As competições continentais correm nas veias do Valencia. O clube possui tantos títulos europeus quanto do Campeonato Espanhol. São seis taças em La Liga e outras seis nas copas da Uefa – uma Recopa, uma Copa da Uefa, duas Taças das Cidades com Feiras e duas Supercopas. No começo do século, os Ches assombravam além das fronteiras, com direito a dois vices da Champions. E outra vez miram o sucesso, agora na Liga Europa. Pela terceira vez nesta década, os valencianos vão às semifinais do certame. O desafio contra o Villarreal não era dos maiores e, pela segunda vez, o time de Marcelino García Toral bateu o rival em crise. O triunfo por 2 a 0, de qualquer forma, é o bilhete de passagem a um grupo que tem potencial para mais.

O triunfo por 3 a 1 no Estádio de la Cerámica deixou o Valencia com um pé na próxima fase. E os anfitriões não decepcionaram sua torcida, no reencontro com o Villarreal dentro do Mestalla, sob chuva torrencial. Embora Marcelino tenha rodado o seu elenco, 13 minutos bastaram para que os Ches saíssem em vantagem. Recuperando sua melhor forma, Gonçalo Guedes recebeu na esquerda e deu um ótimo passe por elevação para Toni Lato. O lateral invadiu a área, batendo de primeira para balançar as redes. E a classificação foi carimbada pelo capitão Dani Parejo, após falta sofrida por Gonçalo na intermediária. A cobrança do meio-campista não foi tão boa e acertou a barreira. O chute, porém, seguiu em direção ao gol e matou o goleiro Andrés Fernández, que não conseguiu se recuperar. Passagem tranquila às semifinais.

O Valencia encara seu próximo oponente como azarão. O Arsenal também faz uma campanha respeitável na Liga Europa e possui um elenco mais recheado. Contudo, os clubes espanhóis costumam dominar o torneio secundário da Uefa e os Ches têm a incumbência de honrar esta tradição. Se a briga pelo G-4 do Campeonato Espanhol anda acirrada, o torneio continental será um caminho alternativo à Champions. Mais do que isso, a equipe ganha embalo após um início de temporada morno e possui qualidade individual para encarar os Gunners. Em 2012 e 2014, Atlético de Madrid e Sevilla frustraram a presença dos valencianos nas semifinais. Curiosamente, o primeiro duelo aconteceu sob as ordens de Unai Emery e o segundo, contra o treinador. Agora, o tira-teima com o velho conhecido pode reaproximar o Mestalla de outros períodos históricos do clube.