São 211 países filiados à Fifa e cada um deles tem seu torneio nacional, em diversas divisões, algumas copas, mais competições continentais ou regionais. Todos esses países multiplicados por todos esses campeonatos multiplicados por todos os jogos multiplicados pelos dez anos da última década dão mais ou menos um quatrilhão de partidas de futebol das quais tivemos a pretensão de chegar a uma lista com dez.

Dando sequência às nossas seleções de melhores da década, que pode ter começado em 2010 ou 2011 dependendo da sua preferência, não somos autoritários com a matemática, pedimos ao nosso colégio eleitoral que elegesse os cinco melhores jogos desse período, em ordem de preferência. Pontuamos do primeiro ao quinto (10, 6, 4, 2, 1, bem Fórmula 1 das antigas) e chegamos à classificação final.

Essa foi a categoria mais apertada, que mais houve candidatos citados, e até por isso, há quatro duelos empatados em sétimo lugar com 14 pontos cada. Eles, portanto, não aparecem em ordem. Como toda lista, haverá polêmicas e fique à vontade na caixa de comentários para discordar ou acrescentar algum jogo que lhe marcou – dentro dos parâmetros civilizados de educação, por favor.

E não perca nos próximos dias as nossas listas de títulos mais marcantes, melhores times, técnicos e jogadores. O esquadrão ideal da década já foi formado e pode ser conferido aqui.

Colégio eleitoral

Felipe Portes – Revista Relvado
Mauro Beting – Esporte Interativo, UOL
Leandro Iamin – Central 3
Taynah Espinoza – Esporte Interativo
Nathalia Perez – Trivela
Mário Marra – ESPN, CBN
Renata Mendonça – Dibradoras
Bruno Formiga – Esporte Interativo
Leo Escudeiro – Trivela
Bruno Bonsanti – Trivela
Joshua Law –  Football Yellow
Douglas Ceconello – Impedimento, Globoesporte.com
Ubiratan Leal – ESPN, Trivela
Vitor Birner – ESPN, Central 3/Trivela
Paulo Júnior – Central 3
Felipe Santos Souza – Espreme a Laranja, Trivela
Victor Canedo – Globoesporte.com
Vitor Sérgio – Esporte Interativo
Matías Pinto – Central 3
Leandro Stein- Trivela
Felipe Lobo – Trivela

7º – Manchester City 4 x 3 Tottenham 

Data: 17/04/2019
Local: Etihad Stadium, em Manchester (Inglaterra)
Competição: Champions League 2018/19
Árbitro: Cüneyt Cakir (TUR)
Gols: Sterling aos 4’/1T e aos 21’/1T, Bernardo Silva aos 11’/1T e Agüero aos 14’/2T (City); Son aos 7’/1T e aos 10’/1T e Llorente aos 28’/2T (Tottenham)

Manchester City: Ederson; Kyle Walker, Kompany, Laporte e Mendy (Leroy Sané); Gündogan, David Silva (Fernandinho) e De Bruyne; Bernardo Silva, Sterling e Agüero. Técnico: Pep Guardiola

Tottenham: Lloris; Trippier; Alderweireld, Vertonghen e Rose (Davinson Sánchez); Wanyama, Sissoko (Llorente) e Alli; Eriksen, Lucas Moura (Ben Davies) e Son. Técnico: Mauricio Pochettino

Por estar muito fresca na memória e por ter realmente nos presentado com um punhado de jogos espetaculares, a Champions League de 2018/19 ganhou um espaço cativo nesta lista, com três representantes. O primeiro deles retoma a partida de volta das quartas de final, quando o Tottenham, mesmo sem Harry Kane, desafiou as probabilidades mais de uma vez para eliminar o Manchester City.

Após ter perdido por 1 a 0 o jogo de ida, o Manchester City igualou o marcador da eliminatória sem demora. Sterling recebeu de De Bruyne pela esquerda, abriu para a perna direita e bateu forte e colocado no canto de Lloris. Mauricio Pochettino tinha o desfalque de Harry Kane e, como costumava fazer nessas circunstâncias, deixou Son Heung-min mais adiantado, com efeitos devastadores.

Stones rebateu mal, e Son emendou da entrada da área para empatar. Três minutos depois, Eriksen o encontrou no bico esquerdo da grande área. Também com um chute colocado, mas alto, o sul-coreano virou a partida para o Tottenham, agora ganhando por 3 a 1 no agregado e obrigando o City a marcar três vezes para passar.

E a segunda virada da partida nem esperou o intervalo. Agüero encontrou Bernardo Silva livre pela direita da grande área, e ele encontrou a perna de Danny Rose que direcionou a bola às redes. De Bruyne tirou da cartola um brilhante cruzamento rasteiro que Sterling completou de primeira lá no outro lado da grande área: 3 a 2 para o Manchester City.

