O comediante Roberto Gómez Bolaños faleceu nesta nesta sexta em Cancún. A TV latino-americana perdeu um grande ícone, mas o futebol mexicano perdeu um de seus mais ilustres torcedores. Bolaños, que ficou famoso no Brasil com os personagens Chaves e Chapolin, era torcedor fanático do América e sempre deixou transparecer sua paixão pelo esporte.

VÍDEO: México sub-21 bate Venezuela, é campeão e comemora imitando o Chaves

Em diversos episódios de Chaves, foi possível ver referências a times e jogadores mexicanos que, aqui no Brasil, foram adaptadas na dublagem. Por isso, o público brasileiro se acostumou a ver menções a grandes jogadores brasileiros dos anos 70 e 80, como Pelé, Luís Pereira e Rivellino.

Uma das referências futebolísticas mais clássicas, a frase “teria sido melhor ir ver o filme do Pelé”, é uma autorreferência, o que expõe ainda mais a influência do futebol na obra de Bolaños. Na versão original, Chaves se refere à película El Chanfle, em que o comediante interpreta um roupeiro do América do México.

Bolaños já brilhou com a camisa do América

Lançado em 1979, El Chanfle foi o maior sucesso de bilheteria mexicano na época e foi também a maior homenagem de Bolaños ao esporte que sempre acompanhou. No filme, que conta com quase todo o elenco das maiores obras de Bolaños, o criador de Chaves e Chapolin Colorado é Chanfle Segundo, roupeiro do América. Também representando as Águias, Carlos Villagrán (que fez Kiko, em Chaves) é Valentino, o grande craque do time, enquanto Ramón Valdez (o Seu Madruga) faz o papel de Moncho Reyes, treinador da equipe.

EXTRATIME: Chaves e amigos até tentaram jogar futebol americano, mas não deu muito certo

A produção é recheada da comédia pastelão que tanto caracterizou a obra de Chespirito. Em uma das cenas, Chanfle sonha acordado com um cenário em que ele próprio é jogador do América e decide uma final de campeonato contra o Atlético Español, hoje o Necaxa.

Você pode assistir ao filme completo e legendado, publicado no Youtube, aqui.

Torcida pelo América e idolatria por Enrique Borja

Em diversos episódios, Chaves e Kiko protagonizaram divertidas “partidas” de futebol no pátio da Vila, fingindo ser diferentes jogadores em cada uma delas. Se na versão brasileira os nomes variam, na original o personagem de Bolaños era quase sempre apenas um atleta: Enrique Borja, atacante da seleção mexicana nas Copas de 1966 e 1970.

Borja foi jogador do América por quase toda sua carreira, o que comprova a torcida de Chespirito pelas Águias. Embora por um período tenha dito ser torcedor do Necaxa, isso aconteceu apenas porque a Televisa, que transmitia seus seriados, havia comprado o clube mexicano. De qualquer forma, o filme El Chanfle já não deixou dúvidas disso.

LEIA TAMBÉM: Allejo, Mallandrovisky, Tsubasa: A seleção dos sonhos da sua infância

Kiko e Seu Madruga também tinham forte relação com o futebol

Além de Chespirito, outros que tinham ligação clara com outras equipes eram Ramón Valdez e Carlos Villagrán. O primeiro era torcedor fanático do Necaxa, tanto que um dos bordões de Seu Madruga na versão original de Chaves era “yo le voy al Necaxa”, que usava quando queria se colocar como diferente ou contrário a uma afirmação, já que, à época do seriado, a torcida pelo clube não era tão popular.

O segundo, intérprete de Kiko, tinha uma relação interessante com o futebol. Havia sido jornalista esportivo antes de se juntar ao elenco das produções de Bolaños e cobriu a Copa do Mundo de 1970. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, em 2011, recordou com carinho da seleção brasileira tricampeã: “Ainda me lembro de Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. Era uma equipe incrível”. Villagrán, inclusive, batizou dois de seus filhos em homenagem a craques daquele Mundial: Edson Villagrán e Paulo Cézar Villagrán, por causa de Pelé e Paulo Cézar Caju.

Obs.: Só nos resta agora ouvir a música abaixo, lamentar e agradecer a Bolaños por participar de nossa infância.