Valencia e Barcelona faziam no Mestalla o grande jogo da rodada do Campeonato Espanhol. Dois times fortes, que tentavam se reerguer depois de resultados inconsistentes na competição. Foi um início de jogo bom, com dois times se encarando de igual e gols logo de cara. Entretanto, a partida não evoluiu além disso. Os Ches se contiveram a defender e os blaugranas não refletiram seu controle de bola no placar. Ao final, o empate por 1 a 1 acaba condizente ao que foi o duelo, embora não sirva muito a qualquer dos lados.

A grande notícia na escalação do Barcelona era a utilização de Arthur no meio-campo, mais uma vez, após a boa experiência contra o Tottenham. Do meio para frente, Ernesto Valverde repetia a escalação que deu certo na Liga dos Campeões, com Philippe Coutinho mais à frente, compondo o trio ofensivo ao lado de Luis Suárez e Lionel Messi. Já na zaga, Thomas Vermaelen ganhou uma chance. Enquanto isso, o Valencia vinha com força máxima, confiando em uma linha de frente mais explosiva, com a dupla de ataque formada por Kevin Gameiro e Michy Batshuayi.

O gol do Valencia saiu logo no primeiro minuto. Cobrança de escanteio que contou com uma pane da defesa do Barcelona (mais um neste início de temporada), sobretudo de Gerard Piqué. O zagueiro se abaixou, não cabeceou e a bola rolou por suas costas antes de sobrar mansa a Ezequiel Garay, que não perdoou. Era um excelente início dos Ches, bem mais agressivos, criando em velocidade. Gonçalo Guedes aparecia bastante pela esquerda e as chances iam surgindo, em arremates promissores de Batshuayi e Geoffrey Kondogbia. O problema é que Gonçalo se lesionou logo aos 12 minutos e a entrada de Denis Cheryshev não manteve o nível dos anfitriões.

A partir de então, o Barcelona tomou o domínio do jogo. Controlou 77% de posse de bola e ia rodando os passes, com Arthur auxiliando neste trabalho. O Valencia recuava e se fechava muito bem ao redor de sua área. Entretanto, o jogo perdeu ritmo, principalmente porque os blaugranas não conseguiam ser tão vorazes. Dependeriam de algo diferente, e ela não poderia vir de nenhum outro além de Messi. Aos 23 minutos, o camisa 10 avançou pelo meio, tabelou com Luis Suárez e desferiu um chute perfeito, no cantinho, sem qualquer chance de defesa para Neto. Logo cedo, tirava o peso das costas dos catalães. Mas faltavam infiltrações à equipe de Ernesto Valverde. Do outro lado, os Ches dependiam de contra-ataques e voltaram a assustar aos 38, em chute de José Gayà que seguiu para fora.

O segundo tempo teve bons primeiros minutos. Cheryshev bateu com estilo de fora da área e levou perigo. Logo depois, Neto trabalharia em finalizações de Coutinho e Messi. Então, seria a vez de Gameiro bater forte e mandar para fora. Contudo, a partida ficou mais truncada. O Barcelona não conseguia converter seu domínio em jogadas mais agudas e errava demais nos arredores da área. O Valencia seguia intransponível sem a bola, mas sem encaixar contra-ataques, nem mesmo depois da entrada de Rodrigo Moreno. O cansaço das jornadas na Liga dos Campeões pareciam pesar, sobretudo aos blaugranas.

Messi e Coutinho concentravam as chances do Barcelona. O camisa 10 arriscava de média distância e não mostrava a mesma precisão, enquanto o companheiro chegou a ser travado em momento decisivo por Gayà. Ernesto Valverde também demorou a realizar suas alterações, com Ousmane Dembélé e Rafinha saindo do banco apenas depois dos 39, nos lugares de Coutinho e Arthur. Mal tiveram tempo para tentar qualquer jogada diferente, em empate que não é ruim às equipes, mas as deixa estagnadas na tabela.

O Barcelona completa quatro rodadas sem vencer no Campeonato Espanhol. São três empates e uma derrota no período, que deixam a liderança para um surpreendente Sevilla. Os andaluzes derrotaram o Celta por 2 a 1 neste domingo e aparecem com 16 pontos, um a mais que os catalães, somando vitórias consecutivas. O Valencia, por sua vez, vai mal. Só venceu um de seus oito jogos até o momento, embora acumule seis empates. Tem nove pontos, no 14° lugar. Não parece ser tão ruim diante do equilíbrio que impera, mas espera-se mais de um time com tal potencial, especialmente pela péssima marca de seis gols marcados – o segundo pior ataque da competição até o momento. O jogo deste domingo poderia ter significado especial a quem vencesse. Termina com um sabor agridoce.


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