Depois de dois meses de movimentações constantes, a Premier League cessou suas contratações na última sexta-feira. Uma ou outra compra pode acontecer (como a do desempregado Michael Owen), bem como vendas para países nos quais a janela ainda esteja aberta. E, até que franceses ou russos provem o contrário, ninguém gastou mais que os ingleses neste verão. Foram € 623 milhões empreendidos em reforços, com déficit na balança de € 322 milhões. Nas próximas linhas, acompanhe uma avaliação de como foi o mercado para os clubes do Campeonato Inglês.

Arsenal

Melhor negócio: Santi Cazorla (€ 19 milhões)
Compras: € 43 milhões
Vendas: € 56,5 milhões
Saldo do mercado: Mais uma vez, o verão foi péssimo para Arsène Wenger. A perda de Alex Song foi aceitável, diante das opções no meio. O problema foi Van Persie forçar a saída e aumentar o prejuízo. Ao menos os Gunners fizeram um grande negócio com Santi Cazorla, além de apostas válidas com Podolski e Giroud. Só poderiam ter explorado mais os ganhos, fechando a janela com um superávit (desnecessário) de € 13,5 milhões.

Aston Villa

Melhor negócio: Brett Holman (sem custos)
Compras: € 25,4 milhões
Vendas: € 3,2 milhões
Saldo do mercado: O Aston Villa primou em quantidade durante a janela, pagando por sete jogadores e ainda trazendo Brett Holman sem custos. As novidades significam a renovação do elenco após uma péssima campanha, mas não há ninguém capaz de fazer muita diferença. A maior aposta é Christian Benteke, atacante jovem que se destacou no Genk, confirmado apenas horas antes do fechamento.

Chelsea

Melhor negócio: Eden Hazard (€ 40 milhões)
Compras: € 103,8 milhões
Vendas: € 10 milhões
Saldo do mercado: Único clube a ultrapassar a barreira dos € 100 milhões, o Chelsea pagou para se renovar. Nenhum dos novatos passa dos 23 anos. E alguns deles estão prontos para o retorno imediato, em especial Eden Hazard – que, de qualquer forma, veio por um preço um pouco salgado. Na contramão, Drogba é o único a fazer falta, ainda que Fernando Torres pareça mais que pronto para substituí-lo. Por sorte, os Blues têm Roman Abramovich para pagar as contas. Se dependesse do balanço no mercado, teria enorme prejuízo.

Everton

Melhor negócio: Steven Pienaar (€ 5,75 milhões)
Compras: € 18,1 milhões
Vendas: € 18,7 milhões
Saldo do mercado: David Moyes gastou o quanto recebeu e conseguiu a proeza de sair ganhando. O Everton vendeu o promissor Jack Rodwell por um valor alto e trouxe quatro novos nomes com o dinheiro. Pienaar volta a um time no qual está mais do que adaptado e Kevin Mirallas tem boas condições de valer o investimento. E os Toffees ganharam Steven Naismith com os espólios do Rangers.

Fulham

Melhor negócio: Moussa Dembélé (€ 19 milhões)
Quanto gastou: € 10 milhões
Quanto recebeu: € 29,7 milhões
Saldo do mercado: Tudo dependerá de como o Fulham lidará com as perdas de Dembélé (maior venda da história do clube) e Dempsey. A princípio, os Cottagers têm capacidade para manter o posto seguro no meio da tabela. Os londrinos tiveram o maior superávit da janela e conseguiram atrair jogadores sem contrato para se reforçar. A melhor parte, porém, ficou para a volta que Berbatov deu em Juventus e Fiorentina antes de assinar com o time.

Liverpool

Melhor negócio: Joe Allen (€ 19 milhões)
Compras: € 42,6 milhões
Vendas: € 10,5 milhões
Saldo do mercado: O mercado serviu para Brendan Rodgers se desfazer das peças que não queria mais no Liverpool e trazer alguns de seus homens de confiança. O preço pago por Joe Allen foi alto, mas o galês tem sido o destaque dos Reds no início da temporada. O problema está mais em quem o clube não trouxe, especialmente para o ataque. Raheem Sterling é um excelente prodígio, mas não deveria ser visto como solução tão cedo.

