Que Wallace, do Flamengo, curte uma boa leitura em suas horas vagas, todo mundo já sabe. Além de ajudar a proteger o gol rubro-negro, o zagueiro está sempre lendo um livro e, posteriormente, produzindo uma pequena resenha para seu blog, o Wallace Leu. Uma ideia bastante legal, inusitada e que chamou a atenção de uma professora da rede municipal de ensino de Mesquita. Juliana Caldeira Rocha viu no exemplo do beque rubro-negro a possibilidade de incentivar o hábito da leitura em seus alunos.

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Professora de turmas do primeiro ao quinto ano na Escola Municipal Hélio Mendes do Amaral, em Mesquita, no Rio de Janeiro, Juliana ficou sabendo da existência do blog de Wallace e pensou em usar a influência do atleta para reforçar às crianças o prazer que a leitura pode dar. “Eu vi uma notícia, através do Facebook, com a foto do Wallace com um livro na mão e achei interessante, porque é até uma forma de tirar o estigma de que jogador de futebol não é leitor. É uma forma de trabalhar com os ídolos das crianças”, conta a professora, em entrevista à Trivela.

“Fui ver como era o blog, o que ele tinha a dizer sobre os livros, quais ele elencava, e achei interessante a listagem dele. Como “O Pequeno Príncipe”, que é um livro para a faixa etária das crianças com quem trabalho. Achei interessante a classificação dele, colocando camisas do Flamengo, de uma a cinco, para mostrar o quanto ele gostou de um livro”, completa.

Juliana então comentou sobre o blog na sala de aula, e os alunos passaram a acessar o site e a se interessar pelo conteúdo. Despretensiosamente, a professora entrou em contato com o zagueiro e acabou surpreendida pouco tempo depois.  “A coisa foi tomando uma proporção maior, e eu entrei em contato com o blog, com a assessoria do Wallace, mas sem saber se ia rolar ou não. Para a minha surpresa, dois dias depois, o Wallace mandou um vídeo, falando com as crianças, incentivando e indicando o livro do Pequeno Príncipe. Aí a gente fez um evento, mostramos para as crianças em um telão, e elas ficaram empolgadas”, relembra.

O efeito das palavras de Wallace foi imediato no comportamento das crianças. “Primeiro eles se interessaram pelos títulos que estavam no blog do Wallace, e quando mostrei o video em que ele fala especificamente o nome da escola, eles se sentiram enaltecidos, por haver alguém famoso mandando um recado para eles, e quiseram participar mais. Está dando bastante resultado”, revela Juliana.

Além de gravar um vídeo para os alunos, Wallace enviou exemplares de O Pequeno Príncipe para a escola, que, segundo conta Mauro Cezar Pereira em seu blog, fez bastante sucesso entre a garotada, que disputava para ver quem ficava com os livros enviados pelo jogador rubro-negro.

Antenado no tipo de leitura apropriado para as crianças, Wallace já enviou uma segunda sugestão aos alunos da Escola Hélio Mendes do Amaral. Casa das Estrelas trata do universo infantil e dos significados que os pequenos atribuem às palavras. O zagueiro propôs um exercício de reflexão sobre, entre outros termos, “futebol”. Juliana ficou surpresa com a extensão do contato de Wallace e contou que já fez a leitura com os alunos, pedindo a eles suas próprias definições das palavras.

Pelo efeito prático da ação de Wallace, a professora espera manter a parceria com o zagueiro do Flamengo: “Eu continuo em contato com a assessoria dele, (e podemos fazer isso) enquanto ele quiser. Estamos aqui”.

Figuras públicas podem ter grande influência na vida das pessoas. Em um país em que o futebol é tão popular, os jogadores estão entre os mais visados, sobretudo pelas crianças. E, em meio a tantos comportamentos discutíveis que acabam virando parâmetro para alguns pequenos, é ótimo que exista um atleta como Wallace para reforçar um hábito tão importante e que, infelizmente, não tem índices muito positivos. Parte da explicação está na dificuldade em apresentar a leitura como algo lúdico às crianças. Algo que, para Juliana, foi alcançado por Wallace em seu contato com os alunos de Mesquita: “É bom mostrar que a leitura pode estar em qualquer lugar, que é um deleite, um prazer ler, não uma obrigação”.