O Wolverhampton merece ser lembrado por sua digna campanha nesta Premier League. O time de Nuno Espírito Santo oscilou ao longo da trajetória, como foi natural aos times fora do chamado “Top Six”. De qualquer maneira, a quem acabava de retornar da segundona, se manter na metade de cima da tabela e peitar alguns dos primeiros colocados é um feito digno de nota. Há jogos que ficarão na lembrança do torcedor – como, por exemplo, o ocorrido nesta quarta-feira no Estádio Molineux. Os Wolves fizeram uma atuação de adultos contra crianças durante o primeiro tempo. Pela primeira vez desde 1979, derrotaram o Arsenal em um duelo pela elite do Campeonato Inglês. Que os londrinos tentassem, não tinham a eficiência e a impetuosidade dos anfitriões. A vitória por 3 a 1, de certa maneira, nem transmite totalmente o tamanho da humilhação. E de novo deixa os Gunners atônitos, apenas três dias depois da dura derrota sofrida diante do Crystal Palace dentro do Emirates. Precisam levantar a poeira, pensando na reta final decisiva em busca do G-4 e na conquista da Liga Europa.

Desta vez Unai Emery trouxe sua equipe principal a campo, sem rotações como as que prejudicaram a equipe no final de semana. E os londrinos começaram a partida com mais iniciativa no Estádio Molineux. Mantinham a posse de bola e buscavam o ataque, tentando abrir a marcação do Wolverhampton. A postura durou cerca de cinco minutos. A partir de então, os Wolves descobriram os caminhos para avançar ao ataque. O chute de João Moutinho foi o primeiro aviso. Não demoraria para os londrinos desmoronarem, diante do futebol objetivo e voraz dos anfitriões.

Toda subida do Wolverhampton ao ataque representava uma clara ameaça. E o temor se concretizou aos 27 minutos. Falta na entrada da área, para Ruben Neves bater. O português, conhecido por seus chutes de média distância, caprichou demais na cobrança. Mandou uma bola sinuosa, cheia de veneno, que passou por cima da barreira e fez uma curva para fora, saindo do alcance de Bernd Leno. Era apenas o primeiro. O Arsenal batia cabeça contra a parede laranja à sua frente e via os Wolves golpearem com os dentes arreganhados a cada avanço. Aos 37, mais um gol. Cobrança de falta na intermediária e Jonny conectou o cruzamento diretamente na cabeça de Matt Doherty, se antecipando a Leno. Pois teria mais. Nos acréscimos, os Gunners escancararam como estavam perdidos. Perderam uma bola na intermediária, o que permitiu o contragolpe fatal concluído por Diogo Jota. O lusitano deu um corte seco em Sokratis, antes de bater rasteiro, em chute ainda tocado por Leno.

Se não era um baque em casa como o ocorrido diante do Crystal Palace, os 20 minutos de desespero no Estádio Molineux se tornam ainda mais emblemáticos à fragilidade defensiva do Arsenal – e, sobretudo, à fragilidade defensiva fora de casa. O segundo tempo seguiu com a falta de ânimo que se aguardava. Os Gunners tinham a posse de bola e não conseguiam criar diante da marcação encaixada do Wolverhampton. No máximo, reclamaram por um pênalti negado pela arbitragem. Já do outro lado, os Wolves ainda provocaram calafrios em suas chegadas, mais esparsas. Raúl Jiménez ficou a um triz de anotar o quarto. Os londrinos até descontaram aos 34, numa bola alçada na área que Sokratis desviou. Mal valeu a comemoração, diante do anticlímax tremendo. Rui Patrício só fez sua primeira defesa nos acréscimos do segundo tempo, apesar dos 72% de posse de bola dos oponentes. A preocupação de Unai Emery é bem maior.

Pela segunda partida seguida, o Arsenal perde a chance de fincar o pé no G-4 da Premier League. Mas não pode reclamar da contribuição oferecida pelos concorrentes, igualmente patinando ao longo dos últimos dias. O time segue estacionado com 66 pontos, na quinta colocação. Tottenham (70 pontos), Chelsea (67) e Manchester United (64) são os seus principais oponentes, agora todos igualados com 35 partidas realizadas. O Wolverhampton, por sua vez, espera colher os frutos. Assume a sétima colocação da Premier League, com 51 pontos. Watford (50), Everton (49) e Leicester (48) estão em seu encalço. E é possível que uma vaga na Liga Europa sobre ao melhor destes. Aos Wolves, em seu retorno à elite, já seria um baita feito.