Atualizado dia 26/07/2013 às 10h26

Faltavam menos de duas horas para o início do jogo mais importante do ano na América do Sul quando parti do sofisticado Itaim Bibi para o divertido Bom Retiro, um bairro tradicional em São Paulo por abrigar imigrantes desde que imigrantes começaram a chegar a São Paulo. Depois de italianos, judeus, portugueses e coreanos, agora é a vez de bolivianos, equatorianos e paraguaios ocuparem as ruas e as casas em busca do “sonho brasileiro” de casa, dinheiro e uma vida melhor. Mas, nesta noite, o sonho brasileiro foi para a gaveta. Esta noite fria em São Paulo seria mais paraguaia do que um show da Perla.

Converso por mensagem com o meu contato paraguaio, com quem iria ver o duelo entre Atlético Mineiro e Olimpia. “Estamos aqui, com chuva, frio e muita confiança”, responde Léo Ramírez, fiel torcedor do Decano, que vive em São Paulo desde 2004. Ele é um dos criadores da Asociación Japayke, que tem como objetivo integrar os paraguaios na capital paulista. Foi ele quem convocou os torcedores do Olimpia a assistir ao jogo juntos.

Quando cheguei eram poucos, só uma mesa, agasalhados, mas vestidos de preto e branco. A chuva deixa a sensação térmica ainda mais baixa, mas isso não impedia que a mesa estivesse com boas doses de cerveja gelada – e um pouco de cachaça meio brasileira, meio paraguaia, porque ninguém é de ferro. Estavam todos confiantes em uma vitória do time que, agora, só podem ver de longe.

Na mesa, Léo me apresenta a Josema Brizela, outro fanático olimpista. Vivendo em São Paulo desde 2009, ele diz que é difícil acompanhar o time daqui. “Não dá para ver. Só sei o que acontece quando falo com minha família no Paraguai”, conta ele. Já pensando no jogo, que estava para começar, ele diz que lembra da final de 2002, contra o São Caetano e que estava no primeiro jogo da final, no estádio Defensores del Chaco. “Disse para um amigo que faríamos tudo para ir ao Brasil no jogo de volta, em São Paulo, se o Olimpia vencesse. Mas não venceu”. O Olimpia perdeu o jogo de ida por 1 a 0, mas venceu o São Caetano no Pacaembu por 2 a 1 e levou a Copa nos pênaltis. Ele conta que depois de perder o jogo de ida, o presidente Osvaldo Domínguez disse que ia renunciar ao cargo. O capitão do time, Julio Cesar Enciso, ligou para o presidente e disse: “Venha para São Paulo que te darei a Copa de presente”. E todos sabem o que aconteceu. O São Caetano não foi campeão da Libertadores antes do Corinthians.

Leonardo Yegros é mais um que acompanha o Olimpia na noite fria paulistana. Morando no Brasil há três anos, ele também está lá, com a sua camisa do Rey de Copas. Tanto Josema quanto Leonardo vieram ao Brasil para trabalhar na indústria têxtil, em confecções. É o destino da maioria dos imigrantes paraguaios em São Paulo. A maioria, mas não todos.

Pedro Masi chegou ao Brasil só há três semanas. Mais jovem que os demais, ele imigrou para terras brasileiras para fazer um estágio. Vestido com roupa social, ele não estava com a camisa do Olimpia e poderia estar nos setores mais caros do Pacaembu ou do Morumbi. Pedro ligou para o consulado para saber onde assistir ao jogo com paraguaios. O consulado deu o telefone de Léo Ramírez que, como o leitor já percebeu, é uma espécie de cônsul honorário e boleiro do Paraguai em São Paulo. Se boa parte dos paraguaios ali já fala muito português, Pedro ainda parece mais à vontade em castelhano. Mas é fácil se comunicar com ele. Léo conta que a barreira da língua deixou de ser um problema para imigrar para o Brasil. Os paraguaios não têm mais esse receio. El “portunhol selvagem”, na verdade, tem tudo para ser a língua do futuro neste momento em que o Brasil começa a se integrar, cada vez mais, à América Latina.

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Olímpia? Que Olímpia?
Leonardo Yegros com a camisa clássica do Olimpia (Foto: Felipe Lobo)
Leonardo Yegros com a camisa clássica do Olimpia (Foto: Felipe Lobo)

O Olimpia é um dos mais tradicionais clubes sul-americanos, tricampeão da América e campeão do mundo, mas não muito conhecido entre os brasileiros. Eles ainda se surpreendem porque o Olimpia não é conhecido no país do futebol, embora seja um time conhecido em toda América do Sul. O Decano por vezes passa como um clube invisível aos brasileiros. Ironicamente, como eles mesmos são para boa parte dos paulistanos, que classificam todos os imigrantes sul-americanos como “bolivianos” – como o taxista, que me levou até o bairro dizendo que esses imigrantes todos se parecem.

