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O Bayern de Munique conquistou a Bundesliga pela oitava temporada consecutiva e, bem, não há qualquer novidade no fato em si. Assim como em outras grandes ligas europeias, a tendência à hegemonia se escancara nesta década do Campeonato Alemão – e sem tantas perspectivas de mudanças, por mais que o Borussia Dortmund se fortaleça economicamente e que o RB Leipzig tenha um rico mecenas. Que o domínio dos bávaros na competição seja corriqueiro desde o final da década de 1960, nunca aconteceu de maneira tão absoluta, superando (e muito) seu limite anterior de três troféus em sequência. Foi o 29° título da equipe desde o advento da Bundesliga, enquanto todos os outros clubes levaram 28 taças a partir de 1963/64.

Esta não foi, porém, uma conquista ordinária do Bayern. Dos oito títulos emendados em sequência, este talvez só fique abaixo, em nível de representatividade, de 2012/13 (o da Tríplice Coroa) e de 2013/14 (o primeiro com Pep Guardiola). Os bávaros passaram por um processo de reformulação que se acentuou bem no meio da campanha, com a troca de Niko Kovac por Hansi Flick, e dispararam em uma competição até então equilibrada. Que se espere o clube sempre como favoritíssimo, não se imaginava tamanha reviravolta ou subida de produção. Alguns jogadores importantes chegam ao melhor momento de suas carreiras ou recuperam a melhor forma. Enquanto isso, coletivamente, é realmente o melhor Bayern desde Heynckes e Guardiola.

A Bundesliga tem muito a melhorar em termos de competitividade. Não adianta ter as melhores torcidas e o melhor nível técnico dentre as grandes ligas da Europa, se a previsibilidade no topo da tabela afasta muita gente. Não há uma solução simples, entre a força econômica do Bayern sobretudo em seus acordos comerciais e a própria capacidade do mercado local em equiparar estas possibilidades. A Salva de Prata só deve mudar de mãos no curto prazo mais por incompetência do Bayern do que por aproximação estrutural de seus concorrentes, ainda que um time ou outro talvez diminua as diferenças com consistência dentro de campo. Mas, neste momento, o que mais sobrou ao Bayern foi competência para se reerguer durante a campanha. E a impressão é de que a dinastia pode ser mais duradoura com o início do trabalho de Flick.

Abaixo, separamos oito marcas desse octocampeonato. Não é surpreendente no contexto geral da Bundesliga, mas tem seu valor especial ao próprio Bayern. Confira:

Hansi Flick e o DNA bávaro

Uma das maiores queixas sobre o trabalho de Niko Kovac no Bayern de Munique era a falta de uma identidade. Não era tão simples notar um plano de jogo dos bávaros com o croata, quando tantas vezes parecia que o caminho era entregar a bola para Lewandowski e esperar os gols. A Salva de Prata pode ter vindo em 2018/19, mas aquela campanha acabou mais garantida pelos tropeços inexplicáveis do Borussia Dortmund do que necessariamente por méritos dos heptacampeões. O Bayern ganhou na osmose. E o sinal mais claro de que não estava tudo bem veio na atual campanha, quando os tropeços frequentes colocaram os favoritos como mais um concorrente pela taça, abaixo dos líderes. Parecia que, enfim, a hegemonia se quebraria.

Niko Kovac não parecia realmente um técnico para o nível do Bayern. Precisou de pouco tempo para demonstrar suas limitações e as próprias dificuldades para lidar com o ambiente, dada sua personalidade forte. Se a demissão era inescapável, Hansi Flick se tornou uma escolha óbvia para assumir interinamente o cargo. Era alguém com vivência no futebol, com seu passado no próprio Bayern, que conhecia boa parte dos jogadores há anos – graças ao seu papel como assistente da seleção. Não era um nome conhecido pelo grande público e nem possuía experiência no cargo principal, mas tinha transito nos bastidores e conhecimento do riscado, apontado como alguém capaz de traças ótimas estratégias.

