O Valencia vinha de duas temporadas para esquecer. Encarando sérios problemas financeiros, os Ches ficaram de fora da Liga dos Campeões para, em 2013/14, sequer conseguirem a vaga na Liga Europa. Entretanto, um novo horizonte se desenha para o clube. A chegada do novo dono Peter Lim trouxe boas perspectivas fora de campo. E o início de campanha reforça a força para retomar o posto no G-4. Neste sábado, a vitória mais contundente da equipe, batendo o Atlético de Madrid por 3 a 1 no Estádio Mestalla.

O resultado do Valencia foi inapelável e se desenhou em apenas sete minutos, com três tentos em sequência. O gol contra de Miranda, em um desentendimento ridículo com o goleiro Moyá, desestabilizou a defesa do Atleti. O zagueiro brasileiro tomou um drible desconcertante de André Gomes, que ampliou com um golaço, e Nicolas Otamendi fez o terceiro de cabeça. Mario Mandzukic reduziu a diferença ainda na primeira etapa, aproveitando rebote de Diego Alves. E, quando o Atleti tinha a chance de encostar no placar, o goleiro brasileiro defendeu pênalti cobrado por Guilherme Siqueira.

Tirando os primeiros minutos, não foi uma partida avassaladora do Valencia. Porém, a atuação dos Ches foi bastante consistente. Contra bastante entrosado como o Atlético de Madrid, os mandantes também mostraram o seu equilíbrio ao manter a vantagem sem tantos sobressaltos. Nos momentos de maior perigo, brilhou Diego Alves, em mais uma boa atuação do goleiro. Já na frente, pesou a precisão do ataque comandado por Paco Alcácer.

Com cinco vitórias e dois empates em sete rodadas, o Valencia assumiu a liderança de La Liga – pelo menos temporariamente, até o Barcelona entrar em campo. Diz muito sobre a boa sequência que o time vem apresentando neste início, ainda que os dois tropeços que havia sofrido até então tinham sido contra os adversários mais fortes, Sevilla e Real Sociedad. O triunfo sobre o Atlético de Madrid serve não apenas para deixar para trás um concorrente na tabela, como também para reafirmar as pretensões da equipe do técnico Nuno Espírito Santo.

Além do mais, quem aparece nessa guinada é Diego Alves. O goleiro de 29 anos é um nome em potencial para a nova fase da Seleção, e o sucesso no clube ajuda a deixá-lo em evidência. O próprio pênalti defendido ajuda a ressaltar um número impressionante do brasileiro no futebol espanhol: ele pegou 16 das 35 cobranças contra a sua meta, um impressionante aproveitamento de 46%. São 13 apenas por La Liga, igualando o recorde histórico de Santiago Cañizares, e mais que o dobro de seus companheiros de posição desde 2007/08 – Andrés Palop, vice-líder na estatística, pegou seis. Peça-chave também na reformulação vivida pelo clube, do qual Diego é uma das lideranças e o segundo jogador com mais tempo no elenco principal.

Obviamente, há muito para rolar em La Liga. Mesmo assim, a tendência é que o Valencia ganhe ainda mais consistência na sequência do campeonato. Com vários jogadores jovens contratados durante a janela de transferências, os Ches devem se entrosar ainda mais nas próximas semanas. E, sem copas europeias para se preocupar, a dedicação ao Campeonato Espanhol será máxima. Não dá para esperar um “novo Atlético de Madrid”, brigando pelo título até o fim. Mas o velho Valencia, buscando as primeiras posições e a vaga na Liga dos Campeões, é bem possível que volte.