Manchester City

Melhor negócio: Maicon (€ 6 milhões)
Compras: € 64,2 milhões
Vendas: € 24,3 milhões
Saldo do mercado: Demorou, mas na última semana Roberto Mancini ganhou os reforços que tanto esperava. O elenco está mais forte, mesmo sendo a janela mais modesta desde a chegada dos sheikhs. Javi García e Maicon podem emplacar como titulares, enquanto Rodwell, Nastasic e Sinclair podem ser úteis – sobretudo no futuro. E os Citizens conseguiram fazer um dinheiro razoável com Adam Johnson, Nigel De Jong e Emmanuel Adebayor, que não farão falta.

Manchester United

Melhor negócio: Robin van Persie (€ 30,7 milhões)
Compras: € 64,7 milhões
Vendas: € 11,1 milhões
Saldo do mercado: O United é o único time da Premier League a ganhar um craque, o que diferencia de seus rivais. Van Persie veio por um preço até abaixo do que realmente vale e já começou a compensar. Sir Alex Ferguson ainda fez outro negócio excelente, trazendo Shinji Kagawa também por um valor razoável, e trouxe mais três jovens apostas. O gasto é o maior desde 2007/08, mas serve para recolocar os Red Devils na rota dos títulos.

Newcastle

Melhor negócio: Romain Amalfitano (sem custos)
Compras: € 10,3 milhões
Vendas: € 6,3 milhões
Saldo do mercado: Depois de uma grande temporada no mercado, o Newcastle permanece uma incógnita. Alan Pardew terá que esperar para ver se as novas apostas se darão tão bem quanto as outras que fez no clube. O único reforço de peso foi Vurnon Anita, útil como coringa. Pelo menos os Magpies podem comemorar a permanência de seus principais jogadores, apesar do assédio.

Norwich City

Melhor negócio: Robert Snodgrass (€ 3,2 milhões)
Compras: € 10,8 milhões
Vendas: € 380 mil
Saldo do mercado: Os esforços do Norwich na busca por reforços foram menores do que para a manutenção do elenco. As referências da equipe seguem intactas, mas os recém-chegados não empolgam tanto assim. A defesa ganha opções com Michael Turner, Sébastien Bassong e Javier Garrido. No entanto, o principal novato tem sido Robert Snodgrass, que vai mantendo o bom nível apresentado nos tempos de Leeds.

Queens Park Rangers

Melhor negócio: Júlio César (sem custos)
Compras: € 20,6 milhões
Vendas: € 1,5 milhões
Saldo do mercado: Nenhum outro clube fez tantas mudanças no elenco. Ao todo, 15 atletas saíram, enquanto 11 chegaram. E se a única perda capaz de ser lamentada é a de Joey Barton, Mark Hughes tem muito que comemorar. O QPR trouxe nomes do porte de Júlio César, Hoilett e Andy Johnson aproveitam fins de contratos, além de pagar por destaques Mbia, Park e Granero. O problema é a idade elevada dos jogadores que promovem a renovação, com média de 27,9 anos.

Reading

Melhor negócio: Pavel Pogrebnyak (sem custos)
Compras: € 6,8 milhões
Vendas: € 900 mil
Saldo do mercado: O Reading ganhou um novo dono russo, mas soube como gastar o seu dinheiro. Sem exageros, os campeões da Championship trouxeram reforços consideráveis, explorando jogadores sem contratos. Os maiores exemplos são Pogrebnyak, Guthrie e McCleary, que vieram de graça e hoje são titulares.

Southampton

Melhor negócio: Emmanuel Mayuka (€ 4 milhões)
Compras: € 37,7 milhões
Vendas: nada
Saldo do mercado: Dono do quarto maior déficit entre os 20 clubes, o Southampton aproveitou o retorno à Premier League para gastar o arrecadado com as vendas de Bale e Oxlade-Chamberlain. E a tática dos Saints é apostar em outros jovens, que possam dar maiores retornos no futuro, como Gastón Ramírez, Mayuka e Jay Rodríguez. Se garantirem a permanência na elite por mais alguns anos já são ótimos negócios.

