Para “reafirmar a decisão da nova diretoria em trabalhar pelo equilíbrio financeiro do clube”, o Flamengo demitiu Dorival Júnior, nos primeiros meses da gestão Eduardo Bandeira de Mello, em 2013. Houve uma negociação para diminuir o salário da comissão técnica, herdada da presidência anterior, que tirava R$ 1,2 milhão dos cofres rubro-negros por mês, sem que se chegasse a um denominador comum. E, ironias do destino, é o próprio Dorival quem comandará a equipe carioca nos últimos meses de Bandeira de Mello como presidente do Flamengo – a não ser que seja demitido antes disso.

A eliminação para o Corinthians, na semifinal da Copa do Brasil, significou o fim da passagem de Mauricio Barbieri pelo comando do Flamengo, assim como uma possibilidade real de que o título da Copa do Brasil de 2013 seja o único de grande importância da presidência Bandeira de Mello, muito importante para sanar as finanças do clube, muito menos eficiente na gestão do futebol rubro-negro.

E o giro de 360 graus que o Flamengo deu com Dorival Júnior é simbólico de uma das causas principais dessa incapacidade de transformar poder financeiro em troféus: a escolha de técnicos. Foram tentados todos os perfis, em termos genéricos, de apostas a medalhões, de estrangeiros a ídolos do passado, o que denota que a estratégia foi mais tentativa e erro do que a busca por um profissional que implementasse a ideia de jogo que a diretoria imaginava ser a melhor para guiar o projeto, até porque, muito provavelmente, essa ideia nunca existiu.

Jorginho foi o sucessor de Dorival Júnior e ficou apenas 14 partidas. Mano Menezes durou 22 jogos antes de pedir o boné. Interino efetivado, Jayme de Almeida terminou o ano com o título da Copa do Brasil, mas foi demitido no começo do Brasileirão, após 51 partidas. Em seguida, vieram: Ney Franco (7J), Vanderlei Luxemburgo (59J), Cristóvão Borges (18J), Oswaldo de Oliveira (20J), Muricy Ramalho (26J), Zé Ricardo (89J), Reinaldo Rueda (31J), Paulo César Carpegiani (17J) e, enfim, Mauricio Barbieri (39J).

No total, com o retorno de Dorival, 13 treinadores e 14 trabalhos diferentes. Em seis anos. Alguns que estavam longe dos seus melhores momento e outros claros erros, confirmados pela rapidez de suas passagens. Quando houve mais convicção, correta ou equivocada, o Flamengo nada poderia fazer para evitar os problemas de saúde de Muricy Ramalho ou a saída de Rueda para a seleção chilena. Também é sintomático que três dos quatro homens com mais partidas à frente do time na gestão Bandeira sejam crias da casa porque o “vai ficando aí e a gente vê o que acontece” foi uma das táticas preferidas.

A falta de rumo ficou clara este ano. Após a saída abrupta de Rueda, o Flamengo decidiu dar o cargo a Carpegiani, que havia sido contratado inicialmente para ser coordenador técnico. Não deu certo, e a fórmula que até certo ponto funcionou com Zé Ricardo voltou a ser utilizada com Mauricio Barbieri. Não deu certo, e um novo treinador foi contratado para tampar os últimos meses da temporada.

Dorival tem contrato apenas até o fim do ano, já que o Flamengo está em ano eleitoral e vai saber quem será eleito. Apenas 12 partidas do Brasileirão garantidas. A escolha é mais um tiro no escuro. O bom trabalho no Santos parece cada vez mais uma exceção no passado recente do treinador, que não foi bem no Palmeiras e no São Paulo. Nem tem perfil motivador para uma cirurgia de emergência que inserisse um pouco mais de sangue no elenco para a reta final do Brasileirão.

A troca nem pode ser considerada um erro. Apesar de bons momentos no começo do seu trabalho, a equipe não estava mais reagindo com Mauricio Barbieri, e, com um choque de gestão, o Flamengo tem condições claras de ser campeão brasileiro ainda porque dista apenas três pontos da liderança, com 36 ainda em disputa. Mas, se isso acontecer, será aos trancos e barrancos, novamente, e não como fruto de um planejamento bem feito, como aquele que deu resultado, com méritos, no equilíbrio das contas do clube.