A pré-temporada foi com tudo em cima. Vitórias, alegrias e expectativas. Esta última é a pior, porque é quem mais ilude. A expectativa é gigante. “Este ano o Arsenal briga pelo título”, diziam alguns torcedores empolgados. A principal contratação do time para a temporada, o goleiro Petr Cech, veio para acabar com um problema no histórico recente do time de Arsène Wenger. Finalmente a torcida olhava para a meta e via um goleiro confiável. Tudo foi por água abaixo logo na estreia do time na Premier League.

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O West Ham tinha Slaven Bilic estreando como técnico do time na Premier League. Vinha de uma eliminação nada menos do que ridícula na Liga Europa diante do Astra, da Romênia. Um indicativo ruim para quem começa a temporada na liga que é considerada a mais forte do mundo.

Tudo isso, porém, ficou só na teoria no jogo do estádio. Emirates. O que se viu em campo pareceu ser exatamente o oposto do que a pré-temporada – e início de temporada, no caso do West Ham – mostravam. O Arsenal pouco conseguiu criar. O West Ham pressionava, tentava colocar os mandantes em dificuldades. Teve em Dimitri Payet o seu principal jogador, causando muitos problemas aos Gunners. E foi com ele que o West Ham começou a construir a vitória no primeiro tempo. O francês, líder em passes para gol na temporada passada da Ligue 1, cruzou para a área, onde o meio-campista Kouyaté subiu para cabecear, aproveitando uma saída do gol desastrosa de Petr Cech. Hammers 1 a 0.

Você leu certo: uma saída de bola desastrosa de Cech. O goleiro contratado para dar segurança ao Arsenal embaixo das traves já falhou logo no primeiro jogo. Uma falha de marcação, é bom dizer, já que o jogador do West Ham subiu sozinho. Mas a saída de Cech pareceu atabalhoada, sem tempo de bola.

Os problemas seguiram. O Arsenal tinha mais posse de bola, mas era menos letal do que gostaria. Aliás, não era letal de modo algum. O time pouco conseguia fazer em campo para criar. E aí veio o segundo tempo, mas as esperanças caíram por terra em mais uma falha. O West Ham pressionou a saída de bola e Oxlade-Chamberlain adiantou muito a bola, errou, o argentino Mauro Zárate tomou a bola e chutou forte da entrada da área. Gol do West Ham, em uma bola que era defensável e mostrou de novo que Cech pareceu não estar no seu melhor. O placar marcava 2 a 0 para os visitantes com 12 minutos da etapa final.

O meio-campo do Arsenal não conseguia se impor diante do West Ham. Longe de um time que já foi duro e apostava demais no jogo pelo alto, os Hammers mostraram um estilo de jogo de dominação no setor-chave do campo, o meio, o que impediu que o Arsenal tivesse um domínio perigoso da partida. A criação de jogadas do time de Wenger ficou extremamente comprometida. Tanto que mesmo chutando muito a gol (20), a maioria foi bloqueada (9) e outra boa parte foi para fora (7). Só quatro vezes o time acertou o gol. O West Ham chutou menos, oito vezes, mas quatro delas foram ao gol, duas vezes foi bloqueado e outras duas bolas foram para fora. Não foi só uma atuação técnica e individual ruim do time, foi também mérito do West Ham em bloquear o setor criativo do Arsenal em campo.

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O estilo de jogo do West Ham sequer precisou apelar para o alto número de faltas. Foram 12 cometidas pelo Arsenal e oito pelo visitante. Pois é, o time cometeu menos faltas que o adversário. Há também o mérito de Bilic em apostar em jogadores de muita técnica, como o meio-campo formado pro Kouyaté, que mais do que o gol, é um dos excelentes jogadores do time, Oxford, um garoto de apenas 16 anos e que trabalhou muito no setor, e Mark Noble, capitão do time e um dos principais jogadores deste time há muitas temporadas. No ataque, além de Zárate e Payet, teve também Diafra Sakho, rápido e sempre perigoso.

A vitória por 2 a 0 não foi nenhum exagero, fruto de contra-ataques bem feitos e sofrendo uma pressão monstruosa do Arsenal. Foi um time que conseguiu neutralizar as armas do mandante, deixou o Arsenal perdido sem espaço, soube trabalhar a bola com bons passes e boa técnica e, claro, aproveitou as boas chances que teve. Chances que o Arsenal quase não teve.

O destaque do jogo foi mesmo Payet, dominando o meio-campo, coordenando as jogadas e fazendo o West Ham ser melhor que o Arsenal, de um jeito que pareceu ser natural. No final do jogo, quando o relógio já passava dos 45 minutos regulamentares, já se via muitos espaços vazios nas arquibancadas do estádio Emirates. Os torcedores do Arsenal pareceram abandonar o jogo diante da atuação ruim do time.

Wenger terá trabalho. E Cech precisará mostrar mais segurança. Ao West Ham, resta a alegria de ver que a eliminação precoce na Liga Europa não foi uma boa medição da qualidade do time. O time ganhou perspectivas muito melhores a partir deste domingo na Premier League.

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