O Olympique de Marselha se curvou a mais um adversário de peso que cruzou seu caminho. Após perder para Monaco, Arsenal e Borussia Dortmund, os marselheses se renderam ao Paris Saint-Germain, superior no clássico disputado no Vélodrome mesmo com dez jogadores em campo, e foi superado por 2 a 1. Com os quatro reveses seguidos, o OM teve a mais perfeita noção de qual será seu objetivo realista nesta temporada: contentar-se em almejar o terceiro lugar na Ligue 1.

Nem dá para a torcida do OM jogar a culpa na arbitragem, que teve um dia repleto de lambanças e, de certa forma, favoreceu os donos da casa quanto à diferença na avaliação disciplinar. Enquanto Thiago Motta foi expulso de forma severa demais por uma falta em Mathieu Valbuena, o árbitro Clément Turpin mostrou apenas o cartão amarelo para Rod Fanni ao obstruir Edinson Cavani. Isso sem contar os dois amarelos para Ibrahimovic e Cavani por deixar o campo lentamente.

O clássico no Vélodrome teve todos os ingredientes para ser tratado como merece. Além das polêmicas de arbitragem, houve momentos de tensão, gols, uma virada e a constatação de que o Olympique de Marselha patina na imaturidade de seu elenco nos jogos contra rivais de grande porte. Quando mais precisa se impor e mostrar as garras, o OM se encolhe, fica sem ação e apenas assiste ao adversário tomar conta da partida sem incomodá-lo tanto.

E o time da casa começou melhor a partida, muito embora não tivesse o domínio da posse de bola. Eram do OM as melhores chances de ataque. A expulsão de Thiago Motta aos 32min e o gol de André Ayew aos 34min deram a falsa impressão de que os anfitriões deslanchariam. Ledo engano. Os marselheses se recolheram e permitiram ao PSG, em inferioridade numérica, o controle das ações.

Até então, os parisienses pouco haviam exigido de Mandanda. Sem inspiração ofensiva, o PSG desferiu um golpe mortal no OM ao empatar no finalzinho da primeira etapa com a cabeçada precisa de Maxwell. O gol abalou os marselheses por completo, e o Olympique de Marselha se desestruturou. Pacientes, os visitantes souberam cozinhar o rival e saborearam a virada quando Ibrahimovic converteu o pênalti sofrido por Marquinhos.

O OM tentou responder com as entradas de Gignac, Khalifa e Thauvin, mas a equipe continuava tímida demais em suas tentativas de ameaçar a meta defendida por Sirigu. Símbolo desta falta de criatividade, Payet foi uma figura quase fantasmagórica em campo. O meia praticamente não levou perigo pelo lado direito e ganhou apenas 16% de seus duelos pelo flanco. Muito pouco para quem tem a função de conduzir seu time à frente com qualidade.

Já Marquinhos se consolida como um dos pilares do PSG. O jovem zagueiro chegou sob desconfiança ao Parc des Princes (afinal, o clube pagou mais de € 30 milhões por um jogador de 19 anos) e logo teve que mostrar serviço. As interrogações sobre o brasileiro se transformaram em elogiosas exclamações. Com autoridade e boa colocação, o jovem não se intimidou com a responsabilidade e lidera a defesa com a experiência de um veterano. A ausência de Thiago Silva nem é notada.

Verratti, motor parisiense

Verratti

Se o Paris Saint-Germain tinha um adversário em potencial dentro do seu grupo na Liga dos Campeões, esta imagem ruiu no duelo diante do Benfica. Enquanto o time da capital mostra na Ligue 1 um estilo de jogo eficiente, mas pouco atraente, o PSG mostrou que sabe elevar seu nível de jogo quando mais precisa. Os 3 a 0 diante dos encarnados apenas comprovam que os parisienses sobram nesta etapa da LC e caminham a passos largos para ficar com o primeiro lugar da chave sem dar chance a zebras.

O trio do meio-campo, formado por Verratti, Matuidi e Thiago Motta, logo se impôs e foi o responsável pelo domínio completo da equipe lisboeta. Quando até Van der Wiel consegue se destacar, dá para se ter uma ideia clara de como o PSG teve facilidade. Foi do holandês o cruzamento para o primeiro gol de Ibrahimovic, o rei da noite no Parc des Princes. Bastou meia hora para o time da casa definir o resultado.

Marquinhos e Ibra foram às redes e mostraram às Águias que não tem para ninguém no grupo. O Benfica bem que tentou reagir, mas foi inócuo. E os louros mais uma vez caíram sobre a cabeça do sueco, coroado rei de Paris por toda a imprensa. Ibrahimovic merece toda a atenção, ainda mais por seus dois gols e por seu desempenho na última temporada e nesta, mas outro jogador tem brilhado tanto quanto o atacante e merecido pouca atenção.

Marco Verratti teve seus momentos de dúvida e inquietação quando se viu no meio da discussão sobre a renovação de seu contato com o PSG. Resolvida a querela, o meio-campista voltou a se concentrar exclusivamente em seu desempenho em campo e não decepcionou. O italiano tem exibido um futebol de alto nível e exerce papel crucial neste PSG eficiente, mas que não dá show.

As entradas ríspidas nos adversários, que lhe renderam alguns cartões vermelhos na temporada passada, deram lugar a um estilo de jogo mais cerebral. De forma mais inteligente, Verrati evoluiu na marcação e também tem se destacado na condução do time ao ataque. Com serenidade e precisão nos passes (92%, com apenas 14 passes errados em dois jogos), ele se tornou imprescindível para o time.

Por falar em evolução, Van der Wiel aos poucos começa a justificar a preferência de Laurent Blanc em escalá-lo como titular. Contestado e criticado, com razão, por sua fragilidade na marcação e pelo fraco apoio ao ataque, o lateral direito parece um pouco mais calmo com a responsabilidade. O holandês ainda destoa de seus companheiros, mas ao menos tem se esforçado para mostrar que a insistência do treinador vale a pena. Com isso, Jallet deve ficar mesmo no banco de reservas.