O Tottenham ainda passava pelos gols marcados fora de casa, mas outra estupenda jogada de De Bruyne deixou Agüero livre para bater forte e cruzado pela direita da grande área e colocar o City à frente na eliminatória. Só que o Tottenham teve um escanteio pela esquerda, cuja cobrança de Trippier passou por todo mundo. Llorente subiu meio de olho fechado e não conseguiu fazer nada de ativo. Marcou por acaso. E com o braço. O árbitro Cüneyt Çakir checou o assistente de vídeo e avaliou toque involuntário do centroavante. Foi antes de a regra mudar e passar a invalidar qualquer gol feito com a mão.

O jogo ficou cardíaco. O City buscava mais um gol, insistindo no jogo aéreo e esbarrando em Hugo Lloris. No terceiro minuto dos acréscimos, o recuo de Eriksen desviou e caiu com Agüero. Em vez de tentar outro gol milagroso, como sete anos antes contra o Queens Park Rangers – mais em breve -, ele rolou para Sterling, que limpou e colocou a bola além de Lloris. Explosão no Etihad Stadium. Classificação histórica. Outro milagre. Exceto que o assistente de vídeo encontrou impedimento de de Agüero no começo da jogada. O gol foi anulado. O Tottenham passou.

7º – Atlético Mineiro 1 x 1 Tijuana 

Data: 30/05/2013
Local: Estádio Independência, em Belo Horizonte (Brasil)
Competição: Libertadores 2013
Árbitro: Patricio Polic (CHI)
Gols: Réver, aos 40’/1T (Atlético); Riascos aos 25’/1T (Tijuana) 

Atlético Mineiro: Victor; Marcos Rocha (Josué), Réver, Leonardo Silva e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Tardelli e Ronaldinho; Bernard (Luan) e Jô (Alecsandro). Técnico: Cuca

Tijuana: Saucedo; Núñez, Ortíz (Fidel Martinez), Gandolfi e Edgar Castillo; Pellerano, Fernando Arce, Pablo Aguilar e Richard Ruíz (Marquez); Moreno (Bruno Piceno) e Riascos. Técnico: Antonio Mohamed

A Libertadores de 2013 foi diferente. Foi o primeiro título do torneio para o Atlético Mineiro e o maior de Ronaldinho Gaúcho no futebol brasileiro. Foi também o torneio que eternizou o Horto como palco de milagres e grandes viradas. O Galo chegou ao caneco sempre buscando o resultado em casa. Aconteceu assim nas oitavas de final contra o São Paulo, na semifinal contra o Newell’s Old Boys, na decisão contra o Olimpia e nas quartas de final diante do mexicano Tijuana, cuja segunda partida ganha destaque especial pelos seus contornos épicos.

O Atlético Mineiro havia arrancado um bom empate por 2 a 2 fora de casa. O gol de Riascos, aos 25 minutos do primeiro tempo, assustou, mas Réver tratou de igualar o marcador antes do intervalo. O 1 a 1 classificava os mineiros pelos gols marcados fora de casa e, com defesas de Victor e uma ajuda do travessão, perdurava até os 48 minutos do segundo tempo.

O Independência, porém, ficou incrédulo quando Leonardo Silva deu uma bicuda em Marquez, aos 47 minutos do segundo tempo. Pênalti para o Tijuana. A classificação garantida seria suplantada pela mais profunda decepção caso Riascos convertesse. Víctor era a última linha de defesa.

Riascos não bateu tão mal. Sabia que o goleiro pularia, então tentou acertar o meio. Mas não acertou tão no meio assim. A bola alta e meio para a esquerda encontrou o pé elevado de Victor. E Victor encontrou para si um lugar eterno na história do Atlético Mineiro.

7º – Manchester City 3 x 2 Queens Park Rangers

 Data: 13/05/2012
Local: Etihad Stadium, em Manchester (Inglaterra)
Competição: Premier League 2011/12
Árbitro: Mike Dean
Gols: Zabaleta aos 39’/1T, Dzeko aos 47’/2T e Agüero aos 49’/2T (City); Cissé aos 3’/2T e Jamie Mackie aos 21’/2T (QPR) 

Manchester City: Joe Hart; Zabaleta, Kompany, Lescott e Clichy; Barry (Dzeko), Touré (De Jong), Nasri, Tévez (Balotelli) e David Silva; Agüero. Técnico: Roberto Mancini

Queens Park Rangers: Kenny; Onuoha, Anton Ferdinand, Clint Hill e Taiwo; Shaun Derry; Joey Barton, Jamie Mackie e Shaun Wright-Phillips; Zamora (Jay Bothroyd) e Cissé (Armand Traoré). Técnico: Mark Hughes

O dinheiro dos Emirados Árabes já jorrava no Manchester City, algumas taças haviam chegado, mas o Campeonato Inglês ainda escapava. O jejum era longo, datava de 1967/68 e parecia que perduraria quando o time de Roberto Mancini venceu apenas uma vez entre a 28ª e a 32ª rodada. No entanto, uma arrancada nas cinco partidas seguidas combinada com três tropeços do Manchester United significou que os Citizens chegaram ao último fim de semana da Premier League em primeiro lugar e com vantagem no saldo de gols.

