Os 10 maiores clássicos da história da Libertadores

Poderia haver alguma forma melhor de começar de vez a Libertadores? Depois de interessantes confrontos preliminares, temos um Corinthians e São Paulo logo na primeira rodada dos grupos. O clássico paulista faz o papel de aperitivo para outras grandes rivalidades que a atual edição do torneio pode apresentar daqui para frente. No total, temos seis clássicos potenciais entre grandes rivais.

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Além do Majestoso, podemos ter um espetacular Cruzeiro e Atlético Mineiro. Também o 33º capítulo do Superclássico argentino, entre Boca Juniors e River Plate, na Libertadores. Donos do Equador, Emelec e Barcelona garantiram suas classificações, como Colo-Colo e Universidad de Chile. Sem contar Huracán e San Lorenzo.

Essa é a quarta Libertadores com mais rivalidade na história do torneio. Quem lidera esse ranking é a edição de 2003 que começou com nada menos que 11 clássicos potenciais. A de 2000 teve nove. Em 2012 e 2013, sete.

Para homenagear os clássicos que podemos ter (e torcemos para que tenhamos), lembramos os 10 maiores confrontos entre rivais na história da Libertadores. Duelos nervosos, pegados, espetaculares e decisivos.

Boca Juniors x River Plate – semifinal, 2004

Ida: Boca 1 x 0 River
Volta: River 2 (4) x 1 (5) Boca

É considerado por muitos o maior Superclássico da história por tudo que ele envolveu. Valia vaga na final da Libertadores, teve três expulsões no jogo de ida, mais um bocado na volta, e uma emocionante disputa de pênaltis. Em La Bombonera, Schiavi abriu o placar para o Boca Juniors aos 28 minutos. O River, que já estava sem Marcelo Salas, machucado, perdeu também Gallardo quando Cascini lhe deu uma entrada mais forte. Ambos brigaram e foram expulsos. Garcé também levou vermelho, e o River ficou com um jogador a menos.

A volta no Monumental não foi menos épica. No começo do segundo tempo, Vargas, do Boca, foi expulso. Pouco depois, Lucho González igualou o placar agregado. De repente, tudo mudou: Rojas sofreu uma lesão no joelho, teve que sair e o River já havia feito suas substituições. Sambueza levou vermelho, e agora era o visitante que tinha a vantagem numérica. Aos 44 minutos do segundo tempo, Tevez empatou o jogo, comemorou imitando uma galinha e também viu o cartão vermelho.

De repente, tudo mudou novamente. Nasuti, nos acréscimos, levou a semifinal para a prorrogação. Todos os primeiros nove batedores acertarem, até chegar a vez de Maxi López. Abbondanzieri defendeu. Boca classificado.

Barcelona x Emelec – quartas de final, 1990

Ida: Emelec 0 x 0 Barcelona
Volta: Barcelona 1 x 0 Emelec

Nunca uma Libertadores teve tantos jogos entre os dois maiores clubes do Equador quanto a de 1990. Foram dois duelos pela fase de grupos, com uma vitória do Emelec e um empate por 0 a 0, e mais dois pelas quartas de final, a primeira e única vez na história que ambos se encontraram em um mata-mata da competição continental. As partidas foram tensas e pegadas. A ida no estádo Modelo terminou sem gols. A volta, no Monumental, foi mais movimentada. Carlos Gerardo Russo, que defenderia o Barcelona no ano seguinte, perdeu um pênalti para o Emelec. Em seguida, Manuel Uquillas, de cabeça, fez o gol da classificação barcelonista. A vingança veio alguns dias depois: pelo Equatoriano, o Emelec fez 6 a 0 no maior rival. Mas quem seguiu até a final da Libertadores foi o Barcelona, derrotado apenas campeão Olimpia.

Rosario x Newell’s – fase de grupos, 1975

Jogo desempate: Rosario 1 x 0 Newell’s

Apenas uma Libertadores teve confrontos entre os dois grandes de Rosário, uma das maiores rivalidades do futebol argentino. Em 1974, o Newell’s venceu o Metropolitano, e o San Lorenzo, o Nacional. A lógica era que os dois representassem o país, mas a AFA insistiu em um triangular com o Rosário, vice-campeão dos dois torneios. O time de Almagro acabou ficando em último lugar. Na Libertadores, Newell’s e Rosário empataram as duas partidas fase de grupos por 1 a 1. Terminaram a chave com o mesmo número de pontos e disputaram um duelo decisivo pela vaga na semifinal. No Gigante de Arroyito, um gol de falta de Mario Kempes decretou a classificação do Rosário.

Kempes decidiu para o Rosario

Kempes decidiu para o Rosario

São Paulo x Palmeiras – oitavas de final, 1994

Ida: Palmeiras 0 x 0 São Paulo
Volta: São Paulo 2 x 1 Palmeiras

O grande esquadrão que a Parmalat montou para o Palmeiras nunca venceu a Libertadores. Porque no meio do caminho, havia outra espetacular equipe. Em 1994, o alviverde era o melhor time do Brasil, atual campeão nacional, e duelou com o São Paulo na condição de favorito nas oitavas de final, mesmo após o rival tendo vencido as últimas duas edições da Libertadores. O primeiro jogo, no Pacaembu, terminou 0 a 0 graças ao melhor jogo da vida do goleiro Zetti. No segundo, Euller fez a festa com dois gols e eliminou os comandados de Vanderlei Luxemburgo. Praticamente o último suspiro daquela seleção montada por Telê Santana.

