Tem apenas um motivo para Divock Origi ainda defender o Liverpool. O clube não encontrou a combinação certa entre a vontade do jogador e alguém disposto a pagar o que estava sendo exigido. Mas queria vendê-lo. Como não conseguiu, o belga permaneceu no elenco, e Jürgen Klopp, para o bem ou para o mal, não descarta jogadores. Deu-lhe algumas chances. Não dá para dizer que Origi as aproveitou com brilhantismo. Se sua temporada for analisada com frieza, ainda é provável que saia na próxima janela. Mas, se for analisada com emoção, talvez fique, porque quatro dos seus seis gols foram simplesmente apoteóticos. Inclusive os dois desta terça-feira nas semifinais da Champions League contra o Barcelona.

Começou em dezembro. Àquela altura, ele somava apenas 11 minutos em campo em três meses de temporada, contra o Estrela Vermelha, quando entrou no final do segundo tempo do clássico contra o Everton. Era uma partida, como geralmente são os dérbis de Merseyside, bem travada. Estava empatada em 0 a 0. Aos 51, Van Dijk tentou se consagrar com um voleio e pegou tão mal que a bola subiu e caiu na trave. Pickforld inacreditavelmente espalmou para dentro de campo, e Origi teve o mérito de acreditar. De cabeça, fez o gol da vitória.

Origi sobreviveu à janela de transferências de janeiro, quando o Liverpool até diminuiu a sua pedida, e conseguiu mais jogos a partir de fevereiro, quando a Champions League ocupou o calendário do time, e a rotação se tornou mais necessária. Ainda assim, são apenas dois jogos como titular nas últimas 13 rodadas da Premier League. Contra o Newcastle, no último sábado, ele começou no banco. Entrou em campo quando Salah saiu machucado, na metade do segundo tempo.

O jogo era exepcionalmente importante para o Liverpool. Caso não ganhasse do Newcastle, o título estaria praticamente entregue ao Manchester City. Chegou a estar duas vezes à frente no placar, mas levou o empate. A quatro minutos do fim, estava na área para cabecear a cobrança de falta de Shaqiri. Os Reds venceram por 3 a 2 e garantiram que ainda há uma chance mais ou menos plausível, embora improvável, de ser campeão inglês pela primeira vez desde 1990 no próximo domingo.

A verdadeira confiança de Klopp no atacante ficou clara, semana passada, quando o Liverpool entrou para jogar contra o Barcelona, no Camp Nou, com Wijnaldum como centroavante no lugar de Firmino. O belga, jogador natural da posição, ficou no banco de reservas até os 39 minutos do segundo tempo e não conseguiu melhorar a situação do time. A derrota por 3 a 0, sem um gol fora de casa, era praticamente definitiva.

Novamente com Firmino como desfalque, e desta vez também com Salah, o treinador alemão preferiu uma escalação mais conservadora, com Shaqiri pela direita e Origi pelo meio. Mostrou presença de área para completar o rebote de Henderson e rapidez de pensamento para completar a brilhante cobrança de escanteio de Alexander-Arnold na entrada da pequena área.

Origi tem seis gols na temporada. Um contra o Watford, na goleada por 5 a 0, que não foi tão importante. Outro na derrota para o Wolverhampton, na Copa da Inglaterra, que não serviu para nada porque o Liverpool perdeu por 2 a 1. Mas e os outros quatro? O da vitória contra o Everton, aos 51 minutos do segundo tempo. O da vitória contra o Newcastle, na penúltima rodada da Premier League. E dois contra o Barcelona, em uma das maiores viradas da história do futebol europeu.

Nada disso faz com que ele seja muito melhor ou muito pior como jogador de futebol, mas garante o seu status de ídolo cult na torcida do Liverpool.

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O gol contra o Everton

O gol contra o Newcastle

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