Um gol de Wayne Rooney aos 20 minutos do primeiro tempo contra o Sunderland assegurou que o City precisaria vencer o Queens Park Rangers para ser campeão. Tudo começou bem naquela manhã ensolarada de domingo quando Pablo Zabaleta abriu o placar para os anfitriões. Djibril Cissé, porém, empatou. Mesmo com um a menos, após a expulsão de Joey Barton, o QPR virou para 2 a 1, com um gol de Jamie Mackie.

Estava difícil para a torcida presente no Etihad Stadium acreditar que depois de tantos anos sem ser campeão inglês, depois de ter corrido atrás do prejuízo, o Manchester City deixaria escapar o título para o maior rival daquela maneira, perdendo em casa para um time da parte de baixo da tabela com um jogador a mais. Edin Dzeko, de cabeça, no segundo minuto da prorrogação, deu o primeiro fiapo de esperança.

Na metade do quarto minuto, Balotelli recebeu na entrada da área. Caído, conseguiu empurrar a bola na direção de Agüero. Um toque para limpar a marcação, um segundo toque para bater cruzado e marcar o gol do milagre. O gol do primeiro título inglês do City em mais de 40 anos. O gol que deixou o Manchester United desolado no outro canto da cidade.

7º – Flamengo 2 x 1 River Plate

Data: 23/11/2019
Local: Estádio Monumental de Lima (Peru)
Competição: Libertadores 2019
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
Gols: Gabigol aos 44’/2T e aos 47’/2T (Flamengo); Borré aos 14’/1T (River Plate) 

Flamengo: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão (Vitinho), Gérson (Diego), De Arrascaeta (Piris da Motta), Éverton Ribeiro e Bruno Henrique; Gabigol. Técnico: Jorge Jesus

River Plate: Armani; Montiel, Lucas Martínez, Pinola e Casco (Paulo Díaz); Enzo Pérez, Ignácio Fernández (Julián Álvarez), Exequiel Palacios e De La Cruz; Borré (Lucas Pratto) e Matías Suárez. Técnico: Marcelo Gallardo

A primeira final da Libertadores em jogo único. A primeira final de Libertadores do Flamengo em 38 anos. A chegada de Jorge Jesus havia sido o catalizador para transformarque o elenco imensamente talentoso do clube carioca em um super-time, que havia encaminhado tão bem o título do Campeonato Brasileiro que poderia ser campeão duas vezes em um mesmo final de semana – como acabou sendo.

O problema é que no outro lado do ringue em Lima estava o River Plate de Marcello Gallardo. Um clube tradicional, com histórico recente de sucessos, comandado por um treinador extremamente competente. A marcação alta dos argentinos causou problemas ao Flamengo que, aos 14 minutos, saiu perdendo graças a um gol de Rafael Borré, que foi ao encontro de um cruzamento da direita na região da marca do pênalti.

Ainda havia tempo. E havia qualidade. Mas o Flamengo não fazia um bom jogo. Esbarrava na marcação do River, não encontrava fluidez em suas jogadas e levou mais sustos do que gostaria. Melhorou um pouco no segundo tempo. Fez Armani trabalhar. Mas ainda estava longe de construir o volume de jogo pelo qual ficou famoso. O volume de jogo que precisava para ser campeão sul-americano.

Gallardo contribuiu. Aos 15 minutos do fim, colocou Lucas Pratto no lugar de Borré, uma troca que, na teoria, não parecia desastrosa como foi na prática. O ex-jogador do São Paulo entrou muito mal. Errou tudo e, em um desses erros, o Flamengo contra-golpeou. Bruno Henrique soltou Arrascaeta nas costas da defesa, e o cruzamento do urugaio encontrou Gabigol livre: 1 a 1, e a partida estava empatada.

O gol do artilheiro rubro-negro aos 44 minutos do segundo tempo já garantia contornos épicos à decisão. E quando, após um lançamento, ele ganhou de Pinola, ficou de frente para o gol de Armani e fuzilou com a perna esquerda, o épico se tornou histórico. O Flamengo se tornou campeão sul-americano com dois gols nos minutos finais. A coroação de um grande ano rubro-negro.

