Quando se fala na campanha camaronesa na Copa de 90, logo um nome vem à cabeça de qualquer um: Roger Milla. É claro com toda a razão, pois Milla foi o artilheiro e o mais importante jogador da incrível jornada dos Leões Indomáveis em campos italianos. O jogador “dono” deste texto, François Oman-Biyik, também esteve lá, e foi igualmente importante para a seleção de Camarões, apesar de ter feito apenas 1 gol na competição. Só um gol, mas e que gol…

Foi logo na partida de abertura da Copa do Mundo, em Milão. O atacante Cyrille Makanaky cruza a bola e Oman-Biyik cabeceia, tirando a bola do goleiro argentino Nery Pumpido, e marcava o gol da vitória camaronesa sobre os campeões do mundo de então (a partida em questão foi 1-0 pra Camarões). Seria o único tento dele em toda a competição, porém seria um dos gols mais importantes da história do futebol camaronês, e é claro, do futebol africano em geral.

Uma das lendas dos Leões

Oman-Biyik estreou na seleção camaronesa no final da década de 80, quando o país venceu a Copa da África em 1988. Foi o artilheiro da campanha que levou Camarões ao Mundial de 90, com 5 gols. Oman-Biyik também foi a Copa de 94, nos Estados Unidos, marcando 2 gols na partida que classificou os Leões ao Mundial, contra o Zimbábue. Nos EUA, também deixou sua marca, fazendo um dos gols no empate de 2 a 2 contra a Suécia, na abertura do Grupo B daquele certame. Ele também esteve em campo na derrota sofrida para o Brasil por 3 a 0. Oman-Biyik ainda participaria da Copa de 1998, na França, mas sem marcar gols no torneio. Mesmo assim foi titular da seleção em suas três participações em Copas do Mundo

Além disso, Oman-Biyik foi um ativo participante da Seleção nas CAN. Participou da competição em ,1992 e 96, sem nunca obter o título da competição. Foram 63 partidas pela seleção nacional, e 13 gols marcados, contando é claro os marcados em partidas de Copa do Mundo e Copa da África.

Da França ao México

Nascido em Saekbayême, em Camarões, Oman-Biyik começou sua carreira no Cânon Yaoundé, time da capital nacional em 1987, mas no mesmo ano foi contratado pelo Laval, da França. Inclusive, jogando por lá, foi convocado pelo soviético Valery Nepomniatchi para o Mundial de 1990. Depois, teve passagens por Cannes, Olympique de Marselha e brilhou durante mais de 2 anos no Lens, e atuando pelo Sang et Or, foi convocado para a Copa de 1994, nos EUA.

Em 1995, foi contratado pelo América, da Cidade do México, onde atuou com um certo sucesso, por duas temporadas. Depois foi para o Yucatán, também do México e pra Sampdoria. Encerrou sua carreira jogando no pequeno Chateauroux, das divisões inferiores francesas. O camaronês nunca ganhou um título nacional durante toda a sua vida, e nem de competições africanas, mas com certeza colocou seu nome na história do selecionado de seu país.

Homenagem à altura

Em 2005, Oman-Biyik fez sua “despedida” do futebol, no estádio Azteca, no México. De um lado o América de 1994 (com Jorge Campos, Alberto Garcia Aspe e Luis Hernandez, entre outros) e um combinado de amigos do jogador (entre eles os compatriotas Jacques Songo’o, Jean Claude Pagal e Cyrille Makanaky). Aos 38 anos, o atacante foi ovacionado pela torcida mexicana e homenageado pelos seus amigos e ex-companheiros de time.

O jogo foi 4 a 3 para o América de 1994, com três gols de Oman-Biyik, que inclusive foi substituído pelo filho na sua partida-homenagem. Ao sair, usou uma camisa com a inscrição “Gracias México” para agradecer aos torcedores que compareceram ao Azteca para sua despedida do futebol. Atualmente o jogador treina equipes de divisões menores na França, tentando emplacar uma carreira de treinador na Europa. Seria interessante ver um jogador africano de renome treinar grandes equipes do Velho Continente, e isso seria um prêmio pela sua carreira.