Com quase 800 mil habitantes, Muscat é a capital e maior cidade de Omã, uma monarquia absolutista localizada no Oriente Médio, fronteiriça com Emirados Árabes Unidos (norte), Arábia Saudita (noroeste) e Iêmen (oeste), banhada pelo Golfo de Omã. Graças ao porto municipal, Omã pode exportar petróleo, pescado e produtos em geral. Porém, o futebol do país, cuja seleção nacional estreou na modalidade em 1965, numa goleada de 15 a 0 a favor do Sudão, pretende transportar algo nunca visto no país de 2,8 milhões de habitantes: 23 jogadores para uma Copa do Mundo.

Surpresa

Estreante em eliminatórias asiáticas apenas em 1990, os omanis nunca se aproximaram tanto de uma Copa do Mundo como agora. A única vez que o país atingiu a fase final aconteceu no qualificatório para o Mundial 2002, quando passou pela primeira fase na liderança, num Grupo A que tinha os inexpressivos Síria, Laos e Filipinas. Quando se viu diante de adversários mais gabaritados – mas nem tanto assim –, como China, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Catar, Omã segurou o lanterna, com apenas uma vitória em seis rodadas.

Nas eliminatórias 2014, os omanis não precisaram disputar a fase preliminar, ganhando pré-classificação para a segunda fase, em razão de na época serem a 12º melhor seleção asiática, de acordo com o ranking da Fifa – atualmente o país é o sétimo da lista, mas 86º no âmbito geral. Os primeiros confrontos foram diante de Mianmar, oponente que Omã não teve dificuldades para eliminar, impondo placar agregado de 5 a 0, em dois jogos.

Classificado à fase de grupos, as apostas colocavam Omã como o grande azarão da chave D, que contava com seleções fortes, casos de Austrália e Arábia Saudita. Todos achavam que a disputa do sultanato se daria com a Tailândia, pela terceira vaga. Entretanto, a equipe surpreendeu os prognósticos e faturou a segunda colocação, eliminando os árabes e derrotando, em casa, Austrália (1 a 0) e Tailândia (2 a 0), além de dois empates sem gols com os sauditas – Omã somou oito pontos, dois a mais que a Arábia Saudita e sete atrás dos australianos.

Chance histórica

Pela primeira vez desde que a Confederação Asiática adotou o atual regulamento, em 2010, os omanis conseguiram vaga na fase final. Agora sim o país não teria a mínima chance no Grupo B, diante de Austrália, Japão, Iraque e Jordânia. Ou, ao menos, era o que se imaginava. Mas a seleção surpreende novamente nesta fase. É verdade que a equipe perdeu os dois jogos contra os japoneses, mas o empate diante dos australianos (0 a 0) e vitória frente aos jordanianos (2 a 1), ambos em casa, colocam Omã com chances claras de alcançar o primeiro mundial na história.

Faltando três rodadas para o fim, o país apresenta cinco pontos, na quarta posição, mas tem a mesma pontuação que Austrália (segundo) e Iraque (terceiro). Mesmo que não consiga a vaga direta ao Brasil 2014 – os dois primeiros garantem vaga –, é pefeitamente plausível a repescagem, o que já seria digno de comemoração. A definição do futuro do país na competição se dará na penúltima rodada, quando a equipe recebe o Iraque, no estádio Sultan Qaboos Sports Complex (39 mil lugares), em Muscat.

A favor dos comandados do técnico francês Paul le Guen, 48 anos, ex-técnico de Camarões na Copa do Mundo da África do Sul, está a euforia dos torcedores, que vêm abraçando a seleção nacional, sem lotar a praça de jogo, mas com um público muito maior do que no início da campanha – 28.360 pessoas estiveram na última rodada, derrota de 2 a 1 para o Japão, contra apenas 4.500 diante da Austrália, na segunda fase.

A experiência do goleiro Ali Al-Habsi, 30 anos, que joga na Europa desde 2003, quando chamou a atenção do pequeno Lyn Oslo, da Noruega, passando por Bolton e atualmente titular no Wigan, que defende desde 2010, também é fundamental para o elenco. Mas ainda há outras peças importantes, como o atacante Amad Al Hosni, 28 anos, do Al Ahli (Arábia Saudita) – a base do time atua no próprio país, mas alguns atletas têm muitos jogos pela seleção, o que pode fazer a diferença em momentos decisivos.

Porém, há um outro fator que a seleção iraquiana, agora sem o brasileiro Zico (veja detalhes da saída do treinador), deverá se preocupar no próximo dia 4 de junho de 2013: o intenso calor de Muscat. No mês do confronto, a capital de Omã costuma apresentar temperatura mínima de 30°C, podendo chegar aos incríveis 40°C – a temperatura mais baixa no ano atinge 16.7°C, em janeiro. E nem sinal de precipitação intensa, já que o volume de chuvas para o mês é de apenas 10,9 milímetros – algo que acontece em um dia de chuva forte em São Paulo.

Próximos jogos

18/12 | Omã x Benin

29/12 | Omã x Togo

Curtas

Além do Iraque, Omã terá mais dois compromissos pela fase final. Na próxima partida, em 26 de março de 2013, visita a Austrália, fechando a série diante da Jordânia, também fora de casa, em 18 de junho. Caso se classifique à repescagem asiática, contra o terceiro colocado do Grupo A, os jogos acontecerão em 6 e 10 de setembro de 2013. O vencedor enfrenta o quinto colocado das eliminatórias sul americanas em 15 e 19 de novembro do mesmo ano, para definir um dos últimos classificados ao Mundial do Brasil.

– Cinco brasileiros já tiveram a chance de comandar a seleção de Omã, sendo o último deles Carlos Alberto Torres, o capitão do tricampeonato do Brasil em 1970, entre 2000-01. Atual técnico, Paul le Guen está à frente do time desde junho de 2011.

– Em 2012, incluindo amistosos e eliminatórias, Omã entrou em campo 14 vezes, vencendo quatro partidas, empatando seis e sendo derrotado em quatro oportunidades. A equipe marcou 20 vezes, mas também levou 20 gols.