Mas há paraguaios, peruanos, chilenos. Léo conta que quando esteve na Bolívia viu brasileiros hospedados em hotéis quatro estrelas e comendo boas comidas locais, mas reclamando de maneira arrogante. O brasileiro fala dos latino-americanos como se não fosse um deles. Fala de América Latina como se o Brasil não fizesse parte dela. E esses paraguaios, morando em São Paulo, sabem bem disso.

Josema se mostra surpreso quando digo que o site fala sobre futebol internacional. Diz que aqui os brasileiros não sabem muito de times de fora do país. “Aqui só conhecem os clubes europeus”. Ao ouvir isso, lembrei que ontem Botafogo, Atlético Paranaense e São Paulo entraram em campo, por Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. No dia do jogo que deveria receber toda a atenção do continente, do mundo. É o dia da final de um dos campeonatos de clubes mais difíceis do mundo. A não ser que o time do próprio torcedor esteja envolvido, muitas vezes ele nem assiste ao jogo – a TV aberta sequer mostrou o jogo de ida na última semana, porque preferiu pedir à Conmebol a realização da Recopa no mesmo dia e mostrar os times paulistas para São Paulo. Mas não importa o que os outros pensam. Para os paraguaios ali, o Olimpia é o mais importante. E estão ali pelo time.

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O bar, um pequeno país
Quando Tardelli perdeu gol embaixo da trave, comemoração entre os paraguaios (Foto: Felipe Lobo)
Quando Tardelli perdeu gol embaixo da trave, comemoração entre os paraguaios (Foto: Felipe Lobo)

Longe da badalação de “pubs” que oferecem cerveja europeia a preços exorbitantes, imagem em HD, e petiscos com nomes em francês, o Bar do Alemão, local da reunião dos olimpistas paulistanos, é um ambiente tranquilo, onde o atendente conhece os frequentadores, as mesas são simples, as cervejas são nacionais de garrafa e o piso é de azulejo. Tudo que é necessário para uma assistir um jogo de futebol.

O Olimpia é um retrato dos imigrantes paraguaios em São Paulo. O clube de camisa pesada e muita tradição chegou à decisão com dificuldades. Atrasos de salários, problemas políticos, um time mais fraco do que os rivais Cerro Porteño e até que o Libertad. O time que há dois anos, no Clausura de 2011, encerrou um jejum de 11 anos sem ganhar o título nacional. Passou invisível entre os favoritos, mas trabalhou duro e, mesmo com muito menos dinheiro, passou por Fluminense e chegou à final contra o Atlético Mineiro jogando bem – terminou a competição com uma das defesas menos vazadas.

Seus torcedores são como o time aos olhos brasileiros: invisíveis. Esses paraguaios vivem na maior cidade do Brasil e são muitos. Tiago Rangel e Carlos Freire, pesquisadores que estudam a imigração paraguaia e estavam lá para acompanhar o jogo com os paraguaios, dizem que as estimativas sobre o número de paraguaios no Brasil são incertas. Vão de 40 mil, 100 mil até 400 mil. “A embaixada paraguaia não tem a menor ideia de quantos paraguaios há em São Paulo”, disse Tiago Rangel.

Além de estarem nas confecções por ali, os paraguaios também costumam estar na feirinha da madrugada – que reúne diversos imigrantes sul-americanos, de várias nacionalidades – e costumam se reunir na praça Nicolau Moraes de Barros, na Barra Funda, conhecida como “Areião”, mas chamada pelos paraguaios de Ybycu’i, que significa areia em Guaraní. Há inclusive pedidos para mudar o nome da praça em homenagem a eles, que ocupam aquele espaço como uma forma de se mostrarem presentes e manterem vivas suas tradições. Léo Ramírez diz que trabalhava com confecção também, como seus muitos compatriotas, e não tem vergonha alguma disso. Hoje estuda relações internacionais em uma universidade particular. “Nunca deixarei de ser paraguaio, que é o meu país de origem, mas hoje eu sou brasileiro também”, ele diz. “Sou muito grato pelas chances que recebi aqui”.

Léo Ramírez explica também que as condições de trabalho aqui no Brasil são, de maneira geral, melhores que no Paraguai. Conta que receber indenização quando se é demitido ou a mulher receber a licença maternidade são coisas que as pessoas não encontram com facilidade no Paraguai, mas muitos vêm para o país para trabalhar mesmo sem esses direitos. Alguns que estavam assistindo ao jogo trabalham em pequenas oficinas de costura em turnos de 10 a 14 horas por dia até altas horas da noite e aos sábados até o meio-dia. Uma vida difícil de sacrifício e que é invisível não só para a maioria dos brasileiros, mas para as autoridades, que fazem vista grossa em relação às condições de trabalho dessas pessoas. Mesmo assim, são muitos os que se arriscam em busca do sonho brasileiro.

