. Confira o diário deste 4 de julho, baseado principalmente nos relatos da imprensa brasileira da época:

A vez de Mazinho

Na véspera da partida contra os Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira confirmara a entrada de Mazinho no lugar de Raí. Não poupava elogios ao novo titular, que havia atuado bem durante o segundo tempo do jogo contra a Suécia, no lugar de Mauro Silva. “Eu tinha que aproveitar a excelente fase técnica de Mazinho. Com Mazinho, espero mais toques de bola, ataques mais eficientes pelos lados do campo e mais força na chegada ao ataque. Tinha que haver um lugar para ele no time”, apontou o comandante.

Além disso, o técnico sabia que o confronto com os Estados Unidos seria um teste para a paciência e para a resistência da seleção brasileira, diante do estilo dos adversários: “Ninguém na Copa do Mundo jogará tão na retranca quanto os americanos. Se eles saírem mais, é bem possível que uma goleada aconteça. Mas os americanos mais abertos é sonho. Vamos ter que sonhar pra caramba. Bota sonho nisso”.

Uma seleção multicultural

A seleção dos Estados Unidos na Copa de 1994 se tornou um dos melhores exemplos do caráter multicultural que dominou os elencos nos Mundiais a partir de então. Dos 22 jogadores convocados por Bora Milutinovic, cinco tinham origem hispânica, mais que dobrando o percentual de representação na população americana da época. Hugo Pérez nasceu em El Salvador e Tab Ramos era de Montevidéu, ambos desembarcando nos EUA durante a infância. Fernando Clavijo também era uruguaio naturalizado, embora tenha se mudado para jogar profissionalmente na antiga NASL. Já os pais de Marcelo Balboa e de Claudio Reyna eram argentinos, mas seus filhos nasceram em território americano.

Os Estados Unidos também contavam com alguns jogadores nascidos na Europa. Thomas Dooley era alemão e Earnie Stewart, holandês, ambos filhos de militares americanos, mas com mães nativas. O reserva Frank Klopas nasceu na Grécia e imigrou com oito anos – mesmo país de onde viera o pai de Alexi Lalas. E, além disso, ainda havia o exemplo de Roy Wegerle, que nasceu na África do Sul, mudou-se para os Estados Unidos durante a adolescência e ganhou a cidadania após o matrimônio com uma esposa americana.

Brasil 1×0 Estados Unidos: Eliminados em 4 de julho

O Estádio de Stanford não se preparou apenas a um jogo decisivo de Copa do Mundo. Aquele também era um evento patriótico em pleno feriado nacional mais importante dos Estados Unidos. Apesar das limitações, a seleção americana tinha um motivo a mais para buscar a surpresa contra o Brasil. Realmente, Bora Milutinovic adotaria uma estratégia bem precavida. Preferiu não se expor e tentar explorar os erros, como já tinha feito na vitória sobre a Colômbia. Mas se o Brasil não concedeu atrás, teve uma dupla que fez a diferença na frente: Romário e Bebeto. O gol mais famoso da parceria aconteceu ali, naquele duelo pelas oitavas de final, resolvendo uma dificílima vitória por 1 a 0. As críticas prevaleciam, mas o time sobrevivia.

O primeiro aviso ao Brasil aconteceu aos 11 minutos. Dooley recebeu com liberdade no lado direito e cruzou rasteiro, em direção à pequena área. Taffarel não alcançou a bola, que passou por todo mundo sem que ninguém completasse. O Brasil vivia um início errante, novamente sofrendo com a falta de ligação e de velocidade no meio-campo. Também indicava uma dose de nervosismo. Somente a partir dos 22 minutos é que empilharia chances, mais na base do abafa e das bolas paradas. Os americanos, apesar disso, pareciam estar com o corpo fechado. Aldair desperdiçou um lance na pequena área, enquanto Bebeto emendou um voleio que lambeu a trave. Além do mais, os impedimentos travavam o ataque canarinho.

Leonardo era um dos mais acionados na partida até então. O lateral aparecia bastante no apoio pela esquerda e forçou uma defesa de Tony Meola, em chute cruzado. Entretanto, protagonizou o momento máximo de destempero aos 43 minutos. Em uma disputa na lateral com Tab Ramos, o americano tentou dar uma caneta de letra. O camisa 16 deteve a bola, mas também segurou o americano e desferiu uma cotovelada covarde. Ramos convulsionou, em cena extremamente forte. O cartão vermelho era mais do que necessário e renderia uma suspensão a Leonardo até o final do Mundial.