O que surpreende é o impacto que Flick provocou. Em pouco tempo, o Bayern se transformou de uma bagunça em time pronto. Os egos foram amainados, o rendimento de muitos jogadores subiu, a equipe se tornou menos dependente de Lewandowski. E o que se nota é uma identidade na Baviera – uma identidade que parece retomar mesmo outros tempos vitoriosos do clube. O futebol mais veloz e agressivo relembra o que fez Jupp Heynckes em seu auge em 2012/13. Além disso, defensivamente, também é uma equipe bem menos exposta aos adversários – embora os números possam melhorar.

Assistir aos jogos do Bayern, por mais que se saiba quase sempre o resultado de antemão, voltou a ser mais prazeroso. É uma equipe que constrói belas jogadas coletivas e conta com um toque desequilibrante de seus principais jogadores. Em uma temporada de mudanças pela Europa, os bávaros começaram o ano de 2020 como a melhor equipe do continente e voltaram a ambicionar a tríplice coroa. Flick, merecidamente, renovou seu contrato. Ainda é cedo para dizer por quanto tempo esse toque de Midas, esse “fato novo”, perdurará num ambiente tão badalado e de tanta pressão como o da Allianz Arena. Mas é difícil imaginar hoje, no mercado, um nome que se adaptaria tão bem ao clube quanto o Hansi Flick que se mostrou até aqui.

O Lewandowski mais fatal

Robert Lewandowski está em sua sexta temporada no Bayern e sempre manteve números excelentes com o clube. Seu ano menos efetivo foi o primeiro, quando anotou “só” 17 gols e sete assistências. Desde então, sua média gira ao redor dos 30 gols por campeonato e, quando ficou um pouco abaixo disso, nos 22 tentos de 2018/19, compensou com dez assistências – a melhor marca da carreira no clube. Mas não havia nada tão bom que Lewa não pudesse melhorar e esta é a temporada mais efetiva de sua carreira.

Os quase 32 anos nas costas não são um peso a Lewandowski. Pelo contrário, o centroavante se mostra mais inteligente e mais preciso em suas ações. Mantém uma excelente forma física e sua insaciedade se nota nos números. Seu melhor momento na Bundesliga 2019/20, aliás, aconteceu quando o Bayern mais precisava dele e o polonês não deixou o nível cair sob as ordens de Niko Kovac. O coletivo bávaro era extremamente irregular, mas não o camisa 9, que balançava as redes dia sim e dia sim. Foram 17 gols nas 11 primeiras rodadas da Bundesliga, quebrando o recorde histórico de tentos na sequência inicial da competição. Entre eles, dois no confronto direto contra o Borussia Dortmund, que se provariam importantes mais tarde.

A série caiu um pouco depois disso, mas longe de ter sido ruim, até porque Lewandowski sofreu uma lesão no meio deste caminho. No máximo, passou três partidas sem marcar. E nesta sequência imparável sob as ordens de Hansi Flick, desde o fim do primeiro turno, só não balançou as redes ou deu assistências em dois jogos em que atuou. Se a sua contribuição se tornou menos preponderante em goleadas cada vez mais frequentes do Bayern, Lewa se transformou em facilitador aos companheiros, ao abrir espaços e atrair marcações. Afinal, todo cuidado era necessário com o polonês, diante de sua fase.

Restando mais duas rodadas, Lewandowski soma 31 gols em 29 partidas. Já é a melhor marca da Bundesliga em 43 anos, igualado a Pierre-Emerick Aubameyang. Não seria impossível alcançar os 34 tentos de Klaus Fischer em 1976/77, inclusive. Acima disso, apenas os números surreais de Gerd Müller em seu auge no Bayern. Estar abaixo apenas do maior centroavante da história da Alemanha já significa muito ao que Lewandowski representa. Dá para colocá-lo numa lista seletíssima de maiores atacantes da história do futebol alemão, com outros dois ou três nomes. É este nível que ele atingiu na Bundesliga e que, com uma taça da Champions em breve, poderia consolidar sua posição de maneira irrefutável.

Os renascidos

Outros dois pilares do Bayern octocampeão são velhos conhecidos. Os capitães do time, Manuel Neuer e Thomas Müller, viveram uma temporada para reforçar a história que construíram e rebater quem apontava que estavam em declínio. O final de seus contratos com o Bayern e mesmo certa ameaça de perderem a titularidade permearam esta história. Mas a resposta veio em campo, provando o valor de ambos os veteranos, essenciais na Baviera e com muita lenha para queimar.

