O torcedor do Operário de Ponta Grossa vai ficar com dor no braço de levantar tanta taça. O direito de gritar campeão foi conquistado, em 2015, com o título do Campeonato Paranaense, e retornou ao interior do Paraná, no ano seguinte, com a Taça FPF. Na temporada passada, foi repetido, com a conquista da Série D e, neste sábado, o Fantasma subiu mais uma vez no lugar mais alto do pódio, ao derrotar o Cuiabá, fora de casa, por 1 a 0 e se sagrar campeão da Série C, emendando duas conquistas seguidas de divisões nacionais. 

Nada mal para um clube que havia amargado 14 vices estaduais e nunca havia conquistado nenhum desses títulos. Também uma maneira de o Operário entrar na história porque ninguém nunca havia sido campeão da quarta e da terceira divisão em sequência. O objetivo mais importante desta campanha havia sido alcançado nas quartas de final. Após 27 anos, o Fantasma disputará a Série B na próxima temporada. Chegar a ela como campeão é um gostinho especial, ainda mais em um ano que também teve o retorno à elite do Campeonato Paranaense – com outro título, da Segundona estadual. 

O que aconteceu no começo do jogo ofereceu contornos épicos e ao mesmo tempo trágicos à conquista do Operário. A partida tinha apenas três minutos, quando apagaram-se os refletores da Arena Pantanal, um estádio que foi recentemente construído para receber a Copa do Mundo. Após 15 minutos de paralisação, a CBF TV falou em mais 15 para as luzes voltarem. Demorou muito mais do que isso: foi necessária uma hora e meia, exatamente 89 minutos, para que a partida pudesse continuar. 

Os bravos torcedores do Cuiabá que aguentaram a paralisação inteira foram premiados por um primeiro tempo muito bom do time da casa. Totalmente no controle, sempre buscando o gol. No entanto, o goleiro Simão, do Operário, já se candidatava a herói da conquista, com duas grandes defesas nesse período. Conseguiu cortar uma cabeçada de Jenison, em cima da linha, aos 18 minutos e, nos acréscimos do período, fez um milagre com os pés, em outra cabeçada, agora de Adriano Pardal, à queima-roupa. 

Diante de 41 mil pessoas, a partida voltou na mesma toada depois do intervalo, mas quem abriu o placar foi o Operário. Aos nove minutos, Quirino fez a jogada pela esquerda e cruzou. Victor Souza tentou desviar, mas não conseguiu, e Bruno Batata apareceu para completar. Aos 18, Doda fez jogada individual, cortando a marcação, e soltou a canhota. Muito perto da trave de Simão. 

A segunda metade da etapa final foi de pura pressão do Cuiabá que, no entanto, rondava a área do Operário sem conseguir acertar as jogadas e criar perigo real. Nos minutos finais, porém, Simão voltou a brilhar. Defendeu um potente chute rasteiro de Edson Borges, de dentro da área, e contou com a sorte em uma finalização cruzada que desviou na sua defesa e acertou a trave. Já nos acréscimos, Edinei desviou de cabeça, e Simão espalmou com uma das mãos por cima do travessão. 

Apropriadamente, o último ato da partida foi Simão agarrando uma bola flutuando na grande área, segundos antes de o árbitro apitar o fim da partida e o fim de um ano histórico para o Operário.