Apesar da confusão, Romário quase abriu o placar antes do intervalo. Arriscou da entrada da área e carimbou a trave de Meola. Já para o segundo tempo, Parreira não faria mudanças. Apenas deslocaria Mazinho para a lateral esquerda, cumprindo sua antiga função na carreira. Enquanto isso, Bora Milutinovic contaria com Eric Wynalda, titular no começo da campanha, mas que não exibia suas melhores condições físicas. Era um jogador de características diferentes às de Tab Ramos, até então o principal condutor do meio-campo americano.

Mesmo com um homem a menos, o Brasil continuava mais perigoso que os Estados Unidos. O meio-campo com três jogadores era suficiente para segurar os americanos. Além disso, Romário e Bebeto se tornaram um pesadelo constante à zaga adversária, após terem vida dura contra Lalas e Balboa na etapa inicial. O Baixinho, aliás, recuava para aproveitar os espaços e partir em velocidade. Faltava ter um pouco mais de sorte. Quando Jorginho cruzou e Romário definiu, Meola até desviou a bola, mas quem salvou mesmo foi Dooley, quase em cima da linha. Depois, a arbitragem anulou inexplicavelmente um gol legalíssimo de Romário, tocando por cobertura.

Os Estados Unidos buscavam incomodar com seus contra-ataques, mas paravam em uma grande atuação de Aldair e Márcio Santos, protegendo muito bem a defesa. De qualquer maneira, o relógio caminhava e o Brasil começava a sentir a pressão. Quando os americanos tentaram avançar um pouco mais em campo, aproveitando-se do desgaste, sobraram mais brechas ao ataque brasileiro. A partir de então, ninguém seguraria Romário e Bebeto. O Baixinho foi o primeiro a ter uma chance de ouro, ao driblar Meola, mas concluiu no lado de fora da rede. Só aos 27 é que ocorreu a maior declaração de amor do futebol brasileiro.

Cafu, que acabara de entrar no lugar de Zinho para atuar na lateral esquerda, iniciou a jogada ao roubar a bola. Romário recebeu na intermediária e conseguiu se livrar da marcação cerrada de Dooley. Quando Balboa trancava a porta, o Baixinho fintou e deu um tapa para o lado direito da área, onde Bebeto abria. “Faz Bebeto! Faz Bebeto!”. E, no momento em que Lalas já se aproximava, o camisa 7 deu o chute de primeira, de chapa, cruzado. O suficiente para passar sob o corpo do zagueiro, para sair do alcance de Meola e para beijar a lateral da rede, rente à trave. “Eu te amo”, foi a comemoração explícita de Bebeto, ao agradecer o presente de Romário.

Durante a reta final da partida, os Estados Unidos tentaram o empate, mas não tinham tanta qualidade para incomodar a firme defesa do Brasil. E qualquer esperança se diluiu aos 40, quando Clavijo recebeu o segundo amarelo e também foi expulso. No final, Romário até poderia ter anotado o dele. Venceu o duelo com Balboa e chutou forte de dentro da área, mas Meola realizou uma defesaça. Ficaria a história da vitória magra, que tornaria mais épica a classificação brasileira naquele 4 de julho, mesmo sem um grande futebol.

Com a palavra, Romário

“Tecnicamente, fomos mal. Ninguém mostrou tecnicamente nada neste Mundial, nem nós. Com os jogadores que temos, precisamos melhorar muito, se não quisermos passar pelo mesmo sufoco de hoje. Nós mesmos sabemos que está faltando mais alguma coisa. Se com esse futebol pobre ninguém ganhou de nós, imagina se melhorarmos… Gostei de ter dado o passe para Bebeto marcar. Foi como se eu tivesse feito o gol. E esse gesto do Bebeto na comemoração, sem dúvida, me tocou bastante. Provou que vivemos numa família, que estamos todos unidos em busca do mesmo objetivo”.

Com a palavra, Bebeto

“Não podia ser de outra maneira. Eu já havia perdido um gol no primeiro tempo. No segundo, quando o Baixinho me lançou, só tive o trabalho de tocar para as redes. Que emoção! Ainda deu para falar ‘eu te amo’ depois do gol.  Vencer com menos um jogador, com um sol terrível daquele e dentro da casa do adversário tem que ser levado em conta. Como o gol custou a sair, o adversário ficou ainda mais na defesa. Felizmente, no segundo tempo, criamos mais lances devido à movimentação de Romário. Ele sempre estava pronto a trabalhar na armação. Aos poucos tivemos a certeza que a chance iria surgir. E surgiu. Por isso, não poderia perder o passe de Romário de forma alguma. Deus me ajudou. E vai continuar ajudando. Agradeço a ele e a Romário por tanta felicidade”, comentou, ao Jornal do Brasil.