O caso de Thomas Müller é o mais emblemático. O atacante vinha de temporadas titubeantes, em que alternava fases, mas com uma avaliação normalmente negativa. Considerando que as qualidades de Müller não são facilmente perceptíveis ao grande público, muitas vezes ele depende de números para se sustentar. E a quantidade de gols caía paulatinamente, sem mais conseguir ser aquele elemento surpresa dentro da área. Problema? Não quando o atacante conseguiu se reinventar. Algo que já era uma de suas características, Müller se firmou de vez como um criador. Não é o mais veloz ou o mais habilidoso, mas sabe muito bem como deixar seus companheiros em ótimas condições – especialmente Lewandowski.

O crescimento de Müller nesta temporada se combinou com a promoção de Hansi Flick e é natural pensar na influência direta do treinador, seu velho conhecido na seleção. Jogando normalmente como meia ofensivo ou mesmo como um segundo atacante, o camisa 25 aproveita sua leitura de jogo e seu ótimo posicionamento para potencializar o ataque. Os passes açucarados se tornaram mais frequentes na guinada dos bávaros a partir de dezembro. As 20 assistências até aqui já bateram o recorde da Bundesliga. E a um atleta que não descartava publicamente uma transferência, a satisfação é evidente com a renovação de seu contrato.

O problema de Neuer, por sua vez, não era exatamente técnico. Era bem mais físico, considerando as sequências de lesões que sofreu. O goleiro não tinha ritmo de jogo tão constante e, por isso, não repetia a imponência de outros tempos. Esta temporada seria diferente. Neuer atuou nas 32 rodadas da Bundesliga, sempre com a braçadeira de capitão. Não garantiu todas as vitórias no primeiro turno, mas foi importante para contribuir com pontos. E aquela defesas impossíveis se tornaram mais costumeiras, como no passado. Neste segundo turno, não sofreu gols em nove das 15 rodadas.

Há um elemento importante na contratação de Alexander Nübel para a próxima temporada ou mesmo na disputa pela titularidade da seleção com Marc-André ter Stegen. Neuer se incomodou com ambas as situações e, embora tenha exagerado em algumas respostas públicas, também se mexeu dentro de campo. A acomodação de ser sempre colocado entre os melhores goleiros do mundo mesmo quando não tinha sequência para justificar isso em campo, enfim, passou. E com o camisa 1 voando, realmente pouquíssimos arqueiros conseguem se equiparar à sua qualidade. Prova de seu poder de decisão veio no jogo do título, com a defesaça que assegurou a comemoração nos minutos finais.

As descobertas na defesa

A maior reformulação do Bayern de Munique nesta temporada aconteceu em seu sistema defensivo. Com as incorporações de Benjamin Pavard e Lucas Hernández, os bávaros ganharam novas peças e poderiam repensar o encaixe do setor. O roteiro, porém, não seria tão linear. Niko Kovac teve os seus problemas em garantir proteção e as lesões ainda provocaram desfalques constantes na zaga. Apesar disso, os bávaros se reinventaram por ali, descobrindo capacidades até então desconhecidas em seus jogadores.

O grande acréscimo veio com a afirmação de Alphonso Davies. Embora já se admitisse seu uso como lateral esquerdo, imaginava-se suas aparições muito mais constantes como ponta. Não foi o que aconteceu, e ainda com Kovac. Davies assumiu o fardo sem muitos problemas e se mostrou muito consistente inclusive na marcação, por mais que seu forte seja o apoio. A velocidade do garoto de 19 anos pela esquerda se tornou uma arma a mais e uma fonte constante de boas jogadas, também com seus dribles e passes. Surge logo como um dos melhores da posição na temporada europeia.

A ascensão de Davies não significou o desprestígio de David Alaba. Pelo contrário, o antigo dono da lateral esquerda só valorizou-se como jogador, provando sua polivalência também na zaga. O austríaco não é o mais forte fisicamente para a posição, mas compensa com uma inteligência acima do comum. Também serve como um elemento ofensivo a mais, por seus lançamentos e saídas de bola. É um zagueiro com qualidade de meio-campista e fôlego de lateral. Diante da costumeira lentidão na retaguarda bávara, foi uma mudança que veio a calhar.