6º – Barcelona 5 x 0 Real Madrid

Data: 29/11/2010
Local: Camp Nou, em Barcelona (Espanha)
Competição: La Liga 2010/11
Árbitro: Eduardo Iturralde González (ESP)
Gols: Xavi, aos 9’/1T, Pedro aos 17’/1T, David Villa aos 9’/2T e aos 11’/2T e Jeffren aos 46’/2T (Barcelona) 

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué e Abidal; Busquets, Xavi (Keita) e Iniesta; Pedro (Jeffren), Villa (Bojan) e Messi. Técnico: Pep Guardiola

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Ricardo Carvalho, Pepe e Marcelo (Arbeloa); Khedira, Xabi Alonso, Di María, Özil (Lassana Diarra) e Cristiano Ronaldo; Benzema. Técnico: José Mourinho

Faltou a Copa do Rei, perdida para o Real Madrid com gol de Cristiano Ronaldo na prorrogação da final, para que o Barcelona repetisse a Tríplice Coroa de 2008/09. Em termos de resultado, portanto, foi uma temporada um pouco abaixo daquela. Mas houve vários sinais de que o desempenho do Barça de Guardiola atingiu o seu ápice em 2010/11, começando por esta inapelável goleada contra o Real Madrid de José Mourinho.

O que não faltou naquela temporada foi clássico contra o Real Madrid. Houve dois pelo Campeonato Espanhol, a final da Copa do Rei e outros dois mais tarde pela semifinal da Liga dos Campeões, quando Mourinho inventou Pepe de volante para marcar Messi, provavelmente ciente de que, se não fizesse algo diferente, o resultado do Camp Nou poderia se repetir.

A goleada aconteceu na 13ª rodada de La Liga, a sétima vitória de uma sequência de 16 e logo depois de um 8 a 0 contra o Almería.  Messi acertou uma bola na trave para dar o tom do jogo e Marcelo quase conseguiu desviar um passe brilhante de Iniesta. A bola subiu para Xavi vencer Casillas com um toque sutil e abrir o placar.

O segundo gol, aos 17 minutos, foi uma clássica jogada de Guardiola. O Barcelona atraiu o Real Madrid para direita do campo de ataque com passes de pé em pé até Xavi perceber Villa livre na ponta esquerda. O lançamento foi perfeito. Villa fez a jogada de linha de fundo e cruzou rasteiro para Pedro completar na pequena área.

No segundo tempo, Villa e Xavi perderam grandes chances antes de Messi encontrar uma boa bola enfiada para o camisa 7 bater cruzado e ampliar. O próprio Villa marcou o quarto, em outra assistência de Messi, desta vez a partir do meio-campo. O quinto foi de Jeffren, garoto da base que atualmente defende o Slaven Belupo, da Croácia, antecipando-se a Sergio Ramos, ao fim de um cruzamento de Bojan.

Ramos, aliás, seria expulso ao fim de um jogo que também teve 12 cartões amarelos, 7 x 5 para o Real Madrid, um dos poucos quesitos em que os merengues venceram naquela noite.

5º – Ajax 2 x 3 Tottenham

Data: 08/05/2019
Local: Johan Cruyff Arena, em Amsterdã (Holanda)
Competição: Champions League 2018/19
Árbitro: Felix Brych (ALE)
Gols: Matthijs de Ligt aos 5’/1T, Hakim Ziyech, aos 35’/1T (Ajax); Lucas Moura, aos 10’/2T, aos 14’/2T e aos 50’/2T (Tottenham)

Ajax: André Onana; Mazraoui, De Ligt, Blind e Tagliafico; De Jong, Schöne (Veltman), Ziyech, Van de Beek (Magallán) e Tadic; Dolberg (Sinkgraven). Técnico: Erik ten Hag

Tottenham: Lloris; Trippier (Lamela), Alderweireld, Vertonghen e Rose (Ben Davies); Wanyama (Llorente), Sissoko, Alli e Eriksen; Son e Lucas Moura. Técnico: Mauricio Pochettino

Como a segunda semifinal poderia não ser decepcionante depois do que havia acontecido na primeira – o 4 a 0 do Liverpool sobre o Barcelona do qual falaremos mais para a frente? Pois acabou devendo muito pouco. O Ajax que havia superado Real Madrid e Juventus estava prestes a chegar à sua primeira decisão europeia desde 1996 quando de repente tudo ruiu aos pés de Lucas Moura.

Lucas teve uma carreira irregular na Europa. Surgiu como grande promessa do São Paulo e acertou com o Paris Saint-Germain em 2013. Alternou sequências como titular e reserva na França, frequentemente passando a impressão de que precisava mudar de ares. A opção pelo Tottenham foi boa. Um clube de grandes ambições, embora financeiramente inferior ao PSG, com paciência para desenvolver talentos e um treinador que sabe tirar o melhor de seus jogadores. E contra o Ajax, o brasileiro teria a grande noite da sua carreira no futebol europeu.