Com a palavra, Bora Milutinovic

“A disciplina tática da nossa equipe foi impressionante. Eu estou feliz. Absolutamente orgulhoso por essa equipe. Tenho certeza que o futebol tem futuro neste país. No segundo tempo, a disciplina se manteve. Mas não tínhamos mais o homem certo no lugar certo, Tab Ramos. Eu também precisei tirar Hugo Pérez por cansaço. Ali, realmente comecei a perder o jogo. E aí, Bebeto e Romário mostraram o seu valor”

Descontrole do capitão

Durante a saída de campo em Stanford, Müller abordou Parreira. A impressão dos jornalistas foi que o atacante reserva, ainda sem participar do Mundial, teve uma discussão com o treinador. Segundo Müller, na época, foi “uma conversa sobre coisas do jogo”. Enquanto isso, o capitão Dunga externou sua fúria. Ao entrar no vestiário, gritou para um grupo de jornalistas: “Falem bem agora, seus filhos da puta”. Precisou ser retirado pelo chefe de segurança da Seleção.

Zagallo empolgou

“Brasil e Alemanha na final são favas contadas. Não vou deixar nunca de falar que ninguém vai nos tirar a vitória final contra a Alemanha. Tenho dito e repito que esta será a final. Ninguém vai nos tirar o tetra, ninguém vai nos tirar. Essa vitória contra os EUA dará, tenham certeza, personalidade e moral para a equipe buscar o tetra”, afirmou Zagallo, após a partida.

A alegria de Cafu

“O Cafu é o talismã da Seleção. Entrei e o time desencantou. Sei que Branco é o reserva imediato de Leonardo, mas entrei e mostrei que sou pé quente. Um beijo para a Regina e para os meninos. Estou realmente muito feliz por ter estreado numa Copa do Mundo e o Brasil ter conseguido nesse jogo chegar às quartas. Aí, pessoal, o Cafu não decepcionou!”, falou, realmente em terceira pessoa, o lateral.

A fratura de Tab Ramos

Tab Ramos precisou ser levado imediatamente ao hospital, após a cotovelada desferida por Leonardo. O meio-campista sofreu uma fratura no osso parietal, na região acima da orelha. Segundo o assistente técnico americano, Steve Sampson, Ramos ficou tonto no vestiário e chegou a perder a consciência. Ele passou a noite em observação no centro médico da Universidade de Stanford. Segundo os relatos do Jornal do Brasil, Leonardo estava “inconsolável e mostrava o desejo de visitar o americano”.

A leitura de jogo de Cruyff

“Uma ou outra vez repeti que o Brasil sabe levar o ritmo do jogo, mas a seleção de Parreira tem uma carência dramática na hora de refletir no placar o seu domínio. É incrível, mas o Brasil depende tanto de Romário que me atreveria a dizer que, sem ele, esta grande seleção nem chegaria a assustar. Já sei que Romário não foi o autor do gol contra os Estados Unidos. Mas foi ele que fabricou, deu-lhe forma e o serviu de bandeja a Bebeto”.

“A verdade é que o Brasil arriscou seu futuro neste campeonato até limites inimagináveis. Não apertou os EUA e essa foi uma vantagem para o adversário, bem preparado fisicamente e acostumado a correr e a pressionar. O Brasil, pela primeira vez, foi uma equipe que especulou demais sobre a sua superioridade e esteve a ponto de pagar muito caro por isso. Com a expulsão de Leonardo, parecia que a surpresa era possível. Mas que surpresa que nada. Apareceu Romário e acabou a partida”, escreveu Johan Cruyff, em sua coluna na Folha de S. Paulo.

A leitura de jogo de Telê

“A seleção brasileira foi melhor, criou algumas jogadas de ataque, marcou um gol, classificou-se. Acho que foi o bastante. Teve, também, muita raça. É importante que um time dispute a Copa com coração. Raça, porém, não basta. Coração ajuda, mas não é tudo. Precisamos melhorar daqui para frente. Não compreendo por que nossos jogadores estão tão nervosos. […] A vitória pode ter dado para o gasto, mas não gostei da seleção do ponto de vista tático. Parecia que não tínhamos um conjunto, não tínhamos sentido de equipe. Ainda não jogamos metade do que podemos jogar. Tática e tecnicamente. […] Precisamos dar mais liberdade aos homens que atuam à frente de Mauro Silva. Nossa defesa jogou bem, não teve problemas. Logo, não é preciso armar barreiras contra times como os EUA”, escreveu Telê Santana, em sua coluna na Folha.

