O Gre-Nal possui certa tradição entre jogos pegados e placares zerados. E o primeiro Gre-Nal da história da Libertadores não fugiu do roteiro, com tudo elevado à enésima potência. O empate por 0 a 0 prevaleceu na Arena, mas em uma partida intensa, repleta de oportunidades de gol. Ainda que muitas entradas mais duras acontecessem, a bola rolou bastante por 85 minutos e os dois rivais tiveram suas chances de vencer. Porém, já no fim do clássico, a rispidez desandou à confusão. Por uma disputa tola na beira do campo, o Gre-Nal acabou com uma briga generalizada, que rendeu oito expulsões. Cenas tão lamentáveis quanto emblemáticas, que fecharam uma noite vivida ao máximo – e que pode terminar em prejuízo aos clubes, ante os muitos desfalques à sequência da competição continental.

Durante a entrada dos times em campo, a torcida do Grêmio proporcionou seu espetáculo nas arquibancadas, com os trapos tricolores e fogos nos arredores da Arena. Assim, os times vieram ao Gre-Nal já ligados em alta voltagem. Não demoraria para rolar o primeiro entrevero com os jogadores, após uma falta de Edenílson em Everton Cebolinha. E logo os goleiros começaram a trabalhar. Lomba seria o primeiro a fazer uma defesaça, buscando a cabeçada de Diego Souza no cantinho. Já do outro lado, Vanderlei voou para desviar o chute de Edenílson.

Como era de se esperar em um Gre-Nal, no entanto, era uma partida mais pegada que jogada. As duas equipes mais discutiam que arrematavam a gol. Ao menos, não faltava intensidade de ambos os lados. O Grêmio tinha inciativa e se manteve melhor durante as primeiras ações da partida, pressionando no campo de ataque. O Inter demoraria um pouco mais para acertar o seu jogo, defendendo de maneira mais recuada. Contudo, os colorados passariam a controlar mais a bola com o passar dos minutos e escapar nos contragolpes.

A partir dos 25, o clássico se tornou um festival de cartões amarelos, entre muitas chegadas mais firmes. Já aos 32, o Inter descolou sua melhor oportunidade na etapa inicial. A partir de uma tabela com Guerrero, Gabriel Boschilia invadiu a área e saiu de frente com Vanderlei. Na tentativa de encobrir o goleiro, o meia acabou mandando para fora. As defesas prevaleciam, mesmo quando pareciam prontas a fazer bobagem. Os dois times não conseguiam construir muito para invadir a área e finalizar com espaço. Estava claro como o Gre-Nal, mais uma vez, poderia ser decidido por detalhes.

O início do segundo tempo melhoraria. Everton Cebolinha fez um carnaval na área logo na primeira chegada do Grêmio, antes que Alisson batesse para fora. Edenílson tentou responder do outro lado, em um chute prensado. E os tricolores logo fariam sua primeira alteração, quando Maicon saiu lesionado e deu lugar ao aplaudido Jean Pyerre. O substituto ajudaria os gremistas a acelerarem seu jogo. O clássico ficaria mais corrido durante a etapa complementar, com bons lances aos dois lados.

O Inter ficaria com o grito preso aos 15 minutos, em lance impedido, no qual Edenílson bateu em cima de Vanderlei e Guerrero tentou mandar o rebote para dentro. O Grêmio responderia do outro lado, esboçando uma pressão também com a entrada de Pepê. Jean Pyerre forçaria uma ótima defesa de Lomba, em chute de longe, antes que o goleiro saísse para abafar Pepê. E com o desespero pelo gol que não saía, os colorados lamentariam o quase.

Edenílson foi o primeiro a acertar o poste para o Inter, aos 23 minutos. De longe, o meio-campista mandou a bola no cantinho, mas esbarrou na trave. Pepê chegaria a entregar uma jogadaça do outro lado, de novo barrado por Lomba. De qualquer maneira, os colorados se impunham mais no campo de ataque e pareciam propensos ao gol. O tento não saiu por um triz aos 34, a partir de uma tabela entre Boschilia e Guerrero. O meia tocou na saída de Vanderlei, estalando o pé da trave.

Com o Inter em cima, o jeito ao Grêmio era apostar nos contra-ataques. Também surgiam espaços assim aos tricolores. E a equipe da casa desperdiçou uma oportunidade claríssima aos 38: Luciano avançou com liberdade pelo meio e, de fora da área, tentou encobrir Lomba. Mandou para fora, em lance muito lamentado pelos gremistas. Porém, se o ritmo do segundo tempo era ótimo e parecia pronto a premiar qualquer uma das equipes, uma confusão entre Moisés e Pepê quebrou totalmente o clima do Gre-Nal.

O desentendimento entre os dois jogadores desencadeou outras discussões. Edenílson e Luciano se agrediram. A partida ficou paralisada por alguns minutos, até que o árbitro Fernando Rapalini finalmente mostrasse o cartão vermelho quatro vezes: para Moisés, Pepê, Edenílson e Luciano. Antes que os expulsos saíssem de campo, houve uma pancadaria generalizada, com mais agressões. O policiamento precisou ser acionado, enquanto as comissões técnicas tentaram apaziguar, por mais que os reservas engrossassem as cenas lamentáveis. O árbitro expulsou mais quatro, incluindo Praxedes e Paulo Miranda no banco, bem como Caio Henrique e Cuesta em campo. Foram mais de 12 minutos sem futebol no total, até que o jogo acabasse retomado. Vale lembrar que não há VAR nesta fase da Libertadores para conferir a violência.

Com oito para cada lado, as táticas já não valiam mais nada na Arena. O Inter se fechou um pouco mais, com Rodrigo Lindoso no lugar de Guerrero. E, com os rivais recuados, o Grêmio tentou se aproveitar. Geromel quase anotou um gol de fora da área, surpreendendo Lomba em bola que passou por cima do travessão. Os colorados chegaram a ter um contra-ataque frustrado por Lucas Silva, que recebeu o amarelo. Já no último lance de perigo, quando se cumpriam os quatro minutos de acréscimos, Lucas Silva acertou uma bomba de fora da área e Lomba triscou a bola contra o travessão. O placar zerado prevaleceria num clássico tão quente.

O mais difícil a Grêmio e Inter, agora, será lidar com os muitos desfalques gerados pelas expulsões. As duas equipes saem bastante prejudicadas, e sabe se lá por quanto tempo, ante o risco de suspensões mais longas dos jogadores. Neste momento, ao menos, os rivais ocupam a zona de classificação no Grupo E. Ambos somam quatro pontos, um a mais que o América de Cali na chave. E fica a expectativa sobre qual será o clima no próximo Gre-Nal da Libertadores, inicialmente marcado para 8 de abril.

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