Tudo começou a favor dos holandeses. Logo aos quatro minutos, De Ligt desviou cobrança de escanteio e fez 1 a 0 em Amsterdã. Ziyech pegou um lindo chute cruzado de canhota para fazer o segundo e, com a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Ajax tinha apenas que segurar uma vantagem de três gols durante aproximadamente uma hora.

Depois de exigir uma defesa incrível de Onana, Dele Alli tentou um drible para dentro em uma transição rápida do Tottenham. Rápido mesmo, porém, foi Lucas Moura, que disparou, recolheu a bola, entrou na área e tocou no canto para marcar o primeiro do Tottenham. Quatro minutos depois, Lucas ficou com o rebote de uma confusão dentro da área, limpou para trás até encontrar o espaço para girar batendo: 2 a 2.

Pelo critério de gols marcados fora de casa, o Tottenham precisava apenas de mais um para passar. E foi difícil. Ziyech chegou a acertar a trave de Lloris. Apenas aos 50 minutos, exatamente no último segundo, Lucas Moura mudou a trajetória do passe de Alli com um chute cruzado. Colocou a bola no canto de Onana e os jogadores o Ajax, desolados, no chão.

4º – Santos 4 x 5 Flamengo

Data: 27/07/2011
Local: Vila Belmiro, em Santos (Brasil)
Competição: Campeonato Brasileiro 2011
Árbitro: André Luiz de Freitas Castro (BRA)
Gols: Borges aos 4’/1T e aos 15’/1T, Neymar aos 25’/1T e aos 5’/2T (Santos); Ronaldinho Gaúcho aos 28’/1T, aos 22’/2T e aos 36’/2T, Thiago Neves aos 31’/1T e Deivid aos 43’/1T (Flamengo)

Santos: Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Ibson, Elano (Alan Kardec) e Ganso; Neymar e Borges. Técnico: Muricy Ramalho 

Flamengo: Felipe; Leó Moura, Ronaldo Angelim, Welinton (David Braz) e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio (Botinelli), Thiago Neves e Renato Abreu; Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Jean). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Não foi um jogo de grandes consequências. Valia pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro e nenhum dos dois times brigaram pelo título. Os pontos conquistados no fim ajudaram o Flamengo a se classificar à Libertadores e nem fizeram falta ao Santos que, campeão da Libertadores naquele ano, contentou-se com o meio da tabela. Mas foi um espetáculo. Uma montanha-russa no placar, golaços, lances bizarros e uma espécie de passagem de bastão: Ronaldinho Gaúcho, o craque brasileiro da década anterior, contra Neymar, o craque brasileiro do futuro, ambos jogando o fino da bola.

O Santos começou arrasador. Elano achou Borges dentro da área com um bonito passe e os donos da casa abriram o placar. Após uma ótima tabela com Ganso, Neymar bateu para a defesa de Felipe. No rebote, tentou uma bicicleta. Furou. Ainda caído no chão, conseguiu a assistência para Borges apenas completar. Aos 25 minutos, Neymar anotou a pintura que lhe valeria o Prêmio Puskas daquele ano: arrancou, deu um drible desconcertante em Ronaldo Angelim e tocou com a parte de fora do pé na saída de Felipe. O Santos vencia por 3 a 0.

O Flamengo não quis aguardar o intervalo. Luiz Antônio cruzou da direita, Rafael falhou e Ronaldinho Gaúcho, livre e na pequena área, empurrou a sobra para descontar. Após boa troca de passes, Leó Moura fez o centro, também a partir da direita, e Thiago Neves completou de cabeça. O Santos poderia ter ampliado sua vantagem quando teve um pênalti a seu favor, sofrido por Neymar. Elano, porém, quis bater de cavadinha. Felipe nem se mexeu. Agarrou a bola e ainda saiu fazendo embaixadinha para tirar sarro.

E logo na sequência, Ronaldinho cobrou escanteio da esquerda e Deivid desviou no primeiro pau. O primeiro tempo terminou empatado em 3 a 3, e isso porque Deivid havia perdido um daqueles gols inacreditáveis que injustamente marcaram seu fim de carreira.

Neymar ainda não estava satisfeito. voltou à tona com outro belo gol. Recebeu nas costas da defesa, tirou David Braz com um toque e Felipe com outro: 4 a 3 para o Santos. Só que Ronaldinho também não estava satisfeito. Cobrou aquela falta rasteira por baixo da barreira que poucos conseguem sequer conceber e empatou a partida novamente para o Flamengo.