As notas da partida, segundo o Jornal do Brasil

Uma Holanda em constante mudança

A Holanda se classificou aos mata-matas e tinha certo renome na Copa do Mundo de 1994, mas era outro claro exemplo de time que não convencia. Dick Advocaat realizava diferentes mudanças, que não necessariamente surtiam efeitos. Por isso mesmo, o embate contra a Irlanda teria novas adaptações. O comandante prometia mais meio-campistas, para encarar um adversário forte na defesa. Havia uma cobrança para que deixasse de escalar três defensores.

Além do mais, as rusgas com Frank Rijkaard se tornaram públicas. Fora de sintonia nos dois primeiros compromissos, o craque terminaria barrado contra Marrocos, mas retornou contra os irlandeses. “Somos a única equipe do mundo que joga com três defensores, o único time que gosta de complicar a própria vida”, declarou o veterano, sem muitos receios. De fato, Advocaat usaria uma linha de quatro a partir de então.

O Homem de Gelo derretia

Outro insatisfeito com a situação da Holanda era Dennis Bergkamp, bastante questionado por seu baixo rendimento na fase de grupos. O jovem atacante falava sobre o calor e o peso da responsabilidade, mas também reclamava da formação: “Há grandes espaços vazios porque os volantes são obrigados a voltar para ajudar a defesa. Com isso, fico isolado entre os zagueiros. Sozinho no ataque, fui obrigado a correr mais do que devia. E, com o forte calor, minha resistência acabou rapidamente”.

Um gigante no banco irlandês

Jack Charlton pouco ligava para as críticas ao seu time. Sabia das limitações e do que precisava realizar. Por isso mesmo, seu mantra continuava para encarar os holandeses: “A Irlanda sempre é apontada como um time defensivo, mas todos os adversários sentem medo do nosso estilo. Nossa tática é jogar nos erros do adversário. Assim, durante a partida, vou indicar ao time a forma de jogar, ao acompanhar o trabalho de Advocaat”.

O que importava aos irlandeses eram os resultados. E o treinador se tornou o grande responsável por criar uma seleção competitiva naquele período. Classificou a seleção para sua primeira Eurocopa e também para as suas duas primeiras Copas do Mundo, presente nos mata-matas em ambas. Tantas façanhas tornavam Charlton um personagem queridíssimo no país, algo expresso pelos torcedores. Durante o jogo contra o México, o comandante se irritou com as decisões da arbitragem e recebeu uma multa de US$15 mil da Fifa. Para que o inglês não a pagasse do seu bolso, a torcida irlandesa se mobilizou e juntou US$150 mil ao redor do país. Jack insistiu em pagá-la, mas aproveitou o dinheiro para doar a instituições de caridade.

Holanda 2×0 Irlanda: A afirmação laranja

A Holanda jogou como Holanda no Citrus Bowl. Dick Advocaat escalou o time no 4-3-3, com Aron Winter e Frank de Boer fazendo as laterais. Além disso, Frank Rijkaard era o esteio no meio-campo. Seria finalmente uma atuação convincente da Oranje, especialmente pelo bom primeiro tempo, em que a equipe soube romper a defesa da Irlanda. O time de Jack Charlton seguia com suas limitações e, diante da desvantagem, o jogo pelo alto pouco ajudaria a recobrar o prejuízo. Ao final, o triunfo por 2 a 0 colocaria os holandeses no caminho do Brasil rumo às quartas de final – o triunfo brasileiro aconteceu horas depois.

A Irlanda até causou certo incômodo durante as primeiras ações do jogo, mas a Holanda conseguiu inaugurar o placar com somente 11 minutos. Terry Phelan errou um recuo de cabeça e permitiu que Marc Overmars disparasse pela direita. O ponta chegou à borda da área e apenas rolou para que Bergkamp completasse. O jogo pelas pontas era o melhor caminho aos holandeses, mesmo que faltassem chances mais claras. Já os irlandeses não iam muito além em seu repertório, dependentes das bolas paradas e dos chutes de longe.