Dá até para dizer que outros jogadores se beneficiaram com as duas surpresas positivas. A subida de produção de Jérôme Boateng, outro que parecia com seus dias contados na Allianz Arena, não deixa mentir. O zagueiro não escondia sua insatisfação e muitas vezes era o ponto fraco na marcação, mas voltou a se impor como em seus principais momentos. Já na direita, mesmo com a responsabilidade de ocupar o espaço antes destinado a Kimmich, Benjamin Pavard agradou em sua temporada de estreia. Tem características distintas, mas aumentou a proteção e até garante mais liberdade às subidas de Davies do outro lado.

Um meio-campo que faz jogar

Joshua Kimmich, enquanto jogou na lateral direita do Bayern, se elevou a um nível tão alto que passou a ser considerado por muitas pessoas como o principal atleta de sua posição na Europa. Não era exagero, considerado que a ponte aérea entre seus cruzamentos e os gols de Lewandowski foi primordial à conquista da Bundesliga nas duas temporadas anteriores. Pois bem: que a multiplicidade de Kimmich fosse conhecida, mandá-lo de volta ao meio-campo não parecia a decisão mais coerente. Mas, pelo contrário, o camisa 32 se provou mais útil ao Bayern neste retorno às origens. E simboliza o dinamismo de um setor que, após tatear seu caminho com Niko Kovac, descobriu sua vocação com Hansi Flick.

O Bayern combina trios que têm ótima qualidade nos passes e sabem manter a posse quando preciso, mas que garantem um jogo mais vertical e aceleram com a precisão de suas enfiadas mais à frente. Kimmich é desses caras, assim como Thiago Alcântara. Enquanto o alemão manteve o altíssimo rendimento em nova velha posição, o espanhol reafirmou sua categoria quando muitos já discutiam seu espaço na Baviera. Thiago tem muito chão pela frente e até tirou um peso de suas costas, ao ser mais eficiente como um termômetro e deixar para trás as cobranças daqueles que o queriam mais ofensivo. Não é este o ponto.

E se Philippe Coutinho não emplacou como chegou a indicar durante o primeiro turno, Leon Goretzka foi outro que ganhou importância com Hansi Flick. O jovem ainda não tinha sido tudo o que se esperava dele no Bayern, apesar de alguns lampejos. Neste momento de ascensão, as boas partidas se tornaram bastante frequentes e ele se apresentou como um elemento ofensivo extra, seja pela qualidade de suas finalizações ou por sua visão de jogo. Em suas últimas 14 aparições, fez seis gols e deu sete assistências. Muitos dos placares mais dilatados aplicados pelos bávaros caem em sua conta.

Não há um novo Robben ou um novo Ribéry, e tudo bem

Um dos maiores dramas do Bayern de Munique nas últimas temporadas era lidar com o declínio de Arjen Robben e Franck Ribéry. A dupla ‘Robbéry’ representa um ponto de virada à reafirmação dos bávaros nesta década e, em importância na história do clube, talvez só esteja abaixo mesmo do esquadrão montado nos anos 1970. Não é pouco. Atingir o nível de protagonismo de ambos, estava claro, seria impossível. De qualquer maneira, o clube via certas dificuldades para estabelecer as peças que ocupariam a posição de maneira constante, enquanto ambos os veteranos conviviam com as lesões. Sem a sombra de ambos, também não se sentiu falta dos craques.

Serge Gnabry foi um achado do Bayern. Tudo bem, o alemão apresentava um enorme talento desde os tempos de Hoffenheim. Mas, quando chegou, parecia alguém muito mais propenso a se tornar coadjuvante na equipe. Provou-se em campo e, depois de uma excelente temporada de estreia, manteve o nível na atual campanha – não com o mesmo protagonismo, mas com números até melhores. Com “duplo duplo” em gols e assistências na Bundesliga, só contribuiu menos ao ataque da equipe que Lewandowski e Müller. É uma bola de segurança, especialmente pela forma como parte em diagonal e acredita em seu taco nas finalizações. Não vai ser Robben na direita, o que não tira seu valor.