Aos 36 minutos do segundo tempo, Deivid puxou o contra-ataque e tocou para Thiago Neves. Thiago Neves recebeu na entrada da área e rolou na medida para a esquerda. Ronaldinho Gaúcho chegou batendo cruzado e anotou o nono gol daquela noite mágica na Vila Belmiro.

3º – Liverpool 4 x 0 Barcelona

Data: 07/05/2019
Local: Estádio Anfield Road, em Liverpool (Inglaterra)
Competição: Champions League 2018/19
Árbitro: Cüneyt Cakir
Gols: Divock Origi aos 7’/1T e aos 34’/2T, Georginio Wijnaldum aos 9’/2T e aos 11’/2T (Liverpool)

Liverpool: Alisson; Alexander-Arnold, Van Dijk, Matip e Robertson (Wijnaldum); Fabinho, Henderson e Milner; Shaqiri (Sturridge), Mané e Origi (Joe Gomez). Técnico: Jürgen Klopp

Barcelona: Ter-Stegen; Sergi Roberto, Piqué, Lenglet e Jordi Alba; Busquets, Rakitic (Malcom), Vidal (Arthur) e Coutinho (Semedo); Messi e Suárez. Técnico: Ernesto Valverde

Quando a Kop grita, vibra, canta e apoia, o Liverpool começa o jogo com um gol de vantagem, dizia Bill Shankly. Ou algo parecido. A famosa arquibancada principal de Anfield foi reformada nos anos noventa, não é mais a mesma da época do lendário treinador vermelho, mas o estádio continua sendo um templo para grandes noites europeias. Um gigante adormecido que foi despertado pela chegada de Jürgen Klopp e alcançou o seu auge nas semifinais da Champions League de 2018/19.

O alçapão havia visto vitórias fantásticas como o 3 a 0 sobre a Internazionale de Helenio Herrera, o 3 a 1 diante do Saint-Étienne quando o barulho das arquibancadas foi sem precedentes, a vitória contra o Olympiacos que permitiu a existência de Istambul ou a goleada sobre o Real Madrid, um dos últimos grandes atos de Rafa Benítez pelo clube, mas, naquela noite, o desafio era de outra magnitude.

O Liverpool não havia jogado mal a partida de ida. Mas, contra Messi, isso não é o suficiente. O placar de 3 a 0 no Camp Nou deixava o Barcelona em uma situação muito confortável, principalmente porque, com tanto poder de fogo, se fizesse um gol obrigaria o Liverpool a marcar cinco para se classificar. Era um desafio duplo: atacar com inteligência, precisão e quantidade e não deixar a defesa desprotegida. Para piorar, Mohamed Salah e Roberto Firmino estavam machucados. O ataque teria Shaqiri, Origi e Mané. No banco, as opções ofensivas eram Daniel Sturridge e os jovens Brewster e Woodburn.

Logo aos sete minutos, Jordi Alba errou o cabeceio, Mané recolheu e achou Henderson, que bateu para defesa de Ter Stegen. Origi, no rebote, fez 1 a 0 para o Liverpool. Um bom começo, mas insuficiente. O placar ficaria estático durante quase 50 minutos até que uma substituição iluminada de Jürgen Klopp começasse a pagar dividendos.

Sem grandes alternativas, Klopp colocou Wijnaldum no lugar de Robertson e deslocou Milner à lateral esquerda. Nove minutos do segundo tempo: Alexander-Arnold cruzou, Wijnaldum completou de primeira. Onze minutos do segundo tempo: Shaqiri cruzou, Wijnaldum completou de cabeça. De repente, o Liverpool havia empatado a eliminatória e estava a um gol de uma virada impressionante.

O momento era todo dos donos da casa. Quando o Barcelona chegava, esbarrava em Alisson. A fé em Anfield era plena. Todos ali sabiam que estavam em um palco de feitos impressionantes e sentiam que o próximo estava chegando. O Liverpool teve um escanteio pela direita. Alexander-Arnold escoltava a bola. Shaqiri caminhava para assumir a cobrança quando Arnold parou de se afastar, retornou e bateu rasteiro. Havia visto Origi livre na entrada da pequena área. Origi, livre na entrada da pequena área, não desperdiçou: 4 a 0 e a maior noite europeia de Anfield.

2º – Brasil 1 x 7 Alemanha

Data: 08/07/2014
Local: Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (Brasil)
Competição: Copa do Mundo 2014
Árbitro: Marco Rodríguez (México)
Gols: Thomas Müller aos 11’/1T, Klose aos 23’/1T, Toni Kroos aos 24’/1T e aos 26’/1T, Khedira aos 29’/1T e Schürrle aos 24’/2T e aos 34’/2T (Alemanha); Oscar aos 45’/2T (Brasil)

Brasil: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Fernandinho (Paulinho), Luiz Gustavo, Hulk (Ramires), Oscar e Bernard; Fred (Willian). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker) e Höwedes; Khedira (Draxler), Schweinsteiger, Müller, Kroos e Özil; Klose (Schürrle). Técnico: Joachim Löw

O Brasil não fazia uma grande Copa do Mundo. Havia escapado no sufoco contra o Chile e, apesar de uma exibição melhor contra a Colômbia nas quartas de final, havia perdido Neymar por lesão. Para não alterar o sistema tático, Luiz Felipe Scolari colocou Bernard no lugar do craque brasileiro. Thiago Silva, suspenso, também era baixa, o que não seria um problema porque seu substituto Dante conhecia os alemães.

