Poucas camisas pesam tanto na Copa Libertadores quanto à do Olimpia. O Decano pode estar longe de seus anos mais gloriosos, mas impressiona por sua regularidade em disputar decisões do torneio continental. Depois da classificação dramática contra o Independiente Santa Fe, os paraguaios carimbaram o passaporte para a sua sétima final no torneio. É o terceiro clube que mais vezes ficou entre os dois melhores da Libertadores, igualando o Independiente, atrás apenas de Boca Juniors e Peñarol, ambos com dez decisões.

Além disso, o Olimpia é o único clube sul-americano que pode se gabar de ter disputado decisões de Libertadores em todas as décadas. A equipe paraguaia esteve presente na primeira final, em 1960, quando foi derrotada pelo Peñarol. Levantou a taça pela primeira vez em 1979, batendo o Boca Juniors. Emendou três pódios consecutivos entre 1989 e 1991, ficando com o título justamente em 1990. E tinha disputado sua última final em 2002, se impondo sobre o surpreendente São Caetano dentro do Pacaembu.

Dentro deste retrospecto, um homem pode ser colocado como símbolo da força do Olimpia na Libertadores: Ever Hugo Almeida. Recordista em partidas na competição, o uruguaio foi o goleiro titular do Decano entre 1973 e 1991, somando dois títulos e dois vice-campeonatos, além de dez taças do Campeonato Paraguaio. E, mais uma vez, Almeida se fará presente na final de 2013, agora como técnico dos alvinegros, em sua terceira passagem pelo banco de reservas do clube.

A presença do Olimpia na final desta Libertadores, de certa forma, surpreende bastante. Desde o título de 2002, o clube sofreu uma longa seca, voltando a levantar uma taça apenas nove anos depois, com o Clausura Paraguaio. Em 2013, o clube chegou à Libertadores como vice-campeão do Apertura, credenciado pelo entrosamento, mas sem mostrar tanto potencial em jogos decisivos. Uma desconfiança que foi mudada aos poucos, com o excelente desempenho em um grupo no qual era azarão, bem como das classificações sobre Tigre e Fluminense.

Na semifinal, o Independiente Santa Fe até teve seus méritos para um possível avanço, diante do sufoco imposto sobre os visitantes em El Campín. Todavia, prevaleceu o sangue frio do Olimpia, que não se limitou completamente à defesa e soube suportar a pressão imposta pelos colombianos. Prevaleceu a vitória por 2 a 0 em Assunção, ainda que o excesso de chances desperdiçadas pelos Cardenales tenha deixado a decisão do classificado a um triz dos pênaltis.

Seja Atlético Mineiro ou Newell’s Old Boys o adversário, o Olimpia já sabe que será o clube mais tradicional na final desta Libertadores. Mais do que isso, é o dono do segundo melhor ataque da competição e ainda está invicto no Estádio Defensores Del Chaco – são cinco vitórias e apenas um empate. Ter uma camisa pesada pode ajudar o Decano em mais uma decisão continental. Porém, se os alvinegros ficarem com o troféu pela quarta vez, certamente outras razões também explicarão o sucesso.