O futebol ficou em segundo plano na vitória do Anzhi sobre o AZ nesta quinta-feira, pela Liga Europa. Impedido pela Uefa de jogar no Daguestão por questões de segurança, o clube do Makhachkala foi alvo de racismo de torcedores presentes no Estádio Lokomotiv, em Moscou.

Entre as faixas exibidas nas arquibancadas, algumas promoviam os slogans “A Rússia é para os Russos” e “Caucasianos, vão para casa”. Além disso, parte do público chegou a fazer gestos nazistas e a atirar objetos no gramado. Após o jogo, cerca de 100 hooligans atacaram torcedores do Anzhi nas proximidades de um metrô em Moscou.

A torcida do Anzhi também foi alvo de violência no último final de semana, em partida contra o Zenit, em São Petersburgo. A região do Daguestão, onde o clube possui sede, é considerada uma das mais perigosas da Europa. A república autônoma é foco de diversos atentados terroristas, ocasionados por grupos separatistas e conflitos étnicos.

A atitude dos moscovitas foi condenada pelo presidente do Daguestão, Magomedsalam Magomedov: “Enquanto a maioria dos torcedores russos apoiou a vitória do Anzhi, outros tentaram usar a partida para incitar uma histeria nacionalista e o ódio entre vários grupos étnicos da Rússia”.

Já Guus Hiddink, técnico do Anzhi, acusou os agressores não serem torcedores verdadeiros: “Eu não estou muito certo se eram fãs reais de futebol. Eu penso que foi uma provocação contra o nosso clube. Não sei o que a Uefa fará. Eles podem nos pedir para jogar em outro lugar”.