A seleção brasileira não era favorita para vencer a Alemanha, mas, depois de tanta pressão para não fazer um papel feio em casa, havia um diagnóstico razoável de que ter chegado às semifinais era o bastante para que a campanha dos anfitriões não fosse um vexame. Não haveria vergonha em perder pra um adversário tão tradicional. A partir das quartas de final de uma Copa do Mundo, tudo pode acontecer. Mas sabe o que dizem: quer fazer Deus dar risada, conte-lhe seus planos.

O que aconteceu no Mineirão foi uma das três grandes tragédias da seleção brasileira, junto com o Maracanazo e o Sarriá, e a maior humilhação. Durante uns 20 minutos, foi uma partida de futebol normal. O Brasil teve algumas chances, e Thomas Müller abriu o placar em uma cobrança de escanteio. A famosa pane começou aos 23. A Alemanha infiltrou, e Klose teve duas oportunidades para fazer o segundo gol.

No minuto seguinte, eles chegaram de novo. Cruzamento da direita, e Toni Kroos completou de canhota para o 3 a 0. No minuto seguinte, virou passeio. Em ritmo de treino, Kroos tabelou com Khedira na entrada da área, a marcação brasileira correndo que nem barata tonta, e 4 a 0 para a Alemanha. Aos 29, eles vieram de novo. Jogada parecida. Bola de pé em pé, de Khedira para Özil, de Özil para Khedira, de Khedira para o gol: 5 a 0.

O vexame que havia sido evitado agora estava garantido. Até poderia ter ficado no 5 a 0 se Schürrle não estivesse com ganas de ganhar um lugar na equipe e resolvesse mostrar serviço com dois gols no segundo tempo. No minuto final, Oscar marcou o gol de “honra” da seleção brasileira que, de honroso, houve muito pouco.

1º – Barcelona 6 x 1 Paris Saint-Germain

Data: 08/03/2017
Local: Camp Nou, em Barcelona (Espanha)
Competição: Champions League 2016/17
Árbitro: Deniz Aytekin (ALE)
Gols: Luis Suárez aos 3’/1T, Kurzawa, contra, aos 40’/1T, Messi aos 5’/2T, Neymar aos 43’/2T e aos 46’/2T e Sergi Roberto aos 50’/2T (Barcelona); Edinson Cavani aos 17’/2T (PSG)

Barcelona: Ter-Stegen; Umtiti, Mascherano e Piqué; Busquets, Rakitic (André Gomes), Iniesta (Turan) e Messi; Rafinha (Sergi Roberto), Neymar e Suárez. Técnico: Luis Enrique

Paris Saint-Germain: Kevin Trapp; Meunier (Krychowiak), Thiago Silva, Marquinhos e Kurzawa; Rabiot, Matuidi e Verratti; Lucas Moura (Di María), Draxler (Aurier) e Cavani. Técnico: Unai Emery

Uma escolha controversa porque a arbitragem teve um papel importante, decidindo quase todos os lances cruciais a favor do Barcelona, mas também foi um duelo entre dois times importantes do momento no qual um chegou os 43 minutos do segundo tempo precisando fazer três gols – e conseguiu.

A ida no Parque dos Príncipes havia sido um passeio comandado por Di María contra o Barça de Luis Enrique, campeão da Tríplice Coroa dois anos antes, mas que esmorecia. A campanha azul grená terminaria na fase seguinte, contra a Juventus, e o treinador deixaria o Camp Nou.

De qualquer maneira, a partida começou com Luis Suárez abrindo o placar com uma cabeçada sutil. Cenário dos sonhos. Antes do intervalo, Iniesta descolou um cruzamento de calcanhar que obrigou Kurzawa a desviar contra o próprio patrimônio. Ao intervalo, metade do trabalho do Barcelona estava feito.

Aos cinco minutos do primeiro tempo, a arbitragem comandada pelo alemão Deniz Aytekin fez a primeira intervenção. Iniesta deu um lindo passe para Neymar pela ponta esquerda. O brasileiro receberia na linha de fundo. Meunier, porém, se desequilibrou e acabou acertando-o com a cabeça. Neymar caiu. Aytekin não marcou o pênalti de imediato. Primeiro, consultou o assistente da linha de fundo. Enfim apontou à cal, e Messi fez 3 a 0 para o Barcelona. Faltava um gol para levar a partida à prorrogação.