Cerro Porteño x Olimpia – quartas de final, 1993

Ida: Olimpia 1 x 1 Cerro
Volta: Cerro 0 (4) x 0 (2) Olimpia

Apenas Peñarol e Nacional são rivais que se enfrentaram mais vezes que Cerro Porteño e Olimpia na Libertadores. Um desses duelos que se destaca, pela importância e tensão, foi pelas quartas de final de 1993. A ida foi 1 a 1, e a volta, 0 a 0, ambas no Defensores del Chaco. Pênaltis. Mondragón começou batendo e converteu. O Olimpia empatou. Arce fez 2 a 1 para o Cerro Porteño. O Olimpia empatou. Em seguida, os dois times perderam os seus pênaltis, mas o tricampeão da Libertadores não acertou mais nenhum. Mondragón, que além de converter a sua cobrança defendeu outra, foi o grande herói daquela noite.

Peñarol x Nacional – semifinal, 1962

Ida: Nacional 2 x 1 Peñarol
Volta: Peñarol 3 x 1 Nacional
Desempate: Peñarol 1 x 1 Nacional

Nas primeiras edições da Libertadores, apenas os campeões nacionais classificavam-se. Era difícil haver um clássico nacional. Como o Peñarol havia vencido a Libertadores e o Uruguaio, o Nacional, como vice da liga, levou uma vaga e não fez feio. Ganhou a chave com Racing, da Argentina, e Sporting Cristal, do Peru. Encontrou com o maior rival na semifinal e venceu o primeiro jogo por 2 a 1. Mas vocês já ouviram falar de Alberto Spencer? O incontestável artilheiro uruguaio fez dois gols na vitória do Peñarol por 3 a 1 na volta e mais um no 1 a 1 do jogo de desempate. Pelo saldo de gols, o atual campeão foi para a final pegar o Santos – e perdeu.

Spencer, o craque do Peñarol

Spencer, o craque do Peñarol

Boca Juniors x River Plate – quartas de final, 2000

Ida: River 2 x 1 Boca
Volta: Boca 3 x 0 River

Outro dramático mata-mata entre os dois gigantes argentinos. No Monumental, o River Plate venceu por 2 a 1, gols de Ángel e Saviola. Riquelme descontou para o Boca. A volta não foi o passeio que o placar indica. O Boca conseguiu empatar apenas aos 14 minutos do segundo tempo, com Delgado. Aos 34, quando a partida encaminhava-se para a disputa de pênaltis, Riquelme, cobrando um, fez 2 a 0. A grande história da partida, porém, é o retorno cinematográfico de Martín Palermo. Após seis meses afastado por lesão, ele saiu do banco de reservas para marcar o gol que fechou a vitória, no último segundo da partida.

Corinthians x Palmeiras – semifinal, 2000

Ida: Corinthians 4 x 3 Palmeiras
Volta: Palmeiras 3 (5) x (4) 2 Corinthians

Se somarmos as duas partidas, fica difícil lembrar qualquer outro Derby paulista maior que esse. Dois confrontos cheios de gols e emoções no Morumbi. O Corinthians abriu 3 a 1 no primeiro tempo do jogo de ida, mas faltou perna para segurar o resultado. O Palmeiras empatou com Alex, de cabeça, e Euller, com muita sorte. Também bebeu da fonte da sorte Vampeta, autor do gol da vitória por 4 a 3 em um chute da entrada da área que desviou e encobriu Marcos.

Quando Luizão virou o jogo no começo do segundo tempo da volta, parecia que a vaca palmeirense havia ido para o brejo. Novamente, na base da raça, o Palmeiras virou a partida, primeiro com Alex, depois com Galeano. Pênaltis, e essa história vocês já sabem. Todos converteram suas cobranças. Chegou a vez de Marcelinho Carioca. Ele partiu, bateu e Marcos defendeu.

Fluminense x Vasco – fase de grupos, 1985

Primeira rodada: Fluminense 3 x 3 Vasco

Vasco e Fluminense abriram o seu grupo da Libertadores de 1985 com um baita jogo, mas a história acabou sendo mais melancólica. Em um Maracanã lotado, Roberto Dinamite abriu o placar para o Vasco, e Romerito virou para o Flu. Nenê devolveu a igualdade ao placar. Na etapa final, Leomir deixou o clube tricolor em vantagem até os últimos minutos, quando Nenê, novamente, empatou. Dois problemas: o Fluminense ficou com os pontos do jogo porque o Vasco escalou Gersinho indevidamente, então nada que aconteceu valeu efetivamente, e as duas equipes ficaram nas últimas posições do grupo.

Nacional x Peñarol – triangular semifinal, 1983

Terceira rodada: Nacional 1 x 2 Peñarol

Outra vaga na decisão da Libertadores em jogo para Nacional e Peñarol. O clube carbonero, atual campeão, encontrou o maior rival no triangular semifinal. Sobrou para o San Cristóbal fazer o papel de vela para os dois. O Peñarol empatou com os venezuelanos, fora de casa, e o Nacional os venceu duas vezes. No primeiro confronto direto, vitória carbonera por 2 a 0. Na última rodada, o Peñarol tinha a vantagem do empate para se classificar, mas nem precisou: ganhou por 2 a 1, gols de Salazar e Aguirregaray (contra). Luzardo fez o único do Nacional, eliminado pelo grande inimigo.

Morena, o craque daquele Peñarol

Morena, o craque daquele Peñarol


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