A ânsia azulgrana é imensa. Já são 52 anos disputando as competições continentais e, ainda assim, o Cerro Porteño nunca sequer chegou a uma decisão. A mais nova tentativa acontece agora, nas semifinais da Copa Sul-Americana. E o que se viu nas arquibancadas do Defensores del Chaco foi uma convulsão coletiva, para empurrar o Ciclón antes do primeiro jogo contra o Atlético Nacional. Cerca de 35 mil torcedores fizeram uma belíssima festa no recebimento da equipe paraguaia, com papeis picados e bandeirões. No entanto, os presentes não se satisfizeram tanto com o placar final do duelo. O empate por 1 a 1 beneficiou os colombianos, que permaneceram a maior parte do segundo tempo com um a menos e anotaram o seu gol nos instantes finais.

Apesar da euforia nas arquibancadas, o Cerro Porteño precisou lidar com o domínio do Atlético Nacional durante o primeiro tempo. Os atuais campeões da Libertadores trabalhavam melhor a bola e criavam mais chances. Até que o gol saísse do outro lado, graças ao grande protagonista do Ciclón na campanha. Cecílio Domínguez sofreu falta na área, após choque com Macnelly Torres. Pênalti que o próprio camisa 10 cobrou, com uma frieza impressionante: mandou uma cavadinha para cima de Armani, que quase se recuperou a tempo. Arrebentando pelos azulgranas, o meia de 22 anos soma seis gols na competição continental.

No início do segundo tempo, Domínguez permaneceu no centro das atenções. Desta vez, por forçar a expulsão de Miguel Borja. O paraguaio segurou o colombiano, que reagiu empurrando o adversário. Decisão discutível do árbitro Néstor Pitana, que privou o Atlético Nacional de seu artilheiro. A partir de então, a superioridade foi claramente do Cerro Porteño. O problema é que os anfitriões tinham dificuldades nas conclusões. E, em um lance isolado, pagaram caro. Quando o relógio marcava 37, Macnelly Torres cobrou falta em direção à área e Álvaro Pereira acabou mandando contra as próprias redes.

O desafio do Cerro Porteño será grande na visita ao Atanásio Girardot, onde o Atlético Nacional costuma intimidar. Reinaldo Rueda não conta com um elenco tão qualificado quanto na reta final da Libertadores, mas poucos times vêm sendo tão dominantes no cenário continental quanto os verdolagas. A favor dos azulgranas, está o fato de já terem sido os carrascos de outras duas equipes colombianas, eliminando Independiente Medellín e Independiente Santa Fe. Mas, desta vez, precisarão decidir a classificação fora de casa, algo que não aconteceu nas etapas anteriores. A angústia da fanática torcida será vivida de longe.