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O jogo no escuro e a pinga Aristocrata
A pinga aristocrata, autenticamente paraguaia
A pinga aristocrata, autenticamente paraguaia

Mãos se esfregando para amenizar o frio, é hora de a bola rolar. O Olimpia tinha chances de gol no primeiro tempo, mesmo com o Atlético dominando completamente a partida. A esperança dos paraguaios ali presentes não era à toa. E os minutos iam passando. O primeiro tempo estava para terminar quando a energia elétrica acabou no bar. Luzes, TV, tudo escuro. Em meio a gritos, a energia voltou segundos depois e tudo foi religado. Para quem acompanha uma decisão como essa, os segundos demoram horas. E a sensação parece ser que no tempo que a TV estava desligada, o relógio não andou. Mas o primeiro tempo terminou empatado em 0 a 0, para comemoração dos paraguaios. Léo diz que eles levaram uma pinga paraguaia, Aristócrata. “Mas é só para o segundo tempo”, Josema disse. Ela seria realmente necessária.

Mal deu tempo de se ajeitar na cadeira depois do intervalo quando o Atlético marcou o primeiro gol. Uma desanimada em todos os torcedores, que começaram a ver a pressão quase insuportável do time brasileiro. Xingamentos dos mais diversos, com palavrões de todos os tipos e gritos desesperados como “Ah, papa!” quando um jogador do Olimpia errava um passe e dava a bola de volta para o Atlético voltar ao ataque. Os gritos desesperados e estridentes de uma torcedora ecoavam cada vez que a bola rondava a área do Olimpia. Ela gritava e virava de costas para a TV, abraçando o namorado. Bastava um cruzamento para a área que ela gritava tão alto que o bairro todo deve ter ouvido.

O jogo se desenrolou e o nervosismo deu ao ambiente um silêncio pouco usual. Apoio ao time se revezava com gritos para tirar a bola do adversário. Quando o goleiro Martín Silva fez uma grande defesa, foi muito aplaudido. O uruguaio é o maior ídolo dos torcedores do Olimpia. “Ele defende uma bola difícil como se não tivesse feito nada, é muito tranquilo”, diz Josema. O goleiro, ao lado de Alejandro Silva, meia que perdeu uma grande chance, mas que foi bastante participativo, e Juan Manuel Salgueiro, o craque do time, que foi cornetado pelo jogo apagado que fez, são os ídolos do time. Pedro Masi, aliás, vestiu a camisa do Olimpia no segundo tempo. Justamente a camisa 10, de Salgueiro, que estava tão apagado.

O tempo passava e o time paraguaio resistia. O título era do Decano naquele momento, com uma desvantagem de um gol. A cada momento, alguém falava quantos minutos o jogo tinha. Faltam 15, faltam 10, faltam cinco. Um dos torcedores fazia o número quatro com as mãos e ensinava as crianças, vestidas de Olimpia, a fazer o mesmo gesto. Repetiram seguidas vezes, lembrando que seria a quarta Libertadores do time de mais tradição sul-americana no Paraguai. Até mesmo um torcedor com uma touca do Sportivo Luqueño era Olimpia. Faltava pouco para a quarta Copa ir para o Centenário. “Amanhã é aniversário do Olimpia”, me disse Josema. Imagine como seria a recepção dos jogadores com a Copa em pleno aniversário do clube. Basta lembrar que o último título da Libertadores tinha sido justamente no ano do centenário, em 2002, de forma sofrida. Só que o futebol é cruel.

Pequeno torcedor do Olimpia aprende a fazer gesto do tetra do Olimpia (Foto: Felipe Lobo)
Pequeno torcedor do Olimpia aprende a fazer gesto do tetra do Olimpia (Foto: Felipe Lobo)

Ninguém contava com o gol de Leonardo Silva, já depois dos 40 minutos, quando tudo parecia encaminhado para a festa paraguaia. Os segundos de silêncio do bar só foram interrompidos por gritos extasiados de uma pessoa, uma só pessoa. Um rapaz vestido com um agasalho preto, com capuz, comemorava, com o copo na mão, gritando “chupa”. Sozinho. Os paraguaios o olhavam, mas ele nem ligava. A tristeza era tamanha que nenhuma palavra era dita. Nem pelas crianças.

