Desde a fase de grupos o Tigres despontou como um time a ser observado na Libertadores. Nada que o eximisse das desconfianças. Não apenas pelas oscilações, como também pelo simples fato de ser mexicano. Afinal, quase sempre os clubes do norte não levam a sério o torneio, apenas um bônus em meio a outros interesses. Mas, desta vez, os felinos vêm com um passaporte além de seu país. A identidade sul-americana tem grande peso dentro do elenco comandado pelo brasileiro Tuca Ferretti. E dá o devido valor à copa, garantindo o clube como primeiro semifinalista da Libertadores 2015. Não à toa, o bicampeão continental Rafael Sóbis comandou a vitória por 2 a 0 sobre o Emelec, suficiente para a classificação após a derrota por 1 a 0 no Equador.

Os talentos individuais do Tigres fazem a diferença ao time desde os primeiros jogos da campanha, e isso é evidente. Ter jogadores que realmente entendam a Libertadores vale demais aos felinos. Tanto que as principais referências na equipe são do sul do continente. Vencedores da taça, Rafael Sóbis e Guerrón comandam o ataque na competição, ao lado dos mexicanos Lugo e Esqueda – este em boa fase. O equatoriano tem perdido espaço no time, mas o brasileiro segue como principal cabeça no setor. Não só por chamar a responsabilidade, como também por fazer os companheiros jogarem. Tanto que se sobressaiu nesta terça, marcando o primeiro gol e dando a assistência para Rivas selar a classificação do Emelec.

Outro protagonista do Tigres é o goleiro argentino Nahuel Guzmán. Ídolo do Newell’s Old Boys e homem de confiança do técnico Tata Martino (com quem foi semifinalista da Libertadores de 2013, pré-convocado à Copa América), o camisa 1 possui grande explosão sob as traves, mas também se destaca pelas saídas do gol e pelo jogo com os pés. Reforça o setor defensivo como um todo. No elenco, ainda conta com os compatriotas Gonzalo Pizarro e Damián Álvarez. Além dos rodados Egídio Arévalo Rios, reserva pela primeira vez na campanha nesta terça, e o zagueiro brasileiro Juninho, que fica no banco. Tarimba não falta.

Dono da melhor campanha na fase de classificação do Clausura Mexicano, o Tigres caiu para o Santos Laguna nas quartas de final. É um time que, apesar dos talentos individuais, costuma se acomodar em campo. Por vezes, até chamar o adversário para cima, diante das opções conservadoras do técnico Tuca Ferretti. Mas as lideranças sempre podem fazer a diferença. E ainda há enorme pressão de se jogar no Estádio Universitario de Nuevo León. Com uma torcida fantástica, os felinos costumam encher boa parte dos 42 mil lugares nas arquibancadas. Como aconteceu contra o Emelec, resultando em 90 minutos de barulho e atmosfera intensa.

Os próprios equatorianos servem para valorizar o que faz o Tigres. O time do técnico Omar de Felippe cai de pé. Através de sua defesa sólida, comandada pelo goleiro Dreer, de bom apoio dos laterais e de velocidade nos contra-ataques, o Emelec poderia muito bem pintar nas semifinais – e até merecia, pelos desempenhos consistentes nas últimas campanhas continentais, ainda que os resultados finais não sejam excepcionais. Miller Bolaños e Ángel Mena (que fez falta nesta terça) saem entre os melhores desta Libertadores.

Fora do Campeonato Mexicano e diante do intervalo causado pela Copa América, o Tigres terá mais de um mês para se preparar às semifinais. Se os clubes de mesmo país não mudarem o chaveamento, deverá pegar Independiente Santa Fe ou Internacional. Mantendo a base, o time de Tuca Ferretti é candidato à final. Especialmente se Rafael Sóbis continuar chamando a responsabilidade como organizador e referência do ataque. Tanto quanto a qualidade técnica, seu gosto pela Libertadores vale demais aos mexicanos.