Antes do intervalo, a Holanda garantiu a tranquilidade com o segundo gol. Um tento que contou com erros fatais da Irlanda. Wim Jonk teve liberdade para avançar pelo meio e arrematou de longe. Era um chute forte, mas que veio no centro do gol e deveria ser facilmente defendido pelo experiente Packie Bonner. Com a mão mole, o goleiro deixou a bola passar e engoliu o frango.

Já durante o segundo tempo, a Oranje controlou bem a partida em sua defesa, neutralizando os chuveirinhos dos irlandeses. Na melhor chance, Ray Houghton tentou a cabeçada na linha da pequena área, mas mandou para fora. Também houve um tento anulado no fim, em que Paul McGrath chapelou Rijkaard e mandou para as redes, mas o árbitro assinalou um pé alto na jogada do zagueiro. Os holandeses não foram tão insistentes, mas criaram ocasiões suficientes para almejar o terceiro. Bergkamp e Bryan Roy pararam em boas defesas de Bonner nos 20 minutos finais, enquanto este ainda isolou um rebote limpo dentro da área. Nada que tirasse a análise positiva sobre a classificação.

Com a palavra, Dick Advocaat

“Não apresentamos nenhum erro dos outros jogos. A Irlanda não teve nenhuma chance no primeiro tempo e, no segundo, quando tentou impor sua pressão, não encontrou o espaço necessário. Soubemos dosar a energia, atacando muito no primeiro tempo, quando deveríamos fazer os gols que nos dariam a vitória. Feito isso, seguramos mais a bola, obrigando o adversário a correr mais. O segredo neste calor é saber dosar a energia de uma maneira melhor que o adversário. Os jogos da Copa do Mundo têm mostrado que os últimos minutos também são decisivos”.

Com a palavra, Jack Charlton

“Os rapazes fizeram tudo o que podiam. Os holandeses jogaram muito rápido. Eles nos pressionaram mais do que eu esperava. Por isso, mereceram vencer. Felizmente, os holandeses sabem fazer boas festas. Mesmo com a derrota, vou me divertir muito hoje à noite”.

As investigações sobre Andrés Escobar

A morte de Andrés Escobar seguia como um dos principais assuntos da imprensa. E, mesmo com a prisão dos primeiros suspeitos (que seriam os culpados), as teorias sobre o caso eram levantadas. A polícia sustentava a versão de que o assassinato aconteceu em uma briga de rua. Já o jornal La Prensa, de Bogotá, informava que o Cartel de Medellín teria assumido a autoria do crime – o que nunca foi comprovado. O periódico teria recebido uma fita com ameaças a Escobar. O conteúdo apontava para o dinheiro perdido em apostas. Humberto Muñoz, autor dos disparos, disse que não sabia quem era Andrés Escobar no momento do crime.

O árbitro arrependido

Responsável por apitar o Alemanha 3×2 Bélgica, em uma das melhores partidas da Copa, o árbitro Kurt Roethlisberger assumiu o erro cabal que cometeu durante o segundo tempo. Quando os alemães ainda venciam por 3 a 1, ele negou um pênalti claro sobre o atacante belga Josip Weber. Poderia ter antecipado a reação dos Diabos Vermelhos. “Os belgas tinham razão. No campo, vi a cena a uns 25 metros de distância. No momento crucial, dois jogadores encobriram minha visão. Tomei uma decisão intuitiva”, admitiria, em carta enviada à imprensa suíça. A falta ainda deveria render a expulsão do zagueiro Thomas Helmer.

Uma cena de guerra depois da festa

A vitória do Brasil sobre os Estados Unidos terminou em confusão em Curitiba. Depois da partida, um trio elétrico passou a circular no Batel, famoso bairro da boemia na capital paranaense. Moradores acionaram a polícia para retirar o veículo. Em resposta, foliões passaram a atirar pedras contra policiais militares, que reagiram com bombas de gás lacrimogênio. Também foram registrados saques a lojas. A polícia calcula que 2 mil pessoas estavam no tumulto, enquanto 200 homens da tropa de choque foram enviados ao local. Ao todo, 20 pessoas ficaram feridas.

Paz nos microfones

O jogo entre Brasil x Estados Unidos serviu para selar a paz entre Galvão Bueno e Pelé. No compromisso anterior, imagens do narrador criticando o comentarista vazaram no país através de parabólicas. Trataram de passar uma borracha sobre o assunto. “Falaram que eu queria brigar contigo”, apontou Galvão, no ar. Ao que Pelé respondeu: “Fora do campo, a gente briga. Mas, dentro, batemos bola juntos”. O discurso foi selado com um abraço.