A tensão era evidente nos rostos de cada torcedor. Alternavam entre xingamentos e cantos de apoio. Já no final da prorrogação, falta para o Olimpia. Foi como uma espécie de última chance, a salvação. Pitoni, o mesmo que marcou o gol milagroso no jogo de ida, parece um profeta no qual se depositam todas as esperanças. A cobrança perigosa, mas para fora, parecia selar o destino do Olimpia nos rostos dos torcedores.

Os paraguaios, de vida tão difícil no Brasil, sofreriam um pouco mais. Os pênaltis já vieram com um gosto de derrota pronto. Ainda que eles tenham comemorado quando a prorrogação acabou. O Galo tinha sido muito melhor e escapar da derrota, naquele momento, com um a menos, era uma vitória. E eles confiavam em Martín Silva no gol. “Nos pênaltis, como em 2002”, sorriu, tenso, Léo Ramirez. O Atlético, que tanto fez durante o jogo, parecia mais forte psicologicamente. O reflexo logo na primeira cobrança, com o erro de Miranda, deixou evidente que o título estava caindo nas mãos do Galo. As cobranças seguiam e o Atlético não errava nada. Ouvi um “acabou”, mas não identifiquei de quem. Todos olhando para a TV.

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Uma estrela x três estrelas
Apreensão dos torcedores do Olimpia. Léo Ramírez (esq.) e Pedro Masi (dir.) em destaque (Foto: Felipe Lobo)
Apreensão dos torcedores do Olimpia. Léo Ramírez (esq.) e Pedro Masi (dir.) em destaque (Foto: Felipe Lobo)

Um senhor palmeirense, sozinho na mesa, dizia repetidamente “Gaaaalo nããão”, se virava para trás e apoiava os paraguaios. Cada vez que o narrador falava em “São Victor”, ele repetia “São Marcos”. Ele soltava um “Não, Galo!” a cada novo ataque do time mineiro. Ele disse morar no Bom Retiro há 14 anos. Parecia simpático aos paraguaios e torcia intensamente pelo Olimpia. Mas nem ele levantava a voz bêbada nos pênaltis. Quieto, tenso. As vozes que se ouviam diziam “Silva! Silva!”. Uma torcida para um milagre do uruguaio. Um milagre que não veio.

A derrota não foi exatamente uma surpresa. Nem Léo nem Josema nem Leonardo nem Pedro pareciam inconformados. Um pouco decepcionados, mas conformados. “Alguém tem que perder”, disse Léo. “O Olimpia foi até onde pode. O Atlético foi melhor”. Era exatamente a mesma sensação que eu tive. O Olimpia ficou no fio da navalha e quase venceu o melhor time da Libertadores, com o Mineirão lotado. O time caiu de pé, como diz o chavão e a matéria que Léo Ramírez me mandou logo pela manhã, do site paraguaio D10: “Sofrimento, bravura, valor, atitude… a partida seria definida nos pênaltis, mas o Olimpia já era campeão, porque fez tudo que estava ao seu alcance”. É a mais pura verdade. Não dá para não considerar esse time vencedor com tudo que enfrentou nessa Copa Libertadores.

O bar já fechava, mas a tristeza já não tinha mais lugar. Entre os poucos torcedores que sobreviveram àquela noite, os mais fanáticos, com garrafas nas mãos, bebendo, cantando gritos de estádio e exaltando o Olimpia. Um dos cantos dizia algo como: “Não importa se vai ganhar ou perder, o que importa é o Olimpia”. O Bom Retiro já dormia, mas aqueles torcedores gritavam madrugada adentro, com a porta do bar já metade fechada.

A cachaça acabou e um dos torcedores, ainda cantando, pegou a garrafa e atirou longe na rua deserta, causando aquele estrondo de uma garrafa quebrando. A chuva já nos molhava, porque a pouca cobertura da calçada do bar não adiantava mais. Um deles se virou para mim e apontou para as estrelas na camisa do Olimpia. “O Atlético ganhou uma. Nós temos três. Gosto do Atlético, eles mereceram ganhar. Não tem problema. Alguém tem que perder”. Quando ele apontou a estrela dourada na camisa, eu me antecipei a ele e disse: “Campeão mundial em 1979”. Ele sorriu, surpreso, e me falou: “Você sabe! Você sabe! Campeão mundial” e me abraçou. Esperei mais alguns minutos na chuva até que o táxi chegasse. Quando ele finalmente chegou, depois daqueles minutos de frio e molhado na chuva, me despedi dos poucos paraguaios ainda na frente do bar. O jogo acabou, o bar fechou, mas a noite nunca vai acabar.

Naquela noite, naquele bar, o Brasil foi Paraguai na Libertadores.

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