Já na esquerda, Kingsley Coman demonstra que pode ser um jogador bem mais confiável. Não está totalmente livre das lesões e também não representou um poder de decisão tão grande na Bundesliga, com números até modestos se comparado ao seu colega de setor. Mas é um atleta para quebrar as marcações, sobretudo com sua habilidade, e que anda rendendo bem neste ponto. Está entre os futebolistas com mais dribles e mais ocasiões criadas na campanha. Pode crescer mais, e isso passa mais por forma física do que por talento em si. Mas deve seguir entre os nomes relevantes do elenco, por mais que não alcance a preponderância de um Ribéry.

A sequência imparável no final

Diversos times fazem uma temporada digna na Bundesliga e merecem reconhecimento. O Borussia Dortmund encontrou sua melhor forma no segundo turno e parece em condições de ascender nos próximos anos – especialmente se tirar Lucien Favre do comando e segurar seus prodígios. O RB Leipzig se beneficiou com a chegada de Julian Nagelsmann imediatamente e, apesar do excesso de empates, é o time que menos perdeu na campanha. O Borussia Mönchengladbach desfrutou de uma ambição que não se sentia desde seus melhores tempos na década de 1970, com Marco Rose possibilitando isso. E o Bayer Leverkusen de Peter Bosz outra vez virou a chavinha para crescer durante a metade final do campeonato.

Os três primeiros sonharam concretamente com a Salva de Prata e ocuparam a liderança. Em outras ligas, até poderiam se manter no páreo rumo às últimas rodadas. Mas o insucesso deles não significa necessariamente deméritos ou fracasso. O problema foi mesmo se equiparar ao Bayern. Diferentemente dos últimos títulos dos bávaros, este não veio por falta de concorrência. Ele surgiu exatamente pela força dos campeões, ao reverterem sua situação e emendarem uma das melhores sequências deste octocampeonato.

Mesmo estreando na Bundesliga com goleada por 4 a 0 sobre o Borussia Dortmund, Hansi Flick logo depois perdeu dois jogos consecutivos e levou os mais precipitados a torcerem o nariz. Desde então, o que fez o Bayern é inquestionável. São 18 partidas de invencibilidade no campeonato, com 17 vitórias e um empate. Raríssimos adversários estiveram mesmo em condições de encarar os alvirrubros. E em oito desses duelos, o time anotou quatro ou mais gols. Disparou do sétimo lugar ao primeiro, para levar a taça com duas rodadas de antecedência. Enquanto o Bayern somou 52 pontos em 54 possíveis, nenhum outro foi além dos 40 no período. Não fosse o empate contra o Leipzig, o clube estaria a um jogo de seu recorde de vitórias consecutivas.

O melhor ataque do octo?

E uma marca importante deste conjunto montado pelo Bayern é que, no atual octocampeonato, raras vezes o clube contou com um ataque tão efetivo. Em números absolutos, mesmo restando mais duas rodadas, o total de gols é o maior dos últimos seis anos. A equipe de Hansi Flick precisa de apenas mais um tento para igualar a marca da primeira temporada sob as ordens de Pep Guardiola e de mais cinco para se equiparar ao esquadrão da Tríplice Coroa de Jupp Heynckes. Além disso, contra Freiburg e Wolfsburg, não seria loucura imaginar mais sete gols, quebrando a fronteira dos 100 tentos. Em toda a história da Bundesliga, somente o Bayern de 1971/72 balançou as redes tantas vezes – 102, com direito a 40 gols só de Gerd Müller.

Tais números representam a excelência ofensiva atingida com Hansi Flick. O Bayern sabe aproveitar as qualidades de diferentes jogadores e usar isso para arrebentar as defesas adversárias. As atuações nesta volta pós-pandemia nem foram todas brilhantes, mas as vitórias seguiram garantidas. Foram 68 gols em 22 rodadas sob as ordens do treinador, uma média que até fica acima daquele timaço de 1971/72. É o sinal de um Bayern muito mais empolgante e que redescobriu sua vocação à agressividade. Apesar da monotonia na lista de campeões, esta campanha esteve distante de ser meramente protocolar. Há a impressão de que, enfim, os bávaros poderão reinar novamente na Europa em breve.