Stoke City

Melhor negócio: Maurice Edu (€ 630 mil)
Compras: € 16,8 milhões
Vendas: € 640 mil
Saldo do mercado: O Stoke City não teve pudores em seus gastos e conseguiu, dentro de suas limitações, fazer um bom mercado. São cinco jogadores com condições de titularidade, em especial para o meio de campo, onde figuram Charlie Adam, Steven N’Zonzi e Maurice Edu. Contudo, também não há ninguém capaz de fazer crer que os Potters poderão subir de status nesta temporada.

Sunderland

Melhor negócio: Steven Fletcher (€ 15,2 milhões)
Compras: € 27,8 milhões
Vendas: € 12,2 milhões
Saldo do mercado: Steven Fletcher e Adam Johnson são, sem dúvidas, dois bons nomes para o Sunderland. Ambos, porém, terão que jogar muita bola para compensar o montante investido em suas transferências, mais de € 27 milhões de euros. Pela porta de saída, Asamoah Gyan não compensou o valor pago em sua compra, mas ao menos trouxe um bom rendimento para o caixa dos Black Cats.

Swansea

Melhor negócio: Michu (€ 2,5 milhões)
Compras: € 20,3 milhões
Vendas: € 26,8 milhões
Saldo do mercado: As vendas de Joe Allen e Scott Sinclair já ficaram no passado do Swansea. Afinal, Michu, Chico e De Guzmán, alguns das peças trazidas com o dinheiro arrecadado com as vendas, aparecem entre os protagonistas da arrancada dos galeses. E, nas últimas semanas da janela, também chegaram Ki Sung-Yeong e Pablo Hernández, credenciados a se adaptar rapidamente à filosofia de jogo dos Swans.

Tottenham

Melhor negócio: Luka Modric (€ 30 milhões)
Compras: € 65,4 milhões
Vendas: € 67,4 milhões
Saldo do mercado: Ninguém soube aproveitar melhor suas vendas quanto o Tottenham. O meio de campo perdeu duas de suas principais peças, mas o time todo ganhou com isso. Além de Modric e Van der Vaart, Corluka, Kranjcar e Pienaar renderam bons trocados. Lloris, Vertonghen, Dembélé, Sigurdsson, Dempsey e Adebayor chegam prontos para o 11 inicial e dão condições para os Spurs permanecerem no Top Four. Resta saber encaixar tantos novatos.

West Bromwich

Melhor negócio: Claudio Yacob (sem custos)
Compras: € 5 milhões
Vendas: € 2,5 milhões
Saldo do mercado: Mesmo sendo o clube que menos gastou na janela, o West Bromwich está bem mais forte do que na temporada passada. Sem grandes perdas, o clube fez boas transações ao trazer Claudio Yacob, Romelu Lukaku e Markus Rosenberg. Além disso, os Baggies ainda ganharam a permanência de Ben Forster.

West Ham

Melhor negócio: Andy Carroll (€ 1,25 milhões)
Quanto gastou: € 23,2 milhões
Quanto recebeu: € 5 milhões
Saldo do mercado: Ao lado do QPR, o West Ham é o clube com mais acréscimos em seu elenco, 11 no total. E boa parte deles de grande valia. O meio de campo é o setor mais beneficiado, com Diamé, Diarra e Jarvis. No gol, Jääskeläinen repõem bem Green. E há a chegada de Andy Carroll, que pareceu bastante funcional ao estilo de jogo dos Hammers logo em sua estreia.

Wigan

Melhor negócio: Victor Moses (€ 11,5 milhões)
Compras: € 10,4 milhões
Vendas: € 13 milhões
Saldo do mercado: Obviamente, Victor Moses fará falta no elenco do Wigan, mas não dá para lamentar os € 11,5 milhões embolsados do Chelsea – em outro ótimo negócio, como os feitos recentemente pelo clube. Os Latics souberam aproveitar o dinheiro em caixa, repondo o ataque com Arouna Koné (que custou razoáveis € 3,8 milhões) e ainda buscando Iván Ramis para compor a defesa.