Cavani acertou a trave logo em seguida, mas não desperdiçaria a segunda oportunidade. Kurzawa arrumou de cabeça uma bola longa para trás e assistiu ao uruguaio encher o pé, de frente para o gol de Ter Stegen. Todo o esforço do Barcelona havia ido por água abaixo. Agora, para passar, o time da casa precisava fazer mais três gols. E Cavani ainda perdeu uma chance clara que poderia tornar a missão ainda mais impossível.

O Barcelona continuava tentando, mas com aquele ar de resignação de quem sabe que seria praticamente impossível virar o jogo, à medida em que o relógio se aproximava dos 90 minutos. Neymar era a exceção. Neymar acreditava. Teve uma falta para cobrar pela esquerda, longe do gol, e, perdido por perdido, mandou direto. Direto ao ângulo. Um lindo gol que injetou certa energia aos catalães.

Hora de falar a sério sobre a arbitragem. Ao longo do jogo, o PSG reivindicou que Mascherano teria cometido dois pênaltis, ambos marcáveis – um toque de mão muito claro em carrinho no primeiro tempo e uma sutil calçada no pé direito de Di María que armava o esquerdo para completar um contra-ataque fatal. Aytekin não marcou nenhum deles. Ainda houve uma bicuda de Neymar em Marquinhos na qual o cartão amarelo pareceu ter ficado barato, e, no primeiro tempo, outro entrevero entre Neymar e Meunier que poderia ter sido mais um pênalti a favor do Barcelona.

E aí, 46 minutos do segundo tempo, Messi lança Suárez. Marquinhos encosta no ombro do uruguaio, que desaba gritando e até levando a mão ao pescoço como se estivesse sendo estrangulado. E Aytekin, com o histórico muito recente de ter ignorado pênaltis mais claros, concede a penalidade ao Barcelona. Desta vez, quem chamou a responsabilidade foi Neymar, e os catalães precisavam de apenas mais um gol.

O caos se instalou. O Barcelona agora ficaria decepcionado se não se classificasse, e o PSG estava desesperado para não ser eliminado de maneira vexatória. Após uma cobrança de falta, Neymar recebeu pela direita da intermediária. Teve frieza para não cruzar na primeira oportunidade e cortou para dentro. De frente para o gol, a maioria dos jogadores teria o momento Agora Eu Se Consagro (sic) e tentaria ser herói com um golaço de fora da área que, no geral, acerta o lustre. Neymar preferiu a cavadinha. E ninguém menos do que Sergi Roberto saiu na hora certa nas costas da defesa para desviar.

Pela primeira vez na história, da Champions League ou da Copa dos Campeões, uma equipe se recuperou de uma derrota por quatro gols ou mais no jogo de ida de uma partida eliminatória.

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Real Madrid 2 x 3 Barcelona (2016/17), Barceona 3 x 1 Manchester United (2010/11), Real Madrid 0 x 2 Barcelona (2010/11), Alemanha 2 x 1 Argélia (2014), Espanha 1 x 5 Holanda (2014), Real Madrid 4 x 1 Atlético de Madrid (2013/14), Uruguai 1 x 1 Gana (2010), Barcelona 2 x 2 Chelsea (2011/12), Bayern de Munique 2 x 1 Borussia Dortmund (2012/13), Japão 2 x 3 Bélgica (2018), Roma 3 x 0 Barcelona (2017/18), Liverpool 4 x 3 Borussia Dortmund (2015/16), Atlético de Madrid 3 x 0 Athletic (2011/12), Bayern 1 x 1 Chelsea (2011/12), Corinthians 6 x 1 São Paulo (2015), Boca Juniors 2 x 2 River Plate (2018), Guarani 6 x 0 ABC (2016), Alemanha 1 x 0 Argentina (2014), River Plate 3 x 1 Boca Juniors (2018), Barcelona 4 x 0 Santos (2011), Atlético Nacional 3 x 1 Rosario Central (2016), Real Madri 1 x 4 Ajax (2018/19), Real Madrid 4 x 1 Juventus (2016/17), Palmeiras 2 x 1 Santos (2015), Inglaterra 1 x 2 Uruguai (2014), Newcastle 4 x 4 Arsenal (2010/11), Barcelona 3 x 0 Bayern de Munique (2014/15), Watford 3 x 1 Leicester (2012/13), Grêmio 4 x 5 Fluminense (2019), Grêmio 0 x 0 Internacional (2020), Crystal Palace 3 x 3 Liverpool (2013/14), PSG 1 x 3 Manchester United (2018/19)