Depois de anos de vacas magras, o Valencia voltou a investir pesado nesta temporada. A compra do clube pelo magnata Peter Lim permitiu novas contratações de peso e o direito de sonhar alto outra vez. Só que o retorno dos Ches à Liga dos Campeões acontece após muito drama. Em uma rodada na qual o Sevilla fazia sua parte contra o Málaga, os valencianos precisaram buscar um gol aos 34 minutos do segundo tempo para vencer o Almería fora de casa e assegurar o retorno ao torneio continental, após dois anos de ausência. Uma vitória por 3 a 2 que valeu por toda a temporada da equipe de Nuno Espírito Santo.

VEJA TAMBÉM: O adeus de Xavi ao Camp Nou foi marcado por uma bela festa da torcida do Barça

O Valencia investiu o suficiente para ter um time de Champions. O investimento de € 72 milhões foi o quarto maior desta temporada e mais que o triplo do Sevilla, quinto da lista. Enzo Pérez, Otamendi, Mustafi e André Gomes chegaram como reforços de primeira linhagem, enquanto Rodrigo Moreno e Álvaro Negredo vieram por empréstimo. Com o elenco que os Ches já contavam, a volta na Liga dos Campeões era praticamente obrigação. Conquistada com muito suor, graças à concorrência.

Ultrapassar Barcelona e Real Madrid era utopia. O Valencia, ao menos, conseguiu seguir de perto o Atlético de Madrid, que seguiu em boa fase, embora sem repetir o desempenho espetacular da temporada passada. O problema é que os pequenos deslizes dos Ches permitiram a aproximação do Sevilla, com um excelente aproveitamento dentro de casa. Por mais que o Valencia só tenha sofrido mais derrotas que o Barça, o excesso de empates atrapalhou. Nem sempre constante, o ataque fez a pressão ser maior do que deveria, além das falhas pontuais da defesa.

Na rodada final, ao menos, tudo deu certo ao Valencia. Ainda que a vitória do Sevilla botasse o time contra a parede diante do ameaçado Almería, os Ches fizeram sua parte e viraram o jogo. Otamendi e Feghouli marcaram para garantir o empate duas vezes no primeiro tempo. Já na segunda etapa, quando o Almería pressionava para tentar escapar do rebaixamento, Paco Alcácer anotou o gol da vitória em um contra-ataque. Com um ponto a mais que o Sevilla e um a menos que o Atlético de Madrid, o Valencia vai às preliminares da Champions. O ponto baixo ficou apenas para a lesão de Diego Alves no segundo tempo, com suspeita de ruptura dos ligamentos do joelho.

O Sevilla, contudo, não deixa de sonhar com a Champions. Se conquistar a Liga Europa na próxima quarta-feira, contra o Dnipro, os andaluzes se garantem na fase de grupos. Se perderem, já tem vaga na própria Liga Europa através do Campeonato Espanhol. Nenhum dos resultados muda a classificação continental dos outros times espanhóis, apenas muda a vida do Olympiacos, que perderá o lugar na fase de grupos com a classificação direta do Sevilla à LC e terá que disputar as preliminares. Além disso, Villarreal e Athletic Bilbao se confirmaram no segundo torneio mais importante da Europa.

Ao Valencia, resta trabalhar e sonhar. O clube ainda está distante de seu auge, alcançado no início dos anos 2000, ou mesmo do bom momento vivido antes de sua crise financeira. De qualquer maneira, a tendência é crescer. Com o aporte financeiro de Peter Lim, as contratações deverão acontecer em peso para o retorno à Champions, tornando ainda melhor a base atual. E, ao contrário de muitos “novos ricos”, os Ches contam com uma torcida enorme, que o impulsiona ainda mais. Apesar da concorrência na Espanha, dá para voltar a ser figurinha carimbada entre os melhores clubes da Europa.